Temos maus políticos
São alguns dos piores das gerações do presente que estão na vida política a preparar as decisões do nosso futuro. O problema não é novo, mas há anos que olhamos para o lado.
Quando se fala de políticas, há sempre um conjunto de almas que nos vem explicar o quanto elas são brilhantes e muito necessárias. Nesses casos, não há nada como esperar pelos resultados para tirar as dúvidas. É que os resultados são como as imagens: valem mais do que mil palavras. O caso de alguns ministros é, quanto a isso, exemplar e nem sequer me estou a referir àquele que estou aqui a parafrasear que, por enquanto, anda muito discreto, ali sentado à mesa das negociações com os sindicatos de professores, do lado direito de quem encara o ministro.
Comecemos exactamente pelo ministro da Educação que não quis inovar nessas mesmas negociações, começando-as com a apresentação de uma proposta inaceitável, na tentativa de fazer acreditar que está a cumprir uma promessa eleitoral, quando a esvazia de qualquer efeito prático. Quer fazer acreditar que está a “dar” algo, quando na verdade acaba por propor a retirada de escassos direitos antes conseguidos.
Explicando: a proposta do ministro da Educação de recuperação de 20% do tempo de serviço docente por recuperar (477 dias, mais concretamente) é apresentada como sendo para entrar em prática no próximo dia 1 de Setembro, mas traz consigo a contrapartida de revogação do decreto-lei 74/2023, talvez por ironia chamado de “acelerador da progressão” da carreira docente. Nesse decreto, publicado no dia 25 de Agosto de 2023, previa-se que os docentes que tivessem passado pelo duplo congelamento de carreira ficassem isentos da necessidade de vaga para progredirem, caso se encontrem no 4.º ou 6º escalão, ou que beneficiassem de uma “aceleração” na progressão equivalente a um ano se estivessem do 7.º ao 9.º escalão.
Jogando com isso, a actual equipa ministerial propõe então que esses efeitos sejam revogados, em troca da recuperação da tal parcela de tempo de serviço, o que significaria que muitos milhares de professores veriam a sua progressão ser de 477-365 dias, ou seja, de apenas 112 dias, o que equivale a menos de 5% do tempo por recuperar. A partir de 1 de Setembro, o que, por sua vez, significa um novo ano lectivo e, de acordo com uma série de trâmites legislativos crípticos para os leigos na matéria, a necessidade de integrar qualquer potencial progressão num novo “ciclo avaliativo”.
Digamos para simplificar que com esta proposta, quase nenhum@ professor@ progredirá de escalão em 2024 com esta forma de recuperação do tempo de serviço, dando razão às recentes declarações do actual ministro das Finanças.
Ministro das Finanças a quem ainda tenho espaço para sugerir que leia jornais, que muito disso precisam, de preferência em papel, mas que por comodidade também pode ser online. Se o fizesse teria percebido que a larga maioria das despesas, decorrentes de resoluções do governo anterior, que agora apresenta como se fossem desconhecidas, foram noticiadas com abundância, incluindo os custos dos apoios aos agricultores, das vacinas para a covid ou as verbas para recuperar instalações escolares, em parte cobertas pelo PRR.
Há, pois, perante tudo isto, uma pergunta fundamental que temos de nos colocar: que políticos queremos no nosso país? Andamos sempre reactivos, atrás da agenda mediática dos “casos e casinhos”. Mas, da perspectiva dos cidadãos (os principais beneficiários da existência de bons políticos ou as principais vítimas dos maus) não há questão mais fundamental do que esta. Está, portanto, na altura de a colocar.




17 comentários
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O Guinote é dos que acha que o tempo congelado a recuperar é de 6 anos mais 1 de bónus.
Muito bem. Já há muito que perdi a paciência para acompanhar os “trabalhos” da AR, local de entretenimento de muitos infantes à custa dos nossos impostos. De resto, acrescento que andar com estas contas todas não serve ninguém a não ser os mesmos de sempre. É para fazer justiça? Reposiciona-se toda a gente e não se fala mais nisso. Tudo o resto é conversa fiada de mau pagador…
Obviamente.
Mas isso é se fossem honestos, coisa que, visivelmente, não são.
A enorme falta de decência dos políticos na forma como tratam os professores…nem sei o que dizer.
Explique, por favor.
É que até agora, o que se vê da proposta do governo, é que o tempo a recuperar é, na verdade, para perder quando se ficar preso no 4.º ou 6.º escalões.
A proposta diz que o acelerador é para acabar, o que é uma medida que nunca foi dita pela AD na campanha.
A proposta diz que o tempo que se ficar preso num escalão à espera de vaga é descontado no tempo a recuperar, o que significa que é perdido.
Nenhum destes pontos foi referido aos portugueses aquando da campanha. Apenas foi dito que o tempo era todo para recuperar. Nada mais.
Com esta proposta do ministério, a maior parte dos colegas só vai recuperar os 20% de setembro. Daí para a frente é ficar a ver navios.
Isto é absolutamente desonesto. Do mais baixo nível e reles.
Comentário para Agnelo Figueiredo.
Não temos maus políticos. Temos é ótimos aldrabões!
Esta proposta do ME é ridicula e vergonhosa. AD? Nunca mais.
Ai, agora? Vocês parecem miúdos de 12 anos.
Fartei de avisar para não se fiarem no PSD. O resultado está à vista.
Colegas,
O que se passa é inaceitável.
Durante a campanha o que foi prometido pela AD, desde setembro do ano passado reiteradamente, é que todo o tempo de serviço seria recuperado, em 20% ao ano, após negociações. ficou implicito que nas negociações este número poderia mudar, conforme o que fosse negociado. No entanto, não foi assegurada essa possibilidade de mudança.
Há, no entanto, algo que NUNCA foi dito.
Nunca foi dito que essa recuperação seria à custa da revogação de uma lei que permitiria o acesso dos “mais novos” aos 5.º e 7.º escalões (o chamado acelerador).
Nunca foi referida a revogação de nada. Logo, a colocação desta medida é como colocar um contrato a assinar, com umas letras miudinhas que subvertem o que está escrito nos artigos do contrato, sendo que, neste caso, nem sequer há letra miudinhas, pois nada foi dito ou escrito acerca de revogações de normativos ou leis.
O que os colegas e os sindicatos deveriam exigir é o que é mais justo.
NÃO EXISTE NENHUMA OUTRA CARREIRA QUE EXIJA VAGAS PARA ACESSO A ESCALÕES REMUNERATÓRIOS.
NÃO EXISTE A NECESSIDADE DE VAGAS NA MADEIRA E AÇORES. TODOS RECUPERARAM TODO O TEMPO, OU RECUPERARÃO ATÉ JANEIRO DE 2025.
Logo, o que seria correto e todos deveriamos exigir porque corresponde ao que foi prometido pela AD em campanha é que TODOS recuperassem TODO o tempo de serviço, pelo menos num rácio de 20% ao ano, até ao final da legislatura. E, para isso, implica não haver entraves de subida a escalões remuneratórios, como não poedria deixar de ser.
Isso sim corresponde ao que é justo e ao que foi prometido.
Deveremos exigir o cumprimento das promessas e a não subversão das mesmas!
Façam uma “vaquinha” e comprem um cérebro para oferecer ao arganel, outro para o hugo soares e ainda outro para o leitão amaro. Até pode ser de porco. De certeza que ficariam a “pensar” melhor…
O Agnelo é um sabujo da pior espécie.
Se os professores continuarem a deixar o facilitismo imperar e se não enfrentarem como deve ser estes politicos manhosos continuaremos a ter mandantes de merd@!
Como podemos admitir que os professores que já estão no 10 e que foram para a reforma com o roubo de tempo por parte do Estado não recuperem o que é deles por direito?!
A injustiça não fará nascer nada de bom e continuar a ter como contratados os professores que estão no sistema há décadas , também não!
Um país e 2 ou 3 sistemas, se pensarmos nos qrquipélagos, também tem que se lhe diga. Gestões unipessoais e avaliações remexidas, idem!
Há aqui algo que não entendo:
– primeiro o Paulo diz que os efeitos do acelerador são praticamente nulos
– seguidamente diz que são milhares os professores veriam a sua progressão ser de 477-365 dias, ou seja, de apenas 112 dias, o que equivale a menos de 5% do tempo por recuperar
Mais, diz a proposta que foi apresentada pelo MECI que esses 365 dias são descontados à totalidade a recuperar, ou seja, 2388 – 365, sendo a diferença (2023) recuperada à razão de 20% ao ano.
No que ficamos, são praticamente nulos ou abrangem milhares de pessoas? E recuperam-se apenas 112 no 1º ano e 477 nos restantes ou 404 em cada ano (20% de 2023)?
Dependerá do escalão em que estiver.
Se estiver no 7.º, 8.º ou 9.º, está à vontade e recupera tudo. Não há necessidade de vagas e é “sempre a abrir”.
Se estiver no 5.º ou 6.º, pode não recuperar tudo. Mas recupera grande parte.
Se for um dos desgraçados que está abaixo do 4.º, então está completamente tramada.
Vai levar com o garrote do 5.º e, mesmo que passe após vários anos, leva com o garrote do 7.º.
O mais certo é conseguir recuperar os 20% em setembro, e, depois, fica à espera anos e anos para passar ao 5.º. O tempo que passar à espera é descontado na recuperação, logo todo esse tempo é perdido.
No fundo, esta medida vem tramar completamente aqueles que já estavam mais prejudicados e que pouco ou nada têm.
Quem menos tem, menos terá.
Quem mais tem, continuará a ter mais. Curiosamente são estes os que mais se queixam, porque se arrogam o direito de terem tudo, não deixando nada para os que não têm grande coisa. É esta a chamada “solidariedade” entre colegas.
O que eu gostaria de saber é o que acontece a quem já beneficiou do 74 e passou escalões com cotas, porque isso já aconteceu a alguns professores. Como ficam os docentes que estão agora, 3 ou 4 meses depois, nessa situação e perdem o direito às vagas criadas pelo 74, se isto for em frente? Mais injustiças em cima de injustiças? Na verdade não podem retirar o que já deram a alguns, mas não o vão dar a outros na mesma situação?!!!!!!!!!!!!!!
Não me faltassem poucos anos para a aposentação e mudava de vida. Tudo isto é para lá de ignóbil!!!!
Se já passou os escalões com cotas, então está safa.
Recupera tudo, ao contrário daqueles que vão ficar presos eternamente no 5.º ou 7.º, e verão o tempo de serviço a recuperar a ser gasto na espera.
Nunca irão recuperar mais do que os 20% de setembro.
Esta é uma proposta inaceitável e que vem condenar os professores de meia idade a uma vida de miséria e a uma reforma de 600 euros daqui a 20 anos.
Obrigado AD.