E vocês, caros colegas, o que propõem?

 

A propósito das propostas de Santana Castilho (in “Público” de 1/4/2020), discordo apenas na questão dos exames nacionais do ensino secundário, pois a proposta que faz – “as provas devem ser limitadas ao que foi leccionado presencialmente”- é arbitrária e de difícil definição. Por exemplo, antes de ter sido decretado o encerramento das atividades lectivas e não lectivas presenciais para todos os estabelecimentos de ensino, já havia alguns encerrados há algum tempo: Felgueiras, Lousada, Amadora, Portimão, Sta Maria da Feira. Mais, a flexibilização possibilita e estimula que a leccionação dos conteúdos não tenha de obedecer à ordem pela qual constam nas Aprendizagens Essenciais. Uns começam por um lado, outros por outro. Como tal, isso inviabiliza a possibilidade de se definirem e coordenarem conteúdos mínimos. Para já não falar de outras situações, como turmas sem professor nas disciplinas sujeitas a exame nacional, quer por colocação tardia do docente, quer por necessidade de substituição. A solução que proponho parece-me mais justa, simples e respeitadora do esforço realizado até aqui pelos alunos do 12°ano, cuja a nota de candidatura ao ensino superior deveria depender de um peso maior atribuído à média do secundário (75% ou 80%), acrescida da MELHOR classificação obtida nos exames nacionais que realizou às disciplinas específicas, em 2018/2019, no 11°ano (peso de 25% ou 20%). Quanto aos alunos que actualmente frequentam o 11°, este ano não realizariam os dois exames nacionais previstos, concluindo essas disciplinas com base na média aritmética simples. No final do próximo ano lectivo (2020/2021), realizariam os dois exames nacionais de 12° (Português + disciplina especifica trienal, com os devidos ajustes nos conteúdos a examinar) e, à semelhança deste ano, candidatar-se-iam ao ensino superior nos mesmos moldes que descrevi: 75% ou 80% média do secundário + 25% ou 20% classificação do MELHOR exame. Isto obriga a que haja coordenação com o ensino superior, caindo por terra as específicas atualmente exigidas. Mas parece-me um procedimento simples de aplicar, mais equitativo e meramente extraordinário.

Paulo Fazenda

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24 comentários

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    • Lígia Violas on 1 de Abril de 2020 at 15:42
    • Responder

    Parece-me a melhor proposta que li, face à incapacidade do IAVE e ME de acautelar os interesses dos alunos perante um vírus microscópico e uma flexibilização curricular. É uma proposta simples, exequível e justa. E isso no contexto de indefinição e incerteza atual não é coisa pouca.
    Oxalá seja escutada.


  1. O que interessa propor?
    O que o Costa decidir é o executado.

    • Maria on 1 de Abril de 2020 at 16:17
    • Responder

    Sem qualquer dúvida que é a melhor!


    1. E quanto a alunos externos que se estão propor a exames de disciplinas específicas para nova entrada no ensino superior porque já não têm exames válidos? Ou alunos que se estão a propor a repetir estes exames para melhoria de notas? Não lhes vamos permitir fazer estes exames?

        • Paulo Fazenda on 2 de Abril de 2020 at 13:37
        • Responder

        Bom dia, Ana. Considero pertinentes as questões que levanta, até porque naturalmente ambas as situações ocorrem todos os anos. A solução mais simples para quem já não tem exames válidos, era prorrogar o prazo de validade desses exames por mais um ano (ou, no limite, dois anos).
        Para os alunos que se propunham a exame para melhoria, na impossibilidade de o fazer podiam ser bonificados com um X valor (a determinar) na sua média. Relembro que outrora isso já aconteceu. Por exemplo, na década de 80 até aos primeiros anos da de 90, o aluno ficava um ano à espera para se recandidatar, recebia uma bonificação de um valor a acrescentar à sua média, podendo ainda repetir exames para melhoria. Mesmo que não conseguisse melhor, a bonificação de um valor estava sempre assegurada. Há muitos anos que esta medida foi abolida no acesso ao ensino superior. Contudo, perante o cenário actual não me chocava nem achava injusto isso poder extraordinariamente acontecer (podia ser um valor ou meio valor de bonificação).

          • Paulo Fazenda on 2 de Abril de 2020 at 13:40

          digo, “o aluno QUE ficava um ano…”
          digo, “Mesmo que não conseguisse ESSA MELHORIA”

    • Zaratrusta on 1 de Abril de 2020 at 16:45
    • Responder

    A questão dos exames é uma falsa questão. Se alunos que durante todo o seu percurso escolar nunca pegaram num livro (ensino profissional) vão entrar na universidade sem fazer exames, não vejo por que razão os alunos do regular que sempre trabalharam para esse fim, vão ter que os fazer. Neste momento há alunos do 11º ano que têm apenas um mês de aulas de matemática. Do início do ano letivo até finais de janeiro não tiveram professor e depois a interrupção do covid. Espero que a tutela acautele a situação destes alunos, este ano e para o próximo.

      • Orquídea neves on 1 de Abril de 2020 at 18:30
      • Responder

      A flexibilidade curricular,neste momento, pode, de certa forma, constituir um obstáculo para o secundário. Contudo, não creio haver grandes discrepâncias entre as escolas e até porque, quando fecharam ,a maioria dos conteúdos já deveriam ter sido trabalhados. Nada que algumas alterações não pudessem resolver. Para situações excepcionais, medidas excecionais.

    • José Viegas on 1 de Abril de 2020 at 17:23
    • Responder

    Parece-me uma ótima proposta e de alguém que está no terreno, claramente. O Santana Castillo, que tanto gosto de ler, e apesar da sua atenção constante, falta-lhe esta noção da flexibilidade na planificação dos conteúdos, dos professores que estão mais adiantados ou mais atrasados, etc, etc… A única questão, embora menor, prende-se com mais ou menos peso nesta ou naquela percentagem.
    Também concordo com a ideia de que, se para os alunos do Profissional, que, na sua grande maioria, pouco ou nada faz, o acesso pode ser sem exames, para que haja efetiva justiça, impunha-se que os dos restantes cursos tivessem a mesma possibilidade. Isto seria a nível do Secundário, pois a nível superior as Universidades e Politécnicos que definam, excecionalmente.

      • Manuel on 1 de Abril de 2020 at 19:30
      • Responder

      “Uma mentira muitas vez…. ”
      Colegas,os alunos dos cursos profissionais não terão o acesso ao ES pela ” via verde”.
      O que terão são cotas ( tais como os filhos de emigrantes, dos PALOP`s , desportistas de alta competição…. ) no seu acesso. Não percebo a urticária de alguns docentes e EE,pois mais de 90% destes alunos só pretendem concluir o 12º ano e para estes ,os conteúdos lecionados nas disciplinas, ditas específicas, não são,em rigor, os mesmos. Casos das disciplinas de Economia e da Matemática ,por exº,que são aqueles que eu conheço.

        • Zaratrusta on 2 de Abril de 2020 at 10:21
        • Responder

        Manuel, foi-lhe fazer duas perguntas. Se responder Sim às duas, vou aceitar a sua opinião, embora não concorde com ela. Basta responder Não a uma delas e a sua opinião não tem qualquer importância por não assentar no conhecimento completo da realidade.
        1- É professor de cursos profissionais?
        2- É pai de alunos do ensino regular?

          • Alexandra S on 2 de Abril de 2020 at 16:11

          Zaratustra,

          Os alunos do profissional quando entram no superior é em cursos que nem sequer ocupam a totalidade das vagas*… Não ultrapassam ninguém.
          Grave é o que acontece nos cursos mais procurados, que deixam alunos de fora, onde há o recurso a várias privadas para subir as notas do secundário.

          * no portal do acesso ao ensino superior, consegue ver de onde vêm os alunos de cada curso superior.

    • Rui Manuel Marques Lourenço on 1 de Abril de 2020 at 19:33
    • Responder

    A questão da entrada no ensino superior deve ser da responsabilidade dos estabelecimentos de ensino superior. A nós, docentes do ensino básico e secundário, deve caber “trabalhar” os alunos e com os alunos para que estes atinjam o perfil que é sugerido para os 12 anos de escolaridade.

    • jonas on 1 de Abril de 2020 at 19:40
    • Responder

    O exame de Biologia e Química são dos mais complicados. São realizados no 11º ano. Não faz qualquer sentido um aluno entrar em Medicina, por exemplo, sem o exame de Biologia e Química. Teria piada a média aritmética simples desses exames para entrada em Medicina e para o ano fazerem exame a Português e Matemática como específica. Andamos a brincar ou já sabemos que em alguns colégios essas disciplinas vão ter nota 20?

    • Alexandra S on 1 de Abril de 2020 at 20:42
    • Responder

    Parece que só o comentador “Jonas” está a ver a cenário real do ensino secundário Português. Dar mais peso as classificações internas equivale a prejudicar os alunos do ensino público. Ou seja este ano os cursos mais procurados seriam quase exclusivamente ocupados por quem andou a comprar a média do secundário.

    • Ana Duarte on 1 de Abril de 2020 at 21:40
    • Responder

    Como não há uma proposta que agrade a todos, entendo que o melhor era repetirem todos o ano , ou seja , em 20/21 todos no mesmo ano em que se encontram e por agora férias antecipadas….para com calma ganharmos esta guerra! Não, não é brincadeira de dia 1…


    1. De acordo. Era o que eu ia propor. Este ano 19/20 passaria a ser o equivalente ao que já aconteceu no final dos anos 70 com o propedêutico. Partiriam tod@s, assim, em 20/21, em pé de igualdade. Esperando que o covid 19 já não nos pressione tanto e que a falta de professor@s em determinadas disciplinas seja colmatada rapidamente.

    • Ana Duarte on 1 de Abril de 2020 at 21:44
    • Responder

    ESTA do Paulo Fazenda parece_me a melhor! Já tinha pensado nela. Injustiças, inflação notas Colégios….Injustiças haverá sempre até dentro da mesma escola, há colegas, por exemplo, que por princípio não dão classificações inferiores a 10!!!


  2. E pq nAo aproveitar estás situação e colocar Portugal ao nível de outros países onde a entrada no ensino superior é da exclusiva responsabilidade das universidades?
    Acabar com exames do 12 ano.
    Universidades fazem os seus critérios e exames.

      • jonas on 2 de Abril de 2020 at 10:20
      • Responder

      Pelo simples facto de que não podem de um dia para o outro fazer isso!

        • Zaratrusta on 2 de Abril de 2020 at 10:24
        • Responder

        Não podem? Então não o vão já fazer com os broncos do ensino profissional.

    • Lecturer on 2 de Abril de 2020 at 10:53
    • Responder

    A equidade é acabar de vez com os exames tal como o governo o fez,este ano letivo, para os alunos dos cursos profissionais.
    Mas ninguém sabe disso??
    Mas ninguém fala nisso??
    É a oportunidade de justiça e o que a OCDE propôs a Portugal há 2 anos atrás, pois o nosso país é o único da Europa com exames.
    Ponham as universidades a fazê-los como nos outros países.
    Perda de tempo discutir exames.
    País atrasado e governo a enganar o povo .

    • Joao Araujo on 2 de Abril de 2020 at 12:28
    • Responder

    Eu só vejo uma solução:
    As provas de exame devem incidir sobre todos os conteúdos.
    Os examinandos deverão optar por 2/3 ou 3/4 dos itens da prova, não respondendo às partes que não lhe foram lecionadas.
    Exemplos: Exame com 9 itens o aluno responde a 6, Exame com 4 itens o aluno responde a 3
    Já foi assim na disciplina de geometria descritiva (ver exames 408) até ao ano 2002

      • Paulo Fazenda on 2 de Abril de 2020 at 13:16
      • Responder

      João, a situação que descreve creio que criava uma desigualdade entre os alunos inaceitável. Utilizando o seu exemplo, repare que o aluno a quem tivessem sido leccionados os conteúdos em que incidiam os 9 itens podia naturalmente ESCOLHER aqueles em que se sentia mais seguro. Em contrapartida, outro aluno de outra escola a quem não foram leccionados todos esses conteúdos, não podia fazer essa escolha, ou seja, teria de responder necessariamente àqueles. Um 3º aluno de uma 3ª escola podia não ter dado os conteúdos suficientes para responder ao número mínimo de itens que você colocou (6 em 9 e 3 em 4). Imagine que apenas lhe foram leccionados conteúdos de 5 desses itens ou de 4. Nesse caso, deixava de responder a 1 ou a 2 itens, estando a ser grosseiramente penalizado.

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