As escolas e a comunidade não estão preparadas para o regresso em setembro

 

Espera-nos um regresso que nada poderá ter a ver com o passado. Quando voltarmos às escolas não seremos os mesmos que de lá saíram a 13 de março, as crianças também não o serão, com certeza.

Acreditemos ou não, esta crise sanitária vai-se prolongar por um ano ou um ano e meio. Entre se conseguir produzir uma vacina e atingir uma imunidade de grupo aceitável para que o receio se desvaneça, o tempo vai passar. Entretanto, são necessárias soluções a médio longo prazo, não vamos esperar pelo dia 31 de agosto para pensar nisso.

As regras terão que ser bem diferentes daquilo que eram. O medo vai estar presente em todos aqueles que já têm discernimento para entender a totalidade da grave situação que se vive, mas não podemos esperar o mesmo dos mais novos, dos alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo. Que soluções? O que esperar? O que fazer? Como atuar?

O pré-escolar apresenta-se como a situação mais delicada. As crianças entre os 3 e os 5/6 anos não têm a noção do perigo. Na escola estão habituados a um contacto próximo da parte dos colegas, das(os) docentes e das assistentes operacionais, até no refeitório o contacto é permanente. Como preparar os adultos (não podemos exigir às crianças que mudem os seus comportamentos do dia para a noite) para continuar o contacto exigido por esta faixa etária sem os por em risco desnecessário?

A solução não é de fácil articulação em virtude dos espaços que temos não estarem preparados minimamente para uma situação destas, mas é por isso que se tem que pensar com tempo. Será viável termos os adultos equipados com equipamento protetor dentro da sala de aula? Sim, é. (as crianças estranharão no início, mas habituar-se-ão)

As escolas vão ter que adequar os espaços para que tal seja possível. Vai ser necessário equipamento disponível, espaço para se equiparem, um espaço de “sujos” e o mais importante, formação adequada e atempada. Para esta ou outra solução, é necessário começar já.

No caso do 1.º ciclo a solução é um pouco mais simples, mas não menos complexa. Os professores e os alunos vão ter que se adaptar ao espaço que temos nas nossas escolas. As nossas salas não permitem, de forma alguma, o distanciamento social aceitável, vamos ter que adaptar os métodos e os tempos de aula. É impensável ter uma centena de crianças dentro de uma escola, ao mesmo tempo, num dia de chuva durante um intervalo. Nem num dia de Sol com espaço exterior se conseguiria controlar tão elevado número de crianças.

O desdobramento das turmas e o tempo na escola vão ser a chave de segurança que as crianças necessitam, que os professores e os pais querem. Dentro da sala de aula o professor só poderá introduzir as matérias, conteúdos, a exercitação dos mesmos terá de continuar a ser realizada à distância. Numa turma de 24 alunos, poderão existir dois períodos distintos, da parte da manhã, onde 12, de cada vez, assistirão presencialmente à aula, ficando a parte da tarde para E@D durante o qual serão acompanhados no seu estudo pelo professor.

Sendo estas ou outras soluções, uma coisa é certa, as medidas de segurança têm que ser seguidas à risca. A higienização dos espaços não chega para sossegar os espíritos. Todos nós necessitamos de formação para que a escola possa reabrir e as crianças de testes serológicos no primeiro dia de aulas.

A forma como estávamos, e estamos habituados a interagir não poderá ser a mesma.

 

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9 comentários

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    • Luluzinha on 28 de Abril de 2020 at 17:57
    • Responder

    Enfim, estou farta deste discurso repetitivo, alarmista e da catástrofe permanente. Para esta gente, já nem haveria próximo ano letivo. Aliás, não haveria próximos anos lectivos, porque os vírus, nas superfícies, desenvolvem uma capacidade de sobrevivência eterna. E ficaríamos, para sempre, reféns destas “maravilhosas” plataformas e centenas de emails semanais.

    • Alexandra Almeida on 28 de Abril de 2020 at 18:58
    • Responder

    Eu também acho que é excessivo.
    Se ponderassem em obrigar o ME a deitar no lixo as mesas duplas e a comprar carteiras individuais para os alunos, aí sim, fariam algo de útil, principalmente em prol do comportamento em sala de aula evitando as conversinhas em voz baixa.

    • Alexandra S on 28 de Abril de 2020 at 19:42
    • Responder

    Com o estado a ter que acudir a meio país há uns líricos a achar que as turmas podem ser desdobradas. Tipo 1 turma com 2 professores, no 1 ciclo. Se em zonas com muitos professores em mobilidade por doença isso até é exequível, na maioria do país não, simplesmente não há professores que cheguem, nem dinheiro para os contratar.

      • Barbeirinho on 29 de Abril de 2020 at 0:16
      • Responder

      Óbvio!

    1. É possível. Já aprendemos. Uma parte de alunos de manhã e outra de tarde. Ensino semi-presencial com uma parte a distância.

    • Pedro B. on 28 de Abril de 2020 at 22:10
    • Responder

    Não esquecer a disciplina de Educação Física, que apenas voltará à “normalidade” quando houver uma vacina viável……

      • mario silva on 29 de Abril de 2020 at 0:25
      • Responder

      Esta tem mais hipóteses de implementação, já que utiliza o pavilhão como espaço de trabalho; fica limitada nos jogos coletivos mas menos nos desportos individuais. As disciplinas de sala de aula é que será muito complicado a ‘normalidade’, por ser um espaço mais pequeno e mais fechado.

    • FIlipe on 28 de Abril de 2020 at 22:10
    • Responder

    ” A small but rising number of children are becoming ill with a rare syndrome that could be linked to coronavirus, with reported cases showing symptoms of abdominal pain, gastrointestinal symptoms and cardiac inflammation, UK health care bosses and pediatrics specialists have warned. ” ( 1 )

    Tratam o assunto do vírus como fosse a Seleção a ir jogar o Euro … força aí !

    Se soubessem metade do que se sabe hoje ou é tornado público sobre este vírus , nunca queriam ter tido filhos para os ver sofrer a vida toda .

    Não brinquem com este vírus elaborado por gente demente contra a humanidade !

    Ele irá atacar em força em meados de Maio em Portugal a continuar este abrupta soltura já eminente .

    As suas quase 30.000 bases e 15 genes , fazem dele um génio aliado do Diabo .

    1. https://edition.cnn.com/2020/04/27/health/children-covid-19-illness-intl-scli-gbr/index.html

    • mario silva on 29 de Abril de 2020 at 0:27
    • Responder

    “Na escola estão habituados a um contacto próximo da parte dos colegas, das(os) docentes e das assistentes operacionais, até no refeitório o contacto é permanente”: também se aplica aos 2º e 3º ciclos, e a muitos do secundário…

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