“Andar na linha é para os comboios”…

“Andar na linha é para os comboios”…

 

“Andar na linha”, segundo o Dicionário Popular, significa “agir de forma correcta, de acordo com convenções sociais ou obedecer a uma ordem recebida. É agir de acordo com as regras ou fazer as coisas da maneira certa para evitar problemas”

 “Andar na linha” é fazer sempre o que se espera de si e, sobretudo, obedecer e aceitar todas as ordens, sem questionar, sem objectar, sem contestar ou reclamar…

 “Andar na linha” é não se fazer ouvir, sobretudo quando se discorda… É aceitar como natural a própria anulação e a vitimização silenciosa e ter que conviver com o cansaço, o desgaste, a asfixia e o definhamento decorrentes da auto-comiseração…

A acomodação ao ritual e o conformismo, como mecanismos de defesa, até podem ser uma manifestação do instinto de sobrevivência, mas não há coragem nisso…

 “Andar na linha” é viver dias consecutivos sem intenções conscientes, ligado a uma espécie de “piloto automático”… É estar “adormecido”, guiado por automatismos comportamentais… É estar “preso” e auto-sabotar-se, sem se dar conta disso…

 “Andar na linha” é tentar redimir-se pela reclamação “fingida”, mas agir muito pouco e sem qualquer efeito prático… É afirmar que “este comboio não presta”, mas não fazer nada para mudar de comboio ou de meio de transporte…

 Que ganhos ou que prejuízos, pessoais e/ou profissionais se obtêm por “andar sempre na linha”?

 “Andar na linha é para os comboios” que, segundo consta, não têm capacidade de auto-determinação nem liberdade de escolha… Vale mais ser “desalinhado” do que deixar-se apoucar…

 E tanto faz que seja um “Train à Grande Vitesse” (TGV) como um Comboio a Vapor, esses são os únicos que gostaríamos de ver sempre na linha…

 Quem quer continuar a “andar sempre na linha”?

 (“Andar na linha é para os comboios” é uma afirmação roubada da internet, de autor desconhecido, mas plena de intencionalidade e muito a propósito…).

 

(Matilde)

 

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6 comentários

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    • Comboios on 23 de Maio de 2021 at 20:47
    • Responder

    Quem mais concorda com este este são os alunos de quem o escreveu!!!
    O que acontecerá a esses alunos se não “andarem na linha”?

    • Desalinhado on 23 de Maio de 2021 at 20:54
    • Responder

    Desalinhado for ever!
    Comboios, formigas, galinhas e rebanhos não fazem o género de quem existe para melhorar a humanidade: os professores ( eles e sempre eles!)
    Quantas vezes só eles!

  1. “Andar na linha” ,”andar a reboque”, “aplicar ‘quotas’ ao trabalho em excesso”…
    o que a consciência ditar, pois o resultado para a maioria dos professores é sempre o mesmo.

    • Alecrom on 24 de Maio de 2021 at 18:51
    • Responder

    Na linha,
    mas bem bem na linha,
    andam o BE e o PCP.
    Grande Costa!
    Quem diria, lol.

    • Orquídea neto de o. Neves on 26 de Maio de 2021 at 8:05
    • Responder

    Aconteceu que me quiserem fazer. Fui torturada. Não conseguiram que desse em doida.

    • Paulo Pereira on 26 de Maio de 2021 at 11:04
    • Responder

    Interessante texto!

    Mas depende muito do contexto para ser ou não aceite liminarmente.

    O que é o oposto de “andar na linha”?
    Será, obviamente, ser “desalinhado”.
    Mas isso traz consequências e é preciso assumi-las, pois tudo nesta vida tem um preço.

    Podemos romantizar a figura do “desalinhado”, do rebelde, daquele que não segue os ditames do status quo que a sociedade impõe.
    Mesmo num sistema democrático há consequências para quem pretenda ser desalinhado.
    Dito isto, conclui-se que é preciso sempre ter bom-senso para se exercer o direito à contestação. É uma questão de saber bem os direitos que se tem na sociedade onde nos inserimos e ter maturidade para o exercício da contestação cívica.

    Fazer a apologia da rebeldia não é para os dias de hoje, particularmente quando se vive num Estado de Direito, quando se tentam consolidar valores de cidadania activa e participativa nas escolas.

    É preciso ter algum cuidado com a ideologia que subjaz a retóricas semelhantes às que o texto acima veicula, pois arriscamo-nos a entrar em contradição com o espírito do tempo. Já não vivemos nos anos de 1960, cujos movimentos sociais marcaram uma época. Evoluímos para uma realidade social em teoria mais avançada e complexa, em que os movimentos activistas ganharam um poder que nunca tiveram no passado, e muito bem “alinhados”. O paradigma do “desalinhamento” foi substituído pela maior largura da bitola da “linha”, em que há lugar para a contestação de forma civilizada.

    Perante a realidade actual, em que a pluralidade e a liberdade de opinião se podem exercer de forma civilizada, ou seja, enquadrada na bitola mais ampla entre os dois carris que delimitam os extremos, o alegado “desalinhamento” facilmente toma o lugar do extremismo, da anarquia e da marginalidade, com as consequentes sanções que o Sistema impõe.
    Um “desalinhado” não é nem nunca foi comprometido com a sociedade em que se insere.
    E por isso mesmo dificilmente ascenderá na pirâmide social.
    Pouco mais será que um marginal.

    Nota: Há muitos professores que se arvoram de serem livres e “desalinhados”. Mas desses não se espere grande coisa a não ser o exotismo da sua atitude egocêntrica, que nunca beneficiou ninguém. Pelo contrário, muitos destes são autênticos parasitas do Sistema.

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