São Contas Assim Tão Difíceis?

Ministério e UTAO afinam contas para descongelar tempo de serviço dos professores

 

 

Unidade Técnica de Apoio Orçamental já tem a metodologia para apurar o impacto da medida, mas ainda é preciso confirmar dados junto da tutela que quer avançar com o descongelamento em setembro.

As contas para apurar o custo do descongelamento faseado da carreira dos professores vão ser afinadas durante as próximas semanas. A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), entidade responsável pelo estudo requerido pelo PSD, já tem a metodologia para calcular o impacto da recuperação do tempo de serviço, mas ainda precisa de tirar “algumas dúvidas” junto do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) em relação aos dados que lhe foram fornecidos pela Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE), apurou o ECO.

Em causa estão 6 anos, 6 meses e 23 dias, congelados desde o período da troika, e que o Executivo se propõe a devolver a um ritmo de 20% ao ano ao longo da legislatura, já a partir de 1 de setembro. No final da reunião da passada sexta-feira passada, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, mostrou-se disponível para fazer “alguns ajustamentos” à proposta apresentada aos sindicatos.

A unidade que dá apoio aos deputados da Comissão parlamentar de Orçamento e Finanças ficou incumbida de elaborar um relatório independente sobre o custo do descongelamento, na sequência da aprovação do requerimento apresentado pelo PSD, em outubro do ano passado, ainda na anterior legislatura. O processo foi-se arrastando no tempo, dado os entraves que a entidade, liderada por Rui Baleiras, encontrou junto do anterior Ministério das Finanças, tutelado por Fernando Medina, no fornecimento de informações. Entre a saída do Executivo de António Costa e a tomada de posse do novo Governo de Luís Montenegro, a DGAE acabou por enviar o ficheiro solicitado.

Aliás, o atual Ministério da Educação indicou que já remeteu à UTAO “os dados que permitem apurar o custo da medida”, dado que “o Governo anterior não tinha atendido a este pedido”. Ao ECO, Rui Baleiras, sinalizou que “o trabalho está a ser feito com a informação que tem vindo a ser prestada pelo Ministério da Educação”. “Têm sido mantidos contactos entre a UTAO e o Ministério da Educação desde a primeira hora”, sublinhou o coordenador daquela entidade que, para já, ainda não tem uma previsão para a apresentação do trabalho.

Certo é que esse instrumento será essencial para a tomada de decisão de Fernando Alexandre. Se a medida avançar em setembro, a UTAO terá mais tempo para estudar o custo do descongelamento. Caso seja para aplicar já no final de maio ou início de junho, como pedem os sindicatos, os trabalhos terão de acelerar e ficar concluídos em menos de um mês.

A atual proposta do Executivo prevê ainda a revogação do decreto-lei n.º 74/2023, — implementado pelo anterior Executivo e que impôs mecanismos de aceleração na progressão da carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário, tendo em vista criar “fatores de equidade, por via da discriminação positiva dos docentes, cujo desenvolvimento da carreira se encontra afetado” pelos dois períodos de congelamento — ainda que sem prejuízo dos efeitos já produzidos. No entanto, segundo os sindicatos, para os docentes que já beneficiaram da medida, a ideia do Governo é “descontar” esse tempo nos 6 anos 6 meses e 23 dias de tempo de serviço que estão congelados.

As 12 estruturas sindicais do setor da Educação estão contra o fim do “acelerador de carreiras”. Para além disso, querem que as negociações sejam concluídas no “final de maio, início de junho”, para que a proposta final seja vertida em decreto-lei, permitindo, assim, vincular um futuro Executivo, caso a legislatura não chegue ao fim. No entanto, mesmo nesse cenário, esta devolução deverá estar assegurada, dado que o líder do PS, Pedro Nuno Santos, já tinha garantido, durante a campanha eleitoral, que iria avançar com o faseamento da recuperação do tempo de serviço dos professores com base nos números a apurar pela UTAO.

Os sindicatos propõem ainda que a devolução da primeira tranche seja feita julho e pedem também medidas compensatórias para os reformados, bem como para aqueles que estão prestes a reformar-se, dado que não deverão recuperar a totalidade do tempo de serviço congelado e prestado, o que poderá ter consequências no valor da reforma.

Perante a exigência dos sindicatos, o MECI reitera ao ECO o que já tinha sido transmitido pelo próprio ministro da tutela: “Os docentes já aposentados não são abrangidos pela recuperação do tempo de serviço congelado, que se aplica aos docentes em exercício de funções”. Mas não esclarece se o Executivo admite alguma exceção para os professores que se vão reformar antes do fim da legislatura, de modo a que também possam recuperar integralmente o tempo congelado e não apenas uma parte, dado que a devolução é faseada. As próximas reuniões com os sindicatos ficaram agendadas para a 13 e 21 de maio.

 

 

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16 comentários

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  1. O acelerador de carreiras mais não é do que suprir as vagas do 5 e 7 escalão para que os professores possam progredir. Não é dar tempo de serviço extra aos professores. Recuperar tempo de serviço e manter as quotas é o mesmo que não dar nada.

      • Mainada on 7 de Maio de 2024 at 22:14
      • Responder

      Absolutamente de acordo.

      • Coerencia on 7 de Maio de 2024 at 22:43
      • Responder

      Está enganado.
      O Acelerador de carreiras tb dava 1 ano de bónus de serviço a quem este isento de vagas por ter tido Muito Bom ou Excelente.
      Além disso o acelerador de carreiras não se aplica a todos. A maioria dos colegas que estão abaixo do 5º escalão não estão abrangidos.

      Para concluir, há quase um ano todos criticaram o ME Costa pro ter criado este acelerador e o PR por o ter promulgado. Agora estão a favor????

        • Mainada on 7 de Maio de 2024 at 23:03
        • Responder

        Se foi criticado foi por não corresponder ao tempo em falta, não por ser inerentemente mau. Todos criticaram? Fale por si. A barreira artificial das vagas é inominável (mas dá muito jeito a estes desgovernados).

    • Inaceitável on 7 de Maio de 2024 at 22:06
    • Responder

    O DL 74 nãopode ser revogado. Não é da AD nem é promessa eleitoral da AD. É uma trafulhice se o fizerem. O tempo perdido nas listas do 4º e 6º escalão constituiu para muitos docentes um 3º ou até 4º congelamento, pelo que descontar esse tempo à recuperação do tempo de serviço é uma injustiça e canalhice. Ou é para recuperar ou não é. E não esquemas manhosos e mentiras para se dizer que recuperaram o tempo. Já o ano de benesse a todos os que eestão no 7º escalão e seguintes sem terem estado nas listas não me choca se for descontado pois estes docentes já beneficiaram de 6 meses ou um ano aquando da ADD e depois levaram um ano de bónus sem motivo. Já quem perdeu tempo apenas recuperou parcelas de 365 e portanto, todos perderam os dias, semanas ou meses que no total não contabilizaram 365. Ou seja há sempre uma má vontade, um desrespeito e uma tentativa de nada dar ou até voltar a retirar. Que péssimo patrão!

    Não se pode negociar à pressa e aceitar qualquer coisa e salve-se quem estiver no 7º e seguintes, pois os outros vão lixar-se. Recuperar com cotas e vagas é voltar a perder. Assim não! Este governo está a prazo e se revogar o acelerador ficamos sem nada.

      • Mainada on 7 de Maio de 2024 at 22:15
      • Responder

      Absolutamente de acordo.

  2. Consultar este blog está a ser um inferno, pois sistematicamente estão a aparecer anúncios, alguns dos quais ocupam a página toda. Estes aparecem logo no inicio e no telemóvel é uma chatice. Alguém sabe como se pode bloquer isto?Obrigada.

      • Mainada on 7 de Maio de 2024 at 22:16
      • Responder

      Sim. É só utlizar um adblocker.

    1. A publicidade no blog dá €€€.
      Não há almoços grátis, como se diz. Ou seja, o Arlindo não é o Pai Natal.
      Faz o seu trabalho e muito bem. E ganha com isso.
      É pena os “ajudantes” que tem, especialmente o Rui Burro, serem de fraco nível.

      Se não gosta, não come.
      (E tente não aceder pelo telemóvel).

        • Mainada on 7 de Maio de 2024 at 23:16
        • Responder

        Pois, mas o que é demais é exagero. Francamente, não coneço outro site ou blog tão inauditamente intrusivo (ainda por cima, quando é suposto prestar um serviço à comunidade – não se conseguir ler nada, não é serviço nenhum). Imagino que, para estar tão satisfeito, é porque está a usar adblockers, não é? Ai é, é.

        • Mainada on 7 de Maio de 2024 at 23:19
        • Responder

        Já agora, tente não aceder pelo telemóvel porquê. Há uma boa escolha de adblockers para telemóveis também. Até parece que tem muito má vontade……

          • Leal on 7 de Maio de 2024 at 23:31

          AdBlock (PC).

          No telemóvel, chateia, mas no PC é fácil não carregar nos anúncios, mesmo sem o uso de bloqueadores.

    • Mainada on 7 de Maio de 2024 at 22:28
    • Responder

    A única solução justa (que não vai levar o país à bancarrota, não brinquemos) é reposicionar toda a gente e não se fala mais nisso.

  3. “Miranda Sarmento acusa Medina de aprovar 2,5 mil milhões de despesa não orçamentada” Fonte: https://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/miranda-sarmento-acusa-medina-de-aprovar-25-mil-milhoes-de-despesa-nao-orcamentada

    Ainda não entenderam a velha estratégia do “não há dinheiro”?

    Os professores continuam a cair que nem patos!!!

  4. Começa novamente a dança e a palhaçada das contas. As contas, as contas, as contas, as contas, as contas, as contas, as contas, as contas, as contas, as contas…
    Estou a c@… para as contas.

  5. A “borla” no valor de 350 milhões de euros que o atual governo dá à EDP, a nível fiscal, dava para pagar a devolução dos 6A6M23D aos docentes.
    Portanto, este governo não cumpre o que prometeu (nem a restante direita).

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