“Regresso às aulas em maio só com regime militar”

De certa forma concordo com esta opinião, porque os riscos são demasiados, mas nem assim acredito que as aulas presenciais recomecem em maio.

“Regresso às aulas em maio só com regime militar”, diz Marçal Grilo

Marçal Grilo, antigo ministro da Educação, afirmou, em entrevista à rádio Observador, que as escolas devem abrir o mais rapidamente possível, mas só com “regime militar”, uma vez que os alunos, das creches às universidades, são “um grupo perigoso como portadores do vírus”.

A decisão sobre a abertura das escolas terá de ser tomada até 4 de maio. Marçal Grilo explica que, se as escolas reabrirem, devem ser tidas em conta várias possibilidades para que os alunos não sejam prejudicados. Uma das hipóteses seria, segundo o antigo ministro, no caso dos alunos do secundário, passar as atividades do terceiro período para o início do próximo ano letivo, em setembro. Isto “se houver uma situação mais estável, não temos controlo sobre os ‘timings’”, sublinha.

Se os alunos voltarem para as escolas, “a forma como as escolas funcionam tem de ser no regime quase militar, para que haja regras muitíssimo estritas e para que sejam cumpridas”, explica Marçal Grilo, dizendo que a aproximação dos estudantes entre si e a relação que os alunos mantêm com os pais e com os avós têm de ser controladas, podendo ser imposta a proibição de as crianças contactarem com estes últimos.

Sabemos que isto se propaga através do contacto entre as pessoas, é preciso ter um enorme cuidado. Nas escolas, as normas de limpeza e higienização das superfícies implicam uma responsabilidade enorme”, acrescenta.

Já quanto ao ensino superior, o antigo ministro revela algumas preocupações com as desigualdades. “O surto vem introduzir uma grande desigualdade e heterogeneidade na forma como as pessoas são tratadas porque cada um tem um ‘background’ diferente”, aponta Marçal Grilo, uma vez que muitos estudantes não têm acesso à Internet e, por isso, não podem participar em aulas virtuais ou consultar materiais nas plataformas digitais. “Não podemos deixar os alunos para trás”, sublinha.

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18 comentários

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    • Luís Franco on 4 de Abril de 2020 at 10:54
    • Responder

    Regime militar? Mas quem pode concordar com isto para os nossos filhos. Essas declarações são muito sérias e gravosas. Esse senhor revelou uma completa desconsideração pela escola e seus intervenientes. É triste ter pessoas que proferem este tipo de afirmações. Usam a cabeça para isto em vez de contribuir para achar soluções alternativas que resolvam a questão dos exames nacionais. Quem acha que o ME tem condições operacionais para garantir mecanismos de proteção e segurança nas escolas?! Não se ouvem. Só o PM fala da educação. Quem são os pais que se sentem completamente seguros com um regresso antecipado. Iriam turmas de vinte e tal alunos ter aulas numa sala. Iriam contratar se novos professores? E os professores mais velhos, pessoas de risco, iriam sujeitar se? Haveria máscaras e luvas descartáveis para todos, todos os dias? E caso algum aluno contraísse a doença? Realmente o senhor ex ministro tem razão – só com um regime militar, impositivo, coercivo, controlador de informação e disposto a sujeitar alunos e agentes educativos a condições extremas e de risco (como se vêem confrontados os militares numa situação de guerra), se poderia imaginar tal situação. Senhor Marçal, tento na língua, seja antes a formiga e não a cigarra.

      • Zaratrusta on 4 de Abril de 2020 at 12:23
      • Responder

      Bem falado. Subscrevo.

    • jonas on 4 de Abril de 2020 at 11:02
    • Responder

    E pronto… Mais uma vez uma parvoíce pegada… e de quem???
    Vamos ver se de uma vez por todas as pessoas pensam numa solução simples de executar.
    A) Os alunos do atual 12º Ano já possuem exames (os que fizeram no ano passado no 11º). Nesses exames por certo há mais do que metade (no caso de medicina há 2 dos 3 requeridos). Os alunos do atual 12º Ano não teriam que fazer qualquer exame. As médias seriam calculadas com base nos exames do ano passado e da média interna (de notar que os alunos de 12º ano, deste ano, ainda são os alunos da confusão sistemática entre escolas que entraram no “novo programa” e os que não entraram com matrizes para uns diferentes dos outros e com “exames comuns” quando dão as coisas de forma diferente… enfim… seria uma forma digna de não os massacrar ainda mais)! Essa média entraria em linha de conta com os exames efetuados no ano passado, para média interna (ou seja, os exames que efetuaram no ano passado os exames, os mesmos contaria como sempre para a média interna e escolheriam ou utilizariam os exames efetuados no ano passado como ingresso). Quanto aos atuais alunos do 11º , já do novo programa (uma vez que esses já não estão com programas pilotos nem com regras mistas mas com um verdadeiro programa igual a nível nacional), há mais do que tempo para, sem prejuízo enquadrar os diversos exames no ano letivo. Assim, ficariam a ter desde setembro a dezembro as disciplinas de 11º sujeitas a exame, não teriam as disciplinas de opção de 12º e em dezembro fariam os exames típicos do 11º (em nada seriam prejudicados, já que teriam TODOS, do privado e do público a “mesma base de preparação”). A partir de janeiro ficariam com as disciplinas de opção em “carga semestral”.

    Fazer TODOS os alunos do secundário regular ficar mais tempo é a PARVOÍCE MOR. Já aconteceu devido a greve de professores no passado e se bem se lembram foi um ano perdido! Por outro lado, os alunos do regular, face aos alunos dos cursos profissionais, estes sem qualquer exame a ser efetuado, vão entrar na faculdade e não consta que os mesmos andarão qualquer outro tempo na escola, de facto, isso seria a suprema incompetência do governo já que a esta brilhante confusão de alunos sem exame, alunos com exame e com programas diversos (a fazer o mesmo exame) juntaria uma dificuldade de gestão nas escolas e um necessário acréscimo de professores, para ter o secundário regular nas escolas, seria necessário, durante 3 meses, uma enormidade de professores que em dezembro ficariam sem componente letiva. Porque não simplificar em vez de complicar?

    1. Ou seja:

      12º – Sem exames, média interna de “biologia e química” ou das disciplinas em que houve exame no ano passado entraria em linha de conta com esses exames. Média das disciplinas que deveriam ter exame este ano, média simples. Ingresso, média das disciplinas de exame do ano passado com ponderação de XX ou, escolha da melhor com ponderação de XX.

      11º – Aulas durante 3 meses do próximo ano letivo com os exames habituais de 11º em dezembro, ou, já que a modalidade do profissional é sem exames, porque não retirar os exames ou fazer com que os alunos só realizem os exames considerados específicos para a universidade?

      • joaquim on 4 de Abril de 2020 at 11:25
      • Responder

      A ideia parece-me interessante.
      Tão interessante que por certo não será sequer equacionada… mas… concluindo…

      No caso dos alunos que por algum motivo não realizaram os exames de 11º no ano passado, ou têm disciplinas em atraso, a solução passaria por eles terem uma época especial em dezembro, ou seja, poderiam inclusivamente frequentar as aulas dos atuais alunos de 11º e fazer o(s) exame(s) em falta nessa data.

      • Zaratrusta on 4 de Abril de 2020 at 12:26
      • Responder

      Muito bem falado Jonas. Subscrevo totalmente. Deixa-me a esperança que ainda há professores com sentido da realidade. Esta questão dos génios do ensino profissional parece que passa ao lado da maioria dos “analistas”.

    • N. Ribeiro on 4 de Abril de 2020 at 11:04
    • Responder

    E os professores eram carne para canhão???

    • Marta on 4 de Abril de 2020 at 12:05
    • Responder

    E os professores que têm turma do básico e do secundário, como fazem? Correm de casa para a Escola da escola para casa de hora a hora?

      • jonas on 4 de Abril de 2020 at 12:28
      • Responder

      Olá.
      Se for ensino não presencial com momentos síncronos, a metodologia de aprendizagem não é a mesma, nem tão pouco a metodologia letiva. Assim, a meu ver essa questão não se coloca. Porém, não há qualquer razão para massacrar mais os alunos do regular e designadamente os do 12º ano. Já tiveram de tudo, exames com as mesmas regras e conteúdos diferentes, tudo o que era prova de aferição e experimentalismo, colegas que entraram nos profissionais e cujas regras mudam a escassos meses do fim do ano, em moldes que ainda estaremos para compreender, possivelmente com % de vagas. Poupem-nos um pouco!

    • Zaratrusta on 4 de Abril de 2020 at 12:45
    • Responder

    Quando pensarem em criticar o Bolsonaro pelos crimes que está a cometer contra a vida humana no Brasil, lembrem-se que, no que respeita à vida dos alunos e professores, temos um Bolsonaro Costa cá dentro.

    • Cristina Pereira on 4 de Abril de 2020 at 15:15
    • Responder

    Ainda quero ver como é que vai ser esta brincadeira!!

    Olha que pensem antes de tomar essa decisão, em equipar as escolas de papel higiénico, álcool gel, desinfetantes como deve ser para higienização dos espaços (e não as merdas de produtos fornecidos pela plataforma!), máscaras e luvas…
    Que é coisa que as escolas não têm habitualmente no dia a dia!

    • Matilde on 4 de Abril de 2020 at 18:22
    • Responder

    Nos últimos tempos, o Ministério da Educação parece saltitar de obsessão em obsessão: há uns meses atrás, uma das palavras mais afirmadas era: FLEXIBILIDADE; no momento atual, essa palavra parece ter sido esquecida e substituída por: EXAMES.

    A incongruência e a incompatibilidade entre os dois conceitos parece evidente. Os paradigmas, como diria o Sr. Ministro, parecem ter mudado drasticamente, sem qualquer suporte de evidências que negasse o primeiro (Flexibilidade), mas obrigando, ainda assim, a que fosse substituído pelo segundo (Exames).

    Evidenciará isto uma enorme desorientação por parte de quem tutela a Educação? Ter-se-ão esquecido subitamente que, há tão pouco tempo atrás, a Flexibilidade era defendida como uma espécie de panaceia para eliminar todos os males que assolam a Educação, nomeadamente o insucesso escolar, e como uma estratégia fundamental para fomentar a inclusão?

    Como compatibilizar a realização de Exames que, neste momento, parece ser vista como obrigatória, custe o que custar e apesar das circunstâncias que todos conhecemos, com a Flexibilidade tão apregoada anteriormente?

    Ou os paradigmas não passam de meros ornamentos linguísticos e não têm qualquer significado em termos práticos ou a confusão é total e o rumo inexistente. Entre um e o outro “venha o Diabo e escolha”…

    Para onde foi a Flexibilidade?

    • Luís Marques on 4 de Abril de 2020 at 18:33
    • Responder

    Depois do slogan:

    “A Flexibilidade e a avaliação holística a todo o vapor!”

    Passamos a outro slogan:

    “Para os exames e em força!”

    • Jonas on 4 de Abril de 2020 at 21:10
    • Responder

    A questão é que os alunos do atual 12 já têm exames…. São os alunos do experimentalismo de metodologias de programas mistos… E agora os que farão exames para ingresso custe o que custar… Mas. .. os alunos do profissional não precisam … Possivelmente pelo mais elevado grau de preparação

    • Esclarecido on 4 de Abril de 2020 at 21:22
    • Responder

    Se os alunos voltarem à escola, e as coisas piorarem, ao sr. PM só resta uma coisa, Demitir-se. O povo não irá perdoar. A abertura da escola implica ter certezas.

  1. Os alunos e alguns professores serão um grupo de controlo para testar o regresso a normalidade.

    • Paula Fernandes on 4 de Abril de 2020 at 23:08
    • Responder

    Testem no parlamento, no futebol….

    • Matilde on 4 de Abril de 2020 at 23:47
    • Responder

    E o professor consegue dar aulas de máscara?

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