Professores de informática chamados para arranjar computadores avariados

E o novo governo não podia entretanto suspender as provas de aferição do 2.º, 5.º e 8.º ano?

 

Professores de informática chamados para arranjar computadores avariados

 

Segundo Mário Nogueira, o último concurso lançado pelo ministério da Educação para selecionar as empresas que iriam fazer a manutenção dos equipamentos tinha valores tão baixos que ficou deserto e os diretores escolares têm pedido ajuda aos professores de informática.

 

Os professores de informática queixam-se de estarem a ser chamados para arranjar computadores avariados dos alunos e, por isso, vão reunir-se com a Federação Nacional de Professores (Fenprof) para estudar possíveis ações de luta.

A menos de três meses do início das provas nacionais em formato digital, “há um grande número de computadores que se vão avariando, um pouco por todo o lado”, alerto esta sexta-feira o secretário-geral da Fenprof.

Mário Nogueira disse que o último concurso lançado pelo ministério da Educação para selecionar as empresas que iriam fazer a manutenção dos equipamentos tinha valores tão baixos que ficou deserto e, por isso, os diretores escolares têm pedido ajuda aos professores de informática.

“Querem que sejam os professores a ser os técnicos que vão desaparafusar aquilo, ver o que se passa e arranjar”, criticou o secretário-geral, sublinhando que esta não é uma função dos professores de informática que, “se quiserem e se souberem, até a podem fazer”, mas nunca poderão ser obrigados.

“A sua função nas escolas não é serem técnicos daquilo que avaria. Mas estão a ser obrigados a fazê-lo e fora do seu horário”, criticou Mário Nogueira, garantindo que esta será também uma causa que a federação irá apoiar.

A Fenprof vai reunir-se, na próxima segunda-feira, com a Associação Nacional de Professores de Informática (ANPRI): “Vamos analisar a possibilidade de nos juntarmos aos colegas que nos pediram apoio para alguma ação de luta”.

O governo decidiu avançar com a desmaterialização gradual das provas e exames nacionais, tendo começado pelas provas de aferição, que são dirigidas aos alunos do 2.º, 5.º e 8.º anos.

Estas provas não contam para a nota final, mas sim para perceber o nível de conhecimentos dos estudantes, identificar as falhas e poder adaptar as aulas para melhorar as aprendizagens.

A substituição das provas em papel por digital foi alargada também aos alunos do 9.º ano e este ano deveria começar a ser implementado no ensino secundário, onde as notas nos exames nacionais têm peso na média de acesso ao ensino superior.

O ministro da Educação, João Costa, revelou entretanto que os exames do secundário deste ano iriam continuar a ser feitos em papel, garantindo que não desistia do projeto desmaterialização das provas nacionais até porque conta com financiamento europeu através do Plano de Recuperação e Resiliência.

Este ano, as provas de aferição, dirigidas aos alunos do 2.º, 5.º e 8.º anos, estão previstas para começar entre os dias 2 e 13 de maio, com os mais pequenos a dar provas dos seus conhecimentos a Educação Artísticas e Educação Física.

A 3 de junho realizam-se as provas de 5.º ano de Matemática e do 8.º ano de Português, testes que já obrigam a ter um computador.

A 12 de junho arrancam as provas finais do 9.º ano com a prova de Matemática e dois dias depois começam também os alunos do ensino secundário com as provas de Português e de Mandarim.

A direção da Fenprof deu esta sexta-feira uma conferência de imprensa para apresentar a sua avaliação dos resultados eleitorais do último domingo, avisando que existem linhas vermelhas que poderão levar milhares de professores novamente para a rua, nomeadamente o reforço dos contratos de associação com as escolas privadas ou a possibilidade de implementar um modelo de cheque-ensino.

A contagem integral do tempo de serviço realizado durante a ‘troika’ continuará a ser outra das principais lutas da Fenprof, que espera que sejam cumpridas as promessas feitas durante a campanha eleitoral, quando os partidos garantiram uma recuperação gradual dos seis anos, seis meses e 23 dias trabalhados e até agora não contabilizados para efeitos de progressão da carreira e aposentação.

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4 comentários

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  1. De acordo com a minha experiência pessoal e o que conheço daquelas máquinas, é inútil tentar proceder à sua reparação. Só acrescenta mais custos àqueles que nunca deveriam ter sido feitos porque se trata de computadores obsoletos. Além disso, enquanto não decidirem instalar os computadores nas escolas e não nas mochilas dos alunos, jamais teremos qualquer problema resolvido. E o que repararem hoje volta a avariar amanhã.

    • Vítor Folgado on 16 de Março de 2024 at 12:10
    • Responder

    A maioria dos professores de informática não têm competências técnicas para os reparar, e mesmo que as tivessem essas não fazem parte das suas funções.

  2. Os agrupamentos deveriam era ter um técnico próprio para tratar destes assuntos (arranjar pc’s, routers e afins, que estão sempre a avariar)! Quantos computadores tem, em média, cada agrupamento? Na minha escola, cada sala normal tem uns 3/5, fora os das salas de TIC… contando o n.º de salas, só esta escola deverá ter uns 250 pc’s (ou mais). E ainda faltam todos os outros das EB1. Tudo junto deve rondar os 500. Se contarmos com os dos alunos, então esse número sobe para lá para os 1300/1400. Nem sei.
    É hora dos agrupamentos passarem a ter um técnico especializado e não um – por norma da Câmara Municipal – que aparece por lá muito de vez em quando.

    • Unknown on 16 de Março de 2024 at 14:21
    • Responder

    O que torto começa…
    Mas daí a pedir provas em papel a esta altura do campeonato, acho ingénuo pensando em toda a logística envolvida.
    Com um novo governo que só entrará em plenas funções, na melhor das hipóteses, depois da Páscoa e com provas já em maio… Quando muito poder-se-iam cancelar as provas em formato digital no 9.° ano, mas isso não sucederá com o discurso delicodoce dos representantes dos pais e dos diretores.

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