Do que precisam os directores das escolas? – Margarida Marrucho Mota Amador

E não só…

 

Do que precisam os directores das escolas?

De que sentem falta os directores das escolas? Esta pergunta tem resposta imediata: de paz e sossego! E o que podem fazer para conseguir essa paz e sossego? Muita coisa! Gerir bem o stress, a agenda, as reuniões, a resiliência, a comunicação… Mais o orçamento, os recursos humanos, a inovação pedagógica, a segurança, a higiene… Enfim!

Se ainda não estávamos convencidos de que os directores de escolas abrangem uma série de diferentes funções, esta pandemia traz ao de cima a quantidade avassaladora de capacidades diversas que um director de escola tem de ter. Não sendo, habitualmente, gestor por formação académica, mas podendo contar na sua mochila com um curso de administração escolar, vê-se assoberbado de inúmeras tarefas, mais administrativas do que pedagógicas, mais de resolução de conflitos e problemas do que didácticas.
A disponibilidade espera-se que seja total e a capacidade para tomar decisões, imediata. Mas o que entendemos por disponibilidade? E como se pode estar disponível? Como se consegue pensar, avaliar e tomar decisões em tempo que não existe? Como se aprende a fazer isto?
Não há dúvida que os directores não têm um dia-a-dia fácil e que nesta fase de pandemia, tudo é novo e os problemas antigos parecem ter-se adensado. Mas afinal, do que precisam os directores? De ter a equipa certa? To get the right people on the bus, como dizia Jim Collins? E o que lhes pode trazer a equipa certa? A possibilidade de descentralizar, de confiar, de ser entendido, de não ter medo nem vergonha de errar. De deixar que as emoções sejam a bússola das necessidades, da escola, de todos e suas também? Habitualmente são as emoções que nos transmitem aquilo de que precisamos. Se soubermos ler as emoções e descodificar as mensagens e informação que encerram, ou seja, se tivermos desenvolvida a nossa inteligência emocional, conseguiremos perceber do que precisam os outros para se sentirem realizados, e poderem comprometer-se de forma genuína e empenhada, gerando maior produtividade e de forma eficaz.
Não há dúvida que este não é um tempo fácil para os directores das escolas, nem para outro qualquer líder. Lidar com a incerteza do que será o futuro e conseguir planear o mais possível dentro deste cenário de imprevisibilidade, não é nada fácil. Como prever as necessárias transformações face ao actual estado de incerteza? Quais as necessárias características dos novos colaboradores no quadro das novas exigências? Como reorganizar os recursos humanos? Como potenciar os talentos de cada um? Quais são hoje os motivos de inclusão, num mundo de diversidade maior do que nunca? Como tomar conta do mundo digital que tomou conta de nós?
Cada director, cada líder, ao aumentar o seu autoconhecimento, terá mais claro, aquilo de que precisa. Mais do que conhecimentos técnicos ou procedimentos de segurança e higiene, o seu desenvolvimento humano fará a diferença pois é o que o torna único e inigualável. Aquilo que é e como usa o seu potencial na gestão das pessoas e dos processos. Sim, porque as pessoas são insubstituíveis. Pode ser outro a desempenhar as mesmas funções, mas não é a mesma coisa!
Aquilo que nos diferencia é o que somos e não o modo como fazemos, pois quando não somos bons técnicos podemos sempre rodear-nos deles, mas quando não somos bons líderes, não conseguimos rodear-nos deles. É tempo para reflectir e investir no autoconhecimento dos líderes, só assim conseguirão perceber o que lhes faz falta. O que entendemos por liderança está a mudar se é que já não mudou.
O que se espera de um líder não é um ser autoritário, arrogante e prepotente. As expectativas estão em alguém que inspire uma organização e que sonhe um futuro arrojado, desafiante, com um potencial diferenciador e consiga comunicar de forma eficaz e influente; que seja a força da evolução dentro da continuidade. Alguém coerente e íntegro, onde o walk the talk tenha discrepância zero.
Já chega a pandemia para nos atormentar, que os líderes e concretamente os directores de escolas, consigam transmitir a inspiração necessária para a missão de ensinar e a motivar todos para a concretização actualizada dos seus projectos educativos. Autoconhecimento e desenvolvimento humano, precisa-se!

 

 

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22 comentários

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    • Jorge Abílio Rodrigues Marques on 11 de Novembro de 2020 at 12:56
    • Responder

    de tomates!!

    • cunha on 11 de Novembro de 2020 at 13:11
    • Responder

    os diretores das escolas precisam que o seu representante e não só diga a VERDADE das condicoes de higiene e segurança no trabalho das escolas em epoca pandemica

    precisam que digam a verdade sobre as NAO autorizacoes para diminuir os alunos por turma ou por optarem por ensino misto

    Ouvir na TV pela boca de um diretor que as escolas sao locais seguros E está tudo a correr bem … ate ARREPIA

    • Zulmiro on 11 de Novembro de 2020 at 14:48
    • Responder

    Um cargo difícil de desempenhar para o qual eu jamais me sentiria motivado ou capacitado… Ainda assim, há que reconhecer que é bastante apetecível, quer para os que já lá estão, quer para os que para lá querem ir. Normalmente, quem lá está, de lá não quer sair, só mesmo se for obrigado a isso. Por outro lado, são muitos os que gastam tempo, paciência e dinheiro em formação para poderem candidatar-se ao cargo e, quando os concursos abrem, as listas de candidatos costumam ter dois dígitos. Isto, obviamente, dificulta também a dificuldade dos Conselhos Gerais no exercício da sua independência e imparcialidade.

    • Alecrom on 11 de Novembro de 2020 at 15:56
    • Responder

    Um líder, um líder, um líder…

    “Não há dúvida que este não é um tempo fácil para os directores das escolas, nem para outro qualquer líder”, lol.

    “ De que sentem falta os directores das escolas? Esta pergunta tem resposta imediata: de paz e sossego!”, lol&lol

    Mao, Lenin, Fidel…
    grandes líderes.

    Haverá Escola para além do líder?

    Parece-me bem que não.

    O que teria eu feito nas minhas aulas sem os líderes das escolas por onde passei?
    Nada!

    Um líder, um líder, um líder…

    Coloquem um limite de dois mandatos e vão ver que a liderança nas nossas escolas melhora rápida e significativamente.

    Desde logo, caíam dois dos principais e mais característicos problemas da atual liderança escolar: a aura salvífica do Chefe (uns mártires) e o lambebotismo dos súbditos.

    • Sem nome, por razões óbvias. on 11 de Novembro de 2020 at 16:38
    • Responder

    Um problema muito anterior à pandemia. Voltemos, com a maior brevidade possível, aos Conselhos Executivos. As escolas carecem de democracia. Analizem/averiguem o que se passa no Agrupamento de Escolas de Vagos.
    Se tal for feito, será uma bênção para esta comunidade educativa.
    Tenho esperança que alguém com poderes leia este comentário.
    Quem o escreve é uma pessoa desesperada, tanto pelo que está obrigada a passar, como por tudo o que vê diariamente.

      • Outro sem nome on 11 de Novembro de 2020 at 17:15
      • Responder

      Querida ou querido colega. Como o entendo /a. Estou lá e sei muito bem a tudo a que se refere.
      Líder?!
      O que é isso?
      É que o nosso agrupamento apenas tem um ditadorzeco, sem qualquer categoria.
      Nem sabemos se, pelo menos, é bom a dar uns pontapés na bola …
      Quanto ao que devia fazer, todos sabemos, que não está, de todo, à altura de o desempenhar.
      Mas quando é que a criatura e sua comitiva largam o tacho?
      Fiscalização com urgência.

      • MORM on 12 de Novembro de 2020 at 22:26
      • Responder

      E, infelizmente, não é só em Vagos🤔

    • Pirilau on 11 de Novembro de 2020 at 16:49
    • Responder

    Dantes chamavam-se vendedores de banha da cobra, agora chamam-se coach.

    • André C. Sá on 11 de Novembro de 2020 at 17:02
    • Responder

    Não devem de precisar de nada, porque ainda tem tempo e espírito para interpor processos disciplinares a colegas-docentes com mais mais de 3 décadas de bom e efetivo serviço, e com resultados excecionais nos exames nacionais.

    • Outro sem nome on 11 de Novembro de 2020 at 17:40
    • Responder

    Como eu te entendo querida ou querido colega sem nome.
    O” diretor” do Agrupamento de Escolas de Vagos precisa de TUDO.
    Nós até duvidamos que saiba dar um pontapé na bola.

    • Outro sem nome on 11 de Novembro de 2020 at 17:53
    • Responder

    Querida ou querido colega “sem nome “. Como te entendo. O nosso “diretor “precisa de tudo.
    Nós até duvidamos que saiba dar um pontapé na bola…
    Que aborto nos saiu.

    • Outro sem nome on 11 de Novembro de 2020 at 18:02
    • Responder

    Cara ou caro colega “sem nome “. O nosso “diretor ” precisa de TUDO.
    Nós até duvidamos que saiba dar um pontapé na bola…
    Que aborto nos saiu…

    • André on 11 de Novembro de 2020 at 18:32
    • Responder

    Se fosse só o de Vagos….Desculpem-me colegas.
    Há muito tempo que já não deviam existir.
    Voltemos às eleições de presidentes de Conselhos Executivos.
    Onde estão os sindicatos?
    Todos sabem que é a vontade das pessoas.
    Pelo menos, limitem o número fé mandatos. Do que sei, apenas nos Agrupamentos onde os diretores são os antigos Presidentes dos Conselhos Executivos é possível, mesmo com as máscaras, respirar. Sr. Ministro da Educação encontre rapidamente uma solução para isto.

      • Falcão on 11 de Novembro de 2020 at 19:57
      • Responder

      André,
      O ME encontrar uma solução para isto? Estás a falar a sério, ou estás a ser irónico.
      Quem é o grande aliado dos Diretores, dando toda a cobertura até perante decisões ilegais? Sabes ou queres que te faça um desenho?
      Acorda André, acorda!
      Mas claro… isto sou só eu a pensar alto, não leves a mal, não é nada de pessoal.

    • Falcão on 11 de Novembro de 2020 at 19:42
    • Responder

    Com todo o respeito (possível) pela livre expressão do pensamento da Margarida Amador queria dizer que este texto me causa um certo nojo. A Margarida tem todo o direito de expressar o que pensa, creio que me assiste o direito de dizer o que me provocou (sem querer de todo ofender a autora do texto). Hoje em dia, a palavra DIRETOR só me desperta nojo, e ler um texto que ainda vem falar das grandes dificuldades que atravessam e que bom seria terem mais tempo para ser uns fofochos e uns grandes líderes, dá-me vontade de vomitar!
    A esmagadora maioria dos Diretores que temos (e fica o reconhecimento aos que escapam e ainda se consideraram e podem ainda ser tratados por colegas) são uns ditadores, que já esqueceram do que é ser professor, decidem de forma autocrática, ofendem e humilham colegas, exercem assédio moral, são abjetos, nojentos, uns vermes! Vão dando 30 dinheiros a este e aquele membro do Conselho Geral para se perpetuarem no poder e passam o tempo a bajular os poderes locais e centrais almejando dar o salto para outros voos, assim que tenham mesmo de abandonar o poleiro na escola. Se tivessem tomates só tinham mesmo era de entregar as chaves das escolas no ME e afirmar publicamente que o modelo de gestão é tudo menos democrático, que o ME não respeita os professores, que as escolas não têm quaisquer condições para funcionarem com qualidade e eficácia e simplesmente denunciarem toda este enorme embuste que está montado pelos sucessivos governos, pelo menos após 2007! Haja vergonha, haja decência, e sim está mais que na hora dos sindicatos colocarem na agenda como PRIMEIRA PRIORIDADE o fim deste modelo de gestão e o regressso aos Conselhos Diretivos que eram a essência de gestão democrática das escolas, acabando com esta excrecência que são os Conselhos Gerais que mais não são do que instrumentos para as autarquias meterem as patas dentro das escolas e controlarem muito do que se passa nos seus seios. Está na hora dos professores terem tomates também e afirmarem constantemente a sua oposição a este modelo de gestão, começando por enfrentar DENTRO das escolas os diretores e as suas decisões de puros ditadores, muitas vezes ao arrepio da lei! Como é o caso de muitas escolas que estão neste momento a realizar reuniões intercalares PRESENCIAIS! UM NOJO! Diretores que impõem isto são potenciais criminosos! Querem provas? Peçam ao S.TO.P. e visitem a sua página.

      • Fernando, el peligroso de las verdades. on 11 de Novembro de 2020 at 23:27
      • Responder

      Este Falcão queria ser Diretor, mas como não consegue ser, lança-se de cabeça para expiar os seus demónios, que no seu corpo tem! Estes conhecem-se bem! São os cães raivosos!

        • Astuto on 12 de Novembro de 2020 at 1:13
        • Responder

        FEernandinho, és um excelente lambebotas. Tenho a certeza que deves colocar a passadeira vermelha sempre que o teu diretor sai do gabinete. Isto se for dos que sai…
        Ocorreu -me agora :Deve ser um diretorzeco. Não é de espantar.

        • Falcão on 12 de Novembro de 2020 at 20:05
        • Responder

        Este Fernando, ou é néscio ou é azémola, isto para não lhe chamar simplesmente parvo!
        Portanto, pela sua lógica, um professor que defende o fim imediato deste modelo de gestão, o que mais quer é ser Diretor! Enfim… há sempre um estúpido desconhecido à nossa espera….
        PS – Se sou professor, uma das razões foi o facto de ter, pelo menos há 30 anos atrás quando comecei, alguma margem de autonomia profissional na gestão do meu trabalho. Ser Diretor hoje em dia, significa que só terá alguma autonomia (e muito pouca) se abandonar o cargo e voltar apenas a ser professor. Mesmo os que fazem contratos de autonomia, passam a vida a prestar contas e a preencher papeladas.
        Não desejo isso ao meu pior inimigo, quanto mais a mim próprio!

          • Fernando, el peligroso de las verdades. A ser derrotado pelo Falcão sem apelo nem agravo. Viva o Falcão! on 12 de Novembro de 2020 at 23:03

          Pronto Falcão, ganhaste a bicicleta. Não quero mais derrotas. És muito forte para mim.

    • Falcão on 11 de Novembro de 2020 at 19:45
    • Responder

    Leia-se “fofuchos e não “fofochos”” e “seio” em vez de “seios”.

    • 123oliveira4 on 12 de Novembro de 2020 at 2:42
    • Responder

    O Falcão é o desaparecido Pardal.

      • Falcão on 12 de Novembro de 2020 at 20:09
      • Responder

      Por acaso agora tiveste piada. Se leres alguns posts meus vais reparar que o Pardal foi realmente inspirador para este nick. Entendi que fazia cá falta um Falcão… o Pardal andava muito à solta, a soltar traques por todo o lado. E se leres os meus post’s vais reparar que o Pardal leva sempre no osso quando por cá aparece! Sempre!

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