O 3.º período presencial não deverá ser para todos

 

O 3.º período presencial não deverá ser para todos

Nunca ninguém tinha posto a hipótese, prática, de que uma pandemia poderia parar o país. Todos vimos filmes sobre o tema, mas se há estudos científicos sobre o tema não estão suficientemente divulgados.

As escolas encerraram a 16 de março quando a situação não estava ainda clara como poderia progredir. A população tem tido acesso a informação mais pormenorizada, desde essa data, e está mais atenta à evolução da situação. Neste momento, constroem-se cenários para todas as eventualidades, a área da educação não é exceção, aliás, é uma das mais discutidas.

A decisão do encerramento das escolas não foi tomada de animo leve, era uma medida crucial para o combate à propagação descontrolada da pandemia. A população foi aconselhada a ficar em casa e foram tomadas medidas para que as crianças não ficassem em casa sozinhas. Os professores tentaram colmatar, como puderam e sabia, a falta de ensino presencial até à interrupção da Páscoa e começam agora a preparar soluções para o 3.º período.

O 3.º período está em risco? Não. A questão não é se o 3.º período está em risco, mas como vai funcionar.

Os agrupamentos desdobram-se em plataformas e outras formas de funcionamento das aulas durante o próximo período, mas, uma coisa é já certa, este período não vai ser igual para todos.

O primeiro ministro apontou a data de 4 de maio para a tomada de uma decisão definitiva sobre o que se poderá passar, mas as contingências de um retorno à normalidade são muitas para podermos dizer que serão aplicadas a todos os níveis de ensino. Neste momento é algo de impensável. O retorno à normalidade vai- se fazer de uma forma gradual e com todos os cuidados possíveis e imaginários. Quando o retorno à escola se der vão ter que se tomar medidas para que a segunda onda não se inicie nos estabelecimentos de ensino. As crianças vão ter que se habituar a novas rotinas e cuidados para os quais não estão ainda preparados. O uso de máscara, a higiene constante das mãos, a diminuição do contacto com colegas e professores, o distanciamento preventivo… vai ter que se continuar a fazer prevenção. Ora, as crianças não estão nem vão estar preparadas para isso. Reabrir as escolas cedo demais poderá significar um apressar da chegada da segunda onda de que tanto se começa a falar.

Se a 4 de maio o governo decidir pelo retorno ao regime presencial, estou certo que será apenas para os alunos do 12.º ano. Estes alunos terão que realizar os exames de ingresso ao Ensino Superior, mas não se trata só disso, eles já têm uma consciência suficientemente madura para poderem, por si, tomar precauções e mesmo assim o risco é enorme. O retorno de todos os alunos, de todos os níveis de ensino está fora de questão. As crianças têm uma necessidade inata de contato, essa necessidade iria por em risco toda uma comunidade escolar. Os alunos mais velhos, além de já se poderem responsabilizar pelos seus atos, nunca poderão ter um retorno à normalidade de uma aula, há medidas a tomar. A distância de segurança dentro da sala de aula é uma delas, terão que se desdobrar turmas, criar novos horários, ter o cuidado da inexistência de contacto, ou minimiza-lo, entre alunos, professores e funcionários. Teremos que repensar a sociedade escolar para que não se criem novas bolsas de transmissão dentro das escolas.

O 3.º período vai ser atípico, mas será uma oportunidade para responder à função de formar os nossos alunos de forma a que a sociedade saia enriquecida destes tempos conturbados.

In Público

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23 comentários

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    • Paula on 3 de Abril de 2020 at 16:57
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    Estou a pensar que nesta situação excecional que estamos a viver, determinadas questões deveriam ser refletidas, pensadas e problematizadas, por quem detém poder de decisão. Vejamos, agora com o ensino á distancia, torna-se necessário que quer professores quer alunos disponham, por exemplo, de computador, telemóvel, tablet e internet… pois, muito bem! E em famílias, por exemplo, com 3 ou mais filhos? As famílias possuem todas computadores para os jovens? E se não possuem vão adquiri?Dá-me a sensação que estamos a viver num mundo irreal, em que todos são ricos e têm ao seu dispor os meios necessários para tornar este plano executável! Mas a verdade, a realidade é oposta a esta. A maior parte das famílias, podem possuir um computador que é utilizado, creio eu, por todos os elementos do agregado familiar. Acho irreal que alguém acredite que cada filho tem o seu computador. Por outro lado temos alunos que não possuem computador e internet, pois mais incrível que isso possa parecer. E pergunto: o que fazer a estes jovens? Onde está a igualdade de oportunidades? Onde estão as condições económicas para suprir este aspeto?
    Mas acho que também temos que colocar a tónica noutro elemento da equação: os professores. Se olharmos com atenção para a faixa etária da classe docente, constatamos que se encontra muito envelhecida, facto que não é novidade para ninguém. A maioria destes docentes, encontram-se já na casa dos 60 anos e até mais , sendo de outro tempo… habituados a utilizar a velhinha máquina de escrever, o acetato… até sabem utilizar o PC, sabem fazer testes, escrever textos, elaborar power-points…mas agora está a exigir-se, a estes docentes, que trabalhem com plataformas que não dominam de todo, facto que está a provocar níveis elevados de ansiedade…
    Se calhar, chegou a hora de repensar-se muita coisa
    Sou professora, tenho 3 filhos e um marido que se inclui no chamado grupo de risco. E agora questiono: se as escolas abrirem a 4 de maio para os alunos do 12º ano, corro o risco de ser contaminada, eu ou o meu filho mais velho, que frequenta o 12º ano, trazemos o vírus para casa e colocamos em risco toda a minha família, certo? Agora, respondam-me lá a uma coisinha insignificante, quem se responsabiliza?
    Dizem que temos conhecimento da evolução da doença, mas isso não corresponde á realidade porque a grande maioria das pessoas contaminadas são assintomáticas, são transmissores de risco que não conseguimos identificar. Porque é que o ministério da saúde não nos diz quantas são essas pessoas? Existem modelos que permitem determinar quantas pessoas estão contaminadas

      • Manuel on 3 de Abril de 2020 at 18:04
      • Responder

      “…habituados a utilizar a velhinha máquina de escrever, o acetato… até sabem utilizar o PC, sabem fazer testes, escrever textos, elaborar power-points…mas agora está a exigir-se, a estes docentes, que trabalhem com plataformas que não dominam de todo, facto que está a provocar níveis elevados de ansiedade…” ): ):

      Na casa dos 70 ? Por lei que quem fizer 70 anos terá que se reformar compulsivamente 🙂

      A avaliar pela sua descrição ,penso que esta colega está há muito tempo congelada ( não em termos de progressão na carreira ). Por favor, não sejamos ridículos.

        • maria on 3 de Abril de 2020 at 22:11
        • Responder

        O colega, leu bem?
        A colega falou em 60 anos e não em 70 anos. Além disso, ela não está “congelada” , como diz, está como se encontra qualquer ser humano com um pouco de discernimento, preocupada com a situação. Quando os próprios médicos e profissionais de saúde temem pela sua vida e dos outros, sem terem ainda certezas do que é ou não mais recomendável mas, alertando sempre que o melhor “É ficar em casa”, vem o colega insultar a colega apelidando-a de ridícula.
        Haja paciência!

      • fernandasobralinho on 3 de Abril de 2020 at 18:58
      • Responder

      Pode haver uma forma de lidar quanto a um retorno presencial precoce antes de isto acalmar. Levar um documento para a direção assinar em como se responsabiliza por eventual contágio no espaço escolar e pelas consequências que possam advir desse contágio, desde internamento hospitalar à morte do aluno ou docente.

        • maria on 4 de Abril de 2020 at 10:25
        • Responder

        Recomeçar a 4 de Maio? Que bom seria – caso tudo estivesse normalizado – senhor primeiro – ministro ! Oxalá as previsões de quem o aconselha sejam certeiras. Mas…

      • Paula Fernandes on 5 de Abril de 2020 at 15:16
      • Responder

      Tem toda a razão, subscrevo e espero que a sensatez fale mais alto, não estamos em altura de pensar, mas de agir!

    • Anónimo on 3 de Abril de 2020 at 17:07
    • Responder

    Essa possibilidade a acontecer era muito mau. Não acredito que os alunos e os profs vão regressar à escola a 4 de maio. Era muito mau se isso acontecesse, quando o pico do vírus está revisto para maio.

    • Valentim on 3 de Abril de 2020 at 17:19
    • Responder

    Então e o 11º ano? também têm exames que contam para acesso ao ensino superior.

    Mas não, não quero ser carne para canhão.

    • Zaratrusta on 3 de Abril de 2020 at 17:37
    • Responder

    É a ditadura dos exames. Pode mais que tudo. Por que razão não aplicam a estes alunos o regime que foi ontem publicado e que abre as portas da universidade aos alunos do profissional sem terem necessidade de nada fazer.

      • Anónimo on 4 de Abril de 2020 at 12:44
      • Responder

      Ora exatamente, Zaratrusta! Faço minhas as suas palavras.

    • Zaratrusta on 3 de Abril de 2020 at 17:39
    • Responder

    Cá em casa somos 5. Até haver vacina ou curo não ponho os pés na escola. Meto baixa psicológica.

      • Profissional on 3 de Abril de 2020 at 17:50
      • Responder

      Pelas tuas declarações denuncias um avançado estado de fragilidade psicológica.

        • Paulo on 3 de Abril de 2020 at 19:29
        • Responder

        E você com este comentário, o que demonstra?
        Se ainda tem alguma consciência, diga o que demonstra.

        • Paula Fernandes on 5 de Abril de 2020 at 15:20
        • Responder

        Quem está do outro lado, anonimamente a mostrar-se superior aos outros?
        Acha que não lhe pode acontecer?
        Acha que é fraqueza psicologica mostrar medo, receio e proteger a família?
        Não lhe desejo mal, mas pessoas como você só “atinam” se sentirem na pele estás doenças ou se virem alguém querido atingido. Não tenho nada a ver, mas tem filhos? Se tem ainda é mais estranho…

    • Alexandra Almeida on 3 de Abril de 2020 at 17:51
    • Responder

    Já se pediu ao Arlindo que não publique opiniões de adivinhos que escrevem no Público, que apenas publique coisas emanadas do ME.

      • fernandasobralinho on 3 de Abril de 2020 at 18:53
      • Responder

      Também concordo, mas quantos dias ou semanas ficaríamos à espera de qualquer coisa emanada do ME?
      Possivelmente muitas 🙂

    • Tiago on 3 de Abril de 2020 at 18:01
    • Responder

    so irá existir aulas presenciais e exames em papel (meio de transmissão do vírus) , se o Governo quiser promover IMUNIDADE DE GRUPO
    Caso contrario nunca irá existir aulas presenciais nem exames até setembro

    Posso vos garantir.

      • Paula Fernandes on 5 de Abril de 2020 at 15:23
      • Responder

      Mas é mesmo essa “experiência” que querem fazer! Mais uma vez com a classe profissional que menos se defende, mais desunida e que abana a cabecinha a tudo o que a tutela diz. Depois, vimos para estas plataformas lamentar-nos…triste, não?

    • pretor on 3 de Abril de 2020 at 18:20
    • Responder

    O ministro da Educação Nacional Jean-Michel Blanquer anunciou nesta sexta-feira, 3 de abril, que todos os testes do bac 2020 serão validados por meio de monitoramento contínuo.

    Em circunstâncias excepcionais, medidas excepcionais. Pela primeira vez em 25 anos e na criação dos fluxos S, ES e L, os exames de bacharelado são objeto de uma adaptação personalizada à pandemia pela qual o país está passando.

    » Bacharelado e certificado 2020: todas as respostas para suas perguntas

    Enquanto eles começariam em 17 de junho, todos os testes serão substituídos por avaliações contínuas, ou seja, as notas dos três trimestres, disse o ministro da Educação Nacional, Jean-Michel Blanquer. Para o bac 2020, as notas do bac francês (oral e escrito) e do VSE (trabalho pessoal supervisionado) aprovadas no ano passado serão obviamente contadas. No entanto, as pontuações obtidas durante todo o período de confinamento não serão levadas em consideração.

    Ao eliminar os exames de bacharelado, Jean-Michel Blanquer decide seguir os programas. Todos os alunos terão aulas até 4 de julho e o controle de frequência até essa data será levado em consideração pelas bancas de exames.

    » Calcule sua média de bacharelado usando nosso simulador de notas

    “Os candidatos que obtiveram entre 8 e 10 anos poderão fazer os exames orais corretivos nas condições usuais” , disse o Ministro da Educação Nacional. Para os candidatos que tiveram uma média inferior a 8, uma sessão de testes escritos será organizada em setembro para oferecer uma segunda chance. Candidatos gratuitos, que não podem ser avaliados por avaliação contínua, também podem participar.
    O oral do bac francês é mantido

    Para os alunos do primeiro ano, que também tiveram que fazer testes, a nota da prova escrita em francês será a média anual do candidato. Por outro lado, a prova oral é mantida e o número de textos a serem conhecidos é reduzido (15 no fluxo geral, 12 no fluxo tecnológico)

    No entanto, para os alunos do primeiro ano, a segunda sessão dos testes de avaliação contínua é excluída. A nota final levada em consideração para o bacharelado 2021 será, portanto, a média da primeira e terceira sessões desses testes.

    »Leia também – Bac 2020: calcule sua média graças ao nosso simulador
    A patente também em controle contínuo

    O Ministro da Educação Nacional também anunciou que a patente seria aprovada este ano através de monitoramento contínuo. “Ele será obtido a partir da nota média dos três trimestres do terceiro ano, com exceção das notas obtidas durante o período de confinamento, para os sujeitos envolvidos”, afirmou Jean-Michel Blanquer. Mais uma vez, a presença de candidatos em andamento até 4 de julho será verificada.

    google tradutor

    https://etudiant.lefigaro.fr/article/bac-2020-toutes-les-epreuves-sont-remplacees-par-le-controle-continu_c3255968-74bd-11ea-94e3-c0cc05dea6b9/

    • Paula on 3 de Abril de 2020 at 18:59
    • Responder

    O sr. deve ser novinho, certamente, só pode. Quando tiver alguma tarimba disto podemos conversar. Ate lá, desejo-lhe muitas felicidades e crescimento pessoal E, se eventualmente, possuir alguma dúvida de carácter pedagógico,cientifico ou de relacionamento com os seus alunos, não hesite em contactar-me- Estou ao dispor para o ajudar a crescer.

    • jonas on 3 de Abril de 2020 at 21:15
    • Responder

    Andam muito preocupados com o 12º… apenas o 12º…
    Será que andam filhos de alguns digníssimos no 11º?
    Então vamos voltar a explicar. Os exames em setembro são uma falácia pegada. Os alunos perderão todo o ritmo. Mesmo agora com 30 dias ou 40 dias de paragem vai ser uma desgraça pegada!
    Solução?
    Simples, 12º ano já realizou exames! Sim, o ano transacto a duas disciplinas…. em vários casos terá já a específica e ou até 2 das 3 que habitualmente necessitam… seria simples… este ano ficariam com 2 específicas e poderiam utilizar as mesmas!
    No próximo ano, os alunos de 12º (atuais 11º) ficariam teriam até dezembro aulas das específicas de 11º e não teriam qualquer cadeira de opção. Fariam exame em dezembro. As disciplinas de opção surgiriam a janeiro como semestrais (mais do que suficiente para o programa) e em junho teriam os restantes exames!

      • Zaratrusta on 4 de Abril de 2020 at 0:15
      • Responder

      Concordo inteiramente. Finalmente alguém que sabe alguma coisa de educação. Infelizmente os influenciadores e os decisores dela nada sabem.

        • Paula Fernandes on 5 de Abril de 2020 at 15:28
        • Responder

        Também concordo, há que fazer chegar essas propostas, válidas e lógicas a quem de direito. Não fiquem com elas só por aqui, os srs doutores não as vão ler! Publiquem-nas no local correto
        Por isso insisto na necessidade de petições, acompanhadas de fundamentação. É já na próxima semana que se reúnem e as nossas vidas estão nas mãos deles!

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