Uma rápida análise aos resultados dos últimos 10 anos do Ensino Secundário

Com base na análise crítica dos dados do Ensino Secundário, o cenário que se desenha é de uma evolução notável nos últimos dez anos, que está agora sob ameaça. A notícia de que as taxas de conclusão sofreram uma ligeira baixa, quebrando uma tendência positiva de sete anos, serve como um forte sinal de alerta. É inegável o sucesso a longo prazo: os Cursos Científico-Humanísticos (CCH) registaram um avanço de 22 pontos percentuais, enquanto os Cursos Profissionais (CP) evoluíram em 17 pontos percentuais nas taxas de conclusão. Este crescimento consolidado mostra que o sistema tem sido eficaz em qualificar mais jovens e reduzir o abandono escolar. Contudo, esta recente inversão sugere que fatores críticos estão a sobrepor-se aos ganhos alcançados. Os dirigentes escolares apontam o dedo a quatro problemas estruturais que penalizam o sucesso: a escassez crónica de professores, que desestabiliza o ensino e a qualidade das aulas; o modelo de exames, que gera pressão excessiva e pode desviar o foco da aprendizagem integral para o treino de provas; o modelo de financiamento, que pode ser insuficiente para dotar as escolas dos recursos necessários para responder à diversidade de necessidades; e a falta de apoios adequados aos alunos dos cursos profissionais, comprometendo o potencial de uma via essencial para a qualificação. Para reverter esta quebra e retomar a trajetória de sucesso, o foco da política educativa deve ser a estabilização urgente do corpo docente e o reforço da sustentabilidade das vias profissionalizantes, garantindo que os ganhos da última década não sejam perdidos por inação face a estas fragilidades crónicas.

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9 comentários

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    • Agnelo on 8 de Dezembro de 2025 at 20:17
    • Responder

    Os exames nacionais são o maior garante da qualidade da escola, para além do colocarem todos os alunos, ricos e pobres, públicos e privados, na mesma situação. São um fator de inclusão.

      • Luluzinha! on 8 de Dezembro de 2025 at 20:47
      • Responder

      Plenamente de acordo.

    • Mainada on 8 de Dezembro de 2025 at 20:20
    • Responder

    Embora os dirigentes escolares tenham razão (e não sei se estão a pensar na reversão do modelo de exames do 12 levada a cabo por este governo, porque é óbvio que terá um peso considerável na mudança face aos anos anteriores), um certo facilitismo na atribuição interna de avaliações ao longo do percurso escolar é, obviamente, um fator a ter em conta, talvez até mais do que os restantes. E aí a responsabilidade reparte-se entre Ministério, Direções, docentes e sociedade civil (lol), ou seja, EEs.

    • Verdades on 8 de Dezembro de 2025 at 20:25
    • Responder

    “Estabilização urgente do corpo docente…”
    E o que é isto?
    É colocar qualquer um a dar aulas?
    É fingir que qualquer um pode dar qualquer coisa?
    É abrir cursos de mestrado via ensino como nascem cogumelos?
    É meter aqueles que são “expulsos” de empresas privadas ou públicas porque não têm jeito para a coisa, e pô-los a dar aulas porque para isto até servem?
    É colocar a malta que veio do privado e se julga melhor do que os outros?
    É colocar gentinha ordinária que se julga melhor do que quem está na profissão há décadas e já viu e sabe muita coisa?
    É rever o Estatuto da Carreira Docente colocando mais entraves à progressão, ou alterar novamente os escalões e meter uma data de gente outra vez em escalões iniciais, equiparando-os salarialmente a quem entra agora?

    Querem mais e melhores professores? Tratem bem que lá está. Senão não esperem que vão para lá os “sérios e honestos”.

    • Injustiças on 8 de Dezembro de 2025 at 20:53
    • Responder

    Não há a menor dúvida que para ter qualidade de ensino temos de atrair bons professores, temos de cuidar bem dos professores que já estão a trabalhar há muitos anos, pois são a garantia de que os professores mais novos são bem acompanhados e não menos importante temos de ter exames bastante exigentes para haja uma verdadeira inclusão de todos os alunos sistema educativo.

    • A.silva on 9 de Dezembro de 2025 at 7:09
    • Responder

    Acrescentaria a excessiva carga letiva dos cursos profissionais que conduzem a horários inconcebíveis.

    Mais uma vez mexe-se (está a decorrer até março de 2026 uma reformulação dos cursos profissionais) somente numa parte (na componente tecnológica de muitos cursos) e deixa-me a outra (componentes sociocultural e científica) na mesma, mantendo assim uma carga letiva demasiado pesada para os alunos.

    • Jorge Cruz on 10 de Dezembro de 2025 at 23:25
    • Responder

    Lamento discordar. Parece que quem escreveu isto ou não percebe nada sobre a realidade ou tem interesses em promover esta leitura. Melhor resultado (sobretudo no profissional) num sistema que empurra para o sucesso, traduzido em números de aprovações, não significa qualificação. Em muitos casos estamos apenas a atestar de forma fictícia a incompetência, e não me refiro apenas aos conhecimentos, refiro-me sobretudo às competências!!!

    • maria alves on 12 de Dezembro de 2025 at 22:30
    • Responder

    É falso que “o modelo de exames” “gera pressão excessiva e pode desviar o foco da aprendizagem integral para o treino de provas”. Diretores que afirmam tal revelam um desconhecimento profundo da forma como o cérber, cognitivo e socioemocional, aprende.
    Só sente pressão nos exames quem não está preparado. Desde o pré-escolar. Nível em deve começar a exigência e rigor nas aprendizagens, a começar pelas socioemocionais, o respeito por pessoas, regras e património, a cooperação,  persistência e resiliência. 
    Em 2018, data de descongelamento das carreiras, a pressão sobre os professores para inflacionar notas foi severa. Daí a subida de resultados. Sob pena de os professores serem penalizados na avaliação de desempenho e com isso travarem a sua progressão. 
    A verdade é que o desenvolvimento integral, o útil para ser saudável e produtivo, não acontece com “trabalhinhos de grupo” e ” projetinhos”, como pretendem. Não, não acontece assim.  Por tal, foi preciso, a tutela e autarquias a ajudar, forçar a inflação de notas internas. Geraram-se tantos desqualificados, embora com boas notas internas, que os recrutadores usam na primeira fase testes para selecionar os candidatos. Difíceis, diz quem os faz. Alguns até são recrutados, mas não se aguentam porque não foram preparados para tal.  Os que têm notas mais altas nos exames nacionais são os mais capazes. 
    Portanto, os diretores têm de aprender, rapidamente, o contrário do que a tutela andou a propagandear: os alunos desenvolvem-se de forma equilibrada, cognitiva e socioemocionalmente, somente com rigor e exigência. 
    Os bem preparados estão tranquilos, aprenderam durante doze anos de escolaridade. Não vão memorizar factos sem sentido em quinze dias, entre o fim do ano e a data de exame, como entendem os que pela mão de António Costa capturaram o ministério da educação. 
    As notas de exame nacional indicam o grau de preparação para a vida. Piores resultados em exames nacionais representam mais exclusão social, no futuro de vida. Não se trata de preparar para exames, trata-se de desenvolver efetivamente as aprendizagens curriculares, os objetivos, ao longo de onze-doze anos. Que permitem fazer exames, com tranquilidade e boas notas.
    Quem cumpriu o plano para reduzir o colesterol, não teme o teste. Agora que não cumpriu vai sentir muita ansiedade.

      • maria alves on 12 de Dezembro de 2025 at 22:31
      • Responder

      Agora, quem não cumpriu ….

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