Será assim tão difícil harmonizar propostas entre Sindicatos?

Farão sentido os apelos à união sindical?

Obviamente que farão sempre sentido, mas agora ainda mais, depois de ter sido conhecida a proposta do actual Governo sobre a recuperação do tempo de serviço dos Professores…

Com franqueza, não parece que a proposta apresentada pela Tutela em 3 de Maio de 2024 consiga corresponder às aspirações da maior parte da Classe Docente, nem satisfazer as suas expectativas…

Em 30 de Abril passado, a Missão Escola Pública emitiu um comunicado, lançando, por essa via, um repto aos Sindicatos da Educação, no sentido de alcançarem o consenso, justificando assim essa premência:

– “… Missão Escola Pública apela a todos os sindicatos para que, no dia 3 de maio, se juntem e levem uma proposta conjunta e única para a reposição do Tempo de Serviço.”

– “Este é o tempo de procurar pontos de contacto entre as diversas estruturas sindicais da Educação e não o de encontrar os pontos que as separam. O único objetivo deve ser o de defesa dos interesses do grupo profissional que representam, de forma inequívoca e imediata.”

Este apelo, subscrito por muitos Professores, parece, contudo, ter sido ignorado e desvalorizado pelos principais Sindicatos que, ao que se conhece, não responderam ao desafio que lhes foi dirigido…

Os mesmos Sindicatos que, do alto do seu “egocentrismo” e do seu “autismo”, parecem acreditar em algo deste género:

– Nós é que sabemos, não precisamos de conselhos de ninguém, não recebemos lições de ninguém, o que vem do exterior não nos interessa…

Lamentavelmente, os Sindicatos da Educação não têm conseguido opor-se à endémica desunião docente, uma vez que eles próprios se têm constituído como factores de divisão, originando frequentemente comportamentos facciosos, muitas vezes assentes num incompreensível corporativismo e na exaltação de determinados protagonismos…

Principais sindicatos a fazerem-se de moucos, face a apelos sensatos?

Sim, parece que sim…

E enquanto assim for, não se sairá daí para lado nenhum e não se chegará a lado nenhum que seja bom para os Professores…

Será assim tão difícil harmonizar propostas entre Sindicatos?

Será assim tão difícil perceber que o entendimento e o consenso entre Sindicatos podem assumir particular importância, sobretudo num contexto de “governação a prazo”?

Muito provavelmente, continuará a ser como sempre foi:

– Cada Sindicato a reiterar a perspectiva do “orgulhosamente só”, incapaz de se descentrar de si próprio e de unir esforços com outras estruturas sindicais…

Nessa perspectiva, iminentemente arrogante e individualista, os interesses dos seus supostos representados serão efectivamente defendidos?

Essa perspectiva conseguirá defender adequadamente aquilo que é mais benéfico para todos os Professores?

Paula Dias

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8 comentários

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  1. Então a culpa é da falta de união dos sindicatos?
    Francamente. A culpa é do egocentrismo e arrogância dos sindicatos. São uns idiotas e os governos todos maravilhosos. A culpa não é dos governos, é da falta de união dos sindicatos. E os professores não estão unidos porque os sindicatos não querem ou não deixam… enfim…

    • Jorge Lemos on 4 de Maio de 2024 at 11:31
    • Responder

    A divisão sindical só serve os interesses do governo.

  2. O Sr Arlindo vem agora apelar à união entre sindicatos? Como é possível usar este argumento para desculpar a terrível proposta da sua AD?
    Não esquecer que temos um líder sindical que é filiado num partido que apoia a invasão da Ucrânia. Este líder só está a fazer pela sua vidinha e mortinho para ir para a aposentação. União entre sindicatos… só pode ser brincadeira de mau gosto!!!

    1. Tens de começar a ler os autor dos textos do blog.

      És um iletrado digital.

      1. Bom dia, Lecas.
        Suponho que quer dizer “…os autores..”
        Posso ser iletrado digital, mas não sou analfabeto como o Lecas!

          • CCN on 4 de Maio de 2024 at 13:29

          É uma autora, chama-se Paula Dias.

    • Anónimo on 4 de Maio de 2024 at 17:43
    • Responder

    Já agora, se a recuperação começar já em junho, como ficarão os docentes que estão a ser avaliados este ano?
    A avaliação deste ano vai ao ar e passam para o escalão seguinte esquecendo-se o esforço dos que tiveram mais do que isso?
    Ou essa avaliação tem repercussões no escalão seguinte? Seria o justo, claro.
    Convinha percebermos todos o que isto significa, antes de propormos algo que nos pode dar tiros nos pés, já que parece dar-se mais importância a começar a recuperação em junho em vez do que é proposto pelo governo de ser em setembro, do que a que essa recuperação se dê em menos anos.

      • JÁ CHEIRA MAL! on 4 de Maio de 2024 at 21:44
      • Responder

      Exatamente. Faz muito mais sentido recuperar a 1 de setembro e todos os que devido a essa recuperaração progredirem durante 24/25 FICAM AVALIADOS EM 23/24 do que propor a recuperação a 1 de junho antes das SADD´s avaliarem. Mas que contratproposta idiota!!!!!!! E como fica o acelador. NÃO PODE SER REVOGADO NEM O TEMPO RECUPERADO NAS LISTAS DESCONTADO NOS 6,6,23 POIS SÃO TEMPOS DIFERENTES.

      ESTA PROPOSTA É INACEITÁVEL. A PROMESSA DA AD É UMA TRAFULHICE, POIS PREPARA-SE PARA DAR E DEPOIS POR VIA DAS COTAS E VAGAS RETIRAR OUTRA VEZ. Quem beneficia? todos os que estão no 7º, 8º ou 9º escalão. Os restantes lixam-se.

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