8 de Agosto de 2020 archive

Não entendo a desunião nas causas dos docentes…

 

Há coisas que me deixam deveras dececionado. Os docentes são capazes de reclamar sobre as condições de trabalho, sobre as politicas e educação adotadas pelos governos, pela inércia das organizações, das soluções encontradas, da carreira, das cotas, dos concursos… Mas quando chega a hora de assinarem uma petição, não o fazem por preguiça de abrir um site, registar-se e apoiar um grupo de colegas, que tal como eles, estão a lutar por uma causa justa.

É assim que se vê a falta de solidariedade que os docentes têm uns com os outros. É com esta desunião e desinteresse que o governo conta para se manter no desmando e desgoverno de que tantos e tantos se queixam sentados nos seus sofás ou nas esplanadas a olhar para o smartphone.

Vamos contribuir para mais esta causa, vamos assinar a petição, vamos ser solidários com os colegas que se levantam e lutam pelo que acham justo.

https://participacao.parlamento.pt/initiatives/1440

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 CARTA DE UMA CRIANÇA

 

Ainda não percebi bem o que querem de mim…
Nasci porque a minha mamã queria ser Mãe e o meu papá queria ser Pai.
Mas não pensaram que eu queria ser filho deles a tempo inteiro.
E eles, afinal, não tinham tempo para mim.
Mas fizeram-me nascer na mesma.

Agora sou bebé, passo 8 ou 9 horas por dia na creche, até que a minha mãe (quase sempre) ou o meu pai, me venham buscar.
Chego a casa cansado, como, os meus pais cansados, olham para mim, dizem blá-blá-blá, eu rio-me, eles também e vou para cama.
Ando assim 5 ou 6 anos.

Depois entro na escola. Entro logo de manhã, às vezes debaixo de chuva, vento e muito frio e estou dentro da escola, 6 ou 7 horas, até que a minha mãe (quase sempre) me venha buscar.
Em casa, faço os TPC’s, com a ajuda possível dos meus pais, que estão cansados, frustrados, revoltados com o trabalho, que mal dá para vivermos com dignidade, até que chega a hora do jantar, feito pela minha mãe.

Depois olham para mim, com os olhos cansados, mas ainda com energia para dizerem blá-blá-blá. Eu ainda me rio, eles também, lavo os dentes e vou para a cama. Ando assim mais 4 anos.
Entro na escola secundária. Tenho muitos professores e muitas disciplinas. Fico lá 6 ou 7 horas, até tocar para a saída. Nos primeiros tempos ainda espero pelo meu pai (é ele que tem o carro) e vou para casa. Mas, alguns 3 ou 4 anos depois, já vou sozinho para casa.

Apanho os transportes públicos, cheios de adultos que até me pisam para entrarem primeiro que eu, mostro o “passe” e chego a casa. Cansado! Beijo o meu pai, também cansado, beijo a minha mãe na cozinha, também cansada, e tento fazer os TPC’s. Por vezes adormeço. Muitas vezes não consigo fazê-los.

E então já sei que os professores vão escrever um “recado” ao meu pai. E depois vou ser castigado. Mesmo que esteja cansado! No dia seguinte, o professor grita comigo e pergunta se os meus pais não têm tempo para me dar educação. Eu não respondo, mas apetece-me!
Alguns dos meus colegas, respondem!
E os professores dizem que não são educadores.
Que os educadores devem ser os pais.

Só que os professores estão comigo 7 horas por dia, se não faltarem às aulas. Os meus pais estão comigo, talvez, 2 ou 3 horas por dia, o resto é para comer e dormir. Fico a pensar, quem é que me pode educar?

Acho que os adultos estão loucos!
Vou começar a fazer birra! Talvez me olhem de outra maneira…Acho que vou começar a fumar nas traseiras da escola.
Está lá a malta da turma. Eles até não se importam de “partilhar aqueles cigarros que eles próprios fazem”. Eles dizem que aquilo é um paraíso. Talvez experimente.

Os professores não vão dizer nada porque não são meus educadores. Os meus pais não vão dizer nada porque na escola ninguém tem obrigação de me vigiar e em casa os meus pais estão cansados e só estão comigo (acordados) 2 ou 3 horas.

Os adultos dizem que eu sou mal-educado mas não é verdade, eu não tenho educação nenhuma mesmo.
Porquê?
Porque os adultos não têm tempo!

 

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E que tal um certificado de segurança para as escolas…

Anda tudo muito calado. Os pais andam preocupados, mas não reivindicam, deixam falar quem não os representa. Os sindicatos fogem de um lado para o outro a tentar mostrar serviços, mas sem, realmente, fazer alguma coisa. O ME descalços a bota e os outros que façam.

Que tal lançar para o terreno equipas para verificar a implementação de regras. Não era boa ideia?

Menos cadeiras, assentos plastificados, cantinas em take away: como as escolas se estão a preparar para reabrir

Do sabão à disposição das mesas, vistorias passam escolas a pente fino para garantir segurança no regresso às aulas em setembro. Falta de espaço é uma das maiores dificuldades

A visita começa no átrio da escola, mas para trás já ficou um problema — só há um portão de acesso que pode ser utilizado pelos alunos, o que impede a criação de circuitos diferentes de entrada e saída. E logo ali à frente há outro constrangimento. “Só temos estas escadas para o acesso às salas 1 a 4”, vai descrevendo a diretora do Agrupamento de Escolas Luís de Camões, em Lisboa. “Vamos pôr umas marcas no chão e tentar que subam pela direita e desçam pela esquerda”, continua Rosa Ralo.

À sua frente dois técnicos de saúde ambiental do Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Central, elementos da Câmara e outro dos serviços municipais da Proteção Civil tiram notas, acrescentam perguntas, identificam pontos críticos e pensam soluções.

 

 

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Mais um que sabe muito sobre escolas, só por lá ter andado há muito tempo…

 

Não abrir as escolas mata mais gente do que o vírus (muito mais)

Anda tudo às voltas com o “mistério” da mortalidade excessiva de Julho. Não há mistério, há vergonha, há embaraço: o #ficaremcasa, alimentado sobretudo pelo fecho das escolas, tem muito mais sangue nas mãos do que o vírus.

O conhecimento epidemiológico registado em papers e relatórios pré e pós-covid é claro. Está lá, leiam: fechar escolas não é solução. Está escrito, é científico, tem décadas de consenso, tal como o consenso sobre o aquecimento global. Mas este dado foi engolido pelo medo e pela incapacidade dos governos para resistirem ao medo da “geração mais informada de sempre”. O conhecimento científico só interessa se confirmar medos e preconceitos da “geração mais bem preparada de sempre”.

 

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