Obrigada, professores! – Carmo Machado

Obrigada, professores!

Obrigada, colegas! De uma sexta-feira 13 para a segunda-feira seguinte, os professores de Portugal, de todos os níveis de ensino, mostraram aquilo de que são capazes. Que orgulho ter visto o que vi e fazer parte desta geração de professores que encontrou, quase de um dia para o outro, soluções alternativas para dar continuidade às atividades letivas e ao contacto quase diário com os seus (muitos) alunos.

A quarentena e o isolamento social impostos pela pandemia do Covid-19 que nos invade levaram professores de todo o mundo a procurar soluções ou estratégias para minimizar, tanto quanto possível, a perda de aulas decorrente do encerramento das escolas, numa tentativa de dar continuidade aos currículos. Não estamos perante uma tarefa fácil, desengane-se quem assim a considerar. Porém, foi com enorme alegria que constatei a nossa organização, a imediata procura de meios alternativos, a adesão às plataformas digitais, ao uso incansável de correio eletrónico e às redes sociais, para dar a mão aos alunos e às suas famílias que, do outro lado da linha, nas suas casas, puderam sentir que estamos (como sempre estivemos) na linha da frente, prontos a apoiar os jovens e adolescentes que ensinamos me com quem aprendemos tanto também.

Perante a situação em que nos encontramos (professores, pais e alunos), face a um terceiro período que se avizinha nublado, afirmo que após quatro conselhos de turma realizados online às horas marcadas e sem qualquer atraso, em que discutimos com ainda maior empenho (se tal for possível) o futuro dos nossos alunos, inventando e reinventando mil e uma estratégias de trabalho alternativo, os professores estão preparados para o que der e vier. Destaco em todo este processo, o papel fundamental dos colegas que exercem a função de diretores de turma e que, nestas duas semanas, mantiveram o contacto diário e permanente com os seus alunos, minimizando os efeitos negativos da interrupção precoce das atividades letivas, duas semanas antes do previsto. Assim, em teletrabalho, fomos conseguindo fazer com que a maioria dos alunos mantivesse o foco na escola, embora tenhamos consciência da dificuldade que tal processo implicou e implicará ainda, para pais, alunos e professores, ao longo do terceiro período, a manter-se – como se prevê – o encerramento das instituições de ensino.

Muitos professores correram a fazer formação sobre novas plataformas de ensino a distância e cruzaram-se informações, conselhos, apoios, materiais, fichas, powerpoints. Sei de muitos colegas que saíram das suas casas propositadamente para adquirir microfones, auscultadores e até computadores portáteis. Sim, acreditem. Há alunos info-excluídos por este país fora e também há professores que trabalham com um computador arcaico por falta de disponibilidade para investirem em novos equipamentos. E sei também que foram muitos os pais que se queixaram do excesso de tarefas que fomos atribuindo aos seus educandos. Com razão, reconheço. Mas, pais e encarregados de educação deste país, por todos nós vos peço desculpa. Somos professores a ideia de que os nossos alunos ficariam em casa sem orientações de estudo, de trabalho, de pesquisa assustou-nos. Sim, talvez tivéssemos exagerado um pouco… Porém, a incerteza do futuro, nomeadamente em anos de exame nacional, justificou a nossa preocupação.

Foi com orgulho que hoje terminei a última reunião de avaliação com um dos muitos grupos de docentes que, no país e no mundo, transformaram as suas casas em salas de aula improvisadas, mantendo horários e procurando fazer com que os alunos mantivessem alguma rotina de estudo, num apoio sem precedentes à função dos pais e dos educadores. Lamento apenas não ter ouvido uma palavra de louvor do Senhor Primeiro Ministro António Costa aos professores de Portugal. E tinha-lhe ficado tão bem.

Obrigada, colegas!
Nota: Não me refiro aqui ao Senhor Ministro da Educação porque este não revela capacidade para compreender o valor dos professores de Portugal.

In Visão

 

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3 comentários

    • Rui Costa on 5 de Abril de 2020 at 12:05
    • Responder

    Pois estamos como os enfermeiros ! Quem nos deu valor ao longo destes muitos e muitos anos a quem ao sabor de políticos só a pensar no seu umbigo deram cabo da educação deste país !
    Há quantos anos professores e professores/Diretores /presidentes dos CExecutivos aguentaram a educação no nosso país sem orientações, mas só com exigências ?
    E agora mais uma vez enquanto o ministro do desporto andava a pensar … os professores avançaram e mais uma vez responderam PRESENTE !
    E qual foi o reconhecimento ? Zerooooooooooooooooooo …
    Força colegas !

  1. Como os enfermeiros? Não será uma comparação despropositada num tempo em que os enfermeiros correm diariamente risco de vida e são muito mais mal pagos que os professores? Por amor de Deus!

    • Paula Fernandes on 6 de Abril de 2020 at 19:56
    • Responder

    Agradeço o agradecimento. Não que estejamos à espera ( é a profissão que escolhemos), mas sabe bem ouvir!
    Um bem haja a todos!

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