Category: Rui Cardoso

CARTA ABERTA DOS PROFESSORES DA ESCOLA SECUNDÁRIA DE CAMÕES AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO, PROFESSOR JOÃO COSTA

Ex.mo Sr. Ministro da Educação,

Os últimos dias têm sido de tempestade, ruas alagadas, lojas destruídas, árvores caídas, vidas em suspenso. Também a Educação tem passado por idênticas tormentas.

Cada Ministro que passa quer deixar a sua marca, mas esquece o que é importante e urgente fazer: tratar das feridas abertas numa classe desrespeitada, ignorada e desconsiderada, embora considerada fulcral em situações de calamidade!

Nos últimos dias, a Presidência do Conselho de Ministros tornou pública a Resolução do Conselho de Ministros n.º 123/2022 com um conjunto de intenções para resolver algumas das preocupações e reivindicações de longa data dos professores. O corpo docente da nossa Escola, tal como o de outras, leu-o, analisou-o. Face à parca informação, muitas dúvidas surgiram.

Os professores da Escola Secundária de Camões apresentam-nas em seguida:

Fazendo a classe docente parte da Função Pública, e tendo a grande maioria dos seus funcionários recuperado o tempo de serviço congelado, porquê um tratamento diferente e desigual para os professores? A contagem integral do tempo de serviço será recuperada pela classe docente? Equidade é um direito!

Havendo falta de professores e estando a classe envelhecida, por que razão não tornar mais atrativa a carreira, recuperando o modelo de estágios remunerados com atribuição de turmas?

Será que é possível resolver o problema da falta de docentes sem ajudas de custo para deslocação, principalmente nos grandes centros urbanos? Como resolver a assimetria entre o norte e o sul sem tais ajudas?

As escolas passarão a pertencer aos municípios e serão geridas financeiramente por estes?
Em que é que se traduzirá, na prática, «Acompanhar, coordenar e apoiar a organização e funcionamento das escolas e a gestão dos respetivos recursos humanos»?

Haverá lugar a uma revisão do Estatuto da Carreira Docente, nomeadamente no que diz respeito ao ingresso na carreira, ao modelo de avaliação e à progressão? Vão manter-se as condições de acesso ao 5.º e 7.º escalões? Com estas condições, como é que o Ministério da Educação pretende atrair novos docentes para a carreira?

Os concursos de docentes continuarão a ser da responsabilidade do Ministério da Educação? Haverá uma lista de graduação profissional única ou, além da graduação profissional, existirão outros critérios a aplicar na colocação de professores? Na abertura de vagas, como vão funcionar as prioridades?

Está previsto o reconhecimento da aquisição de habilitações académicas pelos professores (mestrado e doutoramento), independentemente da condição contratual, como acontece nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores?

Atendendo ao atual contexto de falta de professores, fará sentido a alocação de recursos humanos para a realização de um ano probatório na entrada em QZP?

Senhor Ministro da Educação, se aqueles que já são professores não se sentem reconhecidos e valorizados, como espera atrair as novas gerações para a profissão? Revele coragem política e reconheça verdadeiramente o papel determinante dos professores e da Escola Pública!

Acreditamos que, com os professores, ganhamos o futuro do País. Nós, professores da Escola Secundária de Camões, estamos disponíveis para tornar isto real!

Conte connosco. Contamos consigo?

Escola Secundária de Camões, 2 de janeiro de 2023.

Os Signatários,

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Falta felicidade às escolas. Pedro Chagas Freitas

 

Falta felicidade às escolas.
Falta espectáculo, alegria, brincadeira, ilusão, sonho, esperança. Falta brilho nos olhos, invenção, imaginação, loucura da boa: daquela que muda o mundo, os mundos, das pessoas que vivem no mundo.
Falta felicidade às escolas.
E não: a culpa não é dos professores, é de um sistema que castra, imutável, de uma sala de aula que não sabe brincar, que não foi feita para brincar — e que por isso não brinca, não aprende a brincar, não ensina a brincar. A culpa é de uma sala de aula que não evoluiu, que não se adaptou, que não soube mudar: que cristalizou e que tem medo de partir, que tem medo de fazer de novo, de criar de novo, de ser de novo.
Falta felicidade às escolas.
Falta, por isso, felicidade a quem nelas habita. A todos os que nela habitam. Por mais que tentem, e tentam, por mais que queiram, e querem, os habitantes da escola precisavam que ela tentasse também, que quem a governa tentasse também.
Falta felicidade às escolas.
E é por isso que não lhe faltam tristezas, depressões, pessoas de todas as idades apagadas, desmotivadas, desligadas, a contarem o tempo para sair da aula, para sair da prisão, para sair para si.
Falta felicidade à escolas.
E falta espaço. Espaço para a liberdade. Espaço mental, espaço emocional, espaço estrutural. Espaço para errar, para cair, para levantar. Espaço para ser. Na escola que ainda temos, os melhores alunos são os que erram menos, os que por isso arriscam menos. Estamos a aplaudir o medo, a aplaudir o mais do mesmo. Estamos a aplaudir a continuidade, nunca a criatividade.
Falta felicidade às escolas.

 

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A quem se devem estes resultados? A uma classe desvalorizada e desconsiderada

Nove em cada 10 alunos concluíram o 3.º Ciclo do Ensino Básico em três anos

Acaba de ser divulgado pela Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC) o estudo «Situação após 3 anos dos alunos que ingressaram no 3.º Ciclo do Ensino Básico», que permite acompanhar o percurso dos alunos que ingressaram no 3.º Ciclo do Ensino Básico (CEB) geral e/ou cursos artísticos especializados no ano letivo 2018/19, analisando a sua situação três anos depois, no ano letivo 2020/21.
Entre as conclusões deste estudo destacam-se:
– Em 2020/21, 9 em cada 10 alunos concluíram o 3.º CEB nos 3 anos previstos;
 – Dos 7% que não concluíram o 3.º CEB, a maioria continuava matriculada no ensino básico geral e/ou em cursos artísticos especializados;
– Existem diferenças regionais, com as maiores taxas de conclusão a estarem localizadas no Norte e no Centro. Apesar de ainda estarem com valores inferiores a estas duas regiões, é importante destacar a evolução registada pelas regiões do Algarve, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo, tendo-se vindo a verificar a aproximação das mesmas à média nacional;
– Os alunos das escolas privadas concluem mais do que os das escolas públicas (diferença de 10 pp), sendo de destacar o crescimento de 23 pp, entre os alunos das escolas públicas, desde 2014/15;
– São as raparigas que concluem mais o 3.º CEB nos 3 anos previstos (90% face a 84% dos rapazes);
– Quanto mais novos, maior é a probabilidade de concluírem o 3.º CEB em 3 anos (92% dos alunos com 13 ou menos anos concluiu, face a 29% dos alunos com 15 ou mais anos);
– Os alunos que não necessitam de apoio da Ação Social Escolar (ASE) são os que mais concluíram (90% face a 87% do Escalão B e 74% do Escalão A). Apesar das diferenças ainda existentes, é de destacar que, em comparação com 2014/15, os alunos do escalão A que concluíram o 3.º CEB em 3 anos registaram um aumento de 28 pp, enquanto os do escalão B tiveram um crescimento de 27 pp, ficando no último ano letivo praticamente em linha com os valores registados para os alunos que não beneficiaram de ASE.
O estudo está disponível em: https://www.dgeec.mec.pt/np4/1439.html.

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Quem vier, vem ao engano – Uma professora que sai, uma que entra

Todos os meses se batem recordes de professores a deixar a profissão por atingirem a idade de reforma. A situação tende a piorar, sobretudo porque “ninguém quer ser professor”. No dia em que as aulas recomeçam após as férias de Natal, e numa altura em que o setor está em luta e há novas greves anunciadas, uma professora acabada de se reformar e uma que está no início de carreira confessam-se “desgastadas” e “desapontadas”

Uma professora que sai, uma que entra, o mesmo retrato negro da docência em Portugal: “Quem vier, vem ao engano”

Maria Olímpia Especiosa é um caso de vocação que se concretizou de forma tardia. Tem 44 anos, é licenciada há 20, mas só começou a dar aulas há dois anos. Porque gosta. Por verdadeiro amor ao ensino. Desde menina que queria ser professora.

“Era um sonho de criança. Por isso é que me licenciei em 1999. Mas na altura não havia colocação e a vida tomou outro rumo. Tive um negócio próprio. Mas resolvi regressar, porque era mesmo um sonho de criança”, confessa a docente, que está a dar aulas pelo segundo ano consecutivo, em conversa com a CNN Portugal.

Maria Olímpia diz que adora o que faz. Fala da emoção que sente todos os dias, quando abre a porta da sala de aula e vê os rostos dos alunos ávidos de conhecimento. Mas confessa-se desiludida e cansada.

Neste segundo ano a dar aulas, ficou colocada logo a 1 de setembro, com horário completo, até final do ano. Mas, para isso, teve de deixar a família a mais de 500 quilómetros de distância, em Bragança, e ir para Sintra. E aí começa o primeiro revés.

“Só há vagas para professores em Lisboa e no Algarve. Eu, sendo do Norte, vou estar a minha vida toda deslocada. Não sei quando vou ter segurança financeira. Ganho pouco mais de mil euros por mês. Gasto tudo para vir trabalhar”, admite.

E só vai a Bragança, onde se mantém o marido, de três em três semanas. O dinheiro não dá para mais. Sente-se sozinha, deslocada, desacompanhada: “É uma vida adiada. Não sei onde vou estar para o ano.”

Continua

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Quais os motivos que levam os técnicos a aderir à greve?

 – O relato de uma assistente social –

 

No meu caso em particular, faço greve porque pretendo o direito à consolidação da  mobilidade geográfica, ou seja, para meaproximar à residência. Vinculei numa escola que fica a centenas de quilómetros de casa, o que acarreta despesas absurdas: nem tão pouco consigo suportar os custos de deslocação, quanto mais pagar casa própria e alojamento! Pretendo ter o direito de viver com a minha família e de conseguir apoiar familiares que necessitam de cuidados.

O Ministro da Educação em entrevista ao jornal “Expresso”, em Maio de 2022, referiu que pretende fixar professores, abrindo vagas e concedendo mais estabilidade. Esta preocupação deve ser alargada aos técnicos, assim como todos os que trabalham longe da sua área de residência.

Sabemos que a mobilidade geográfica e a sua consolidação tem que estar sustentada no interesse público. Porém, a necessidade do trabalhador não pode ser pura e simplesmente descartada, pois a lei também lhes dá proteção (“As condições de prestação de trabalho devem favorecer a compatibilização da vida profissional com a vida familiar do trabalhador”, artigo 82.º da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas. A Lei de Orçamento doEstado também prevê que seja um objetivo de gestão dos serviços públicos a conciliação da vida profissional com a vida pessoal e familiar e da motivação).

Sendo a mobilidade um instrumento de caráter organizacional que pretende fazer face às necessidades dos serviços no âmbito da gestão de pessoas, contribuindopara um melhor ajustamento da disposição dos recursos humanos da Administração Pública, pergunto-me se a efetivação de trabalhadores em escolas que distam 100, 200 e 300 km da residência será uma gestão eficiente e ajustada dos seus recursos humanos? Qual o fundamento para uma gestão pública que preconiza um interesse público e que colide com direitos essenciais dos trabalhadores, nomeadamente os que pretendem ficar mais próximos da residência para prestar auxílio às suas famílias ou acompanhar filhos menores e por vezes com doenças próprias?

Por outro lado, interrogo-me porque é que o Ministério da Educação não tem dado a conhecer as vagas existentes em todos os agrupamentos para os técnicos, quer em regime de procedimento concursal comum ou em regime de mobilidade e porque não publica as suas necessidades na Bolsa de Emprego Público como muitos outros ministérios.

 

Como assistente social num Agrupamento de Escolas atuo na prevenção e combate ao absentismo e ao abandono escolar. Acompanho alunos com dificuldades económicas e em risco de exclusão social, providencio apoio económico e social, realizo visitas domiciliárias, faço encaminhamentos para entidades de apoio e proteção social existentes na comunidade local(como CPCJ, ISS, centros de saúde, hospitais …), apoio na regularização junto do SEF, etc. Entre outras funções, tenho como missão a permanência do aluno no sistema educativo. Uma das preocupações do Ministério da Educação seria também conceder condições para que os técnicos permaneçam no ministério, através da promoção de soluções tendo em conta a legislação vigente, ou caso se imponha, através de alteração legislativa.

 


Somos pessoas, merecemos respeito e sermos tratados com dignidade!

 

Apelo à solidariedade de toda a comunidade para que assine e divulgue a petição dos técnicos que pretendem o direito de aproximação ao local de residência:

https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT114380

 

 

 Cátia Antunes,

Assistente Social

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Os professores vão ser o GRANDE problema do governo em 2023

 

 

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Segundo período lectivo inicia-se com greves de professores que se prolongam até Fevereiro

 

“A alteração ao diploma dos concursos foi a gota de água”, diz presidente do Sindicato Independente de Professores e Educadores, que convocou uma greve parcial ao primeiro tempo de cada docente.

Segundo período lectivo inicia-se com greves de professores que se prolongam até Fevereiro

Greves, concentrações, marchas, manifestações de docentes e até um acampamento junto ao Ministério da Educação (ME): os protestos de professores e educadores intensificam-se a partir desta terça-feira e prolongam-se até Fevereiro. No dia em que se inicia o 2.º período lectivo, o SIPE – Sindicato Independente de Professores e Educadores convocou uma greve parcial ao primeiro tempo de cada docente. Já a Fenprof marcou, para o mesmo dia, uma concentração em frente ao ME, em Lisboa. Do lado da Fede…

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O hino da luta dos professores

 

 

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Regresso às aulas mergulhado em greves que vão dominar janeiro

Paralisações marcam arranque do segundo período e haverá uma concentração junto ao Ministério.

Regresso às aulas mergulhado em greves que vão dominar janeiro

 

 

O protesto dos professores intensifica-se a partir de amanhã, com adesão de várias organizações sindicais e greves a marcar o arranque do segundo período letivo. O Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP) entregou pré-avisos para todo este mês e tem uma marcha em Lisboadia 14. A Fenprof, que promove na terça-feira uma concentração junto ao Ministério, agendou greves e manifestações até fevereiro.

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Professor, colega, sindicaliza-te – João André Costa

 

À chegada perguntaram-me se já fazia parte de um sindicato. A resposta foi a de um surpreso “não”: ainda mal começara a trabalhar e os meus dias no Reino Unido contavam-se pelos dedos de um par de mãos.
Para além do mais, e já se sabe, não deves fazer parte de um sindicato quando fazer parte de um sindicato é não só proibido, é também mal visto, o que irão os outros dizer, e equivalente a ter um alvo nas costas.
E na precariedade de quem trabalha dia a dia a fazer substituições em escolas, porquê incomodar as chefias?
Porque sim, retorquiram, porque lá fora, cá fora, ser sindicalizado é a condição de base numa profissão que apesar de em falta está sujeita às vontades sempre ávidas do liberalismo.
E assim, de repente, fazes parte, mesmo se não te sentes parte, mas já és bem-vindo e elemento integrante de uma classe orgulhosa de o ser.
E sim, em momentos de aflição quando por razões difíceis de compreender vi a minha posição profissional questionada e em causa não hesitei em recorrer ao sindicato para aconselhamento profissional, legal, pessoal.
Num mundo onde apesar da pandemia as crises sucedidas em catadupa não são senão a eterna coincidência de quem vê nas mesmas uma oportunidade para cimentar ainda mais a precariedade inerente não apenas à nossa profissão mas à vida, nunca como antes foi tão premente fazer parte de um sindicato.
Sem ter medo de fazer parte de um sindicato. Sem medo de represálias. Porque se fez greve. Porque nos olham de lado. Porque são sempre os mesmos que nos olham de lado, os que decidem, os que podem, os que mandam, os que obedecem às instâncias superiores que se aborrecem sempre que saímos à rua de punho erguido. Porque não somos bem-vindos. Nós, os despojados, banidos, espoliados, desprivilegiados. Temos de trabalhar para viver e, por conseguinte, somos um incómodo, uma chatice.
Quando em Dezembro um pequeno sindicato de 1300 membros levou à rua mais de 30000 professores, a matemática revela o óbvio de pelo menos 28700 professores não sindicalizados no S.T.O.P.
Farão parte de outros sindicatos? Alguns sim, a maioria duvido e as acções falam por si quando não se sai à rua em nome de outras uniões.
Contra o favorecimento, contra o nepotismo, contra a desigualdade, contra a precariedade, em nome dos nossos alunos e da escola, em nome da estabilidade, do reconhecimento, da carreira, do orgulho, da paixão a arder no peito ao fim do dia sempre à procura de respostas em nome dos olhos de uma criança.
Num Inverno de cada vez maior descontentamento, nunca como antes foram tão prementes a união e a força e por conseguinte, colega, professor, amigo, camarada, companheiro de luta, sindicaliza-te, faz-te representar e representa, defende os teus direitos, a greve é um direito, não trabalhar é um direito e ninguém é obrigado a trabalhar agora que os tempos da outra senhora já lá vão.
A greve é por tempo indeterminado, começa mas não acaba e nenhum trabalhador pode ser substituído quando exerce o seu direito à greve. Caso o façam, urge denunciar a ilegalidade ao sindicato, o mesmo sindicato que é a tua e a nossa voz e por todos fala.
Sim, serás o foco, o centro de todas as atenções e nas televisões a desinformação concomitante dos pais e alunos afectados por igual e nem uma palavra aos professores.
Não esmoreças, não te esqueças de que lado estás, um por todos e todos por um e hoje é mais um primeiro dia do resto da tua vida, o dia em que te juntaste, o dia em que passaste a ser um entre muitos, sindicalizado, aguerrido, de braço erguido na rua por detrás desta muralha de aço.

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Professores: a partir de janeiro e até que nos respeitem

Tudo isto por Portugal e sem indemnizações multimilionárias

Professores: a partir de janeiro e até que nos respeitem

Escrevo este texto na primeira pessoa, porque assim o sinto. Porque sou professora há mais de trinta anos por vocação e embora lecione perto de minha casa, assisto ao flagelo que se vive nesta carreira. Porque dou por mim a ponderar mudar de profissão. Porque estou farta da falta de respeito a todos os níveis e por parte de toda a gente, a começar pelos nossos governantes. Porque mora em mim um sentimento de injustiça tremenda, quase tocando a raiva, um sentimento com o qual não estou habituada a conviver.

E tudo isso se agravou nestes últimos dias, ao saber que nunca há dinheiro para os professores, nunca há dinheiro para a educação. Ao saber que nunca há dinheiro para ensinar valores: a honestidade, o respeito pelo próximo, a dignidade. Nunca há dinheiro para nada que seja importante. Ao saber que há dinheiro, sim, para indemnizações milionárias de que dizem não ter conhecimento. Ao dar conta de que se gastam milhões como se fôssemos muito ricos, de que se pagam salários multimilionários a pessoas que nem aquecem os lugares e, em seguida, são indemnizadas para sair. Ao saber (oh! felizes são os loucos, que nada sabem) que se gasta o dinheiro que não lhes pertence e que esse dinheiro é do povo português.

Se é do povo português, ele que decida onde deve ser gasto.

Se os governantes não sabem governar, talvez precisem de regressar à escola.

Meus compatriotas, meus queridos portugueses, todos vós, bem sabeis que é na escola que tudo se aprende. Que seria de nós se não tivéssemos tido professores? Que será dos nossos filhos, netos quando não os tiverem?

É na escola que a sociedade se engrandece. É a educação que nos torna mais fortes, mais civilizados, mais sensíveis ao mundo e aos outros!

Nós, professores, estamos cansados. Muito cansados. E a nossa corda rebentou.

Em janeiro, Portugal irá assistir a uma revolução: os professores já não têm nada a perder. Aquilo que ganham podem ganhá-lo facilmente a trabalhar numa outra profissão qualquer e, com certeza, não serão tão maltratados.

Em janeiro, os professores estão disponíveis para explicar a todos vós por que razão estão tão revoltados.

A partir de janeiro e até que os compreendam.

A partir de janeiro e até que os respeitem.

A partir de janeiro e até que a carreira de professor seja, novamente, uma profissão que as nossas crianças pretendam dar continuidade.

Tudo isto por Portugal e sem indemnizações multimilionárias.

 

Lúcia Vaz  Pedro

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Desejos de Ano Novo para a Educação…

Poderia aqui elencar um conjunto muito vasto de desejos de Ano Novo para a Educação, mas para não me tornar muito maçadora e palavrosa, vou, afinal, resumi-los a isto:

– Que o Ministro da Educação seja acometido por uma “epifania”, capaz de “iluminar” o seu pensamento e de inspirar a sua acção, permitindo-lhe distinguir entre “realidade imaginária” e “realidade real”…

– Que todos os saberes das Formações “Holísticas, Metafísicas e Transcendentais” e dos profusos discursos “lírico-melosos”, uns e outros, pretensamente promotores do bem-estar psicológico, dos afectos positivos e da felicidade, acometam o Ministro e o ajudem a eliminar as causas do mal-estar que afecta os profissionais de Educação…

– Se nenhum dos desejos anteriores se concretizar, que o Ministro seja acometido por algumas patologias, que costumam ser experimentadas por muitos profissionais de Educação, decorrentes das medidas/políticas educativas impostas pelo próprio:

Ansiedade, stress e fadiga mental e física; arritmia cardíaca, com predomínio de taquicardia; coprolalia; dores de cabeça, enxaquecas e náuseas; confusão mental; solilóquio; alterações ao nível do apetite alimentar; alterações do sono, com prevalência de insónia, pesadelos nocturnos e narcolepsia; alterações ao nível do humor, com predomínio da irritabilidade, intolerância e raiva; diplopia; diminuição da líbido; dores musculares, algias lombares e cervicais; retenção de líquidos; obstipação e diarreia; compulsão para o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco e café; e odaxelagnia…

Tudo possíveis consequências ao nível da saúde mental e física, temporárias ou irreversíveis que, por certo, fariam o Ministro repensar na política do seu próprio Ministério…

E deseja-se o anterior ao Ministro porque, como se sabe, a empatia e a resiliência são coisas muito “engraçadas” e “fofinhas”, mas só se tem plena consciência delas se forem praticadas…

Lamentavelmente, a probabilidade de se concretizar qualquer um dos desejos anteriores será menor do que a de encontrar um Ornitorrinco num passeio pela Serra das Talhadas ou deparar com um Arqueoptérix pousado na Nau dos Corvos/Pedra da Nau…

Portanto, o melhor talvez seja mesmo aderir ao maior número possível de protestos e de acções reivindicativas agendadas para Janeiro de 2023 porque, pelos desejos anteriores, com certeza, nada mudará…

Este texto não pretende afirmar nada de profundo, nem ser reflexivo, para isso existem 40.000 obras literárias sobre Educação e muitos milhares de intenções para cada Ano Novo…

E também não tem qualquer pretensão a ser uma retrospectiva do ano que finda, nem um conjunto de resoluções para o ano que se aproxima…

Este texto é apenas um pequeno devaneio pessoal, vazio de qualquer significado especial, uma espécie de catarse sob a forma de disparate, com o objectivo de aliviar algumas tensões…

Porque o direito ao disparate é universal…

Bom Ano Novo para todos, incluindo para o Ministro João Costa que, obviamente, estará imune a qualquer disparate, apesar de esse direito também lhe assistir…

 

(Paula Dias)

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Os Diretores também estão na Luta dos Professores?

 

Não querendo ofender ninguém, ainda não li ou ouvi nenhuma das Associações expressar os seus sentimentos sobre o estado de espírito em que se encontra a classe. Mas isso não quer dizer que os Diretores não estejam ao lado da Luta e na Luta.

Quem me conhece sabe qual é a minha opinião sobre ser Diretor. “Quando um Diretor se esquece que é Professor, já não se encaixa, ou serve, no cargo. Um Diretor nunca se deve esquecer que é Professor.”

Todos sabemos que alguns diretores e, até, alguns membros das equipas de direção tudo fazem e farão para não mais voltar a lecionar, mas, esses, não são a maioria. A maioria acabará por ter de voltar à sala de aula. Eu sou um deles. Por isso nunca me vou esquecer que sou um Professor.

Pelo exposto, estou na Luta dos Professores como sempre estive antes de ocupar o cargo, transitório, de Diretor.

Com quase 50 anos aufiro pelo 3.º escalão da Carreira docente. No meu agrupamento só um docente, que entrou na carreira este ano, ainda, aufere por um escalão inferior ao meu. Sim, não sou hipócrita, também recebo o suplemento como Diretor, do qual, depois dos impostos, levo para casa apenas metade. Aliás essa pode, também, ser mais uma razão para que os Diretores Lutem como Professores. Esse suplemento não é atualizado desde 2008, mas as responsabilidades e a carga de trabalhos que lhe tem caído em cima é atualizada de dia para dia, de ano para ano.

Como Professor/Diretor também estou descontente. Não quero ter que participar da decisão sobre quem é colocado e quem não será colocado no “meu” Agrupamento. Há que clarificar, muito bem, o futuro diploma de concursos, não é uma resma de ações de formação ou uma carrada de projetos “em papel” que fazem um bom Professor. Não encontro justiça de mérito nas quotas, a que também estou sujeito. Sou um dos professores que fui ultrapassado na carreira e na colocação em QZP, por colegas menos graduados, devido à transição entre carreiras e concursos extraordinários. aos quais não tive, nem tenho, oportunidade de concorrer. Como docente que esteve em MPD, devido a um estado de saúde que nunca desejei, nem desejo, a ninguém, estou e estarei contra a “solução final” encontrada para a colocação nessa mobilidade que deixou de proteger, a totalidade, de quem, realmente, necessita dela.

Tenho todas estas razões e mais algumas para Lutar por uma verdadeira valorização da carreira docente e contra as vilanias a que fui sujeito durante os últimos 17 anos.

Quantos diretores se esqueceram que são Professores? Quantos Diretores querem, nas suas escolas, Professores motivados e que não se andem a queixar na sala de professores sobre estas ou mais injustiças e apenas, se centrem nos seus alunos?

Quantos Diretores e membros das direções não foram roubados no seu tempo de serviço, ou ultrapassados, ou discordam do sistema de quotas…?

E mais não digo, a não ser que continuo a ser Professor.

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A Luta dos Professores não é dos partidos políticos, é dos Professores.

Notícia da Sábado sobre o movimento de professores (ponho só a 1ª página, para que comprem a revista para ler e não façamos o pecado de ler sem pagar).
COISAS BOAS
Furou-se a barreira comunicacional e isso é ótimo.
Creio que o André Pestana será o primeiro a fugir ao culto de personalidade que os jornalistas, pelo seu gosto novelesco e de contar histórias com picante, estão a tentar criar depois de meses a ignorar o Stop.
Quem esteve em reuniões com ele sabe como isso é irreal.
Não é mau alguma personalização, na dose certa. É até eficaz para passar fora do meio dos professores. E o André tem qualidade como pessoa e na capacidade de falar.
A minha avó diria que gostava de o ouvir, porque fala “chãozinho” (sem arestas).
Ainda há dias ouvi um dirigente sindical nortenho mortiço, a defender o ministro que, por contraponto, fiquei a pensar…. Onde o foram buscar?
No meio de um discurso do André sentimo-nos vivos e não a ser adormecidos.
Do contacto que tive com ele, acho que a última coisa que se lhe poderá atirar à cara é individualismo e falta de espírito coletivo e solidário.
Mas a nossa persona comunicacional não é a nossa personalidade.
O QUE NÃO GOSTEI
Não gostei de ver na peça colegas ligados ao MAS a porem-se em bicos de pés.
Não sou sectário, mas este movimento é apartidário.
Não tenho nada contra estar na mesma luta profissional com pessoas do PSD, CDS, Livre, IL e até MAS, PS e PCP e outros. Até gosto e desejo.
E principalmente de estar ao lado de pessoas sem partido, que sentem confiança para participar, o que é algo que faz imensa falta ao país.
E nem me chateia ouvir, por isso, bocas no meu próprio partido (porque não é pecado ter um).
Mas deve haver moderação na presença comunicacional de pessoas com atividade política ativa.
Porque isto nada tem a ver com os partidos. É política, mas de nível mais elevado.
Renata Camba (cabeça de lista à AR em Lisboa do MAS) é só uma das professoras que está à porta das escolas a fazer protestos. A revista viu mal a coisa na descrição que faz.
É, às tantas, foi falar com quem conhecia doutro âmbito.
Uma das coisas boas dos últimos dias tem sido não falarem só os do costume e falar gente que nunca apareceu (e eu já sou dos “do costume”, para não ser interpretado com malevolência).
Na manifestação isso foi excelente: falaram professores de muitas cores e feitios e isso foi bom.
Podia calar o ponto de vista negativo, em nome da paz geral, mas acho que devemos evitar os riscos dos erros que podemos corrigir.
É há dores de crescimento. Uma delas tem nome. Chama-se entrismo. Mas é fácil de evitar: basta afirmar a natureza real das coisas.
Apartidarismo, que inclui todos os professores, os que têm e não têm partido. É assim que acho que temos de ser como movimento de professores, que se gera nas escolas onde ninguém quer saber da cor de ninguém.
Luís Sottomaior Braga

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Carreira Docente – Tabela de vencimentos 2023 – EduProfs

Carreira Docente – Tabela de vencimentos 2023

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Ministro ambíguo, professores em polvorosa

 

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Equiparação de horários no pré-escolar e 1.º ciclo aos dos outros ciclos

Os sindicatos de professores nos Açores destacaram hoje a equiparação dos horários dos docentes do pré-escolar e 1.º ciclo com os dos restantes, na revisão do Estatuto da Carreira Docente na região, cujas negociações terminaram esta semana.

Sindicatos congratulam-se com equiparação de horários no pré-escolar e 1.º ciclo nos Açores

“É uma reivindicação nossa dos últimos 15 anos, praticamente desde que terminaram os regimes especiais de aposentação para a educação pré-escolar e do 1.º ciclo, que vemos finalmente ser contemplada no estatuto. É o culminar de uma luta longa”, disse hoje, em declarações à Lusa, o presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA), António Lucas.

Também o presidente do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores (SDPA), António Fidalgo, reconheceu que houve uma “melhoria de condições de trabalho dos docentes”, salientando que “os professores de 1.º ciclo e educadores de infância ficaram equiparados aos restantes níveis de ensino”.

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Greve de Pessoal Não Docente a partir de 4 de janeiro

 

A partir de dia 4 de janeiro de 2023, todo o pessoal não docente, auxiliares, técnicos, psicólogos, terapeutas, estarão ao abrigo dos pré-avisos de greve já entregues pelo S.TO.P.

Avizinham-se tempos difíceis nas escolas portuguesas com um início do 2.º período de protestos, vigílias e manifestações.

 

 

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Propostas aprovadas no Encontro Nacional de Comissões de Greve

No Encontro Nacional de Comissões de Greve, promovido hoje em Coimbra pelo STOP. foram aprovadas quatro propostas:

1. Manter o plano de luta/greve com concentrações à frente das escolas, com início a 3 de Janeiro e, pelo menos, até final de Janeiro.

2. Dia 7 de Janeiro, às 17h: protestos nas capitais de distrito (à frente das Câmaras Municipais) abertos a todos os profissionais de educação e convidando toda a sociedade a estar presente.

3. Dia 14 de Janeiro, pelas 14h: grande marcha pela Escola Pública em Lisboa, do Marquês de Pombal até ao Terreiro do Paço.

4. Participação, no dia 11 de Fevereiro, na manifestação nacional de professores dinamizada por outros sindicatos.

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“maior luta de sempre”

O Sindicato de Todos os Professores (STOP) promete, em janeiro, o que considera ser “a maior luta de sempre” pela defesa da escola pública. Entre as medidas está uma marcha a 14 de janeiro, em Lisboa.

STOP promete “maior luta de sempre” pela defesa da escola pública

“Vamos ser muito mais do que os 25 mil anunciados a 17 de dezembro”, anunciou esta terça-feira o coordenador do STOP, André Pestana, no final de um encontro que decorreu no Auditório Central do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

“Estamos a preparar a maior luta e greve de sempre em Portugal. A partir de dia 4 de janeiro vamos alargar a todos os profissionais da educação. Há um grande incentivo na defesa da escola pública pelo pessoal não docente”, completa, considerando que a luta pela escola pública não é um combate corporativo. “A escola pública é um desígnio nacional. Todas as profissões são importantes e todas passaram pela escola. Estamos a exigir respeito e justiça por todos os profissionais da educação”, acusa.

Sobre a presença de outros sindicatos de professores, o coordenador do STOP afirma querer unidade.

“Temos convidado os outros colegas, infelizmente ainda não tivemos uma resposta positiva, mas não estamos passivamente à espera. Houve uma greve e concentração a 2 de novembro, organizada por outros sindicatos, e estivemos lá. Queremos unidade, com base na decisão democrática dos que estão nas escolas, não com memorandos que não foram sufragados por eles. Isso é um novo paradigma sindical, por isso foi possível a 17 de dezembro termos tido um mar de gente em Lisboa“, defende.

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Vou renunciar ao cargo e pode ser que, também, me indemnizem…

 

Segundo um comunicado da TAP de 04 de fevereiro deste ano, Alexandra Reis “renunciou ao cargo de vogal e membro do Conselho de Administração e Comissão Executiva da TAP ‘decidindo encerrar este capítulo da sua vida profissional e abraçando agora novos desafios’”.

 

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Sr. Ministro, os professores não são burros – António J. Vilela

 

 

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Vencimentos – Carreira Docente 2023

 

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O Sindicalismo ou é democrático ou perecerá

O Sindicalismo ou é democrático ou perecerá

Numa das maiores greves de sempre na educação nos EUA os professores de Chicago, 2018-2019, na Escola pública, dividida em comunidades, muitas segregadas e pobres, ganharam: aumentos de salários, contratação de mais professores, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, habitação social para alunos, turmas reduzidas. Como? Durante 1 ano organizaram em cada escola um comité de greve, eleito, esse comité esteve 1 ano a realizar encontros com as comunidades locais, de pais, desporto, cultura, assistência, explicando quais as razões de luta dos professores. Quando rebentou a greve toda a imprensa os acusava de destruir a vida dos alunos, sem aulas. Mas a cidade de Chicago apoiou-os em massa. As famílias sentiram-se parte do processo. O governo perdeu. E – incrível – os comités de greve exigiram que as negociações com o Governo fossem feitas em plenário aberto aos professores e aos membros da comunidade. Sim, não houve negociações à porta fechada.
Os professores em Portugal mobilizaram-se numa greve com uma manifestação que foi uma surpresa. O PS, que navega a ilusão do super poder da maioria absoluta, teve a primeira oposição real deste mandato. O Sindicato que a convocou trouxe algumas novidades ao panorama sindical – o STOP apresenta-se como um sindicato de mandatos finitos, os dirigentes são professores que ciclicamente estão nas escolas, os cargos de dirigente sindical são rotativos. Todos os que participaram na manifestação puderem ter acesso ao microfone. A greve parte de uma organização escola a escola, que elege um comité de greve. Os estatutos do STOP não são blindados, o que torna muito mais fácil e democrático apresentar listas alternativas à direção. Os acordos com o Governo não são assinados sem ouvir todos os membros.
Estes factos são conhecidos pelos historiadores sociais. Eram o padrão no século XIX, quando nasceu o sindicalismo. A ideia de que dirigentes não exercem a profissão, eternizam-se nos cargos, fazem plebiscitos (em vez de debates prévios e plenários para aprovar ou chumbar acordos), ou que as greves se decretam à sexta (em vez de se organizarem com tempo e fundos de greve) é uma ideia estranha ao movimento sindical até praticamente à II Guerra Mundial. O desafio está aí: que sindicalismo para o século XXI?

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Sou professora e todos os fins de semana, todos mesmo, percorro 560 quilómetros

Carla Bastidas é professora do ensino básico, tem 46 anos, mora em Viseu e dá aulas no Algarve. Tem feito greve juntamente com os colegas na luta por melhores condições de trabalho. Este é o seu testemunho

Comecei a dar aulas em 2000/2001, tenho formação base de ensino básico com a variante de educação física. Nesse ano apresentei um projeto, junto com outros colegas, a um agrupamento de escolas na minha área de residência e lecionámos as nossas disciplinas em todas as escolas do primeiro ciclo e pré-escolar, mas a ideia não teve continuidade. Nos anos seguintes, fiz pequenas substituições por doença ou licença de maternidade, de um mês e/ou quatro meses, pelo Algarve e em Lisboa, e nunca consegui trabalhar um ano letivo completo.

Em 2008/2009, fui colocada por três meses no Algarve, na EB 1 de Silves, e, entretanto, engravidei. Por sorte, nesse mesmo ano, em fevereiro, fui colocada a 40 quilómetros de casa, em Oliveira de Frades. No ano letivo seguinte fui colocada pela primeira vez para o ano inteiro, mas no Alentejo, em Aljustrel. Como estava em final de gravidez, não me apresentei logo ao serviço e foi aí começou o meu dilema.

Ao fim de cinco meses do nascimento do Diego, quando me ia apresentar ao serviço, não consegui creche para o meu filho e fui alertada de que poderia tirar licença alargada de oito meses. Não hesitei. Apresentei-me a 1 de junho de 2010 e, como não conseguia creche em Aljustrel, fiquei alojada em Armação de Pêra, em casa de familiares. Fazia 135 quilómetros diariamente para ir trabalhar.

No ano seguinte, fui colocada novamente no Algarve, em Ferreiras, Albufeira. Levei o meu filho comigo pois sabia que tinha vaga na mesma creche onde havia estado no ano letivo anterior. No entanto, com esta decisão para trabalhar na área/profissão para a qual me formei, privei o meu marido Marcos de acompanhar o crescimento do nosso filho.

Durante estes dois anos ia a casa de carro apenas uma vez por mês e na companhia dos meus pais ou da minha sogra, que se deslocavam desde Viseu e do Porto respetivamente, de autocarro, para me fazerem companhia nas viagens, de forma a que eu não viajasse sozinha com o bebé.

Entretanto fiquei desempregada e decidi abandonar o ensino pois com as despesas, o filho em crescimento, o crédito de casa… era necessário trabalhar. Encontrei emprego numa empresa privada, embora ligada ao ensino, no Grupo Porto Editora. Era consultora pedagógica em várias escolas na periferia de Viseu e dormia em casa todos os dias. Não havia dinheiro nenhum no mundo que pagasse o facto de eu poder dormir todos os dias na minha cama e estar junto da minha família. Entrei nos quadros da empresa e pensei que já não voltaria mais a lecionar, mas a vida prega-nos partidas.

“Tive uma baixa psiquiátrica”

Em 2018, com a gratuitidade dos manuais escolares e a baixa taxa de natalidade, fui dispensada das minhas funções. Voltei ao ensino, mas como já não tinha um ano de serviço, nos últimos seis anos [requisito para estar na 2.ª prioridade dos concursos de professores] fui inserida na 3.ª prioridade. Tive de alargar o concurso para Lisboa e Algarve, perto das zonas onde tinha estadia em casa de familiares, para que as despesas não aumentassem e fossem suportadas. Estive três meses numa escola no Montijo e não trabalhei mais nesse primeiro ano de regresso ao ativo.

No ano letivo seguinte (2019/2020) enganei-me a concorrer e fui trabalhar dois meses para Vila Real de Santo António, onde tive de procurar alojamento. E em janeiro já estava colocada em Alfornelos, Amadora. Fui sozinha, deixando o meu filho, então com 10 anos, só com o pai, tendo de se deslocar para a escola com boleias porque o horário de trabalho do meu marido não era compatível com o horário escolar do nosso filho.

Entretanto veio a pandemia e, no meu caso, ficar em ensino à distância foi bom, pois embora fosse muito mais trabalhoso do que estar no ensino presencial, conseguia estar junto da minha família e principalmente do meu filho.

No ano seguinte (2020/2021), fui colocada em Lisboa, nas Olaias. Lá voltei eu a andar com a “casa às costas” para casa da minha tia, abandonando o meu lar e a minha família mais uma vez. A experiência não correu bem, entrei em baixa psiquiátrica e fui seguida em psiquiatria e psicologia. Tive de tomar medicação e não regressei a essa escola.

Dizem que, depois da tempestade, vem sempre uma bonança. Em 2021 /2022 consegui voltar nos concursos à 2.ª prioridade e fui logo colocada para iniciar funções a 1 de setembro no Agrupamento de Escolas Silves Sul, na EB1 de Alcantarilha, onde fui muito bem acolhida por colegas, funcionários e direção da escola. No presente ano letivo estou com o meu contrato reconduzido no mesmo agrupamento.

“Estar longe é uma enorme dor”

Embora tenha um ambiente de trabalho espetacular, todos, mas mesmo todos os fins de semana, desde o ano letivo 2018/2019, vou a casa de autocarro para conseguir estar um pouco com a minha família. São 560 quilómetros de distância. Faço 16 horas de autocarro – viajo das 16h20 às 00h25 à sexta-feira e das 16h00 às 23h30 ao domingo – para conseguir exercer a profissão de que tanto gosto e tentar aproveitar estar o mais possível com a minha família.

Tenho uma casa de familiares à disposição no Algarve e pago as despesas do dia-a-dia, mas não tenho de suportar uma renda. Ainda assim, com o atual nível de vida e os gastos que temos, continua a ser incomportável. Por esse motivo, o meu marido e o meu filho passaram a viver com os meus pais em Viseu, pois decidimos vender a nossa casa.

Consigo poupar dinheiro no almoço, pois levo uma marmita todos os dias e só me desloco para o Algarve na minha viatura no começo e no fim do ano letivo porque não é possível suportar o preço do combustível e das portagens.

Neste momento, o bilhete de ida e volta de autocarro tem o custo 66 euros por fim de semana, o que totaliza cerca de 250 euros por mês. Entre portagens e combustível, se eu levasse carro, aquilo que gasto mensalmente com as viagens de autocarro era o que iria gastar por fim de semana. O meu marido é administrativo, ganha o ordenado mínimo e é ele quem está com o meu filho e tem aguentado emocionalmente toda esta situação. Os dois continuam a ser o meu grande suporte.

Acabo por conseguir recuperar um pouco o sono durante a semana porque estou sozinha e deito-me mais cedo. De igual modo, o trabalho que tenho de fazer extra-aulas (preparação de aulas e correção de testes, por exemplo) fica circunscrito aos dias úteis porque não levo trabalho para casa ao fim de semana. Gostava que as pessoas percebessem que os professores têm muito trabalho invisível e que não termina nas horas em que damos aulas.

Vivemos numa constante adaptação. Estar longe de casa já levou o meu filho a verbalizar que quer que eu deixe o ensino. Ele diz-me: “Vem para Viseu e vai trabalhar para um supermercado”. Eu respondo-lhe que não é fácil arranjar um novo trabalho com a minha idade.

Não consigo deixar de me emocionar quando penso numa certa madrugada de novembro quando recebi uma mensagem do meu filho às 3h30. Dizia: “Mãe, não me sinto bem”. O Diego estava doente e mesmo sabendo que ele está muito bem com o pai, em momentos de aflição recorre à mãe. Não descansei até chegar a sexta-feirapara ir para casa. Estar longe nestes momentos é uma enorme dor.

Porque faço greve

Enquanto contratados, o nosso primeiro foco é entrar nos quadros. Este ano consegui renovar contrato na mesma escola para onde entrei no ano passado, mas nos moldes em que atualmente estão os concursos, o ano letivo de 2023/2024 seria o meu terceiro contrato e entraria em quadro de zona, neste caso no Algarve, mas poderia pedir destacamento por aproximação à residência. Com esta nova modalidade que o Ministério da Educação (ME) quer impor aos concursos, isso está fora de questão. O ME quer criar o que se intitula de mapas de pessoal, em que depois é impossível aproximarmo-nos à zona de residência porque os mesmos estão agregados a um município.

Defendemos que deve ser mantida a modalidade de concurso e não passar para a municipalização. Na proposta do Ministério, os municípios passam a ter autonomia para a colocação dos professores e os critérios deixam de ser a nossa graduação de lista e a nossa classificação profissional.

O dia 9 de dezembro foi o primeiro dia de greve e desde dia 12 que a mesma tem funcionado por tempos letivos. Neste momento, a greve continua por tempo indeterminado. Obviamente, temos muitas penalizações a nível salarial porque os tempos em que fazemos greve são descontados no nosso vencimento.

Ser professor nestas condições é ser resiliente, contra tudo e contra todos. A vida de professor não é fácil em muitos aspetos e é preciso gostar muito do que se faz. Os risos e os abraços que recebo dos meus 24 alunos todas as segundas-feiras ajudam-me a ganhar novo fôlego e a suportar um pouco melhor a dor que sinto por estar longe da família.

 

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O porquê do vandalismo na escola de Carnaxide

 

Ensinar implica obrigatoriamente versar sobre o desenvolvimento humano, o mesmo desenvolvimento responsável pela produção das crianças e adolescentes com as quais o professor trabalha todos os dias. Todos os dias. Mesmo quando não trabalha. Já o disse, por fascínio, pela bandeira, pela tomada de consciência deste papel na sociedade. Um sentido para a vida. O tal espírito de missão. O mesmo espírito passível de compreender, ou pelo menos tentar compreender, o porquê de determinados comportamentos, mesmo se extremos e especialmente se extremos, antes de apontar o dedo ou sequer pensar em apontar. Quer queiramos ou não, e muitos não querem, fruto das frustrações impostas por um mundo cada vez mais desigual e onde dois adolescentes são facilmente o pão e o circo onde se descarrega toda uma bílis, estamos a falar de crianças entre os 14 e 15 anos de idade. Impulsivas, ou não estivesse o seu aparelho cognitivo ainda por formar e assim é o cérebro adolescente onde a imaturidade dos córtices frontal e pré-frontal levam este cérebro a recorrer à amígdala para a tomada de decisões, amígdala essa directamente associada às emoções, ao comportamento agressivo e aos instintos.

Why Do Adolescent Males Demonstrate Impulsive Behavior? (stonewaterrecovery.com) Ergo, um cérebro mais primitivo dentro do qual as emoções, para não dizer o conflito, as paixões, os sentimentos, o altruísmo, as causas, os traumas, as vitórias e conquistas vivem fora de limites e não há limites, tudo é possível e somos invencíveis, imortais e inférteis. Todos os adolescentes sabem-no. Os adultos é que não. Os adultos resignados, os adultos conformados para não dizer vencidos e aborrecidos, tementes e para quem escorregar na banheira equivale a um dia inteiro de emoções.

Conclusão imediata: os adolescentes responsáveis pelo vandalismo na escola de Carnaxide agiram por impulso. Agora resta saber a origem deste impulso. E aqui abrimos outra janela, mas uma janela para um universo inteiro. Se as consequências jurídicas e legais prestam-se céleres, como garantir que tal não aconteça com estes ou outros adolescentes? Qual o contexto familiar e socioeconómico destas crianças? Qual o historial familiar? Porquê esta necessidade de destruir, esta vontade de destruir? Se o Director da escola se mostra surpreso diante dos repórteres, estarão outros elementos da comunidade escolar igualmente surpresos ou teriam estas crianças dado a entender alguma inquietação para não dizer revolta? Chegam estas crianças tarde a casa? E porquê? Com quem se relacionam dentro e fora da escola? Estarão estes jovens na periferia ou já parte de um gangue? E quanto a avaliações psicológicas e neurológicas? Estarão as mesmas disponíveis? Tendo em conta a sua presença junto das autoridades na companhia dos pais, tal denota laços familiares ainda presentes, um sinal de esperança na resolução de conflitos, sinal esse cada vez mais raro nos dias que correm. Porque por maior que seja esta vontade, sem o apoio da família a reinserção social é quase uma impossibilidade quando a família é a própria sociedade para a qual se quer, ou não, voltar. As perguntas supracitadas, muitas, são prementes e necessárias e as respostas, nem por isso imediatas mas antes atempadas, ainda mais necessárias se queremos evitar o sofrimento destas e tantas outras crianças.

Se o seu sofrimento traz consequências, visíveis nos recentes acontecimentos na escola de Carnaxide, a sua responsabilidade última é e será sempre dos adultos ao redor, os adultos que formaram, ou não, as crianças agora presentes às autoridades, e repito, felizmente na companhia dos pais.

 

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Professor! Professor!! Professor!!!

“Dignificação e valorização da carreira docente” é um slogan que se circunscreve diretamente aos professores e que falta concretizar com medidas palpáveis e exequíveis. É urgente dar-se um sinal que aponte no sentido pretendido há alguns anos. Ignorar factos mais que evidentes, até para o comum dos mortais, é continuar a desacreditar uma classe profissional merecedora dos mais rasgados elogios, sedenta de ações promissoras de estabilidade e motivação.

Professor! Professor!! Professor!!!

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Professores endurecem discurso e prometem LUTA

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Quem teve uma semana NÃO?

 

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A aprendizagem da democracia Diário As Beiras 23 de dezembro de 2022 – José Afonso Baptista

 

Não posso afirmar que o governo prepara consciente e metodicamente a exclusão dos alunos pobres e diferentes do sistema educativo. Mas na prática é isso que acontece. De todas as aprendizagens do ser humano, na sua vida coletiva, a mais fácil de entender e a mais difícil de levar à prática é a democracia. Para uns é uma ambição e uma esperança bem vivas, para outros é uma terrível ameaça. Quem tem tudo, não quer ceder nem um milímetro do que tem.

Quando observamos a organização da vida social ao longo da história, o que vemos não são relações harmoniosas e pacíficas de amor entre as pessoas. O que ressalta são guerras e lutas sem fim, é a dominação e mesmo apropriação de seres humanos por outros seres humanos. Onde há vencedores e vencidos, os vencedores dominam e muitas vezes apropriam os vencidos. A sociedade em que vivemos não se libertou desta mentalidade perversa.

Esta bipolarização classista foi sendo configurada ao longo de milénios. A primeira Revolução Agrícola, com a apropriação da terra e de quem a trabalha, o Feudalismo com os seus Suseranos e Vassalos, o colonialismo e o abjeto comércio de escravos, o capitalismo, opondo empresários e proletários, são modalidades de aprofundamento das desigualdades, opondo quem tem os bens e quem não tem mais que os braços para trabalhar. Esta mentalidade, ancorada nos três vértices do triângulo – racismo, machismo, elitismo -, permanece no inconsciente ou mesmo na consciência criminosa dos opressores.

As organizações mais participadas na sociedade contemporânea mantêm as rivalidades e ódios de primitivas sociedades tribais: clubes desportivos, partidos políticos e mesmo religiões, com milhares e milhões de adeptos, de militantes e de crentes, envolvem-se com regularidade em agressões e lutas de morte impensáveis entre humanos. A irascibilidade humana destrói a razão e o discernimento. O sectarismo (do Latim secta, origem da palavra seita) militante é a marca destas organizações. Os partidos são seitas intolerantes com os outros partidos ou até mesmo com quem não tem partido.

Ainda não aprendemos um modelo de organização sem partidos, mas os partidos são cada vez mais o veneno da democracia.

Os governos são feitos desta massa. Os partidos continuam a proclamar na propaganda eleitoral que vão governar para o povo, mas os governos são formados exclusiva e escandalosamente no âmbito do clã partidário e familiar. A fidelidade é critério único e a competência pode ser incómoda. A verdadeira democracia, subordinada ao tríptico da Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade, Fraternidade, esbarra nos interesses de classe, nos conluios partidários e nas ambições criminosas de políticos e governantes corruptos que não hesitam em tirar o pão da boca dos
pobres para alimentar a sua flatulência.

A nossa frágil “democracia formal” é um bom exemplo: governantes de topo, ministros, governadores de bancos, administradores, autarcas, políticos sem conto, envolvidos em escândalos de todo o tipo, em corrupções sem fim, permitindo que poucos tenham tudo e uma população crescente sofra o frio, a fome e a pobreza em limites extremos. Continuamos a ter muita gente sem direito ao pão, à saúde, à educação.

Não posso afirmar que o governo prepara consciente e metodicamente a exclusão dos alunos pobres e diferentes do sistema educativo. Mas na prática é isso que acontece. Em teoria não há exclusão, nenhum aluno fica para trás. Mas na prática somos um dos países que mais exclui na escolaridade obrigatória e que impede a formação ao mais alto nível, deixando anualmente milhares de alunos sem meios para frequentar o ensino superior.

Dois pontos são particularmente chocantes: antes de mais é o desperdício de impedir a educação e formação de tão elevado número de crianças e jovens; em segundo lugar é o facto de “selecionar” os pobres e os diferentes para imolar na roda dos incapazes. O agricultor que tenha mil hectares de terra fértil sem semear nada, não cria valor. O semeador não pode colher sem semear. E depois, senhor, não bastava terem nascido pobres ou diferentes, é preciso que sejam condenados a ficar pobres e diferentes para toda a vida! Parece que estamos num governo classista obstinado em perseguir os pobres, como se fossem a causa e não a consequência das políticas de empobrecimento.

Sem uma educação saudável, nunca teremos uma economia saudável. O segredo está na educação e na formação. Cada aluno que se perde é uma árvore que não dá frutos. Cada jovem que parte é um golpe fundo na nossa “democracia”. E na nossa economia. Quando será que podemos sair à rua, olhar de frente os nossos concidadãos e “ver em cada rosto igualdade”?

Os professores saíram à rua em protesto pelos ultrajes de décadas. O meu aplauso por reclamarem os seus direitos, o que só contribui para melhorar a qualidade da educação e da formação. Mas atenção: A União Faz a Força. Se continuarem as divisões partidárias e cada sindicato aparecer com propostas e reivindicações diferentes, o insucesso estará garantido. A democracia começa na escola. Se os professores não conseguirem democraticamente consensualizar uma carta de reivindicações comuns e se deixarem acorrentar por diferentes visões partidárias, entregarão todas as cartas ao ME e ao Governo. Uma escola democrática e autónoma terá todas as condições para se responsabilizar pela sua eficácia. Por enquanto essa responsabilidade cabe toda ao Governo e a quem defende e apoia o centralismo burocrático. Uma escola oprimida não pode formar para a Liberdade e para a Igualdade.

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«Basta pum basta!» Porque lutam os professores?

 

«Costa escuta, os professores retomaram a luta!» O velho lema reivindicativo agora atualizado transporta-nos para um tempo pretérito em que os professores foram trucidados por uma antiga ministra da educação, tecnocrata e “socratina”, que, agora, afirma, despudoradamente: «Não sei como chegámos aqui assim. Não sei e não quero saber!» («É ou não é», RTP1, 19-04-2022).

Pois nós, professores, conhecemos bem todas as tramas desta tragicomédia que atingiu, aqui e agora, o seu clímax.

A escola pública é um lugar que nos causa sentimentos paradoxais de felicidade, resistência e melancolia. Sempre foi assim.

A felicidade de sociabilizarmos com «muitas e desvairadas gentes»; de ensinarmos e aprendermos; de colaborarmos no complexo processo de modelação das mentes; de contribuirmos para resgatar meninas e meninos da pobreza económica e cultural; de nos construirmos como cidadãos e participarmos na construção de novos cidadãos; de vermos os nossos alunos crescerem e recebermos a sua gratidão.

A resistência para cumprirmos a inalienável missão formativa, educativa e cívica nas conjunturas e nos locais menos e mais hostis — em tempos de crise ou de pandemia, nos «bidonvilles» contemporâneos das grandes cidades do Portugal de hoje, na «Província» despovoada, proletarizada e ostracizada pelos poderes centrais de Lisboa, nas escolas governadas por diretores tiranos (neste caso, a minha e outras escolas ainda vão sendo raros oásis que resistem à prepotência de reitores salazarentos, que vivem atormentados com a possibilidade de um dia serem preteridos e terem de voltar a pisar os soalhos das salas de aula, como “simples” professores operários).

A melancolia de por vezes nos sentirmos impotentes perante tamanhos desafios ou diante do medo de a nossa saúde física e mental não resistir às adversidades da profissão. A frustração de errarmos, ainda que errar seja próprio de todos os homens e mulheres.  

Mas, aqui e agora, a melancolia agravou-se. Transformou-se numa angústia ainda mais inquieta, por nos sentirmos traídos e menorizados por um ministro da Educação que exige o sacrífico dos professores, estrangula muitos de nós com excesso de trabalho, com trabalho precário e nómada, sem nos dispensar a necessária solidariedade. Converteu-se em tristeza persistente, por nos sentirmos manipulados por um Ministério da Educação dirigido por tecnocratas e alcateias de “apparatchiks” ou “boys” que não pisam o chão das salas de aulas, ignoram o quotidiano das escolas e desprezam os problemas reais dos alunos e dos seus professores.      

Quando esta mágoa é acirrada e degenera em ressentimento, a paz rompe-se e o confronto explode.

«Basta pum basta!». Não queremos mais ser asfixiados por burocracias inúteis, controleiras e mistificadoras, que nos esgotam e roubam tempo para pensarmos, investigarmos e planificarmos aulas. Queremos que o nosso trabalho na sala de aula seja respeitado e encorajado. Não queremos ser recrutados por autarcas e diretores escolares conluiados e instigados por motivações subjetivas já tão institucionalizadas neste país de «brandos costumes» (leia-se simpatias político-partidárias, nepotismo, amiguismo…), mas sim por concursos nacionais que selecionam os professores com melhores currículos académicos e profissionais. Queremos aceder a uma formação de professores séria, que não despreze a nossa atualização científica enquanto glorifica cursos de formação, mais ou menos imprestáveis, nas áreas da capacitação digital, da avaliação pedagógica e dos mindfulness, os quais, presumo, estão a ofertar generosos proventos a muitos iluminados. Queremos uma legislação que combata a indisciplina nas escolas e proteja professores e alunos. Não queremos uma avaliação de professores assente em critérios etéreos que tendem a premiar os mais habilidosos e a penalizar os mais empenhados. Queremos a devolução dos 9 anos e 4 meses de serviço que cumprimos e que nos foi usurpado para efeitos de aposentação e de progressão na carreira.

Alguns cidadãos acham estas exigências estapafúrdias. Outros cidadãos, porém, mais conscientes da importância que a educação tem para o futuro de um país, sabem que é fundamental dignificar a profissão docente e valorizar a escola pública nacional.  

Luís Filipe Torgal

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É só escolher a que greve se quer aderir

Parece que os sindicatos andam a tentar correr atrás do prejuízo…

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Os professores estão cansados de ser maltratados

 

 

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A falta de professores e as greves terão continuidade no 2.º período

Início do ano letivo terminou com greves de docentes de norte a sul do país, numa altura em que há 20 mil alunos ainda sem professor numa ou mais disciplinas. Janeiro vai registar recorde de aposentações, com quase 300 professores a sair do ensino.

Falta de professores e contestação marcaram regresso presencial à escola. E o 2.º período começa com protestos

O1.º período do ano letivo 2022/2023 terminou envolto em contestação por parte da classe docente, com greves, concentrações à porta das escolas e uma manifestação, no passado sábado, em Lisboa, que contou com a presença de milhares de pessoas.

Os primeiros meses deste ano letivo coincidiram com o “regresso à normalidade”, após mais de dois anos de restrições provocadas pela pandemia de covid-19, contudo, os diretores de escolas não conseguem fazer um balanço positivo porque persiste aquele que é, na opinião dos responsáveis, o maior problema da escola pública: a escassez de professores. “É um problema que era crónico e está agudo e grave. Há mais de dez anos que chamamos a atenção para este problema e nada foi feito para tentar estimular ou renovar a classe docente. As universidades fecharam cursos por falta de alunos. A escola pública vai perder cerca de 30 mil docentes até 2030, e em termos de políticas e estratégias por parte do Ministério da Educação (ME), nada foi feito”, sublinha Manuel António Pereira, presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE).

O responsável diz ser urgente “dar respostas a curto prazo e soluções a médio e longo prazo”. “Em janeiro vão aposentar-se quase 300 docentes e há um enorme desequilíbrio. A maior parte dos professores está a norte e é preciso encontrar uma solução para que estejam disponíveis para se deslocarem, com um salário de 1100 euros”, explica. Manuel António Pereira salienta ainda a perda de poder de compra da classe, que “baixou 25 por cento nos últimos 10 anos”. “É preciso tomar medidas, estimular os que estão no sistema, tornar a profissão mais apetecível em termos de ordenado e dar apoios a quem vai para longe dar aulas”, pede.

O presidente da ANDE alerta ainda para a existência de grupos disciplinares já sem professores disponíveis para dar aulas: Inglês, História, Geografia, Português e Informática. Segundo este responsável a revisão das habilitações para a docência feita pelo ME, uma das medidas implementadas para fazer face à escassez de professores, não resolve o problema porque “não há interessados”. “Os licenciados ficam com um ordenado na ordem dos 1000 euros e não há interessados. Até porque ainda levam trabalho para casa”, justifica. O presidente da ANDE diz estar “seriamente preocupado com o futuro da escola pública”.

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Nota Informativa – Procedimentos de Reposicionamento na Carreira 2022

 

Encontra-se republicada a Nota Informativa – Procedimentos de Reposicionamento na Carreira 2022 – com calendarização procedimental atualizada.

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Encontro de preparação da greve em 2023

Vai-se realizar um grande Encontro Nacional de comissões de greve/representantes dos professores das escolas a 27 de dezembro, em Coimbra, às 14h, para prepararmos uma luta/greve ainda mais forte desde o início de janeiro 2023.

Que cada escola/agrupamento envie um ou dois representantes, seja das comissões de greve existentes, ou colegas em que os outros reconhecem a energia para representar a vossa escola (temos formas de luta ainda mais inovadoras/fortes para apresentar e sem esgotar os nossos salários).

INSCREVAM-SE ATÉ DIA 22 DEZEMBRO (inclusive):
https://forms.gle/iSqdXj416Yjnano77

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O tipo da carreira

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E o mentiroso é André Pestana?

E o mentiroso é André Pestana?

 

Em declarações ao Público, o ministro da Educação acabou a apelidar André Pestana de “mentiroso”. Em entrevista ao programa 360 da RTP3, a que o Público igualmente se referiu, João Costa apontou como uma das razões para a manifestação de sábado passado a “campanha de mentiras” que circulou pelas redes sociais, dando conta de que os professores iriam passar a ser contratados pelas câmaras municipais, e voltou a afirmar que “o dirigente sindical que convocou esta manifestação estava determinado a mentir”. Ainda ao Público, André Pestana disse que o ministro “vai ter de responder na justiça” pelo insulto.
Senhor ministro, junto-me gostosamente aos seus leais conselheiros para ser sua testemunha desabonatória. O senhor tem razão, porque:
– Não é verdade que a mobilidade interna tenha acabado. Como o senhor sabiamente esclareceu, com a clareza que lhe conhecemos, “sempre que há lugares de quadro a concurso, qualquer professor de carreira pode concorrer”. Coisa diferente é o sítio onde vai trabalhar. Esse, são os venerandos directores que vão decidir. Imbatível a sua verdade!
– Não é verdade que desaparece a lista ordenada nacional, porque o senhor já jurou pela sua virgindade que “a ocupação de um lugar de quadro teve e terá sempre como primeiro critério a graduação profissional do professor”. Coisa diferente é o segundo critério, o dos directores, que decidirão onde cada professor vai trabalhar. Cristalina a sua maneira de colocar os pontos nos ii!
– Doeu o puxão de orelhas que nos deu quando nos disse que a “DGEstE não tem competências na área de gestão do pessoal, pelo que as não pode transferir para as CCDR”. Tem razão! Quem o disse foi a Resolução 123/2022 do Conselho de Ministros. Bem visto! Uma coisa é um lobito, outra coisa é uma alcateia!
– Tal como disse, não é verdade que a gestão dos professores passe para as câmaras municipais. Ela já passou para as comunidades municipais … que agregam as câmaras municipais. Este seu fino talento bocagiano reconduziu-me ao episódio da flatulência da cortesã, que Bocage tão sagazmente disfarçou. Até o cheiro senti!
– Já que estamos no capítulo dos “descuidos”, deixe-me dizer que apenas sujou a folha das suas verdades com a entrevista que deu à RTP3, na noite da manifestação. Aquilo não foi um “descuido”. Foi uma diarreia. Então foi proclamar, urbi et orbi, que 30 mil licenciados, mestres ou doutores, são tão desprovidos de inteligência que ficam à mercê da manipulação de um reles sindicalista? Que não passam de um bando de totós, que gastam dinheiro para vir a Lisboa dizer que o mentiroso é o senhor, incapazes de discernir entre a sua luz e as trevas dele? Já viu o tiro que deu nos seus pezinhos, quando colou um selo de mentecapto na testa de cada um dos 30 mil que protestaram no sábado? Logo o senhor, que há sete anos os louva, protege e acarinha e por cuja felicidade reza todos os dias!
– Tudo visto, o senhor é um avançado mental. Teve razão antes de tempo, quando estabeleceu uma parceria com a vetusta Gulbenkian, para ensinar emoções aos professores. Com tamanhas excitações entre a verdade e a mentira, a realidade e o imaginário, quem iria resistir, não fora a sua prognose?
Desçamos à terra.
Nas vésperas do que viria a ser uma grande manifestação de professores, já bem num final de dia, foi enviado um e-mail aos directores dos agrupamentos, para cujo conteúdo se pedia o urgente conhecimento dos professores. Tratava-se de esclarecimentos, sob forma de pergunta/resposta, já antes prestados, note-se, relativos às anunciadas mudanças no regime de concursos de recrutamento de docentes. Com o ministerial espírito em Paris, embrenhado na preparação de mais uma homilia da OCDE, o que denotava a pressa da estranha missiva, feita a “pedido do senhor ministro”? Obviamente, o nervosismo que nascia na mente capta do senhor ministro, ante o que aí vinha. E veio! Cerca de 30 mil, na rua, a acenarem-lhe com lenços brancos de despedida.
No mínimo, faça agora como o outro Costa, que não apareceu nas cheias e fez-se de morto na discussão sobre a eutanásia. Feche-se numa bolha, fazendo figas para que não rebente.
No máximo, ainda tem uma réstia de dignidade ao alcance: demita-se!

 

Santana Castilho

In “Público” de 21.12.22

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Andaram tão entretidos com as greves que até se esqueceram dos aumentos…

 

O diploma, promulgado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que estabelece aumentos salariais de pelo menos 52,11 euros e a valorização de carreiras da administração pública foi publicado na sexta-feira ao final do dia, produzindo efeitos a partir de 01 de janeiro de 2023.

Na prática, os professores com salários até cerca de 2.600 euros terão um aumento da ordem dos 52 euros e, acima desse valor, a atualização salarial será de 2% (superior a 52 euros).

Proletariza-se, mais uma vez, a classe…

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Paciência tem limites! A corda já partiu! – Lúcia Vaz Pedro

 

 

Ser professor implica ter paciência, acima de tudo, ter paciência para ensinar.

Paciência tem limites! A corda já partiu!

Ter paciência é, na verdade, um requisito essencial, pois, nos tempos que correm, um professor tem de saber respeitar tudo e todos: respeitar o tempo de aprendizagem dos alunos, respeitar as diversidades, respeitar a pluralidade, respeitar a singularidade e até respeitar a falta de educação. Os meninos, muitas vezes, são vítimas da sociedade e os professores devem educá-los, pois os pais não têm tempo.

A paciência dos professores tem esticado e vai desde a escola à sociedade.

Na escola, a paciência dos professores é tanta que fazem de tudo. E a burocracia é tanta que se perdem em papéis e papéis, em coisas que ninguém lê, em trabalhos que têm de fazer sem utilidade nenhuma.

Na sociedade, os pais dão-se ao luxo de opinar sobre os professores, de dar ordens aos professores, de rebaixar os professores, de bater nos professores. Aqueles professores que, muitas vezes, tentam educar-lhes os filhos.

Os políticos dão ordens aos professores como se alguma vez tivessem dado aulas, como se percebessem alguma coisa do que se passa no “rés do chão” da vida. Ainda não perceberam que a educação é o melhor investimento que podem fazer na sociedade. Pobres de espírito! Nunca leram! Mas eu relembro: Por exemplo, Aristóteles diz que a educação é fundamental, uma vez que desenvolve a segurança e a saúde do Estado. É a educação que conduz a uma cidade perfeita e a um cidadão feliz. Há, pois, uma relação entre a política e a educação. Mais atual, Nelson Mandela diz que a educação é a ferramenta mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo. Se não sabem o que fazer, inspirem-se no que os outros dizem, meus senhores, pois a paciência tem esticado tanto que os professores veem-na a partir.

Eles levam-na para tão longe de casa que não ganham o suficiente para regressar ao fim de semana e passá-lo com a família. Estica tanto essa paciência que os professores vão trabalhar doentes.

Na verdade, essa paciência já partiu.

Partiu e não há volta a dar-lhe nem há cola que consiga segurá-la.

Agora os professores preferem morrer de vez a voltarem a ter a paciência virada do avesso, preferem abandonar-se a outra profissão a não serem respeitados, a serem desmentidos, desrespeitados, ultrajados, tratados abaixo de cão.

Parem de uma vez por todas! Pensem com consciência!

Sem educação não há futuro! Precisamos que respeitem os professores para que haja uma educação consistente, que forma cidadãos conscientes, trabalhadores, respeitadores e capazes.

Professores debilitados, esfomeados, doentes, velhos, desrespeitados! NÃO! NÃO! NÃO!

“É a Hora!”

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