A fórmula da graduação, a sua transparência e blindagem à cunha e favoritismo, foi que o me permitiu ser professor.
Ela é a culpada. E por isso a defendo.
Se os professores fossem selecionados pela simpatia, eu não me safava pois não sou simpático (melhor dito, não passo graxa, nem manteiga, nem lambo nada que não deva).
Há quem diga que mordo, mas ainda está para se provar.
Se os professores fossem selecionados pela cor política eu não me safava. Mesmo quando fui do PS (até 2005) nunca fui da facção “certa” na minha terra. Era da minoria rebelde. Até houve um presidente de câmara do meu partido, ex-colega de escola da minha mãe, que lhe fez o apelo de que me fizesse portar bem que “iria longe”. A minha mãe riu-se.
Mas parece que eu quis ficar perto da consciência e não longe. E especialmente mal acompanhado.
Se a escolha dependesse desse autarca é doutros que incomodei e seus camaradas, aulas não daria.
Ser professor foi a forma de ser livre.
Era bom aluno e tive boa nota. Estudei muita História e depois tive boa nota na profissionalização (16,5) o que me deu impulso nos 1º concursos a que concorri, em que a competição era com gente com pouco tempo de serviço e menos nota.
ÀS VEZES PENSO QUE O PROBLEMA É OS POLÍTICOS NÃO ENTENDEREM A MATEMÁTICA DA COISA…..
A FÓRMULA DA GRADUAÇÃO é simples: para considerar o conhecimento e formação profissional inclui a nota do curso que habilita para ensinar.
A essa nota, chamada classificação profissional, acresce 1 valor por cada 365 dias de serviço após ser profissionalizado e 0,5 por cada ano antes da profissionalização.
O trabalho conta, em dias. E com eles a fórmula considera a experiência.
Balanceia formação e experiência.
Quando a fórmula foi criada, há décadas, havia muito pouca capacidade de computação
E como não sou um fanático de nada, até admito que poderíamos hoje criar convenções de melhoria da fórmula.
Para enriquecer a capacidade de fazer “perfis”, que excita tantos, mas sem que deixe de ser possível todos concorrerem com todos em todas as escolas (que é isso que a graduação permite).
Afinal se eu concorrer a qualquer escola portuguesa serei sempre o tipo que já tem 27 anos de serviço e uma nota inicial de 16,5. E, se outro candidato, com 12 valores e 3 anos “conhecer muito bem o projeto educativo do agrupamento” (fórmula que muito diretor batoteiro adorava nas ofertas de escola para escolher os amigos) não passa, por isso, a ser lógico ou aceitável que possa passar-me à frente na seleção (não se riam, que vi acontecer….).
Por exemplo, podíamos pensar muita coisa para mudar a fórmula sem a desequilibrar. Dar bonificações de tempo de serviço a quem for para certas zonas, que quem não for não tem, a acrescer à graduação. Acrescentar valores por cada conjunto de horas de formação certificada (1/365 avos por cada 5 horas de formação, para exemplificar, que não estou a propor), bonificar quem tenha grau maior que o que dá a habilitação (ex: quem é licenciado como habilitação, se tiver um mestrado certificado ter mais, por hipótese, 25% na classificação), etc.
É TUDO UMA QUESTÃO DE FÓRMULA, DE MATEMÁTICA, DE COMPUTAÇÃO
Na verdade, a graduação é uma convenção matemática. A convenção foi feita por matemáticos e não políticos. E ainda bem que é numérica e substantiva e não adverbial.
Contaminar a escolha de professores com subjetividades irrelevantes e com potencial pouco ético é um problema para o futuro do país.
A “escolha dos diretores” é sempre menos rigorosa que a uma fórmula matemática convencionada geral. Em especial num processo que sempre envolverá milhares de pessoas no curto periodo de tempo de preparação de cada ano letivo.
365 dias podiam ser um valor mas podiam ter sido dois e o tempo antes da habilitação podia ser meio ou 0,75 valores.
A convenção foi definida há muitos anos e ficou. Mas se a configuração até pode ser mudada, não deve ser alterado o princípio transparente e comparável, em especial se for por troca com métodos mais caros, mais incómodos, lentos, complexos e potencialmente corruptivos.
Que me perdoem os meus colegas diretores: confio mais numa fórmula matemática, abstrata e geral, para escolher professores e definir bons perfis que nas suas opções e escolhas.
Até porque já as vimos a funcionar e correu mal. Muito mal.
A violar a Constituição e a justiça.
Pena é que a possibilidade de haver cunhas seduza tantos que deviam defender regras claras e abstratas. Mas que acham que piores regras os podem beneficiar.
Luis Sottomaior Braga



