Nós e a dislexia – João André Costa

 

As chamadas de atenção na sala de aula, a necessidade de atenção dentro da sala de aula e fora, em casa ou na rua e sempre quando ler é preciso ou necessário seja por fazer parte do currículo ou porque se quer apanhar o autocarro certo e o destino a dançar entre letras irrequietas, esbatidas ou numa montanha russa e numa montanha russa está esta criança e todos nós ao redor.
E esta criança não é estúpida nem burra apesar das letras trocadas ou ausentes mais os números invertidos e os comentários dos colegas e por aqui se explica o mau comportamento em resposta, resposta não, em defesa e a melhor defesa é o ataque entre insultos e chapadas, murros e pontapés mais as devidas suspensões e reuniões com os pais a anos-luz da raiz do problema: dislexia.
Dislexia ou a individualidade cerebral no processamento da linguagem em cada criança diagnosticada.
E com cada diagnóstico, um plano de apoio específico para aquela criança e o mesmo se aplica a adultos quando muitos anos mais tarde e depois de todas as frustrações, humilhações e desafios finalmente a resposta.
Nunca foi um atestado de ignorância ou preguiça apesar da escola, apesar dos pais ainda hoje desiludidos a atirar a culpa um para o outro e os dois para ti.
E como a história não tem de se repetir, nem deve, cabe ao professor e às famílias ajudar como aliás sempre ajudaram todas as crianças a crescer.
E no caso da dislexia, o primeiro passo é o mais fundamental no apoio emocional e na valorização de tudo quanto a criança faz bem ou se evidencia.
Quando se aprendem novas palavras, as mesmas devem ser impressas não só em moldes de letras grandes mas com fundos de várias cores, cabendo à criança a escolha da cor com a qual a leitura é mais fácil.
O uso de micas coloridas sobrepostas aos textos ou de réguas de leitura são igualmente essenciais, dando ao aluno a liberdade para escolher e a liberdade para ler.
Os textos devem ser impressos com a fonte em tamanho 14 e espaçamento duplo dos parágrafos.
Os novos conceitos devem ser leccionados aos poucos, dando tempo ao aluno para trabalhar a informação, compreender a informação e aprender a informação.
Mais uma vez, o uso da cor através de marcadores fluorescentes ajudam o aluno não só a evidenciar mas a ler a informação escrita.
O uso de computadores e respectivos processadores de texto permite reproduzir todas estas estratégias.
As palavras-chave devem estar afixadas e acessíveis para o aluno, cabendo ao professor chamar a atenção para as mesmas ao longo da aula.
Evitar a cópia do quadro ou os ditados do século anterior ao século passado e partilhar com os alunos a informação já resumida, escrita e devidamente evidenciada entre tamanhos e cores diferentes de acordo com a sua importância.
O uso de imagens é primordial como exemplos para o texto escrito e quanto mais imagens melhor.Os critérios de avaliação não devem prejudicar o aluno no caso de erros ortográficos e as razões são óbvias.
E por razões óbvias, evitar a leitura em voz alta.
Mais exemplos? É preciso fazer o trabalho de casa e para fazer o trabalho de casa tomo a liberdade de partilhar este pequeno guia em inglês, com votos de bom trabalho e esta chamada de atenção para a dislexia:

Click to access handy-little-guide-to-dyslexia.pdf

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