A Era dos Requalificados

… está aí à porta.
E com isto, muito provavelmente um professor excedentário de um determinado grupo de recrutamento pode em meia dúzia de meses ser requalificado para outro grupo disciplinar.
E o contratado que ainda não fez a mala pode começar a fazê-la porque depois de Sócrates e Relvas qualquer horário zero pode profissionalizar-se em 6 meses.
E como dizia ontem um comentador, “ainda se fosse a avaliação de desempenho! Aí sim, valia a pena lutar!”

“Requalificação” substitui mobilidade especial

Os funcionários públicos só permanecem no programa de requalificação  durante 18 meses e receberão 1445 euros, no máximo.

O Governo vai acabar com o actual regime da mobilidade  especial, ou o quadro de excendentários que, na sua opinião, foi ineficaz por  ter tido “resistência à sua aplicação” desde que foi criado, em 2006.

Em alternativa, o Governo aposta num programa de  “requalificação” dos funcionários, que vigorará por um período de 18 meses (consecutivos ou intercalados) e que terá um teto máximo de prestação mensal  equivalente a três vezes o valor do salário mínimo nacional, isto é 1445 euros.

Os trabalhadores que sejam considerados desnecessários pelos serviços, passam para este regime, que implica a frequência obrigatória de seis meses de formação profissional. Durante esse período, os trabalhadores auferem  66,7% do seu salário, findo os quais passarão a receber nos seis meses  subsequente 50% do seu ordenado.

Nos últimos seis meses deste regime, o salário reduz-se a 33,4%  e no final do período de requalificação, os trabalhadores cessam o seu vínculo  com o Estado ou ficam numa situação de “licença sem remuneração”. As prestações  a pagar pelo Estado não podem ser inferiores ao salário mínimo, nem ultrapassar  três vezes o seu valor.

Excluídos deste programa estão os militares, os membros das  forças de segurança e dos serviços de informação, investigadores criminais e  representações externas do Estado. Professores, mesmo universitários, estão  abrangidos. Assim como os médicos.

Na verdade, termina aqui a possibilidade de docentes com  horários zero, que serão encaminhados para este sistema de “requalificação”.

Link permanente para este artigo: http://www.arlindovsky.net/2013/05/a-era-dos-requalificados/

20 comentários

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  1. Essa da requalificação é interessante… mas o comentário “depressinha” não é prestigiante, pois até parece que o problema do sistema é dos contratados. E com esta divisões que a classe docente nunca irá a lugar nenhum.
    No fundo sabemos que alguns colegas do quadro vieram do espaço para salvar o ensino. Até parece que não foram todos contratados no passado, o problema é que já se esqueceram, pois só foram contratados 4 ou 5 anos.

    1. O termo “depressinha” é para espicaçar quem está à espera que a onda passe.

      1. Arlindo, o que a malta menos precisa é de mais um gajo confortavelmente agarrado a um lugar de quadro a mandar bocas. Eu queria ver é se tivesses de ir arranhar para dentro de uma sala de aulas… se calhar já não falavas assim, bacano.

      2. A cabeça quente às vezes fazem-nos dizer coisas menos refletidas. Não vale a pena apagar o que disse. Além do mais sou um “horário zero” que pode ser transacionável.

          • Neves on 5 de Maio de 2013 at 14:30

          Pelo menos és capaz de reconhecer que estiveste menos bem. Eu faço o mesmo e reconheço que o meu comentário anterior também podia ter sido melhor.

    • Prof.Infinito on 3 de Maio de 2013 at 22:14
    • Responder

    Mas que outro grupo disciplinar? Qual é o grupo disciplinar em que não haja o risco de ser mandado para a “requalificação”? Nenhum…

  2. Com o dinheiro que paga a 1 prof. dos mais velhos dá para pagar quase 3 contratados. O mesmo dinheiro e 3 vezes mais horas. Pensem nisso….

    1. Vamos não entrar em exageros e picardias, e inverdades que fazem com que se perca automaticamente qualquer razão…

      3 do antigo 9º dão para pagar 5 contratados ou seja 42 h de quadro equivalem a 110 horas de contratados…

      1. (Apenas para incendiar)

        Existe gente boa que quer saltar imediatamente, e está cheia de medo. Dei-lhes oportunidade quem está à porta de sair, mas com determinadas condições.
        E como diz o comentário anterior, o Estado não saí lesado, o Desemprego não é prejudicado e os Alunos saem beneficiados com maior aumento de horas de trabalho para os mesmos.

    • Rui Vicente Cardoso on 3 de Maio de 2013 at 22:19
    • Responder

    Requalificam-nos, aos poucos (18 meses), em desempregados…

    • José Carlos on 3 de Maio de 2013 at 22:44
    • Responder

    Pois, mas não parece que a ideia seja reconverter para qualquer outro grupo profissional dentro do estado. Pelo menos é o que se lê na carta à troika: “Sistema de Mobilidade tomando por base o Programa de Mobilidade Especial, este novo programa funcionará como um programa de requalificação e formação que facilite a transição dos funcionários públicos para os sectores transacionáveis e permite a desvinculação destes funcionários sem custos iniciais.”

    • Apoiovirtual on 3 de Maio de 2013 at 23:27
    • Responder

    A “Requalificação” é um nome pomposo para “Despedimento” e de um modo mais eficiente… Pois quem entre no sistema não tem garantia de que, após ter concluído a nova qualificação profissional, tem trabalho para nessa nova profissão. Contudo, há sempre exceções, nem que seja para justificar a regra… e essa mesma exceção.

  3. Gosto particularmente do excerto: “O Governo vai acabar com o actual regime da mobilidade especial, (…), que na sua opinião foi ineficaz por ter tido “resistência à sua aplicação” desde que foi criado…”
    É que o novo sistema (a tal requalificação, ou o c…), pelo contrário, vai ter aceitação maciça, está-se mesmo a ver. É mesmo aquilo porque todos nós ansiávamos, ficaremos eternamente gratos a V. Excias.
    Não suporto que tipos género Passos Coelho (Relvas e afins), autênticos ignorantes e incompetentes ao mais alto nível, venham com estas conversas da treta, a pensar que somos todos parvinhos (como eles), que os ouvimos olhando para a TV de boca aberta, enquanto nos babamos e batemos palminhas.
    Há pessoal que não se enxerga mesmo. E não se pode exterminar esta gente?

      • balofo on 4 de Maio de 2013 at 10:13
      • Responder

      Não tivessem votado neles.
      O exercício da cidadania (fora de partidos políticos e afins) e a intervenção cívica são muito importantes para uma democracia “saudável”.

  4. “E o contratado que ainda não fez a mala pode começar a fazê-la porque depois de Sócrates e Relvas qualquer horário zero pode profissionalizar-se em 6 meses.”

    ARLINDO, o que quer dizer com esta frase, concretamente?

    1. A requalificação tanto pode servir para uma eventual mudança de grupo de um horário zero, como para o despedir sem “custos iniciais”. Se já existem especializações em 6 meses para a Educação Especial penso que um processo de requalificação também pode absorver alguns horário zero para outros grupos disciplinares através da requalificação.

  5. ou seja pelo que se apresenta quem não está em “panelas e tachos” tem como certo vir para a rua!
    Bolas, tantos a desempenhar funções sem qualificações e continuam e se o digo é por conhecimento, e quem por mérito se dispõe a trabalhar honestamente como muitos de nós o caminho é: RUA!!!!!!

    e ainda falam de requalificação ? qual quê?!
    em 23 anos de profissão nunca tive uma acção de formação gratuita mas quem está em cargos e se perpetua nos mesmos teve e tem sempre!
    Agora vão muito provavelmente dar-me formação com os cortes da requalificação…..
    Ah só mais um ponto: curioso quando dizem: não votassem ou os colocassem lá…Pois só que agora como sempre nunca quase ninguém assume que os pôs lá indo votar ou não. e já agora alguém tem uma alternativa que passe pela REQUALIFICAÇÃO DE TODOS OS POLÍTICOS?
    É que se não existe então nem vale a pena falar mais nada.
    eles são maus mas pensem quantos colegas nossos que já nem sabem o que é ter uma turma agarradinhos ao poder nos mandaram para dacl com lugar na escola? e o que se está a passar paralelamente aos concursos, quem supostamente nos defende ainda não falou?
    e sem ofensa aos contratados pois também fui e lembro-me bem sempre passam à frente nos concursos em diferentes vertentes….

    finalizo ,
    não defendo os políticos nem as perseguições mas garanto que a classe dos professores cada dia está mais dividida a vitória faz muito tempo anos mesmo já foi conseguida DIVIDIR PARA REINAR ERA O LEMA, alguém tem duvida que há muito foi conseguido?
    o subaproveitamento é super conveniente……
    há muito que não acredito na educação e mudança, sobrevivo no trabalho administrativo em vez de poder estar a trabalhar como devia com os meus alunos, e na teias de interesses e malvadez de colegas com poder mal usado e politicas educativas utópicas…

    1. espero uma consideração do professor Arlindo que conhece o que disse…

    • balofo on 4 de Maio de 2013 at 14:23
    • Responder

    “Ah só mais um ponto: curioso quando dizem: não votassem ou os colocassem lá…Pois só que agora como sempre nunca quase ninguém assume que os pôs lá indo votar ou não. e já agora alguém tem uma alternativa que passe pela REQUALIFICAÇÃO DE TODOS OS POLÍTICOS?”

    Pois, na escola onde trabalho só faltou darem-me nas “fuças” quando chamava a atenção para a necessidade de reflectir sobre o que nos estava a acontecer e não ir votar simplesmente para colocar fora “o sócrates”. Foi de “filho da puta” para cima e que era um “socrático disfarçado”.
    Ouvia diariamente piadinhas e as chamadas de atenção em voga na altura: “tudo o que queremos está lá!”; “o que é que queremos mais, a avaliação acaba com o passos”; “é preciso acabar com estes “socráticos”….
    Agora baixam, e desculpem-me o palavrão, “os cornos” quando passam por mim, embora continuem a “conspirar” junto do sr. director para a manutenção dos privilégios internos (cargos, formações, reduções) e para o ajuste de contas com aqueles que não fazem parte “do clube dos defensores dos colegas”… Tão interessados que estavam na altura com os “contratados” em determinadas alturas ou com os “colegas contratados” noutras…

    O estar na escola implica uma postura crítica, analítica, prospectiva… acerca da organização e do funcionamento das escolas e não uma postura acrítica, passiva, de “fechar os olhos” e dizer que “está tudo bem” quando já não estava há muito tempo. Mas…

    Como sair disto… eu faço essa pergunta, quase diariamente, aos “salvadores da escola pública” que pululam (ou pululavam) na escola onde trabalho! Não obtenho resposta! Estão entretidos a tratar das suas vidinhas…

    1. pois como o entendo….
      pululavam diz bem agora é mesmo como diz estão total e completamente a tratar das suas vidinhas………….
      jamais existiu tanta vergonha em dizer que sou portuguesa! sinto que já passei o período de extinção , assistimos e muitos querendo ser cegos ao fim de uma geração que acreditava na educação lutava por ela dava o “litro”….

      eu estou quase de certeza no grupo dos que vão primeiro, pelo que se ouve os qzp’s não entram em qa, entretanto o ecd chama-nos a todos professores de carreira mas na hora dos interesses volta o estigma contratados, qzp’s e qa/qe… a serrem despedidos serão os qzp’s—-

      que gente que um dia foi gente e mata a sua gente

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