Quebrar o consenso da apatia. As vigílias são para isso. Conversar e levar à ação.
Ontem alguém observou, e com razão, que o facto de ser eu a divulgar e promover as vigílias de insatisfação na Educação, em Viana, estará a prejudicar o crescimento delas. Porque, ao serem associadas a mim, são associadas a alguém que não é consensual. (E eu acrescento, não é, nem quer ser).
Ontem, estivemos bastantes à volta dos bancos de pedra da praça a ter uma conversa franca e aberta sobre a educação e o que nos traz insatisfeitos. Que terminou quando consensualmente concluímos que era hora de ir descansar, porque hoje às 8h30 havia aulas.
E todos os que lá estiveram creio que dirão que foi tempo bem utilizado.
Há 2 consensos que retirei da conversa: estamos insatisfeitos e é preciso sair da apatia e tirar as pessoas dela.
A insatisfação até pode ser consensual no sentimento, mas não precisa de ser consensual na raiz, desde que gere ação comum.
E isso pode ser usar um símbolo comum (as resistências) ou o mero compromisso de mobilizar colegas para se juntarem.
E esses pequenos passos são bom caminho para coisas mais visíveis.
Todos podemos ter motivos diferentes para estar zangados com o Estado da Educação, mas, mesmo assim, conseguir juntar numa ação conjunta essa insatisfação para produzir efeito e ação.
Daí o símbolo das resistências.
E neste quadro geral, eu e o que digo, escrevo e faço não interessa realmente.
Na verdade, não quero nem nunca quis ser em momento algum da vida consensual.
Se quisesse, eu sei o que precisava para ser consensual, mas não quero.
Dizer-se que não sou consensual é, do meu prisma, elogio. A minha mãe e a minha avó ficariam felizes de saber que esse foi o resultado final da educação que puseram em prática.
E fico feliz se o pouco que tenho feito (mandar avisos para a câmara a comunicar concentrações na Praça) ajudar a quebrar o consenso apático.
Hoje vai seguir mais 1 porque os que estiveram ontem querem continuar e alargar como está a acontecer noutros sítios do país.
O nosso mal como classe docente é o consenso instalado em muitos de que “já não vale a pena”. Mas vale.
Mas para isso é preciso falar e dizer uns aos outros o que se pensa e não ficar no consenso paralisado.



