É perigoso cairmos na tentação de fazer juízos de valor com base em imagens ou relatos parcelares, num tempo em que o imediatismo nos leva muitas vezes a reduzir tudo à simplicidade do branco ou preto, certo ou errado. Mas é impossível não nos inquietarmos com vídeos em que adolescentes se divertem a agredir e gozar com um colega. Ou com explicações de pais alegando que tudo não passa de uma brincadeira.
É a brincar, dizem eles
Se milhentos estudos não houvesse, lidar com crianças e adolescentes basta para perceber a facilidade com que se entra na espiral de agressões verbais, psicológicas e físicas. É o nerd da turma, o gordo, a burra, o caixa de óculos, o sem-fim de caricaturas e estereótipos que originam uma segunda pele que se vai colando à pessoa, acabando por tomar conta da autoestima e afetando o seu bem-estar.
Há ainda quem desvalorize o conceito de bullying, a reboque de frases como “isso sempre aconteceu, não lhe dávamos era esse nome”. É certo, sempre aconteceu, o que não invalida que tenhamos hoje ferramentas novas para identificar e combater os fenómenos, deixando definitivamente de os normalizar. E deixando, sobretudo, de encolher os ombros e dizer que são “brincadeiras” de miúdos.
O bullying é um assunto da escola, dos pais, da sociedade. Até porque tem uma incidência particular em contexto escolar, mas não conhece fronteiras de idades, contextos ou classes sociais. Acontece sempre que há desequilíbrio das perceções de poder, seja esse poder social, político ou físico. Enfrenta-se com ações firmes e concertadas de medidas públicas, necessariamente interdisciplinares, e com o compromisso responsável de educadores. O bullying é um problema meu. Seu. De todos os que acreditamos que o respeito absoluto pelo outro, na sua identidade singular e eventual diferença, é a única forma de sermos gente.




3 comentários
Os pais queixam-se na direção se o aluno só teve 98%. O professor é sumítico e traumatizou o meu rebento para a vida! Logo via watsapp todos os pais ficam a saber quem é o ranhoso e fazem um cartaz do género Texas: Dead or Alive!
Depois a direção faz bullyng comigo, diz que se eu não der 100% ao criaturo também não me sobem de escalão! E para o ano dão-me turmas piores num horário de fazer chorar as pedras da calçada. E até colocam na lista das ovelhas negras para todo o espaço e todos os tempos!
O aluno faz bullyng comigo, pois convence os colegas a não participarem nas aulas porque o prof. é
um grande sacana que não dá 100 a quem só tem 98!
O formador faz bullyng comigo, pois se eu não concordar com as patranhas da inclusão corta-me a palavra e dá má nota!
Os colegas docentes também entram no jogo. Dão 100 a todos, dizem que não viram nada…
O ministro faz bullyng: ou obedeces quietinho e caladinho, ou roubo-te mais um tempo de serviço, obrigo-te a fazer mais 100 relatórios para ontem, injeto-te legislação à velocidade da luz e drogo-te com teorias da flexibilização!
Hello?! Alguém sabe que há bullyng com os professores?
Que mania de distorcer a realidade.
Querem fazer o diabo a partir de umas brincadeiras tão inocentes quanto comuns.
Até parece que não temos uma escola pública de excelência.
Já não devemos falar em elevador social.
A expressão adequada é agora foguetão social.
Pois… bullying. Conheço isso muito bem e de quem nunca esperei.