Perfil do docente ou perfil profissional do docente….?

 

Um docente é alguém que, além de formação científica e técnica, num ciclo de ensino e/ou disciplina, tem obrigatoriamente formação e prática pedagógica para ser admitido como profissional nas escolas.

Os que não tenham requisitos completos só podem exercer a título transitório e limitado e com clara subordinação a profissionais.

É assim em todas as profissões que exigem certificação.

Há algumas em que há profissionais e aprendizes e algumas em que há profissionais e eventuais.

Mas não há profissão certificada em que profissional seja qualquer um, sem fixar requisitos para o ser.

A decisão judicial recente sobre a cidadã brasileira, que foi exonerada numa escola por não ser profissionalizada, não veio profissionalizá-la….

Talvez não pudesse não ser exonerada, mas não passou a ter habilitações.

Nenhum tribunal pode dizer que qualquer licenciado no estrangeiro (até em ensino) passa a ser profissionalizado como professor, porque nem os “só” licenciados em Portugal o são.

Continua a só ter habilitação própria (por ser licenciada).

E isto não tem nada a ver com a nacionalidade, mas tão só o sítio onde se tirou o curso e seus conteúdos ou requisitos.

Nenhum candidato a professor de formação estrangeira (mesmo os nacionais portugueses) pode ser considerado profissionalizado só porque é licenciado, mestre ou até doutor.

A formação exigível a um profissional tem 2 partes.

Um licenciado em medicina não é médico, um licenciado em direito não é advogado, notário ou magistrado e, até para conduzir um táxi ou uber, não basta ter carta…..

Como dizia na reportagem uma entrevistada (que já foi, no passado, falada para ministra) um economista sabe a matemática que se ensina no 9º ano. Mas sabe ensiná-la?

Ensinar tem de ser atividade certificada em padrões adequados à sociedade portuguesa.

Abandalhar as qualificações para a docência é acabar de desregular o país e terā efeitos por décadas.

Uma coisa é facilitar e alargar o acesso à formação pedagógica, outra, muito má, acabar com a exigência dela…..ou deixar de a exigir….

A tentação de facilitar, de qualquer maneira, a portugueses ou estrangeiros licenciados e mestres a lecionação, sem profissionalixação, na premente falta de professores, pode ser forte, mas é antipatriótica e, a concretizar-se, criminosa….

Luís Sottomaior Braga

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5 comentários

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    • Luluzinha! on 17 de Dezembro de 2025 at 20:55
    • Responder

    Absolutamente de acordo.

    • Teresa Fonseca on 17 de Dezembro de 2025 at 22:45
    • Responder

    Estou inteiramente de acordo!
    Contudo, já que se fala em habilitações para a docência, em que é necessário um ciclo de 3 anos da área científica e 2 anos da área pedagógica.
    Alguém me pode explicar como.o é possível um licenciado em filosofia ter habilitações para lecionar a disciplina de psicologia?
    Um psicólogo só o pode ser se estiver inscrito da Ordem dos psicólogos! Um licenciado em psicologia não é um psicólogo.
    Falasse tanto em habilitações para a docência, mas esta vergonha existe há mais de 40 anos e ninguém diz nada, ninguém quer saber. Mas uma brasileira dar aulas dá direito a notícias nos diversos meios de comunicação social e até aqui!
    Da disciplina de psicologia ninguém fala!

      • A Prof on 19 de Dezembro de 2025 at 11:49
      • Responder

      Penso que será porque a disciplina de psicologia, tal como a de sociologia, etc, nunca correspondem a um horário completo, pela exiguidade de turmas de um agrupamento com frequência da disciplina, o que torna inviável criar um grupo de recrutamento que nunca terá assegurada a estabilidade de um horário completo . O que acontece nas escolas, é que os docentes profissionalizados terão de estar preparados para lecionar uma panóplia de disciplinas que estão relacionadas com a sua área de formação. Os detentores de licenciatura em economia, profissionalizados na docência, por exemplo, podem lecionar sociologia, direito, economia, contabilidade. Na verdade, são obrigados a ter esses conhecimentos. E têm, assim, horário completo.

    • UM on 18 de Dezembro de 2025 at 9:57
    • Responder

    Espero bem que publiquem o documento de proposta! Temos de ter uma verdadeira palavra a dizer sobre isto, porque desta vez não podemos ser somente espectadores.

    Que treta de palavras “o novo perfil do docente”! Sério, alguém consegue sentir dignidade ou valorização da profissão nesta linguagem vazia? E a melhoria das condições de trabalho, alguém pensou nisso? E apoio institucional e profissional aos professores? (E atenção, profissional é complicado, porque muitos colegas parecem mais interessados em se mostrar melhores rebaixando os outros, do que em apoiar quem trabalha ao lado.)

    E que tal condições reais para se conseguir ser professor? Ou vamos continuar a legislar como se os docentes fossem os únicos responsáveis pelo empenho ou esforço dos alunos nas disciplinas? É surreal pensar que, mais uma vez, se quer colocar toda a responsabilidade nos professores, ignorando o contexto, os recursos e a complexidade do nosso trabalho.

    Como sempre, um ponto fulcral da nossa carreira passa quase despercebido, e quase ninguém sabe nada. Parece que ninguém se importa verdadeiramente em dignificar a profissão, mantendo tudo escondido e não discutido abertamente.

    É preciso discutir, exigir clareza e propostas reais. Não bastam palavras bonitas. A nossa voz tem de contar, e é hora de a fazermos ouvir de forma firme, inteligente e construtiva.

    • TOP on 18 de Dezembro de 2025 at 13:46
    • Responder

    Oh pa!
    Mais ficha menos ficha, mais teste menos teste, mais exercício menos exercicio…
    Vai ser sempre a mesma coisa…. qual perfil do decente…

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