Os Exames no 4.º e 6.º Ano Deveriam Voltar?

João Marôco, investigador do ISPA e especialista em estatísticas de educação, analisa os fatores que explicam o declínio acentuado dos resultados dos jovens portugueses no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) e aponta o dedo ao fim dos exames do 4.º e do 6.º anos.

Ao contrário do que acontecia com todos os outros países da OCDE, que estavam a decrescer nos resultados do PISA em todas as áreas, Portugal registava, até 2015, uma tendência crescente. Ora, o que é que se alterou no sistema educativo nacional entre 2015 e 2022? Houve uma alteração de políticas educativas que, entre outras coisas, pôs fim aos exames do 4º e do 6º anos. Vários estudos internacionais têm concluído que uma das medidas educativas que tem mais efeitos de curto prazo nos resultados é a introdução ou, pela negativa, a remoção de avaliações com consequências para os alunos e para as escolas.

 

Já todos percebemos que os alunos não olham para as provas de aferição com a mesma responsabilidade que para uma prova que possa contar para alguma coisa e esta desresponsabilização dos alunos com as provas faz aumentar a irresponsabilidade para com alguma exigência que se possa querer no sistema de ensino. Mas não são apenas os alunos que pouco valor dão às provas de aferição, o IAVE ainda não conseguiu fornecer os relatórios das provas de aferição de 2023 e já estamos em Dezembro. Para que serve uma avaliação intercalar de ciclo se o feedback a dar aos alunos e às escolas ainda não chegou?

O retorno das provas finais de ciclo, talvez em moldes diferentes, não apenas no fim das aulas, em junho, mas numa fase mais intermédia como no final do 2.º período poderia voltar a tornar mais exigente o  sistema de ensino.  Também não creio que uma prova depois de um ano letivo completo seja a melhor solução quer para alunos, quer para professores que já estão desgastados com o ano letivo.

Uma prova final no final do 2.º período, ou início do 3.º período com efeitos na avaliação final do aluno poderia servir que o 3.º período fosse um espaço de consolidação ou recuperação das aprendizagens com base nesses resultados.

Este é um debate que merece ser feito na campanha eleitoral e quiça sejam os professores que devam iniciar este debate, porque como já me vou apercebendo, o tema geral sobre escola para a campanha eleitoral será apenas a recuperação do tempo de serviço dos professores e tudo o resto ficará no esquecimento.

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4 comentários

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    • ûlme on 7 de Dezembro de 2023 at 20:15
    • Responder

    estes resultados nao tem nada a ver com exames

    tem a ver com as regras emanadas pelo ME e replicadas pelos diretores

    indisciplina sem consequências, conteúdos pouco exigentes, proibição de chumbos, artigo 54 e 55 , culpar os professores por tudo que corre mal aos meninos e acima de tudo FALTA DE ESTUDO institucionalizada

    quem fala em falta destes dois exames da treta que nem chumbar alunos chumba é não saber o que é a escola atualmente por dentro

      • Tomalá on 8 de Dezembro de 2023 at 16:40
      • Responder

      Sem dúvida.
      O regresso de exames de nada serve.
      Aliás, temos as PAEB, temos os ENEB, temos os ENES … e de que é que isto serve? Para nada!
      Ninguém aprende verdadeiramente estudando para exames.
      Queremn aprendizagens? Dêm o que os professores precisam para desempenhar bem o seu papel, e para os alunos aprenderam.

    • Anabela Gaspar on 8 de Dezembro de 2023 at 6:44
    • Responder

    Partilho na íntegra da opinião do Colega que teceu as palavras no comentário. Terminei há pouco tempo 1 Formação em que a palavra de ordem é “com o DL 54. É 55… Ninguém reprova! Todos têm a sua meta e não precisam de chegar só mesmo tempo”.
    Não está nas mãos dos professores, infelizmente…
    Já pouco valemos nos tempos que correm…

    • Mic on 9 de Dezembro de 2023 at 19:38
    • Responder

    Acabem com as ridículas Provas de Aferição e voltem as reprovações, quando justas, tanto ao nível da assiduidade como ao nível dos conhecimentos/competências.

    O que se vem passando em Portugal nos último anos é um perigo para a sociedade e seu conhecimento/responsabilidade.

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