A saga das vagas: quando uma vaga é ou pode não ser…  

Em 19 de Março passado foi publicada a Portaria que estabelece as vagas do Concurso Interno e Externo dos Agrupamentos de Escolas e dos Quadros de Zona Pedagógica (Portaria n.º 110-A/2024, de 19 de Março), cujo conhecimento será imprescindível para todos os Professores que venham a ser opositores a tais concursos…

Tentar compreender todo o intrincado de variáveis e todos os meandros que costumam acompanhar os Concursos de Professores, nomeadamente quando se trata de analisar a relação entre os vários universos de vagas e os Grupos de Recrutamento, pode tornar-se numa tarefa verdadeiramente hercúlea, que requererá uma incomensurável capacidade de decifração e de resiliência…

Sem conseguir fazer essa análise detalhada, mas que alguns, como Arlindo Ferreira, a bem de muitos, se dão frequentemente ao trabalho de realizar, parece que, em termos gerais, poderá ressaltar esta conclusão:

– Existe uma assinalável discrepância entre as vagas disponibilizadas pelo Ministério da Educação e que irão a Concurso e as necessidades efectivas e reais manifestadas pelos Agrupamentos de Escolas, em algumas situações por excesso, noutras por defeito…

Significa o anterior que nem sempre o número de vagas, disponibilizado pela Tutela, corresponderá às reais necessidades dos Agrupamentos de Escolas, pelo que os posteriores Concursos de Professores, realizados com base nesse apuramento de vagas providenciado pelo Ministério da Educação, poderão ficar, de certa forma, inquinados, transformando-se numa espécie de “roleta russa”, com desfechos iminentemente imprevisíveis…

Expectavelmente, a incongruência entre o número de vagas apurado oficialmente e as necessidades reais dos Agrupamentos de Escolas introduzirá um grau de aleatoriedade e de discricionariedade nos Concursos de Professores, tornando-os numa espécie de “lotaria” ou “jogo de sorte ou azar”…

Esta situação, ainda será mais grave quando um determinado Agrupamento de Escolas não tenha sido contemplado com o número de vagas necessário e suficiente para assegurar o funcionamento regular das actividades lectivas, no próximo ano…

Por outras palavras, à partida, torna-se um dado adquirido que a carência de Professores em certos Grupos de Recrutamento implicará que algumas Turmas desse Agrupamento possam ficar sem aulas em uma ou mais Disciplinas, logo no início do subsequente Ano Lectivo…

Com franqueza, não parece que a inabilidade e a improficiência, mais uma vez demonstradas pelo Ministério da Educação tutelado por João Costa, ainda possam espantar alguém…

Ainda que essa inabilidade e essa improficiência não causem estranheza, não poderão deixar de se considerar como absolutamente inaceitáveis e desrespeitosas, sobretudo se pensarmos que estarão, neste momento, milhares de Professores com as suas “vidas suspensas”, à espera de poderem concorrer com um mínimo de segurança e de convicção ao nível das respectivas escolhas…

A desconsideração e a deslealdade face aos Professores, observadas e sentidas ao longo dos últimos oito anos, parece que foram mesmo até ao fim…

O problema das vagas ameaça tornar-se numa verdadeira saga, sem fim à vista:

– Uma vaga é ou pode não ser…

O legado deixado pelo Ministro da Educação João Costa não deixará, por certo, saudades, nem boas recordações, entre a maioria dos profissionais de Educação…

 

Paula Dias

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7 comentários

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    • Peter on 22 de Março de 2024 at 10:19
    • Responder

    Pensei que ia explicar como funcionava o mecanismo das vagas e libertação das mesmas para os menos familiarizados com essa mecânica… Explicar os anexos I, II e III ,etc…
    Mas afinal é mais um chorrilho de banalidades de quem provavelmente nem leu o DL do concurs, que traz profundas alterações ao que estávamos habituados nos últimos anos e pela simultaneidade, daqui para a frente, entre CI e CE.

      • Paula Dias on 22 de Março de 2024 at 11:18
      • Responder

      “Pensei que ia explicar como funcionava o mecanismo das vagas e libertação das mesmas para os menos familiarizados com essa mecânica… Explicar os anexos I, II e III ,etc…”

      Desculpe que lhe diga, mas pensou mal, até porque no texto afirmei isto: Sem conseguir fazer essa análise detalhada…

      Portanto, o Peter, que certamente será dono de uma mente brilhante, terá aí um excelente desafio:

      – Fazer aquilo que exige e remete para os outros, por exemplo: “Explicar os anexos I, II e III ,etc…”

      Depois de o fazer, não se esqueça de partilhar connosco as suas conclusões, por certo, absolutamente expurgadas de banalidades…

      Aguardando pelas suas conclusões, boa sorte com isso e votos de um bom trabalho.

      Paula Dias

        • Mainada on 22 de Março de 2024 at 11:43
        • Responder

        Bom texto, que retrata uma situação dramática para todos nós.

      • Ppp73 on 22 de Março de 2024 at 13:27
      • Responder

      A Paulinha é pródiga em dizer mal de tudo. Já estamos habituados. Ainda gostava de a ver como Ministra para serem tomadas todas as boas medidas que defende.

        • Paula Dias on 22 de Março de 2024 at 14:19
        • Responder

        “Ainda gostava de a ver como Ministra para serem tomadas todas as boas medidas que defende.”

        Muito me honra essa sua afirmação, ainda que irónica, mas jamais terei perfil para Ministra:

        – Mandar, mando em mim própria, e olhe que nem sempre me obedeço, portanto… 🙂

        Paula Dias, com cumprimentos cordiais.

    • Prof Fartinha disto tudo on 22 de Março de 2024 at 13:51
    • Responder

    Boa tarde! Tal como referiu a colega Paula e o colega Pedro também gostaria de saber como se processa a atribuição das vagas do anexo ii.

    Obrigada.

      • Prof Fartinha disto tudo on 22 de Março de 2024 at 13:52
      • Responder

      Digo: Tal como referiram…

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