Têm-nos chegado alguns relatos sobre o E@D. Alguns são hilariantes, outros de preocupação, uns de dificuldades técnicas, enquanto há quem se queixe de orientações superiores sem nexo. Damos conta que a maior parte das escolas se organizou, de uma forma ou de outra, mas há ainda quem ande à procura de rumo, perdidos. Excesso de trabalho, tarefas sem sentido, falta de conhecimentos tenológicos, má educação por parte dos alunos e professores, falta de coordenação pedagógica, ausência de distribuição de serviço e, até, desentendimentos entre colegas. Fora estes casos pontuais, tudo aparenta estar a correr sobre rodas.
O que gostávamos de saber, é qual o balanço que os professores fazem do E@D. Como estão a correr as aulas nas vossas escolas?
Partilhem connosco na caixa de comentários as vossas novas experiências…




38 comentários
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Tudo a rolar com a boa vontade dos professores e a larga cooperação doa alunos. Com os DTs a taparem todos oa buracos.
Podia ser algo de diferente mas é o que temos
Com muita boa vontade, sempre ao lado dos alunos…mas neste momento estou com crises de ansiedade e com uma depressão, que já tinha, mas que se agravou…Porque todos os dias recebemos informações para ler e para transmitir aos alunos e aos encarregados de educação, para além dos trabalhos que tenho que corrigir… Estou a chegar ao meu limite!
Apesar de muito trabalho durante todo o dia, tudo corre bem quando se tem uma Excelente Direção (Agrupamento de Escolas Pedro Alexandrino – Odivelas) , preocupada com os alunos, mas compreensiva com os professores.
Eu já cheguei ao meu limite… Estou de atestado psiquiátrico…🤕
Eu só tenho cursos profissionais. Tudo a correr às mil maravilhas. Os alunos, como sempre, não querem saber nada disto. Temos indicações para que todos os módulos sejam concluídos e as PAP´s estão entregues a dois professores que as estão a fazer em nome dos alunos. Porreiro pá.
Este E@D faz lembrar um jogo de futebol de um campeonato do mundo de futebol. O resultado, a 1/2 h do término do encontro está empatado e com este resultado as duas equipas apuram-se para a fase final. A qualidade do jogo das equipas era o que menos interessava ao mundo do futebol e aos patrocinadores.
Toda a comunidade educativa fica parcialmente satisfeita. Do mal o menos…
Vou repetir, palavra por palavra, um comentário de uma colega sobre a sua escola e adaptar à minha:
Apesar de muito trabalho durante todo o dia, tudo corre bem quando se tem uma Excelente Direção (Agrupamento de Escolas da Maia – Maia) , preocupada com os alunos, mas compreensiva com os professores.
Obrigado
A escola da minha mulher aconteceu isto: depois de passarem as duas semanas de pausa letiva, totalmente preenchidas com reuniões, na 2ª semana tiveram reuniões para todas as turmas, ficou estabelecido o seguinte:
1. elaborar um mapa de aula e enviar ao DT e o DT aos alunos;
2. elaborar um plano de aula e enviar ao DT, aos alunos e o DT aos E.E
3. dar, no mínimo, 50% das aulas semanais em via zoom;
4. marcar na plataforma as faltas aos alunos não presentes nas sessões zoom;
5. depois, preencher ainda uma ficha, por cada aula zoom, com o nº de alunos que faltaram e enviar à equipa de supervisão e avaliação do trabalho à distância.
6. por cada 50% das aulas não zoom, e de trabalho autónomo, serão realizadas tarefas, que depois de feitas, são enviadas pelo aluno ao professor
7. depois, preencher ainda uma ficha com todas a atividades realizadas na semana e o nº de alunos que não as realizaram, ou enviaram-nas fora do prazo, e enviar para a equipa de supervisão e avaliação do trabalho à distância
8. realizar semanalmente\quinzenalmente reuniões com os professores de cada turma para expor ao DT e aos professores, as situações de alunos que faltaram ou não realizaram as tarefas e apresentar os planos de aula da próxima semana.
9. preparar as aulas zoom
10. elaborar as fichas de trabalho
11. corrigir as trabalhos e enviar a respetiva avaliação ao aluno.
12. começar por ir ao oculista por se sente a vista cansada!
13. acompanhar os filhos
14. noites mal dormidas
15. esgotamento!
16. atestado médico
Incrível! Absurdo! Expulsem essa Direção!
Cá temos as escolas papistas e alguns diretores a aproveitarem-se para mostrarem que em tempo de pandemia a sua escola é exemplar….
Dou Inglês no 1ºciclo. Sinto que os alunos que necessitam de apoio individualizado, pedagogia diferenciada, enfim, esses alunos não conseguem acompanhar. Os alunos bons, continuam bons, os alunos médios e fracos perdem-se. Faço fichas adaptadas, tento dar o meu melhor, contudo sinto que os alunos “especiais” ficam pelo caminho. Sem falar dos alunos que não possuem meios tecnológicos ou internet e são alguns.
Para mim, isto é um faz-de-conta que se ensina!! Uma total perda de tempo.
Pedro,
Eu acrescentaria
– fortes dores de coluna, após horas de aulas síncronas.
– falta de noção quanto ao meios que dispomos, designadamente saldo de Internet /dados disponíveis.
Tudl a correr sobre rodas?
Li bem ou alucinei?
Mas já não há vergonha neste mundo?
Demasiadas horas passadas em videoconferência tenho 3 horas por turma no básico e no secundário.
Os próprios alunos confessam que fariam mais com menos horas de videoconferência.
O portátil começa a dar sinais de fadiga e o meu pescoço também.
Muito tempo para preparar as aulas de videoconferência pois não é a mesma coisa de estar na sala de aula.
Um número significativo de alunos estão completamente OFF. Ligam-se, mas limitam-se a estar por lá. Quando questionados com alguma coisa ou não respondem, não há som do lado de lá, ou então nunca estão atentos.
Quanto às tarefas ainda não percebi se estou a dar feedback das mesmas aos alunos, aos irmãos dos alunos, aos pais dos alunos, aos explicadores dos alunos…
Bom dia, sou jornalista e estou a preparar um artigo sobre as dificuldades do ensino à distância. Gostaria de falar consigo sobre a falta de motivação dos alunos. Poderia-me contactar para o email [email protected]? Muito obrigada, Susana Lúcio
No meu agrupamento todos os professores trabalham para fazer chegar a informação a todos os alunos. Todos, desde a direção até às assistentes operacionais trabalham em conjunto para resolver as questões relacionadas com a falta de equipamentos dos alunos, identificando os que mais precisam e encontrando soluções.
Claro que sabemos que no ensino presencial nem sempre conseguimos chegar a todos devido a desigualdades sociais e com o ensino à distância essas desigualdades acentuam-se mais. Temos noção que não é um trabalho fácil, mas fazemos o que podemos com os recursos que temos. Temos a consciência tranquila, porque fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para possibilitar o direito à aprendizagem aos nosso alunos.
Isso é como dizer: o Titanic naufragou, mas estamos de consciência tranquilo porque só morreram 1500 pessoas.
Ou seja, ME inexistente e escolas a fazerem o que os diretores decidiram.
Resultado: há de tudo, pouco bem e muito mal, em percentagem igual à qualidade do diretor.
Estou a chegar ao limite. A trabalhar desta forma não sei se conseguirei aguentar ate junho.
Não dá, é insustentável! Mais uma vez, os professores a dar para todo e este peditório. Até para aqueles alunos que passam as aulas ao telemóvel e agora que lhes cheira a tabletes gratuitos dizem não ter nadinha, pobrezinhos, nem net, nem computador, nem smartphones!
E nós, professores, a duplicar ou triplicar a carga de trabalho às nossas para fazer fichinhas e merdinhas inconsequentes!
Síncronas? Uma ilusão de que tudo corre bem porque a maior parte desliga a imagem e o som mas, lá atrás onde tudo acontece é uma algazarra!
Valem-nos as raras exceções…
Na minha querem 300h de pratica simulada uma vez que nao vao a estagio…para turmas d profissionais…
Turmas super empenhadas, trabalhadoras…. e tenho de acompanhar mais 300h…. ainda com turmas a decorrer, familia, casa, estou a dar em doida
Dá-me um exemplo de “pratica simulada”.
Por aqui so metade dos alunos é que faz alguma coisa ou toma atencao. A outra metade copia ou nem isso.
A prática simulada é outra anedota dos cursos profissionais. Manda-os fazer uns cursos online.
Eu posso resumir a minha experiência numa palavra: saturação.
Igualmente.
Estou saturada e não é dos alunos … é de tanta trapalhada sempre a chegar, a reencaminhar … ordens dos coordenadores que muitas vezes ainda pedem mais que alguns diretores e complicam as suas diretrizes…
Muitos, desculpem a expressão “querem ser mais papistas que o Papa”!
Não me posso queixar da Direção, nem dos colegas, nem dos alunos… Estamos todos no mesmo barco e, ao contrário do que se diz repetidamente nos meios de comunicação, continuamos todos os mesmos. É a situação que é absurda e de utilidade quase nula. Serve apenas o propósito de manter os alunos em contacto com um conceito distorcido de vida escolar. Não serve aos alunos, não serve aos professores e, certamente, não serve o ideal de os preparar para o futuro. O isolamento/solidão e a fraude/desfaçatez não podem ser a alternativa sonhada ao ensino presencial. Não são cidadãos assim que quero encontrar no meu futuro, nem desejo que povoem o futuro dos meus alunos.
Não me posso queixar da minha escola, da qual tenho sinceras saudades; mas estas aulas são, de facto, um “faz de conta”. No próximo ano letivo, espero continuar com as mesmas turmas e começarei precisamente pela matéria que agora fica “mal dada”, à distância: o texto poético. Mas é porque tenho a sorte de, na minha disciplina, haver uma continuação do mesmo tema no ano seguinte.
Também não me posso queixar dos alunos que são “fofinhos”, mas imagino… em certas escolas…
Quanto aos meios tecnológicos, os meus alunos têm computador mas na maioria dos casos é 1 ou 2 computadores a partilhar por vários irmãos, e nalguns casos, até mesmo pelos pais em regime de tele-trabalho. Por isso, não os obrigo a ir às aulas síncronas. Vai quem quer, pode, e tem disponibilidade, porque compreendo que é preciso atender às prioridades e nem sempre o computador está disponível na hora das síncronas.
O trabalho mais importante é o das aulas assíncronas e os alunos têm de dar o devido feedback. Acreditem: muitos miúdos estão a trabalhar mais agora do que durante os meses em que tiveram aulas presenciais pois cerca de metade dos elementos de cada turma não fazia os TPC… e agora têm mesmo de fazer!
Não me posso queixar do meu Agrupamento mas, de facto, é “tapar o sol com a peneira”.
Mais uma professora de Português que não sabe escrever.
É uma vergonha!
Vou ser curta e grossa:
*Sou docente da educação especial. Com o ensino à distância deixou de existir inclusão para os alunos com medidas adicionais pois a maioria nem consegue estar focada frente ao computador a ouvir a professora. A maioria do trabalho desenvolvida em sala de aula implicava o uso de material concreto, de competências de autonomia e socialização. Pois bem….passo as aulas síncronas (ridículo) a explicar aos pais como usar o material que envio e dando estratégias uma vez que não posso estar em contato direto com os alunos. Portante aulas síncronas são uma fachada e faz de conta.
*Para os alunos com medidas seletivas vou tendo feedback mas nem todos acompanham como é óbvio. Sinto que o meu papel é simplesmente reduzido a NADA. Ao contrário dos outros professores, não debito matérias e sinto a necessidade de acompanhar de perto, estar com eles. Passo parte do tempo a adaptar materiais e cada aluno de forma individualizada dado a especificidade de cada aluno.
* Muitas das tarefas vem a maior parte das vezes feita pelos pais, irmãos mais velhos…enfim.
* Resumindo, uso como muitos de vocês o meu telemovel pessoal, internet, e computador em prol do MEC. Estamos a dar tudo para no fim, nós as bestas, ainda sermos criticados, desvalorizados pela sociedade e passamos pelos malandros que estão em casa a ganhar por inteiro sem fazer nada.
* Não me venham dizer que este tipo de ensino traz frutos….É o que se arranja para manter alunos entretidos e alguns pais. O mais constrangedor é que temos os pais, avos, periquito, cão a assistir à aula….
* Até junho… a fadiga vai nos vencer e quando vamos finalmente sonhar com as férias para o merecido descanso, ainda vamos ser chamados a realizar outras tarefas escolares.
* Para além desta panóplia de tarefas acrescidas ainda temos direções que acham que reuniões semanais de 2h são necessárias no horário pos laboral 17h45 às 19h45.
Este para mim é o ensino de faz de conta!
Vou repetir, palavra por palavra, um comentário de uma colega sobre a sua escola e adaptar à minha:
Apesar de muito trabalho durante todo o dia, tudo corre bem quando se tem uma Excelente Direção (Agrupamento de Escolas da Maia – Maia) , preocupada com os alunos, mas compreensiva com os professores.
Obrigado
Eu também vou comentar curto e grosso.
Sou de Educacao Especial e faço ver aos outros professores que isto dá muito trabalho.
Mas cá só para nós, que ninguém nos ouve, isto até veio meio a calhar. Um telefonemazito agora, outro depois, aos pais e prontos, dia feito.
Uns meses de descanso até já merecia.
Sorte a tua….Se eu me limitasse a fazer um telefonemazito, não estaria mal. Tenho trabalho a triplicar com este novo método de ensino.
Nada a referir em termos disciplinares ou relações com colegas. Contudo, quem considera que lecionar aulas online pode ser considerado um tipo de paradigma a seguir no futuro, está enganado. O ritmo tem de ser, necessariamente lento. Os tempos letivos são poucos, ficou decidido no meu agrupamento que a matéria é para ser lecionada. A resposta são as aulas assíncronas, sem, contudo, sobrecarregar os alunos, estabelecendo com eles prazos mais alargados. Parte da matéria é trabalhada autonomamente e depois corrigida e explicada, brevemente, claro está, porque não dá para mais. E, a par disso, outra parte é fazer uso das aulas síncronas para conseguir dar vazão aos restantes conteúdos. Por mais sintonia e preparação que haja, é um esforço titânico cumprir, dentro do prazo estipulado, a lecionação dos conteúdos indicados nos planos que entregamos aos alunos, semanalmente. O tempo tem de dar para que os alunos vejam as suas devidamente esclarecidas, não há volta a dar, e temos de dar espaço à empatia que foi criada ao longo do ano, que é essencial para manter a motivação, transmitir segurança aos alunos e encorajá-los em tempos que também não são fáceis para eles. Em termos técnicos, a plataforma, por vezes, não aguenta durante uma aula, e enquanto os alunos esperam, faço por voltar a entrar o mais rapidamente possível. Pela parte de alguns alunos, vai havendo dificuldade em entrar, enviando-me mensagens, durante a aula, a dizer que tentam entrar, mas não conseguem. E eu não tenho forma de os ajudar, porque não sou administrador da plataforma. Concluindo, chego ao fim de alguns dias tão ou mais cansado do que nas aulas presenciais. Sem o essencial fator interpessoal, que é o que me motiva nesta profissão. Não me queixo, apesar disso. É a minha profissão, em tempos difíceis, e uma ocupação. Apesar de tudo, mantém-me a cabeça ocupada. E é a única forma de o fazer. Tive a sorte de calhar num agrupamento organizado e onde (apesar de alguma parvoíce) não existe indisciplina e os alunos são, na generalidade, muito interessados.
*… as suas dúvidas devidamente esclarecidas…*
E a conta da internet, paga pelo pato, sempre a subir?
Uma palhaçada! Tarefas semanais para os meninos do pré-escolar enviadas para os EE através do moodle. Reuniões de departamento por videoconferência todas as semanas que duram 3h no mínimo porque ninguém se entende, não desligam micros, não percebem coisas óbvias… Enfim. Será que os iluminados não perceberam que há muito boa gente no interior do país que não tem PC porque não precisa, os filhos andam não precisam e têm Internet no telemóvel para Facebook e nada mais?
Não seria mais fácil para todos entender esta paragem como a interrupção de Verão e reajustar o sistema? Até há pouco tempo éramos os inúteis mais bem pagos do país!
Aqui dentro do possível… construção do plano semanal com as tarefas q os alunos tem de fazer e enviada ao alunos e EE.. levantamento no final da semana de quem nao cumpriu as tarefas para informar os encarregados de educação.. trabalho em equipa muito bom dentro do possível de forma não exagerar nos trabalhos a realizar… Direção e coordenações e grupo de professores a trabalhar dentro dos possíveis em termos de equipamentos e internet e em sintonia..Pois existe para todos muitos constrangimentos onde temos de tratar dos alunos e ainda tratar de acompanhar os filhos… nunca iremos conseguir chegar a todos de igual forma.. Mas tentamos minimizar as diferenças. Difícil sim…
Não nos esqueçamos que a maioria dos colegas de 2/3/ Secundario tem de 7 a 11 turmas dependendo da área coordenar de casa tudo não é nada fácil.. mas temos de começar a pensar que não somos máquinas e sim pessoas que temos limites.. e simplificar as nossas tarefas a enviar de forma a que os alunos tentam adquiri os conceitos essenciais sem os subcarregarmos.. pois se as tarefas forem muitas também nós teremos as mesmas para verificar e devolver em feedback… nunca se esqueça disso e o dia do tem 24 h.. asceses simplificar e mais e não menos…
O balanço até agora é analgésicos quase todos os dias para as dores de cabeça e um microfone avariado, pelo menos para uso do teams. Não fiz tudo o que devia esta semana e ordens sempre a mudar, que deitam para o lixo trabalho já feito.