Alunos sem computadores, com equipamentos avariados e preocupações com a rede WiFi das escolas levam responsáveis a pedir regresso ao papel.
Exames digitais: diretores escolares defendem “passo atrás”
“Se houvesse tempo para voltar ao papel, valeria a pena dar um passo atrás de forma a garantir a equidade entre os alunos”. A afirmação é de Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), apreensivo com a aplicação dos exames nacionais de 9.º ano em formato digital. Para o também diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos, Gaia, alguns estudantes irão partir em desvantagem para as avaliações finais de Português e Matemática. “Alguns têm computador desde o início do ano e estão a treinar diariamente e outros ainda não têm PC. Esses, estão tecnicamente menos preparados em relação aos colegas”, explica.
Perante o quadro de indefinição política e ainda sem conhecer o próximo ministro da Educação, Filinto Lima pede “a quem venha a assumir a pasta que resolva os problemas existentes antes dos exames”. “Cada dia que passa a preocupação aumenta porque ainda não há solução para este problema. Acaba por ser um fator acrescido de stress para os alunos e muitos precisam de ter sucesso nos exames para passar de ano. É preciso não esquecer que as provas de 9.º ano não são provas de aferição e têm ponderação na avaliação final das disciplinas”, sublinha.
O presidente da ANDAEP coloca três cenários em cima da mesa: “arriscar, avançado com os exames digitais, adiar a sua aplicação ou regressar ao papel e à caneta”. Contudo, frisa, “é necessário saber se há tempo útil para que se possa voltar ao formato tradicional, tendo em conta que estamos a cerca de três meses dos exames”. Por isso, afirma, “uma das primeiras decisões do próximo ministro ou ministra da Educação deve ser encontrar uma solução para esse problema”.




3 comentários
A frase “se houvesse tempo para voltar ao papel, valeria a pena dar um passo atrás…” diz praticamente tudo sobre o engajamento deste diretor e autarca. Entre o lambe-botismo às cúpulas e a reação inevitável ao passo dado pelos principais responsáveis pela manutenção dos equipamentos. Se os diretores se deixam representar por isto não há muito mais a dizer.
Não há computadores? Mas o Sócrates não deu meia dúzia de computadores a cada aluno? E o Costa não deu mais meia dúzia? Sem computadores como é que é possível aprender alguma coisa? Antes de haver computadores o mundo era totalmente ignorante. Só depois do computador Magalhães é que a Civilização começou! E blablabla choque tecnológico e acções de formação de nível 1, 2 e 3 a ensinar os professores que os computadores são tudo, são essenciais e modernaços! Eu penso até que deveríamos abolir o lápis e o papel, o quadro e os professores. Os miúdos ficavam em casa e o computador ensinava-os. Os computadores fazem tudo! A gente pede comer ao computador e ele dá! Eu gosto muito dos computadores!
O diretor Arlindo porventura não saberá que o tamanho da tela afeta a resolução de algumas provas, ou seja, o uso de PC tipo 1 é mais um remendo.
Dizer que se pode “remediar” é dar um tiro no pé, na minha opinião. Ou há condições ou não há, ponto.
No mínimo exijam que se cancelem as provas do 9.° ano em formato digital ou vão ter problemas! Esqueceram-se que o ME tem velocidade 5G a descartar responsabilidades?