SIPE agenda a greve ao primeiro tempo de cada docente, já anteriormente anunciada publicamente , para o dia 3 de janeiro de 2023 e seguintes. Os pré-avisos serão diários.
Dez 19 2022
SIPE agenda a greve ao primeiro tempo de cada docente, já anteriormente anunciada publicamente , para o dia 3 de janeiro de 2023 e seguintes. Os pré-avisos serão diários.
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Dez 19 2022
Sob o signo do castigo e num sistema ausente de retenções, a expulsão é a derradeira sentença a pender do tecto das salas de aula e a melhor arma ao dispor de cada instituição de ensino diante do comportamento dos alunos.
Mas num universo onde a uma crise vem sempre outra logo logo a seguir, a falta de apoio financeiro às escolas deixa a cada mês que passa menos margem de manobra.
Quer isto dizer a falta de apoio ao nível da literacia e numeracia, a ausência de actividades extracurriculares de modo a manter os alunos longe das ruas e a rua cada vez mais próxima no seu canto de sereia e os perigos daí advindos, o gabinete de apoio psicológico que já não existe, professores assoberbados de metas e objectivos a atingir e respectiva tonelada burocrática entre planos de recuperação, relatórios, avaliações e análises estatísticas conducentes a uma célere mudança de emprego ou esgotamento, o que vier primeiro, não importa, a falta de tempo para o aluno, a relação inexistente, os alunos em rebanho e em rebanho supostamente predestinados à absorção de conteúdos quais esponjas, o apoio individualizado como um sonho distante, discussões e atritos recorrentes entre alunos e sempre por resolver assim como por resolver todos os problemas trazidos de casa a começar pelo frio e a acabar na fome.
Desengane-se, no entanto, quem espera por pressão política da parte das direcções escolares sobre os agentes governativos.
Não. Não numa monarquia constitucional e o monarca escolhido por Deus.
E se ninguém questiona Deus, de igual modo ninguém questiona o monarca, a monarquia, o feudalismo comensal, a sociedade subjacente, o governo carente do reconhecimento divino, as instituições dirigentes e toda uma nação ao Seu dispor.
Neste contexto são gritantes as semelhanças com os ecos de um passado bafiento quando não se discute “Deus e a sua virtude” e se democracia parece rimar com monarquia o segredo está no “parece”.
Quer isto dizer estarem as escolas entregues a si mesmas e aos orçamentos atribuídos, orçamentos esses dedicados única e exclusivamente a pagar as contas do gás e da electricidade e quando o dinheiro não chega despede-se um professor.
Não é portanto de admirar a presença de cada vez mais alunos no ensino alternativo em resultado das ditas expulsões, o mesmo ensino alternativo de onde vos escrevo, empurrando-se o problema para a frente até que algo aconteça aos mesmos de sempre, às crianças por quem somos todos responsáveis, excepção feita quando algo acontece e todos abandonam o navio.
Conseguem neste discurso encontrar semelhanças com a terra natal? É o espelho das sociedades empobrecidas, o fosso entre ricos e pobres, casas de muros farpados e guardas à porta paredes meias com bairros de lata sem fim.
Não são apenas as crianças expulsas das escolas, somos todos nós e eu não quero esta sociedade.
Ainda há pouco tempo li o seguinte artigo em jeito de piada mas sem ter piada nenhuma no qual, pasme-se, Portugal, fruto da sua longa aliança com o império e afinal somos todos amigos, aparece como destino preferencial de emigração britânica:
https://inews.co.uk/news/world/great-countries-emigrate-uk-cost-of-living-1991534
Quinze anos volvidos e o círculo completo. Agora é que é, vamos fazer as malas, Portugal é que é, não sabemos ao que vamos mas sabemos que há sol, agora talvez menos que é inverno, mas vamos, não sabemos se temos emprego mas vamos à mesma até porque agora já ninguém quer dar aulas em Portugal (porque será? Não quero saber, vamos à mesma) e não sabemos se nos adaptamos à cultura e igualmente nem sequer sabemos a língua mas tudo se aprende, “una cerveza por favor” e o dedo esticado, lá até gostam dos ingleses, os ingleses trazem dinheiro, nós é que não temos nenhum.
João André Costa
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Dez 19 2022
Os professores iniciaram uma greve, por tempo indeterminado, no dia 9 de dezembro. O que se pode, à primeira vista, achar estranho é o “tempo indeterminado”, nunca tal se tinha visto. Mas não se fica por aí. Quem optou por esta modalidade de greve foram os professores e não os sindicatos, ou neste caso, o sindicato. Através de uma sondagem, com a colaboração de dois blogues especializados em Educação, os docentes escolheram como queriam “lutar” . Um ato democrático em que a classe deu, realmente, a sua opinião, fazendo do sindicato um meio para legalizar o que queriam fazer.
A adesão não tem sido massiva todos os dias, mas todos os dias fecham escolas, todos os dias há constrangimentos nas escolas, todos os dias, muitos professores fazem greve. Nem todos os dias os mesmos professores fazem greve, alguns que sim, mas todos os dias há docentes em greve.
Os sindicatos, desunidos, digladiam-se, entre si, para ganharem força docente e poderem vangloriarem-se dela na próxima ronda de negociações.
O Ministro tenta, por todos os meios, fazer passar a sua mensagem.
Há acusações de falta de verdade de parte a parte. Uns propõem, outros exigem, cada um vê a sua verdade e apenas a mentira dos outros.
Nisto tudo, os professores, os principais interessados saem a rua contra todas a mal feituras a que foram sujeitos nas últimas duas décadas. É a gota de água que acabou de cair no balde que o fez transbordar.
Mas o que está em cima da mesa é, e só, a última gota de água, o futuro diploma de concursos. A avaliação docente não está em discussão, as quotas, não estão, nem vão ser discutidas, as ultrapassagens estão à espera de decisão judicial, a contagem de todo o tempo de serviço congelado terá de ter nova luta, a diminuição do trabalho burocrático dos docentes nunca passará de uma promessa (veja-se o MAIA que apenas veio aumentar o dito), a definição entre trabalho letivo e não letivo, docente e não docente o ministério nunca quis discutir, a discussão da aposentação docente não passa de uma promessa feita por António Costa na AR e que nunca passou de palavras ocas.
A LUTA começou, mas vai ser longa. Vai implicar negociações, em cima de negociações, pois o governo não vai avançar, de um momento para o outro, com todas as reivindicações para cima da mesa. Se avançar com alguma que não seja para cortar ainda mais nos direitos conquistados no século passado.
Temos que ter a verdadeira noção que nas últimas duas semanas não se ganhou nada. Não se avançou um milímetro em relação há três semanas, apenas se fincou o pé e se passou a mensagem que não se vai admitir que nos espezinhem outra vez.
A luta vai ser longa. Queiramos, ou não, temos que convencer as partes implicadas nas negociações do que queremos e principalmente, os sindicatos, que têm que ouvir as vozes dos professores, porque sem nós não há sindicatos.
Democraticamente, os sindicatos, têm que ouvir o que as bases, os docentes, realmente querem e como o querem. Se nos querem na luta como nós os queremos a eles, têm que propor e ouvir as formas de luta a que nos dispomos.
Se a luta é nossa que sejamos implicados, todos, da mesma forma.
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Dez 18 2022
Os docentes têm sido envolvidos, nos últimos tempos, em campanhas de contrainformação, desinformação e manipulação atrozes e desrespeitadoras dos factos e da verdade. Os efeitos são muito negativos. Hoje o que impera é a informação ocasional, sem qualquer tipo de escrutínio ou exigência que salvaguarde os factos e a verdade.
Neste âmbito, importa que a próxima reunião com o ME, em janeiro, verta em documento escrito os compromissos já assumidos que permitam mitigar e eliminar o enorme mal-estar junto de cada educador e professor. Os sinais da parte desta e de outras tutelas têm de ser inequivocamente claros.
O que tem sido dito oralmente por João Costa terá de ser passado a escrito e deverá incidir em assuntos como a confirmação de que a educação não será municipalizada; que o único critério a ter em conta em todos os concursos seja a lista de graduação nacional; que seja assegurada uma maior estabilidade profissional e familiar dos professores através do aumento significativo das vagas nos QE e QA; que haja uma efetiva e considerável diminuição da área geográfica dos QZP.
Iremos continuar a lutar para que o ME abra novas mesas negociais que incluam matérias altamente perturbadoras do bem-estar dos professores. Entre elas, destacamos a contagem de todo o tempo de serviço congelado; a eliminação das quotas e das vagas na progressão e na avaliação; a subtração do excesso de trabalho, acompanhada da diminuição do trabalho burocrático; a clara separação entre trabalho docente e não docente; a reposição das condições justas e equitativas na ida para a aposentação; a garantia de entrada nos quadros para muitos dos muitos professores contratados, os quais só conseguem esse vinculo por volta dos 45 anos de idade e de 20 anos de serviço; o reforço dos vencimentos para fazer face à inflação, assim como a manutenção da paridade com a Carreira de Técnico Superior.
Enquanto houver caminho para andar, estaremos empenhados e focados em contribuir para uma maior dignificação e atratividade da profissão docente.
O SPZC continuará a respeitar os seus princípios e valores de que enforma o seu ideário, com coerência e clareza.
O SPZC manterá o seu papel de rigor e confiança, separando sempre a verdade da mentira.
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Dez 18 2022
André Pestana não gostou das declarações do ministro da educação e vai avançar para a justiça. Exige as atas das reuniões em que o ministro esteve presente. Acusando o ministro de infantilizar os professores.
A Fenprof deu um passo atrás e solidarizou-se com a luta dos professores nas ultimas semanas.
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Dez 18 2022
Tenata-se centralizar a luta dos professores no futuro diploma de concursos, mas isso foi só a gota de água que fez transbordar um balde cheio de injustiças.
O descontentamento já se faz sentir há muito tempo. Os professores sentem-se desmotivados, injustiçados, desprezados, desvalorizamos… há mais de 17 anos.
Não me parece que se vá conseguir tirar os professores da rua com um “chupa-chupa” como das outras vezes. Não se pode, ninguém pode, achar que manipula os professores sem que eles dêem conta, afinal são a classe, academicamente, mais capaz do país.
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Dez 18 2022
O IAVE tem vindo a criar um modelo de avaliação em que as questões abertas ao desenvolvimento da escrita são cada vez menos, assim comprometendo o grande objetivo da avaliação.
Os “exames de cruzinhas” vieram para ficar
No passado dia 5 de novembro, Bárbara Reis manifestou, aqui no PÚBLICO, o seu desagrado face ao predomínio das questões de escolha múltipla no exame de Filosofia, uma disciplina em que se espera a valorização da capacidade de argumentar através da expressão escrita. E se a Bárbara Reis considera, e muito bem, que aqueles exames servem mal a Filosofia e os seus alunos, lamentavelmente não são de esperar alterações de fundo num futuro próximo. Na realidade, os alunos ainda não fazem “exames de cr…
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Dez 18 2022
A minha comunicação aos Colegas no início da memorável manifestação de 17.12.22
Estimados Colegas:
Que privilégio, sentir-me parte desta verdadeira epifania, que hoje vivemos, porque nós, professores livres, começámos a demonstrar que há muros que podem ser derrubados, para melhorar o nosso presente e o futuro dos nossos alunos.
Do meu posto de observação sigo, há 17 anos (13 da responsabilidade do PS, 4 da responsabilidade do PSD), as decisões da política educacional mais rasteira que me foi dado conhecer depois de Abril.
E porque é mau que percamos a memória colectiva, permitam-me que faça uma breve síntese destes anos de desespero:
– Instalou-se um desrespeito galopante pela actividade docente, eminentemente intelectual e livre, como se ela pudesse ser exercida por operários vergados a obediências de pacotilha e aos desmandos de quem manda.
– Perdeu-se a generosidade com que tantos professores se entregavam voluntariamente a actividades, fora dos seus horários profissionais, porque nelas reconheciam transferências reais para a educação dos seus alunos e para a resolução dos problemas sociais.
– Destrui-se tempo livre, tempo para estudar e pensar, para acolher o monstro da burocracia escravizante, personificada por plataformas e protocolos administrativos, paridos por pequenos déspotas, verdadeiros tiranos acéfalos, com pedras onde os outros têm coração.
– Fecharam-se escolas aos milhares, Portugal interior fora.
– A gestão das escolas, que antes era verdadeiramente eleita e por isso democrática, deu lugar a uma gestão predominantemente autocrática, onde o medo das represálias que as discordâncias acarretam se tornou o clima organizacional dominante.
– A natureza axiológica da Educação foi paulatinamente substituída por regras de mercado, cada vez mais circunscritas a objectivos utilitários e instrumentais.
Nos nossos dias, o discurso de João Costa e prosélitos assenta na retórica provinciana do “aluno do século XXI”, do “trabalho de projecto”, do “trabalho em rede” e dos “nados digitais”. Quando se juntam hoje as “aprendizagens essenciais” ao estribilho da “flexibilidade pedagógica”, vemos o que a música de João Costa deu: um desconcerto nacional, particularmente para os que já chegam à Escola marcados pela sorte madrasta de terem nascido em meios desfavorecidos. Porque a inovação pedagógica do aprender menos não remove o insucesso. Mascara-o. Porque os experimentalismos assentes no abaixamento de fasquias não puxam pelos que ficam para trás. Afundam-nos.
Das celebrações fátuas de João Costa sobressai o decantado tema da educação inclusiva. Ter todos dentro da mesma escola é um excelente princípio, que nenhum civilizado contesta. Mas não o concretizamos fingindo que determinados alunos podem dar respostas que sabemos que nunca poderão dar, pedindo do mesmo passo aos restantes que fiquem parados. É isto que João Costa tem promovido: uma exclusão dupla, mais gravosa ainda para os que nasceram diferentes. Aproximadamente metade dos alunos sinalizados como carentes de “medidas selectivas ou adicionais” (novilíngua oficial) não tem apoio directo de professor especializado. Para satisfazer o falso conceito de inclusão vigente, basta que passem mais de 60% do tempo lectivo numa sala de aula, com os colegas de turma. Pouco importa que nada entendam do que lá é dito ou feito. A ordem para que passem de ano atira as suas taxas de sucesso para cima dos 90%. Falta medir os seus índices de sofrimento e de impreparação para a vida.
Temos hoje, convenientemente, já se vê, um processo de formação contínua de professores, cuja característica distintiva é torná-los radicalmente cegos para tudo o que se oponha à narrativa da pedagogia religiosa do pequeno ministro e dos seus lobitos. As crenças substituíram o conhecimento e o poder decisório está nas mãos de uma seita. Fanáticos que são, estigmatizam e eliminam os que recusam juntar-se ao rebanho.
João Costa está, há 7 anos, laboriosamente, a desregular todo o mecanismo de avaliação do sistema de ensino, anulando a comparabilidade dos dados recolhidos ao longo dos tempos, a desconstruir a estrutura curricular e a produzir normativos sobre o que deve ser feito no âmbito da autonomia das escolas, promovendo, assim, o mais hipócrita homicídio, à nascença, dessa mesma autonomia. As fotos que o representam vestido de escuteiro e uns números giros de filosofia Ubuntu e avaliação MAIA dão-lhe a credibilidade dos vendilhões do Templo. Falta agarrar no chicote para expulsar este sacrista do nosso convívio.
Como permitimos tudo isto?
Em minha opinião porque os professores mergulharam num limbo, onde cresceu o cansaço e a resignação. O desânimo que os assolou radicou na impotência dos sindicatos para os defender das decisões tirânicas do Governo. Com efeito, os sindicatos têm persistido na representação do papel de lamuriosas vítimas enganadas e as lutas sindicais têm sido cada vez mais aprisionadas pelos interesses das conjunturas partidárias e cada vez menos centradas na eficácia da defesa dos interesses profissionais dos seus representados. Os sindicatos têm sistematicamente fugido das lutas que provocariam mudanças nas relações de poder. Por acomodação, medo reverencial e iniciativa nula.
Em minha opinião porque as nossas organizações sindicais se foram transformando em albergues de inutilidades, enquanto o quotidiano dos professores se foi tornando cada vez mais penoso. Porque em lugar de promover avanços nas condições de trabalho dos professores, os sindicatos do sistema se foram contentando, apenas, com atrasar os retrocessos.
Porque se instituiu um modus operandi que se repetiu ao longo dos anos. Primeiro apresentam-se cenários horríveis. Depois vive-se um ritual hipócrita de prolongadas e falsas negociações e caricaturais protestos (abaixo-assinados, cordões humanos, marchas, vigílias e demais diletâncias). No fim, o ministério ganha e os sindicatos também: o primeiro por ter pregado mais um prego no nosso caixão; os segundos por terem “evitado o pior”, expressão laudatória das suas sucessivas vitórias de Pirro. Só os professores têm perdido. Perdido sempre, desde 2005!
E sendo a gestão da percepção pública um importante instrumento político, João Costa tem tido, nesta ineficaz oposição sindical, um instrumento importante para disfarçar a mediocridade da sua acção e manipular à vontade a opinião pública. Quando lhe ouvi o topete, na última sexta-feira, de acusar o nosso Colega André Pestana de não dizer a verdade, o meu pensamento voou para Alexander Solzhenitsyn, que magistralmente caracterizou, assim, situações idênticas à que ora vivemos:
“Sabemos que nos mentem. Eles sabem que nos mentem. Eles sabem que nós sabemos que nos mentem. Nós sabemos que eles sabem que nós sabemos que eles nos mentem. E, mesmo assim, eles continuam a mentir.”
Mas aqui estamos, finalmente a resistir, a levantar-nos do chão e a dizer não!
Não à proposta ministerial para alterar o regime de recrutamento e mobilidade dos professores!
Não à selecção de professores por conselhos locais de directores!
Não à substituição de quadros por mapas!
Não às 23 comunidades intermunicipais!
Não ao desaparecimento da natureza nacional dos concursos e da mobilidade interna dos professores!
Não à remoção da habilitação profissional para o desempenho da actividade docente!
Não à perda do direito inaliável de escolher o local onde se trabalha!
Não a uma engenharia de gestão, que subordina os mais elementares direitos, humanos dos professores e à educação dos alunos, aos mais mesquinhos interesses da austeridade da página virada.
Não à transformação do regime da Mobilidade por Doença num concurso canalha e desumano, que atirou para a sargeta da vida os professores mais frágeis e as suas famílias, negando-lhes direitos constitucionalmente protegidos!
Não ao roubo do tempo de serviço efectivamente prestado!
Não à desregulação sistemática dos horários de trabalho!
Não às vagas e quotas para progressão na carreira!
Não à iniquidade da Avaliação do Desempenho!
Não à precariedade!
Não à recusa de instituir um regime específico de aposentação, que permita o rejuvenescimento da profissão!
Não à substituição de pessoas por algoritmos!
Apaziguada que está a raiva que me foi crescendo nos dentes ao longo destes 17 anos de magistratura de ministros ignorantes, deixem-me terminar, abraçando-vos com palavras. Palavras que vêm do fundo do meu coração. Palavras de reconhecimento e gratidão pela obra que os professores portugueses ergueram em 48 anos de democracia.
Olha, Professor ofendido:
Se eu fosse músico, apanhava todos os sons do riso das crianças, mais os gritos de raiva que abalam a injustiça, o bater do coração que finalmente alcança, juntava tudo num cantar de esperança e, neste dia, enchia com ele o ar à tua volta.
Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um…
Podia ser pintor e agarrar o Sol, o Mar e o Voo, meter-lhes dentro a alma da tua Escola, marcá-los com o brilho dum olhar – claro como gelo ao sol do despertar, quente como fogo a arder no peito de quem vive – e encher com as suas cores o espaço do teu mundo.
Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um…
Se eu fosse escritor, sim! Inventava as palavras que dizem a Justiça por que anseias – desde a raiz da Vida até ao fim do Tempo –, as mesmas palavras que dizem Liberdade e Razão, e com essas palavras que inventasse, fazia da Vida que constróis o teu Poema.
Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um…
Mais um que resiste! Mais um que não desiste! Mais um que está convosco até ao fim! Até vencermos!
Vivam os Professores!
Vivam os nossos alunos!
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Dez 18 2022
Com a publicação da Resolução nº 123/2022 do Conselho de Ministros, em 14 de Dezembro de 2022, que prevê o reforço da capacidade de intervenção das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), e pelo expresso nessa deliberação no domínio da Educação, parece ter começado, oficialmente, o processo de desmantelamento da Escola Pública…
Adivinha-se que a prevista descentralização administrativa, alegadamente realizada através da transferência de competências para as CCDR, conferindo a essas entidades novas atribuições e poderes, possa, com grande probabilidade, conduzir a Escola Pública ao desastre e à respectiva destruição…
Na prática, esta nova jurisdição concedida às CCDR poderá significar a entrega de parte significativa da Escola Pública ao Poder Regional ou Local, designadamente a competência da gestão dos respectivos recursos humanos e materiais, que passará a ser partilhada entre a DGEsTE e as referidas Comissões, conforme consta na mencionada Resolução:
“Acompanhar, coordenar e apoiar a organização e funcionamento das escolas e a gestão dos respectivos recursos humanos e materiais, promovendo o desenvolvimento e consolidação da sua autonomia”…
Perante o anterior, e por ser praticamente impossível desligar a concepção de Poder Regional da de Poder Local, ou ignorar as plausíveis relações de reciprocidade entre ambos, emergem algumas perplexidades, decorrentes de alguns dados preocupantes e inquietantes…
– Num artigo publicado em 9 de Junho de 2019 pelo Jornal Diário de Notícias, intitulado “Metade dos casos de corrupção tem origem em autarquias”, referia-se que o Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC, entidade administrativa independente que funciona junto do Tribunal de Contas) analisou em 2018 um total de 604 casos relacionados com essa criminalidade:
– 48% ocorreram em autarquias, o que representava a maior percentagem de sempre, constatando-se também que os casos reportados relacionados com os municípios tinham vindo a subir: 32.9% em 2015, 35% em 2016, 44.6% em 2017 e 48% em 2018;
– Também de acordo com o referido artigo: “48% (num total de 288) estão relacionados com autarquias, a maioria provenientes de câmaras municipais (223), seguidos de juntas de freguesia (56) e de empresas municipais (9)”;
– Por outro lado, em notícia veiculada pelo Jornal Expresso em 16 de Março de 2021, referia-se que o Relatório do mesmo CPC, relativo aos dados reportados em 2020, “enfatiza que a área da Administração Local é, uma vez mais, a que surge mais representada, estando associada a mais de metade (51,8%) dos reportes judiciais”;
– Mais se afirmava que: as “autarquias lideram as queixas, mas mais de metade acabam em arquivamento. Corrupção e peculato dominam os motivos para abertura de Processos.”
– Na mesma notícia, referia-se ainda que a ausência de indícios ou elementos probatórios e as dificuldades na realização da investigação criminal para a recolha de indícios e provas nestes crimes económico-financeiros, foi a explicação dada pelo CPC para o arquivamento de 52% das queixas e para a condenação apenas de 10 processos abertos em tribunal…
Em resumo, não pode deixar de causar muita apreensão a possibilidade de a descentralização administrativa da Escola Pública, agora anunciada, venha a ser dominada pelosdesígnios de potenciais caciques políticos, quase sempre muito ávidos de poderem exercer a respectiva influência e sobre os quais recaem, muitas vezes, as mais variadas suspeitas da prática de actos ilícitos…
Num país onde falta “maturidade democrática” e onde o lobbying raramente é assumido de forma transparente e lícita, o mais comum é criarem-se teias de interesses, de influências e de pressões, quase sempre exercidas na tentativa de interferir na tomada de determinadas decisões, com o intuito previsível de conseguir obter vantagens ou benefícios, individuais ou de grupo, muitas vezes ilegais e clandestinos…
Num país de “comadres e de compadres”, costuma ser muito fácil resvalar para o estabelecimento de relações duvidosas, obscuras e “perigosas”, frequentemente dominadas por interesses do clientelismo partidário…
– Nos termos anteriores, será possível, à partida e de forma generalizada, confiar na idoneidade, nos princípios éticos e morais, na credibilidade e na boa-fé dos dirigentes do Poder Regional e Local, qualidades imprescindíveis ao desempenho dos respectivos cargos?
– Ainda que as condenações em Tribunal apresentem uma baixa percentagem, pelos motivos apontados no Relatório do Conselho de Prevenção da Corrupção publicado em 2021, será possível ignorar as muitas suspeitas de corrupção, peculato, participação económica em negócio ou abuso de autoridade/poder, que recorrentemente são dadas a conhecer pelos meios de comunicação social, envolvendo titulares de cargos do Poder Local?
– As CCDR, agora investidas de novos poderes e de uma renovada orgânica, conseguirão resistir e não ceder à tentação de se servirem da Escola Pública, em prol de determinados interesses e directrizes partidários?
Todas as reservas anteriores, relativas ao funcionamento futuro das CCDR, aliadas à sobranceria e arrogância políticas, bem visíveis no 1º Ministro António Costa à data presente, talvez excessivamente confiante na maioria absoluta em termos parlamentares, permitirão prever o pior para a Escola Pública até ao final da presente Legislatura…
Bastará atentar no teor da entrevista concedida por António Costa à Revista Visão, publicada em 14 de Dezembro de 2022: “Vão ser quatro anos, habituem-se!”, para se perceber o actual retrato político do 1º Ministro e o que isso poderá significar, designadamente para a Escola Pública…
O actual movimento de contestação às Políticas Educativas, desarrazoadas, obstinadas e alheadas da realidade que se vive nas escolas, impostas pelo Ministro da Educação João Costa, não pode parar, sob pena de a Escola Pública ficar “reduzida a cinzas” e de, irremediavelmente, se cumprir o que começou a ser desenhado por Maria de Lurdes Rodrigues entre 2005 e 2009…
Os profissionais de Educação não podem continuar a “pagar a factura” da incompetência alheia…
Nota final: “Foi bonita a festa, pá” (Chico Buarque)
Na Manifestação deste Sábado em Lisboa, o que eu senti foi essencialmente isto:
Um verdadeiro “mar de gente” unida, como há muito tempo não se via!
(Paula Dias)
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Dez 17 2022
O líder do Stop diz-se surpreendido com a adesão à manifestação de professores. Pré-avisos de greve mantêm-se. Encontro nacional marcado para 27 de Dezembro.
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Dez 16 2022
O ministro da Educação, João Costa, mostrou-se esta sexta-feira surpreendido com a greve de professores em curso, argumentando que estão a decorrer negociações com os sindicatos, nas quais o executivo está de boa-fé.
Em declarações aos jornalistas após ter sido vaiado por dezenas de professores ao chegar à Escola Secundaria Marques de Castilho, em Águeda, distrito de Aveiro, o governante referiu-se a uma “guerra de sindicatos” para alegar que os representantes dos professores não estão todos unidos nos protestos.
Referindo-se à greve em curso desde 09 de dezembro, convocada pelo Sindicato de Todos os Professores (STOP.), o ministro acusou o dirigente sindical André Pestana de mentir, garantindo que não há qualquer processo de municipalização da contratação de professores.
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Dez 15 2022
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Dez 15 2022
Protesto é agendado pelo sindicato STOP, dando continuidade à paralisação que já cumpriram entre 9 e 16 de dezembro.
O Sindicato de Todos os Professores (STOP) agendou nova greve para todo mês de janeiro. A notícia foi confirmada à Renascença por fonte sindical.
O protesto dá continuidade à greve que começou a 9 de dezembro e prolonga-se até dia 16, sexta-feira, último dia do primeiro período.
Entre as principais reivindicações, o STOP aponta “questões fundamentais do passado não resolvidas”, defendendo, desde logo, a contabilização de todo o tempo de serviço, o fim das vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões e a possibilidade de aposentação sem penalização após 36 anos de serviço.
O coordenador do STOP, André Pestana, avisa que os docentes estão determinados na defesa da profissão.
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Dez 15 2022
O que está em causa é demasiado grave para que continuemos na apatia, amarrados a um sindicalismo bacoco. Felizmente são cada vez mais aqueles que publicamente demonstram o seu apoio aos professores.
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Dez 15 2022
Francisco Félix Dias é professor de Biologia e Geologia na Escola Secundária de Peniche e o facto de levar os alunos a visitar a natureza terá sido uma das razões que o levou a ganhar o prémio Professor do Ano 2022 da Casa das Ciências. “Como a minha escola está muito próxima da zona litoral, tudo o que for possível fazer em aula de campo, nomeadamente no que respeita à geologia, é a principal estratégia”, contou o premiado ao JN.
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Dez 14 2022
Adesão à greve por tempo indeterminado convocada pelo Stop tem sido particularmente forte nas regiões do Grande Porto, Grande Lisboa e Algarve, informa dirigente sindical.
“Não aceitamos que nos atropelem mais.” O desabafo é de uma professora da Escola Secundária de Alpendurada, Estela Freitas, que cumpre nesta quarta-feira o seu quarto dia de greve, em conjunto com muitos dos docentes do agrupamento situado no concelho de Marco de Canaveses.
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Dez 14 2022
Publicam-se as Listas Definitivas dos candidatos admitidos, excluídos e selecionados referentes ao Procedimento Concursal com vista à constituição de uma bolsa anual de docentes para o exercício de funções no Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste, em 2023.
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Dez 14 2022
O Ministro da Educação, quiçá, deveras preocupado com os Professores, indivíduos, plausivelmente, tidos por si como influenciáveis, vulneráveis, indefesos e tolos, afirmou recentemente que:
“Os professores estão a ser vítimas de uma campanha de manipulação por parte dos sindicatos que nós obviamente rejeitamos!” (João Costa no Twitter, em 12 de Dezembro de 2022)…
Professores, confiais nas palavras do Ministro que tutela a vossa actividade profissional?
Professores, acreditais na pretensa preocupação do Ministro que tutela a vossa actividade profissional?
Professores, considerais esta afirmação do Ministro que tutela a vossa actividade profissional como genuína e sincera ou, até mesmo, como comovente e enternecedora?
Professores, conseguistes evitar um esgar sarcástico ou um sorrisinho maroto, após a leitura da referida afirmação do Ministro que tutela a vossa actividade profissional?
Os Professores que, em remota hipótese, possam ter respondido “Sim” a todas as questões anteriores, correrão o risco sério de serem considerados como uns “anjinhos” e não se espera deles que façam qualquer tipo de Greve, nem que contestem o que quer que seja que o Ministro decrete…
Os Professores que tenham respondido “Não” a todas as questões anteriores, não poderão ser considerados como “vítimas” por ninguém, estarão bem “acordados” e parecem dispostos a lutar por aquilo em que acreditam, nomeadamente através da adesão à Greve por tempo indeterminado…
Os Professores que tenham respondido “Não” a todas as questões anteriores, acreditarão na luta pelos seus direitos e pretensões e não vão em balelas, destinadas a disfarçar o medo da contestação e o seu êxito…
Os Professores que tenham respondido “Não” a todas as questões anteriores, não “atiram a toalha ao chão”, não desistem da luta e não se resignam…
Professores, por vós, não sejais “anjinhos”!
(Paula Dias)
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Dez 13 2022
Desdobramento de turmas só é possível se as unidades tiverem um parecer favorável da Anqep. Diretores criticam documento enviado já depois da aprovação de horários.
Há diretores e professores aflitos por considerarem não ter outra solução senão cortar nas aulas práticas dos cursos profissionais. Alertam que os milhões da “bazuca” destinados aos centros tecnológicos vão acabar por não ser devidamente aproveitados pelos alunos, que passarão a ter mais horas teóricas em salas normais por muitas unidades não terem desdobramento de turma. É uma troca de acusações entre escolas e tutela, que já levou um grupo de pais a lançar uma carta de repúdio.
O Ministério da Educação garante que não aprovou novas regras. Até ao ano letivo anterior, as escolas tinham de indicar e solicitar autorização para as disciplinas que queriam lecionar com as turmas divididas, mas, em agosto passado, receberam um documento que já lista as unidades com parecer favorável para o desdobramento e só algumas obtiveram esse aval.
A intenção era “agilizar” o processo e evitar que os diretores pedissem desdobramentos para unidades com parecer desfavorável, depois de, no ano letivo passado, o número de pedidos ter “disparado”, explicou o ministério ao JN, sem revelar valores. Diretores e professores garantem que a avaliação feita pela Agência Nacional de Qualificação (Anqep) é “incoerente” e vai ter consequências na qualidade do ensino.
“O vólei tem parecer favorável, mas o basquetebol não; o futebol tem, o râguebi não. Não faz sentido e há exemplos em todas as áreas”, aponta Luís Samuel Fabião, subdiretor da Secundária Rocha Peixoto, na Póvoa do Varzim, que tem 17 turmas em cursos profissionais. “Como é possível Higiene e Segurança no Trabalho, uma unidade teórica, ter parecer favorável [para desdobramento] e todas as unidades de Eletrónica Digital, que são aulas práticas, não? Máquinas Elétricas de Corrente Contínua não têm e de Corrente Alternada sim”, critica Ricardo Pereira. Para o professor de Eletrónica, o objetivo é a “redução” de docentes.
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Dez 13 2022
Há uns anos a professora de matemática dos meus filhos (com a qual ninguém na turma precisava de explicações privadas ) encontrou-me no supermercado e disse-me que tinha pedido a reforma antecipada. Não se podia fazer nada inovador, “interessante com os miúdos”, não por causa dos miúdos! – ela tinha sido transformada numa “máquina de preparação para exames”, “deixou de ter pachorra” – “o director até me chamou para perguntar porque eu tinha ido para o pátio, onde havia um pequeno lago redondo”, explicar, se me lembro bem, algo como cálculo de formas geométricas. Com cada vez menos autonomia, imposta pelos directores nomeados e pela padronização “por baixo” dos exames, ela, cuja função era ensinar matemática a toda a turma, de forma apaixonante, desistiu.
Estávamos então a fazer o inquérito às condições de trabalho dos professores, em que 19 mil responderam a 158 questões (uma taxa muito superior a qualquer sondagem realizada em Portugal), a taxa dos que desejavam reformar-se era mais de 80% bem como de exaustão emocional – mais de 70%. Uma professora escreveu-nos, está publicado no livro do estudo, que saiu há 2 meses, que se sentiu mais acarinhada no IPO, onde tratava um cancro, do que na escola…Temos dezenas de testemunhos de professores que preferiram sair com menos dinheiro do que continuar a exercer “uma mentira”, em péssimas condições, depois das reformas Crato/Lurdes Rodrigues. Uma delas foi minha professora de história, cuja paixão e seriedade com que ensinou na escola pública foram determinantes para a minha vida. Agradeço-lhe, para sempre.
Não há progressão na carreira e isso acabou com a carreira – os professores de facto ficam toda a vida a ganhar o mesmo (1200 ou 1400 euros, hoje um salário mínimo em Lisboa ou Porto), porque através da avaliação individual de desempenho com quotas apenas um ou dois – e de acordo com a pontuação da escola ( o que inflaciona as notas, obrigando-os a mentir nas avaliações, segundo os testemunhos que recolhemos) – progredirem. Pode haver 20 excelentes, mas só um pode passar. Imaginem eu dizer isto aos meus alunos, vão fazer um teste, todos podem ter 20, mas só um terá direito a passar com 20. Uma criança de 6 anos acharia uma injustiça, o Ministério e o Governo não.
Acresce que a reforma agora é calculada de acordo com média dos 14 melhores anos – ou seja, vão ter uma vida triste sem acesso a bens de lazer na reforma.
À falta de autonomia, aos directores nomeados em vez de eleitos pelos pares, à ausência de cooperação imposta pela avaliação de desempenho, aos programas de “aprendizagens essenciais” (pressionados pelos empresários que querem trabalho barato) que retiram toda a paixão do conhecimento, ficando “tarefas” e “competências” desinteressantes, para alunos e professores, que aumentam a indisciplina, junta-se a cereja no bolo – a municipalização das escolas, em que deixa de haver um concurso onde são colocados pelas notas e passam a ser escolhidos, por um grupo de “notáveis” – sabe-se o futuro, a passar esta lei, os municípios mais ricos vão escolher e pagar mais a alguns professores, os outros vão sendo colocados em escolas piores, no fundo aquilo que já se fazia com as turmas – A para os melhores até ao J – para os desgraçados – passar a ser o modelo nacional. A isto vai-se juntar o apadrinhamento político, a perseguição, os favores, o assédio, como vão estes professores, na mão de empresários/municípios, que decidem os seus destinos, fazer greve ou contestar seja o que for?
O que está em causa nas escolas não é mais um retrocesso social imposto aos professores. É a destruição completa do que resta da escola pública onde ainda havia nichos de qualidade – os professores serão uma espécie de ubers da educação, levados de vila para vila, serão prestadores de serviços. Daí a importância, para todos nós, desta greve. Como mãe usei todas as estratégias individuais e privadas para dar a melhor educação aos meus filhos e “safei-os”, em parte, da degradação a que fui assistindo como investigadora. Mas como cidadã deste país digo-vos que as nossas soluções individuais – recorrer as explicações ou colocá-los em escolas privadas muito boas – além de caríssimas, não resolvem a questão fundamental do país. E por isso não resolvem os problemas dos nossos filhos. Que país queremos para eles?
A escola precisa de olhar os professores como intelectuais (sim, é uma profissão intelectual), com autonomia, recuperar a noção de currículo contra as “competências”, dar espaço pedagógico para que as aulas sejam apaixonantes, isso só se faz com conhecimento denso e profundo, precisa de ser uma escola que não desiste nem nivela por baixo, mas que ensina o melhor de tudo a todos (qualidade massificada, sim!); precisa de voltar a ter gestão democrática, eleição entre pares, avaliação colectiva, progressão sem quotas, cursos superiores com componente científica de 5 anos (e não de 3), e é preciso discutir de uma vez por todas se queremos ou não dar o melhor de qualidade a todos ou nivelamos sempre por baixo adaptando o currículo ao mercado de trabalho, pobre e desinteressante. Os notáveis, e os municípios, na sua maioria, são empresários que querem trabalho barato e pouco qualificado e os professores, com a municipalização, são uma peça deste jogo.
A escola tem que debater e combater (é isso que esta greve faz!) a transformação dos professores em ubers digitais que formam alunos ubers digitais. A escola, afirmou-se, contra Deus e o Mercado, em defesa do Conhecimento, não pode servir o Mercado, tem que servir o conhecimento.
Este é um debate por se fazer em Portugal, a greve que está em curso coloca o dedo na ferida de algumas destas questões e demonstra que, ao contrário de uma parte do país dirigente, contente com este rumo, os professores querem transformar e questionar decisões, tomadas sem os ouvir, sem os compreender, sem os escutar. Têm o meu apoio. A escola serve para dar aos alunos o melhor do conhecimento produzido pela humanidade, não serve, não pode servir, o Mercado. O Mercado tem que ser dominado pela democracia e pelo conhecimento.
Não são os professores que devem ser escolhidos pelos “notáveis”, são os notáveis que devem ser escolhidos pelos professores. E assim deixariam de ser notáveis, que no fundo, é a Democracia.
Raquel Varela
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Dez 12 2022
Os professores têm quase duas décadas de devassa mediática da sua profissionalidade e de acção contra as políticas aplicadas pela primeira maioria do PS (2006) com consequências graves e indesmentíveis. E estão também cansados de palavras inconsequentes.
Para além disso, a repetida crítica a blogues e movimentos já tem história desde 2008; e olhe-se para onde estão agora os diversos protagonistas para se perceber como eram infundadas a maioria das críticas à cidadania dos professores.
Por outro lado, depois da tal maioria do PS governou uma coligação PSD e CDS (com muitos dos novos partidos mais à direita como dirigentes ou fervorosos apoiantes), seguiu-se uma coligação PS, BE e PCP e voltámos a outra maioria PS. E nada mudou: pelo contrário.
Por isso, é crucial a resposta à interrogação: onde estavas em 2009, 2013, 2018 e 2022? Depois, a objectividade exige a publicação de opinião sobre a recuperação do tempo de serviço, a carreira, a avaliação, a gestão das escolas e os concursos.
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Dez 12 2022
Estão envolvidas nas buscas equipas de investigação criminal, patrulhas cinotécnicas e Escola Segura.
A GNR realizou buscas, no âmbito da fiscalização e prevenção de crimes, na escola Adolfo Portela, em Águeda, desde o início desta manhã de segunda-feira.
A operação teve como objetivo principal a deteção de armas ilegais na posse de alunos.
Estiveram envolvidos nas buscas 24 operacionais e oito binómios, conjunto formado por dois elementos, neste caso o homem e o cão.
Não foram detetadas armas nas buscas. Um aluno tinha na sua posse 10 gramas de estupefacientes, uma quantidade que não é considerada crime, pelo que o aluno foi, apenas, identificado.
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Dez 12 2022
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou hoje que os professores se queixam “muitas vezes com razão das suas condições”, ao ser recebido em Ourém com um protesto de docentes.
O chefe de Estado adiantou que os docentes “estão a pensar, sobretudo nos professores do básico e do secundário”, mas o problema é geral “a todos os graus de ensino”.
“É uma preocupação, em muitos casos, muito justa”, declarou, considerando que “os professores são do mais importante” que o país tem, “conjuntamente com o pessoal de saúde, dentro da função pública, porque tudo começa na saúde e depois continua na educação”.
Para Marcelo Rebelo de Sousa, as duas áreas “estão muito ligadas e são fundamentais para garantir a justiça, a igualdade e o progresso do país”.
À chegada, professores e alunos cantaram os parabéns ao Presidente da República, que completa hoje 74 anos, e uma professora em protesto entregou ao Presidente da República livros escritos por um aluno da escola.
“Esses são os méritos da escola”, declarou a docente ao chefe de Estado, ao que Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou: “Em particular da escola pública”.
Sobre a oferta, disse que “é o melhor presente” que lhe podiam dar.
“Eu adoro livros, sou professor, e um livro de um aluno quer dizer muito sobre aquilo que os professores fazem todos os dias e, muitas vezes, em condições dificílimas”, referiu, apontando, por exemplo, a pandemia de covid-19 ou os problemas que têm no seu estatuto.
Cerca de 40 professores concentraram-se hoje junto à Escola Básica e Secundária de Ourém, no distrito de Santarém, onde o Presidente da República está a dar uma aula debate.
O S.TO.P. convocou uma greve por tempo indeterminado, desde 09 de dezembro, em protesto contra as propostas de alteração aos concursos e para exigir respostas a problemas antigos.
Em comunicado, o sindicato, que representa cerca de 1.300 docentes, refere que a “forma de luta inédita” resulta de uma sondagem realizada no blogue ArLindo, em que 1.720 pessoas apoiaram a realização de uma greve por tempo indeterminado.
Entre as principais reivindicações, o S.TO.P. aponta “questões fundamentais do passado não resolvidas”, defendendo, desde logo, a contabilização de todo o tempo de serviço, o fim das vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões e a possibilidade de aposentação sem penalização após 36 anos de serviço.
Critica também as alterações recentes ao regime de mobilidade por doença, as ultrapassagens na progressão da carreira docente e reivindica soluções para os professores em monodocência e uma avaliação sem quotas.
A greve é igualmente uma resposta às propostas do Ministério da Educação para a revisão do regime de recrutamento e mobilidade do pessoal docente, que está a ser negociada entre a tutela e os sindicatos do setor.
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Dez 12 2022
Os técnicos especializados da educação que exercem funções nas escolas, sob alçada do Ministério da Educação, continuam a exercer as suas intervenções em condições precárias, sujeitos a mecanismos de contratação completamente desajustadas das reais necessidades das escolas.Por sua vez, centenas de técnicos superioresficaram vinculados em escolas muito distantes da sua residência e família, estando também sujeitos a condições de trabalho e vida ainda muito difíceis, sendo mesmo considerado um atentado aos direitos fundamentais contemplados na diretiva comunitária de 2 de agosto, que promove a conciliação entre a vida familiar e profissional.
Apesar das inúmeras tentativas de comunicação com as várias entidades responsáveis, apelando ao bom senso, e mesmo depois de os técnicos manifestarem ao Ministério da Educação a sua abertura para a negociação de formas de contratação e vinculação e para a possibilidade de consolidarem mais perto da área de residência, continuam a ser ignorados e maltratados por um ministro que se diz preocupado com a saúde mental dos alunos e da comunidade educativa.
Como forma de demonstrar o seu descontentamento, os técnicos da educação, nomeadamente psicólogos, terapeutas da fala, assistentes sociais, intérpretes de língua gestual portuguesa, educadores sociais, entre outros, agendaram uma manifestação para dia 17 de dezembro, às 11h00 , em frente à câmara municipal do Porto, tendo subjacente o fim da precariedade, a conclusão do PREVPAP, o direito à consolidação perto da zona de residência, o direito a uma mais rápida progressão e à criação de uma carreira especial na qual esteja salvaguardada o acesso a uma profissão condigna.
Para além disso, são autores de duas petições públicas nas quais podem ser percebidas as verdadeiras razões pelas quais os técnicos estão insatisfeitos, começando a verificar-se a sua saída do Ministério da Educação para outros ministérios, ficando os alunos com graves lacunas a nível da intervenção especializada.
Apelamos à solidariedade de toda a comunidade educativa para que assine as petições e para que nos ajudem a divulgá-las.
Para o Direito à Consolidação da Mobilidade Geográfica
https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT114380
Pela não inclusão dos técnicos no processo de municipalização
https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT114381
Juntos podemos contribuir para mudar o rumo do estado atual da Educação em Portugal.
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Dez 11 2022
Fenprof contra paralisação por tempo indeterminado e táticas utilizadas nesta paralização.
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) está a contestar a opção pela greve por tempo indeterminado, marcada pelo Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P.) e em vigor desde quinta-feira.
“Não chegámos a um ponto de rutura para fazer greve por tempo indeterminado. Não contestamos a legitimidade da greve e percebemos quem adere, porque há muita insatisfação, mas a forma como está a ser concretizada.
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Dez 11 2022
A classe docente tem sido, sucessivamente, sobretudo durante as duas últimas décadas, altamente atacada e desprestigiada, pelos diversos governos, sem que tenha podido contar com ajuda significativa dos sindicatos na defesa dos seus interesses. Nas grandes manifestações de 2008, os sindicatos foram apenas arrastados , pois foram incapazes de, com firmeza, indicar o caminho. Bem sabemos que o core da sua existência são os problemas não resolvidos. Mas é demasiado evidente a letargia em que caíram, que visa garantir os próprios lugares atuais dos seus dirigentes e as suas possíveis ambições futuras.
O último trimestre de 2022 será recordado para sempre como sendo o período em que, mais uma vez, os professores se acobardaram, por serem seguidistas dos sindicatos do sistema, manietados aos partidos.
Mais do que falar das atitudes do ministro, que num dia diz uma coisa e no outro o seu contrário, quero focar-me na atitude dos meus colegas professores.
Sobre a gravidade da situação já aqui comentei, sobre a postura dos professores fá-lo-ei nas próximas linhas, como forma de autocrítica e dando conta de que de uma maneira geral cada um tem aquilo que merece.
O enraizamento na classe docente à postura a que costuma chamar de “professor missionário” tem ajudado à degradação e ao próprio desprestígio da classe docente. A transformação profissional que nos foi sendo incutida com as políticas públicas da escola a tempo inteiro, da escola como suporte socioeconómico, como cuidadora ou mesmo guardadora dos alunos, têm-nos feito caminhar para a proletarização da profissão. Deixámos de ser professores para ser missionários, deixámos de ser intelectuais para sermos executadores de fim de linha. Uma transformação consumada, sem que tivesse havido sobressaltos de estranheza e resistência.
Quando o ministro da Educação tem afirmações que colocam em causa a idoneidade e seriedade dos professores, numa ação concertada para os espezinhar, poucos são os que se revoltam, poucos são os que chegam a sentir. E como diz o ditado, quem não sente não é filho de boa gente. Perante tal apatia, cresce a arrogância e a prepotência em forma de continuadas afirmações, que diminuem a nossa imagem social. Como dizia a malograda Maria de Lurdes Rodrigues, perdendo os professores mas ganhando os pais, para, enfim, poder delapidar a profissão.
Perante as atrocidades que o ministro pretende fazer à carreira docente, com consequências de gravidade máxima na vida de milhares de professores, e constatando que os sindicatos do sistema se acobardam de agir assertivamente, o que fazem os professores?
Acobardam-se igualmente! Ao invés de, corajosamente, agirem em concordância com tamanhas intenções maliciosas, ajudados pelos pré-avisos de greve por tempo indeterminado do irreverente e menosprezado sindicato S.TO.P, preferem fingir que o problema não é deles. Descosem-se em desculpas do mais caricato que possa existir e ainda acusam os sindicatos de nada fazerem.
Todos os governos percecionam esta apatia globalizada na classe e só por isso se sentem poderosos o suficiente para fazerem de nós aquilo que quiserem. Mal sabemos a força que poderíamos ter se assim quiséssemos, se conseguíssemos ser livres e informados, como convinha que fossemos. Pela profissão que desempenhamos, poderíamos parar o país e obrigar qualquer governo, com ou sem maioria, a ouvir e atender as nossas reivindicações.
Deixemos as missões para os missionários, assumamos a nossa condição de professor, encaremos a nobreza da nossa profissão, respeitando-a.
Durante décadas, a ideia de professor missionário foi passando e agora até temos colegas que vêem com algum desdém aqueles que tentam, aqui ou ali, acordá-los da letargia em que se encontram e com eles todo o ensino!
O prestígio de uma classe constrói-se mostrando caráter. Constrói-se de dentro para fora, somos nós que temos de mostrar que respeitamos a profissão e por isso exigimos ter uma palavra a dizer. Mesmo que o caráter tenha faltado vezes de mais aos dirigentes sindicais, que deram por estes dias mais um sinal disso mesmo, exceção feita ao S.TO.P., que tem tentado fazer aquilo que ainda não foi feito, mas que se vê boicotado pelos demais, devemos ser nós a agir. Não podemos ser carneiros seguidistas de um qualquer sindicalista manietado.
Soltemo-nos, libertemo-nos das amarras que tão pouco ou nada têm feito por nós.
Custa-me muito perceber que a culpa de estarmos onde estamos é sobretudo nossa, dos professores. Dos apáticos, dos que se descosem em desculpas para se manterem inertes, dos missionários, dos executadores.
É de forma consciente que afirmo que a culpa de estarmos nesta situação é dos professores. Porque acham que, dando um exemplo, somos a única classe profissional que não viu recuperado o tempo de serviço? A hora de agir é agora, não em março, numa qualquer manifestação primaveril, com o folclore habitual.
Se não agirmos agora, se não mostrarmos que estamos efetivamente contra todas as alterações que o ministro quer impor, teremos aquilo que merecemos.
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Dez 10 2022
“Educação não transforma o mundo. Educação muda Pessoas. Pessoas transformam o mundo.” (Paulo Freire)
“É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.” (José Saramago)
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Dez 09 2022
A greve de professores que teve início, esta sexta-feira, por melhores condições de trabalho está a ter uma adesão elevada, disse fonte do Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P), que decretou esta paralisação, que durará por tempo indeterminado.
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Dez 09 2022
O poder de influenciar mudou de instituições estabelecidas para redes dispersas. As redes sociais permitem que se influencie de um modo que seria impensável na entrada do milénio.
É notório que a educação está novamente num impasse que anuncia uma convulsão com resultados imprevisíveis. O Governo terá de recuperar o tempo de serviço dos professores e a plataforma sindical não poderá assinar uma versão que não o contemple. E se a mesa negocial voltou a não valorizar (como em 2008) as redes sociais e a saturação dos profissionais, o executivo adiou o inadiável. Agravar-se-á se a entrada no quadro de professores não continuar a obedecer a um concurso nacional por lista graduada.
Para além disso, há quem pense erradamente que é suficiente esperar pela reforma da geração que está nos últimos 3 a 7 anos de exercício. Se essa geração trabalhou mais 10 a 15 anos que a anterior, e sofreu tantos outros efeitos austeros ou de excessos ideológicos, a geração que tem que percorrer 10, 15 ou mais anos foi também alvo da não contagem do tempo de serviço, das cotas e vagas na avaliação kafkiana, de outros travões na carreira, da condição de contratado anos a fio e de um impensável clima de parcialidade.
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