Decisão sobre a reabertura das escolas não é unânime

Emergência. As novas medidas que não são unânimes

O Governo está a preparar o calendário da reabertura de algumas atividades, mas médicos de saúde pública pedem cautela no alívio das restrições. Nas escolas, o facto de haver mais turmas pode exigir a contratação de professores.

As medidas para o começo do regresso à normalidade são anunciadas esta quinta-feira, mas as novidades já vão surgindo a conta-gotas – com aplausos de uns e reticências de outros. Em cima da mesa está a passagem do estado de emergência para o estado de calamidade, que traz consigo algum alívio das medidas restritivas. E, ontem, António Costa adiantou que a intenção do Governo nos próximos dias será a de “fixar o calendário para o que pode abrir a 4 e a 18 de maio e a 1 de junho”. O primeiro-ministro avança, no entanto, com cautela e garantiu que “se as coisas correrem mal” é preciso “dar um passo atrás”. “Todas as semanas iremos avaliando para ver se o passo que demos não foi maior que a perna e se podemos continuar a avançar com confiança e segurança neste processo”, acrescentou António Costa. O primeiro setor a abrir deverá ser o pequeno comércio.

No entanto, os médicos de saúde pública pedem cautela. Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, explicou que é preciso ter em conta que o número de novos casos de infeção nos últimos dias, apesar de não se ter registado um aumento exponencial, não diminui de forma clara. “A situação epidemiológica, apesar de estável, não sofreu uma evolução muito grande desde que foi feita a avaliação que levou ao prolongamento do estado de emergência”, esclareceu ao i Ricardo Mexia.

O médico especialista em saúde pública considera que dificilmente “a situação será descrita de forma substantivamente diferente daquela que tínhamos até à data da avaliação anterior” e que, por isso, “do ponto de vista da saúde pública não é possível reduzir já todas as medidas que foram colocadas”. “Não é tempo de prescindir de medidas e, a haver levantamento do estado de emergência, é importante que seja claro para todos quais são as medidas a ser implementadas em contrapartida porque, para essas maiores atividades passarem a funcionar, vamos ter de encontrar algo que equilibre esse maior funcionamento também”, acrescentou.

Contratação de professores pode ser necessária Marques Mendes, durante o seu habitual comentário na SIC, começou a levantar o pano e avançou algumas das propostas que estão em cima da mesa. Marques Mendes, aliás, parte do princípio de que é necessário “tratar da economia sem descurar a pandemia”.

Um dos setores que têm gerado mais discussão é precisamente o do ensino. Nesta área, segundo foi avançado, “haverá aqui uma preocupação do Ministério da Educação de fazer uma alteração dos horários escolares por forma a desfasá-los dos horários de ponta dos transportes públicos. Por exemplo, começar as aulas não logo de manhã, mas a meio da manhã”.

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