3 de Dezembro de 2023 archive

Mesmo Sem Líder

O PS surge destacado nesta sondagem da AXIMAGE.

 

Apenas os jovens optam pela mudança de governo, mantendo-se os reformados ao lado do PS nesta sondagem.

 

 

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Telemóveis nas escolas: como deixámos chegar a este ponto?

Telemóveis nas escolas: como deixámos chegar a este ponto?

 

 

Nos recreios temos alunos que não se mexem, não brincam, não imaginam, não criam, não jogam, nem convivem…

Esta semana mais um agrupamento de escolas, neste caso do concelho de Cascais, decidiu proibir o uso dos telemóveis no recinto escolar.

A decisão não foi tomada de forma repentina ou infundada e o email informativo aos encarregados de educação denotava um trabalho prévio que envolveu toda a comunidade escolar.

As novas normas do Agrupamento não surgem sozinhas, mas trazem consigo um género de compensação. Como forma de promover a atividade física e desportiva nos intervalos, os alunos não só passam a ter permissão para levar o seu meio de mobilidade preferido para a escola, seja ele trotinete, skate, patins, bicicleta, como haverá melhoramentos no espaço exterior, nomeadamente para a prática desportiva.

Só quem não entra num recinto escolar onde é permitido o uso ilimitado de telemóveis pode não entender como isso está a ser pernicioso. Já lá vão os recreios ruidosos e ativos. É assustador e triste ver como deixámos que as coisas chegassem a este ponto: muitos são recreios silenciosos e adormecidos em que os alunos desistiram de investir uns nos outros e, sozinhos ou acompanhados, estão imóveis a olhar para o seu ecrã. Muitos até comunicam com quem está ao seu lado, mas geralmente só para partilhar ou comentar o que estão a ver, como se precisassem deste intermediário para comunicar.

Nem sempre é fácil relacionarmo-nos com os outros, expormo-nos, darmo-nos a conhecer, criar e desenvolver relações, alimentá-las, resolver conflitos. E se a pandemia foi altamente prejudicial neste aspeto, o regresso à escola de telemóvel na mão foi como um escudo atrás do qual cada um se defende à sua maneira, com prejuízo de aspetos importantes do desenvolvimento como o relacionamento com os pares, a empatia e a resolução de conflitos. Em paralelo temos o problema do cyberbullying, que muitas vezes nasce no contexto escolar e é alimentado por imagens ou vídeos captados na escola, com o propósito de humilhar, denegrir e prejudicar.

Quando os telemóveis chegaram até nós, nada apontava para que viessem a criar alienação ou a prejudicar a comunicação e envolvimento entre todos. Que pudessem vir a ser um entrave nas relações interpessoais. Muito pelo contrário, supostamente viriam tornar as pessoas mais próximas e contactáveis. O maior problema surgiu quando se deu o salto para os smartphones, que além de permitirem fazer chamadas e enviar mensagens – a parte menos usada pelos mais novos – concentram em si todo um aliciante – e viciante – mundo de informação e entretenimento.

Com a melhor das intenções, muitos pais precipitaram-se a oferecer esses pequenos aparelhos aos filhos, mesmo de tenra idade e, da mesma forma, as escolas permitiram a sua entrada com poucas limitações. Diariamente são confiscados vários telemóveis em sala de aula devido ao seu uso impróprio e muitas vezes constante. Só o facto de um aluno ter o telemóvel no bolso ou na mochila e de saber que poderá ter uma notificação nova pode deixá-lo ansioso e alheado da aula. Nos recreios temos alunos que não se mexem, não brincam, não imaginam, não criam, não jogam, nem convivem – com tudo o que isso acarreta. Embora muitas vezes me questione como pudemos deixar que chegasse até aqui, a questão que devemos colocar neste momento é sobretudo: chegados a este ponto, o que podemos fazer para juntos, resolvermos este problema de forma democrática e favorável a todos?

Filipa Chasqueira, in Sol

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Duas tarjas e um processo – Inês Cardoso

É sempre arriscado o exercício de traçarmos juízos sobre situações complexas quando não conhecemos todas as linhas escritas de processos em que os detalhes fazem muitas vezes diferença. Mas aquilo que tem vindo a público sobre o processo disciplinar instaurado à diretora de um agrupamento de escolas em Gondomar, devido à exibição de tarjas dentro do recinto escolar, merece o risco de uma análise.

Duas tarjas e um processo

As duas tarjas são públicas e permanecem há meses na escola. Uma diz simplesmente “Pela escola pública”, a outra (mais visível a partir do exterior) tem a frase “Estamos a dar a aula mais importante das nossas vidas”. Não há referências a sindicatos, ou quaisquer outros movimentos políticos e organizações externas. O inquérito conduzido pela Inspeção-Geral da Educação concluiu pela suspensão e perda de mandato da diretora. Tudo porque se considera que violou o dever de imparcialidade e de lealdade.

Claro que qualquer cidadão informado lerá nas tarjas um sentimento de protesto associado às greves que marcaram o último ano letivo. Mas não há nas frases escolhidas qualquer mensagem agressiva, imagens ou caricaturas de titulares de cargos públicos, críticas ostensivas ao Governo. Aliás, numa das frases nem se vislumbra como possa haver discordância da tutela: acredita-se que toda a atividade de João Costa e da sua equipa seja em defesa da escola pública.

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Calendário do Advento Escolar – Dia 3

Dia 3 – Míngua – Aprendizagens Essenciais – O importante é “medir por baixo”, pois os objetivos são mínimos.

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Manifesto Anti-Censura…

 

A censura é a mãe da ignorância. O censor é um imbecil…

A censura é uma moléstia. O censor é um doente incurável…

A censura não tem carácter. O censor é traiçoeiro e desleal…

A censura não tem coragem. O censor toca e foge…

A censura é mórbida. O censor é perverso…

A censura é exsanguinação. O censor é um vampiro…

A censura é a morte do pensamento. O censor não pensa…

A censura é o inferno. O censor é uma alma penada…

A censura esconde-se. O censor é um fraco…

A censura não sente. O censor é um infeliz…

A censura não tem honra. O censor é desprezível…

A censura é uma estupidez. O censor é um palerma…

A censura não olha nos olhos. O censor é um hipócrita…

A censura é arrogante. O censor é um pedante presunçoso…

A censura inflige sofrimento. O censor é um sádico…

A censura é ardilosa. O censor é um mentiroso…

A censura é a escuridão. O censor só enxerga a si próprio…

A censura é aleivosa. O censor é um farsante…

A censura asfixia. O censor é um suplício de estrangulação…

A censura é o vazio. O censor é apenas um eco abafado de si próprio…

A censura é a mentira. O censor é um fingidor…

A censura é imodéstia. O censor é um fanfarrão…

A censura julga que manda. O censor quer que o temam…

A censura é a sombra. O censor é um borrão…

A censura é vaidosa. O censor anda nu…

A censura é a solidão. O censor não tem ninguém à sua espera…

A censura é intimidação. O censor é um agressor…

A censura é a decadência. O censor não aceita a sua derrota, nem o seu fim…

A censura é uma porta fechada. O censor é um voyeur à espreita pelo ferrolho…

A censura é uma ameaça. O censor é um perseguidor…

A censura é o ópio dos ditadores. O censor é um dependente…

A censura é um cadáver putrefacto. O censor é um odor pestilento…

A censura é insanidade. O censor é um louco…

A censura é a morte. O censor é um moribundo…

A censura não presta. O censor ainda menos…

Não pode haver indultos para a censura…

“Devemos reivindicar em nome da tolerância, o direito de não tolerar o intolerante.” (Karl Popper).

Paula Dias

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