9 de Maio de 2021 archive

Recentrar o ensino e a aprendizagem

 

Recentrar o ensino e a aprendizagem

Os últimos meses foram pródigos na identificação de problemas e na apresentação de inúmeras soluções, para fazer face às aprendizagens que os alunos portugueses terão perdido ao longo do ano letivo.

Pede-se aos diretores que façam o levantamento das aprendizagens por realizar, aos professores que façam o pino e que ensinem em dois meses o que os alunos não aprenderam durante um ano, e criam-se relatórios, planos, estratégias nacionais. Mas raramente se tem em conta o centro do problema – a aprendizagem – e que este problema só pode ser resolvido por quem está no terreno – os professores.

A comunidade científica, os organismos estatais e os influenciadores  da área da educação teimam em querer apresentar soluções milagrosas, agora com recurso à tecnologia digital e lá aparece uma multiplicidade de ferramentas e respetivas propostas de trabalho que nunca poderão ser bem sucedidas porque os alunos não se identificam com “esse fazer”.

O mundo dos nossos alunos é o mundo do imediatismo, jamais conseguiremos que eles sigam pontinhos numa imagem que abrem textos e powerpoints extensos que não irão ler. Este é o risco da tecnologia pela tecnologia. Subjugar o conteúdo à ferramenta, que, aliás, rapidamente ficará obsoleta. Sejamos francos, os alunos aprendem, se consultarem ou lerem estas propostas?

Os professores têm de recentrar a sua ação para que os alunos dominem quatro competências essenciais:

  • Ler: textos diversificados e em múltiplos formatos, apresentados pelo professor ou encontrados pelos alunos na sequência de uma proposta de trabalho;
  • Interpretar: isto é, fazer inferências sobre o que se leu, pelo que as propostas de atividade devem ser desafiantes (por exemplo, através da metodologia do trabalho de projeto, em que os alunos são confrontados com problemas para os quais têm que encontrar respostas);
  • Escrever: diversificando tipologias de texto para chegar à escrita mais extensiva, como por exemplo mapas mentais, tweets, nuvens de palavras, identificação de palavras chave, …;
  • Comunicar: favorecer uma comunicação adequada ao tempo em que vivemos e em que o som, a imagem e a palavra não vivem isolados. É nesta fase que os alunos poderão criar as tais propostas que vemos circular na Web criadas pelos professores, quando esse é o papel dos alunos.

Para que estas competências contribuam para o sucesso educativo dos alunos é importante que os professores:

– Promovam práticas de metacognição, que levem os alunos a refletir sobre o seu percurso de aprendizagem – as dificuldades encontradas, a forma de as superar e as aprendizagens realizadas.

– Favoreçam a aprendizagem social, pois, ao promoverem o trabalho colaborativo entre os alunos, tal como defende Vygotsky (Zona de Desenvolvimento Proximal),  este tipo de trabalho permite-lhes compreender, reconhecer erros, encontrar respostas, aceitar pontos de vista, discutir ideias, comunicar.

– Apontem caminhos para que os alunos possam transferir o conhecimento adquirido para novos contextos, condição essencial para que se criem verdadeiras aprendizagens. Só assim, de acordo com a teoria da aprendizagem, os alunos alcançam maturidade intelectual.

Uma nota final. A emergência das metodologias ativas tem como foco o trabalho do aluno, isto é, que seja ele a construir a sua própria aprendizagem. O professor não implementa uma metodologia ativa quando cria um recurso que apenas passa pela leitura ou consulta do aluno, por muito digital que seja este recurso. O foco continua a estar no professor e não no aluno.

Recentremo-nos naquilo que interessa. A aprendizagem.

Biblio Tubers

 

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O professor é um cidadão normal?

 

O professor é um cidadão normal?

Muitas vezes nos esquecemos do ser humano que está por detrás do professor. Do ser humano que está por detrás daquele profissional que tudo faz para desempenhar, da melhor forma, o seu papel. Faz porque tem consciência da importância do trabalho que desempenha em prol das gerações vindouras. Faz porque tem consciência de que o futuro do seu país está nas suas mãos. Faz porque sabe que contribui para a evolução deste país, se criarmos nas nossas crianças e nos nossos jovens a capacidade de pensarem o seu país, de tomarem decisões certas para bem de todos, de participarem na vida deste país. Tudo isto para além do seu papel original de construir conhecimento com os seus alunos.

Sim, o professor é essencial e fundamental para a construção da sociedade, para contribuir para a mobilidade social, para promover o pensamento crítico, para ensinar a aplicar conhecimentos em novas situações. Sim, o professor exerce um trabalho nobre e de muita responsabilidade. Mas não obrigado, eu não quero ser professor quando for grande! O trabalho é mal remunerado, o docente é sistematicamente confrontado nas suas competências, é desvalorizado pela sociedade . Então quem vai fazer o trabalho dos professores? Quem vai orientar os sistemas educativos para contribuir para o desenvolvimento de valores e de competências nos alunos que lhes permitam responder aos desafios complexos deste século e fazer face às imprevisibilidades resultantes da evolução do conhecimento e da tecnologia?

A presente realidade coloca desafios novos à educação. O conhecimento científico e tecnológico evolui a um ritmo de tal forma acelerado, que somos confrontados diariamente com um crescimento elevadíssimo de informação, a uma escala global. As questões relacionadas com identidade e segurança, sustentabilidade, inovação e criatividade estão no centro da vida das pessoas. As ligações entre o indivíduo e a sociedade colocam à educação e aos professores múltiplos desafios que suscitam diversas questões.

Os professores, confrontados com uma realidade atípica, vestem capas de super-heróis e todos os dias saltam para fora da caixa, erguendo o olhar para os seus alunos e desenhando, em conjunto, inúmeras estratégias de superação. Convictos da missão heroica de que ninguém fica para trás, trabalham todos os dias, em prol de uma educação que consiga chegar, de forma eficaz, a todos os alunos.

Apesar da educação neste país aparentar ser um ato isolado da classe docente, é imprescindível que haja uma estrutura social e política que mantenha a valorização e reconhecimento da profissão. Começando pelas decisões tomadas pelos nossos governantes, que, para além de terem de assegurar o justo investimento financeiro na educação, têm o dever de criar todas as condições que possibilitem uma carreira docente específica, tendo em conta todas as características do serviço docente, e com uma remuneração adequada. Uma carreira sem desigualdades ao nível da progressão, onde tem de haver a garantia de uma evolução que corresponda ao real desempenho profissional. Uma carreira sem desgaste devido ao sobretrabalho. Uma carreira em que o acesso não demore décadas, levando à desmotivação e desistência de quem sonhava construir uma vida estável sendo professor. Uma carreira com uma aposentação a tempo de permitir uma saída digna e com saúde.

Por mais que se veja o professor como um profissional multifacetado e diferenciado, nunca devemos esquecer que é um cidadão normal!

Beatriz Calafate

 

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A fantasia da Inclusão…. Luís S. Braga

 

(Agora a questionar a sério e não a falar de vanguardas sebastiânicas e cómicas, se a cegueira politiqueira não fosse trágica).

Parece-me que o problema do sucesso educativo (e note-se que disse EDUCATIVO e não ESCOLAR) está a ser mal abordado todos os dias.
As fantasias, hoje instituídas, da inclusão do papelório e da linguagem cheia de perífrases burocráticas centram-se demasiado na escola e na suposta motivação, que esta tem de gerar por iniciativa dos professores, e esquecem, quase totalmente, as condicionantes sociais prévias da origem e família dos alunos e os meios e recursos de agir nelas.
Quantas medidas, universais ou paroquiais, apoios de todas as siglas, adaptações e currículos, avaliações psicológicas, etc, seriam poupadas, para serem gastas com intensidade onde faz falta, se houvesse ação social efetiva e acompanhamento familiar e doméstico?

Falar com um pai ou mãe para o convencer a acompanhar mais em casa e gerir o tempo de estudo e ser firme a mandar estudar não dá para se vir propagandear ser “vanguardista”. Até é muito conservador e reaccionário. Não é giro e “Psico-pedagógico”.
É do domínio simples do concreto e não dos domínios, ou âmbitos, de abstracções com palavras complexas.

Mas, desde o tempo dos escribas egípcios, que quem não estuda, não aprende (talvez até seja assim desde a pré-história).
E pode não estudar por não ter condições em casa, ser pobre, viver no meio de conflitos e outras dificuldades e por muitas outras razões, que nada têm a ver com a natureza pessoal do aluno e “as suas dificuldades” ou não se geram na escola.

Sem resolver essas razões, nada feito. E podem enterrar-nos em papéis e por-nos a fazer relatórios 8 horas por dia.

O caso dos alunos estrangeiros é ainda mais chocante.
Que sentido faz preencher papéis e papéis da “inclusiva” e não ter horas específicas para individualmente ensinar português?
Mas é só um exemplo de muitos dos disparates que se andam a promover por conta do irrealismo fantasista da “vanguarda” inclusiva.
Sobrecarregar a escola de papéis, processos e culpa por “não se adaptar”, arranja um bode expiatório para o mau governo da sociedade, para exibir à mesma sociedade, a qual não gosta de professores.

Realmente, vista com os pés no chão, essa “vanguarda” é demagogia bacoca e agrava o problema do sucesso educativo real. Que há de ser medido ao longo da vida dos alunos e por eles próprios. Quando já ninguém quiser saber dos disparates que Brandão regurgita, ainda se há-de pagar o preço da sua política “vanguardista”.

A relação escola sociedade precisa de uma reforma e, talvez, rever a alucinada legislação, crismada de inclusiva, seja a maior urgência.
Mas sem cair numa politiquice de oposição das supostas “vias” Crato/Brandão. Foi isso que nos trouxe até este ponto.

Entreguem isso a quem sabe…..gente que, nos últimos 10 anos, tenha dado uns 5 de aulas no nível de ensino que vai afetar. Os que estão nessa categoria percebem porque digo isto.
E que não sejam só propagandistas das “modas inclusivas” que fazem coro sobre o que lhes dá jeito.

Ou acham moralmente correto e bom para o país que um diretor de turma tenha de escolher entre gastar os 100 a 200 minutos semanais da função, a preencher papéis sobre o que deixa de ensinar, em vez de falar com pais e alunos sobre como estes podem aprender mais?
Faria sentido deixar de operar ou vacinar para escrever relatórios sobre a costura das cirurgias ou sobre a opinião dos utentes sobre serem picados?

PS: escrevi isto sob a influência da notícia, de hoje, do pai, motorista do metro de Almada, que levou a filha para o trabalho, por não ter quem tomasse conta dela e foi despedido, por ter ficado em casa a acompanhá-la (despedimento que o Supremo decidiu não ter justa causa).
Li isso numa pausa de corrigir testes. Alguns adaptados. De que serve adaptar ou reduzir dificuldade nos casos em que o estudo é zero? E não me venham com a conversa da motivação dos alunos….alguns deles são órfãos de pais vivos.

 

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A extinção do diretor-dinossauro

Está-se a aproximar a hora do meteorito, os dinossauros perecerão em breve.

Não é invulgar encontrarmos diretores de agrupamentos de escola do tempo da outra senhora, antes da entrada e vigor dos 75/2008 por esse país fora. Diretores que se esqueceram como ser professores por falta de prática. Vinte, trinta anos há frente de uma escola deixaram-nos desfasados no tempo sobre a evolução que veio acontecendo em sala de aula.

Há concelhos em que os diretores-dinossauros se não eram a totalidade, seriam a maior parte. Agarrados ao poder foram-se mantendo, através de jogos internos e externos, no poleiro.

Os últimos estão de saída.

Concelhos com vários agrupamentos de escola, em que esses diretores permanecem no cargo há mais de vinte anos, veem agora a possibilidade de mudança, ou não. Podemos vir a assistir a uma dança de cadeiras dentro da própria direção Por mais que eu ouça alguns manifestarem a vontade de voltar a uma sala de aula até à idade da reforma, entende-se que eles não o queiram realmente fazer. Pelo bem dos alunos não deveriam…

A mudança está aí. Cabe á comunidade escolar, através do seu conselho geral exigir mudanças credíveis e não apenas de papel de parede. Os novos diretores nunca deverão ter em hipótese de se perpetuarem no tempo como tal .

A escola está em mudança e tal como ela os pequenos decisores deverão ser substituídos como as fraldas.

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Petição Pelo Direito á Mobilidade dos Técnicos Superiores!

Porque os Técnicos Superiores trabalham lado a lado com os professores…

Para o direito à Mobilidade dos Técnicos Superiores do Ministério da Educação

ASSINAR PETIÇÃO

Os Técnicos Superiores (trabalhadores e trabalhadoras) das Escolas, vinculados através do PREVPAP – Programa de Regularização Extraordinária de Vínculos Precários da Administração Pública, pedem o direito à Mobilidade!
Vários pedidos têm sido negados pelo Ministério da Educação. Outros foram autorizados. Não há critérios declaradamente definidos e uniformizados. O Ministério da Educação não autoriza a abertura de vagas para a substituição destes Técnicos nas escolas de origem.
A não autorização dos pedidos de Mobilidade acarreta penosas consequências para grande parte destes Técnicos, que ficaram vinculados a centenas de quilómetros da sua residência/agregado familiar e, por isso: impedidos de prestar apoio e cuidados a terceiros dependentes (filhos menores e/ou outros familiares); com prejuízos sérios para a saúde do/da trabalhador/a com doenças próprias e/ou de familiares diretos, descendentes ou ascendentes; com gastos acrescidos consideráveis para garantir as deslocações entre a residência e o local de trabalho e/ou segunda habitação. Evidentemente que, desta forma, haverá prejuízos na produtividade destes Técnicos e consequentemente a perda da excelente qualidade dos serviços prestados à comunidade. A recusa da mobilidade, nestas situações, tem resultado numa violação clara dos direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa.

Face ao referido, pretende-se:

? Que seja aplicada, de forma efetiva, a mobilidade do/a trabalhador/a quando há concordância entre entidade e trabalhador/a, e que a escola de origem tenha direito à substituição do/a trabalhador/a, mobilizando os instrumentos de recrutamento de pessoal, designadamente a Mobilidade, a Permuta e/ou o Procedimento Concursal, como instrumentos de gestão e planeamento de recursos humanos, de acordo com a legislação em vigor.
? Que as vagas criadas, permanentes ou temporárias, venham a ser publicadas e disponibilizadas numa Bolsa de Mobilidade, à qual os técnicos superiores com vínculo à Função Pública possam concorrer, com critérios de prioridade, face à experiência anterior na função e/ou local, à proximidade à área de residência, entre outros, tendo em conta o exposto nos n.º 3 do art.º 28º e nos n.º 3, 4 e 10 do art.º 30 da Lei n.º 35/2014 (Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas).

Acima de tudo, pretende-se criar um sistema de mobilidade justo, transparente e exequível, pautado por critérios de transparência e justiça.
Grupo de Técnicos Superiores vinculados ao Ministério da Educação

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