Perante o cenário de catástrofe iminente para toda a Classe Docente, originado por obra e graça do Ministério da Educação, o que faz a maior Federação de Sindicatos de Professores?
Nada, basicamente não faz nada…
Nada. Porque, na prática, e dada a gravidade dos problemas criados pelas mudanças desastrosas que se adivinham na vida profissional dos Professores, agendar uma Manifestação para Março de 2023, ou organizar, até lá, para fazer passar o tempo, umas vigílias, uns abaixo-assinados ou uns pedidos de audiência, corresponderá a, efectivamente, nada…
Ou alguém acredita que tais acções “reivindicativas” obrigarão a Tutela a retroceder no que quer que seja, ainda para mais com o apoio concedido por uma confortável maioria absoluta no Parlamento?
Se isso é o melhor que a Fenprof consegue fazer em termos de luta, de protesto e de reivindicação, num momento tão crucial para todos os Professores como o actual, restará, então, afirmar que esse Sindicato se tornou numa caricatura de um Sindicato…
Num dos momentos mais difíceis para os Professores, após o 25 de Abril de 1974, em vez do apoio inequívoco da Fenprof e da firmeza do seu líder, os Professores foram brindados com vacilação e letargia…
Deste momento, ficaria, por certo, uma caricatura risível, patética e jocosa, não fosse dar-se o caso de tudo isto poder ser realmente trágico…
Se se concretizarem todas as malvadezas que, nas últimas semanas, têm vindo a ser preconizadas, e algumas já anunciadas, pelo Ministério da Educação, o mundo profissional que os Professores conhecem deixará de existir, muito em breve…
A decisão da Fenprof, agora oficialmente conhecida, de não aderir à Greve convocada pelo Sindicato STOP, indicia que essa Federação de Sindicatos de Professores colocará acima de tudo e de todos o seu próprio protagonismo e o “elitismo” corporativista, em detrimento da união e da defesa efectiva dos interesses dos seus supostos representados…
A actuação da Fenprof, ao evidenciar uma postura pedantemente arrogante face à luta encetada pelo Sindicato STOP e uma frouxidão incompreensível face às intenções da Tutela, permitirá pressupor que:
– O seu poder negocial junto do Ministério da Educação seja nulo;
– A sua credibilidade, junto dos supostos representados, depois desta baixeza, seja praticamente nula.
Ou seja, a Fenprof parece caminhar, a passos largos, para se tornar numa nulidade em termos sindicais, sem sequer ter a desculpa de que outros tenham contribuído para isso, bastando-se a si própria para esse efeito…
Mas as traições da Fenprof face aos Professores não são algo inédito, se recordarmos que, em 2010, já tinham cedido a um ruinoso acordo, alegadamente selado com pizzas, com a então Ministra da Educação Isabel Alçada, desbaratando toda a força e união, alcançadas em 2008, pela maior Manifestação de Professores alguma vez ocorrida em Portugal…
A actual deserção da greve por tempo indeterminado também não pode deixar de ser considerada como uma traição aos Professores, a segunda perpetrada pela Fenprof, de forma flagrante e absolutamente visível para todos…
E, afinal, partir pratos não passou mesmo de uma manobra de diversão, de um “fait-divers”…
A acção, concreta e verdadeiramente consequente, contra os atropelos à dignidade profissional dos Docentes ficou novamente “guardada na gaveta”…
As muitas palavras dos maiores Sindicatos de Professores parecem servir apenas para esconder ou disfarçar a sua própria passividade e incompetência, acabando por reforçar as políticas erráticas da Tutela…
Que outras evidências serão necessárias para que a Fenprof deixe de conceder sucessivos “benefícios da dúvida” e oportunidades ao Ministério da Educação?
Não existem ainda factos suficientes que justifiquem uma greve por tempo indeterminado?
A farsa das “coreografias bem encenadas” também parece continuar, cada vez mais fortalecida, plausivelmente dominada por “pactos de não agressão” em relação ao Ministério da Educação e por “agendas partidárias”…
A descrença generalizada dos Professores na maior parte das estruturas sindicais que supostamente os representam, que já era um dado adquirido, torna-se, agora, ainda mais evidente e incontornável…
Quanto às traições da Fenprof, a sabedoria popular talvez possa aconselhar os Professores: “Na primeira todos caem, na segunda só cai quem quer”…
Neste momento, parece que é oficial: a Fenprof tornou-se numa piada (de mau gosto) do Sindicalismo, à custa do seu próprio desempenho…
E bem poderão arrogar-se o título de “maior e mais representativa organização sindical de professores em Portugal” (página online da Fenprof), que isso apenas acentuará, ainda mais, a sua negligência na defesa da Profissão Docente…
Má sorte para quem é Professor em Portugal: ter que contestar, além da Tutela, agora também, parte significativa daqueles que deveriam zelar pelos seus interesses profissionais…
Perante a inoperância da Fenprof face ao “abismo ali tão próximo”, fica-se verdadeiramente incrédulo e não pode deixar de se sentir vergonha alheia…
(Paula Dias)




30 comentários
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Um sindicato que cavou a sua própria sepultura… ainda assim, não sei… convém não esquecer que estamos em Portugal.
Vamos à luta, colegas! Sejamos nós a bandeira de um herói coletivo!
Não estou aqui para defender a Fenprof… Mas só adere à Fenprof quem quer… Lembro que há outros sindicatos a FNE, por exemplo…
Outra questão : um pequeno sindicato convoca uma greve de grande monta e está à espera que os maiores sindicatos o sigam? Mesmo que achem que não haverá condições para manter uma greve de tal natureza?
Se os professores quiserem fazer greve e acharem a greve adequada ao momento presente , o que o impede que a façam…
Finalmente… Há mais do que razões para os professores fazerem greve, espero que ela resulte e seja um sucesso .
Não tenho qualquer simpatia nem pelo Nogueira nem pelo PCP, mas no que diz respeito a esta greve parece-me justificada a sua prudência, tendo em conta que nas escolas não se encontra praticamente ninguém interessado em a fazer. No dia 9 vai provavelmente haver alguma adesão, por existir a possibiliade de uma “ponte” (vamos ver se a chuva não faz com que os professores se desinteressem de fazer ponte e conseguentemente de fazer greve). Terminada a ponte, a partir do dia 12 vão aderir a esta greve apenas alguns carolas aspirantes a pseudo revolucionários! E queriam que o o Nogueira e o PCP aderissem a isso?
Deves estar satisfeit@. Deves ser d@s lambe-botas, que fica com as reduções para fazer o trabalho de buf@, d@ comissári@ político lá da tua escola. Essa corja existe em todas as escolas. Todos sabemos.
Jovem, eu, dentro de poucos meses vou estar aposentada. Quero que tu e o resto dos pseudo combatentes revolucionários se fod@m! Já me estou a c@g@r para isto tudo, percebes moço? No entanto não sou cega e não posso deixar de constatar que na escola não se vê ninguém interessado em fazer esta greve por tempo indeterminado (até ao final do ano letivo, se o governo, apoiado neste tema pelo PR e, no parlamento, pelo PS, PSD, IL… não ceder?).
Pois és d@s privilegiad@s do 10.°escalão, os famigerados titulares da c@bra rodrigues, que andam pelas escolas a gozar com os zecos.
Cada um pode falar pela sua escola/AE, não generalizando. No meu agrupamento vamos aderir todos os dias até 16/12, fazemos à primeira hora letiva, ficando à porta da escola. Pois aquilo que o S.T.O.P. propôs foi que estejamos à porta. Não vamos aproveitar para fazer ponte, mobilizámos os colegas
e organizámos os piquetes de greve.
… e que tu usufruas do suor dos outros. Sabes o que se costuma chamar a quem tem esses comportamentos..,
Há razões mais do que suficientes para fazermos greve por tempo indeterminado.
Se não mostramos agora a nossa força com uma greve em massa, o que esperam fazer “a posteriori”? É agora ou nunca!
E, neste momento, a nossa luta unida é também uma forma de protesto contra os “grandes” sindicatos que deveriam ter vergonha… Não compreendo como é que ainda têm associados.
A união faz a força!
A fne aínda é pior que a fenprof no seguidismo ao governo…
exato. e vai ser ela a assinar acordo com o governo! Aposto. E o Governo a dizer que tem apoio dos profes. Desde a 1ª reunião quanto a concursos a FNE nada disse.
Sou sindicalizada e subscrevo o que acabei de ler
…e ainda pagas a TRAIDORES?
Porquê????
Pois quer-me parecer que quem vai levar um grande barrete vão ser os sindicatos do regime!
As pessoas estão indignadas e dispostas a fazer greve!
Se dúvidas existiam, as atitudes FNE e FENprof revoltar mais as pessoas.
Agora a greve é a favor dos alunos e de uma educação de qualidade e contra o ministro , as alterações que ele quer impor, a degradação da profissão e contra os sindicatos que traem os professores!
No Cerco, no Porto – “Os Professores do Agrupamento de Escolas do Cerco indignados e saturados com a atuação do Ministério da Educação em relação aos seus direitos e ao respeito pela sua dignidade e carreira decidiram manifestar-se a partir de sexta-feira, dia 9 de dezembro, durante um período indeterminado, da seguinte forma: Todos os dias nos dois primeiros tempos da manhã não cumprirão com o trabalho letivo contemplado no seu horário e construirão um cordão humano à frente das instalações, envergando cartazes e fachas informativas sobre os motivos dessa manifestação.
Esta Luta justifica-se por vários fatores, que se vêm arrastando ao longo dos últimos anos, nomeadamente:
1- Novas Propostas dos ME para os concursos;
2- Substituição dos Quadros por Mapas de pessoal;
3- Municipalização da Educação;
4- Redução real dos salários, queremos atualização dos salários desde 2011;
5- Vagas na avaliação, acabar com as quotas de acesso ao 5º e 7º escalão;
6- Não contagem integral do tempo de serviço (recuperação do tempo sonegado pelos Governos PS e PSD;
7- Precariedade;
8- Horários de trabalho sobrecarregados;
9- Não contemplação do direito à aposentação sem penalização nas pensões.
10- Estágios Pedagógicos remunerados
11- 5 dias / ano para formação em horário letivo.
Por último, apenas a destacar que durante todo este negro período que a Educação vem atravessando, os Professores sempre corresponderam exemplarmente a todas as solicitações do ME.”
envergando cartazes e fachas informativas sobre os motivos dessa manifestação.
Essas fachas de que falam, são professoras afetas ao sindicato do CHEGA? Ou queriam dizer FAIXAS?
Pois és d@s privilegiad@s do 10.°escalão, os famigerados titulares da c@bra rodrigues, que andam pelas escolas a gozar com os zecos.
Rapariguinha, nunca te ensinaram que é feio ser-se invejos@?
Vai chamar rapariguinha à tua mãe.
(ou teria de chamar-te velhadas)
Afinal qual é o sindicato do chega????!
Só se for a FNE.
Isso, Elisa! Posso levar e partilhar?
No Clara de Resende , Porto, saiu hoje aviso oficial: sexta apenas os alunos que terão professor, entrarão na escola; quem fizer greve não será substituído. Ou seja, os pais terão de saber se os deixam ali na escola, à porta. Também não sei quem tomará “conta” dos alunos a meio da manhã ou tarde, se não houver alunos. A direcção não se responsabiliza. É mais ou menos isso, pois tenho o comunicado mas no Watsup e aqui não aceita colar.
Não sabia que o blog do ar lindo para além de passador de publicidade era também órgão oficial do stop
Sou sindicalizada, mas vou dessindicalizar-se. Farei todas as greves, independentemente do dia. Se for às sexta-feira, por que não? Ao menos que haja algum privilégio para uma classe profissional que trabalha de segunda a domingo! E assim estoira metade do ordenado em transportes e alojamentos! SIM! GREVE PARA OS PROFESSORES QUE QUEREM SER VALORIZADOS! Fartinha de politiqueiros amadores!
isto é o quê?
um muro de lamentações de Imbecilóides Mentecaptos?
cresçam…
Talvez este blogue, que tem tido opiniões validas, esteja a extravasar e a esquecer (por ignorância ou malvadez) lutas essenciais ao longo do tempo, nao acredido que seja esquecimento, talvez ignorância por ter passado ao lado. Tenho 43 anos de serviço como prof. Lamento que colegas de profissão defendam uma greve por tempo indeterminado quando um unico dia tem imensos reflexos no vencimento. Talvez a ideia subjacente seja mais o descaraterisar a classe e anular o conceito de sindicalismo, ou por outras palavras anular a forca da classe.
Os sindicatos só albergam tachistas, professores que não querem trabalhar. Os sindicatos sempre deixaram os professores sozinhos nos piores momentos. Sindicatos para mim, NADINHA. Não sustento pandilhas de traidores com o meu suor.
Esta greve é fundamental.
Há estratégia e dinâmica. É diferente e fará a diferença.
É pelos professores e não pelo Dias da Silva e pelo Mário Nogueira.
É pela qualidade de ensino e pela reposição da dignidade.
É um alerta forte a uma classe política desmiolada e carreirista que goza e vive à custa daqueles que todos os dias fazem mexer este país.
Estamos fartos de ser cobaias de espezinhar!!!
1. Não podem fazer greve devido ao desconto no vencimento, mas suportaram um corte de DOIS MESES por ano, no tempo do Passos!!!!!!!!!
2. Com 43 anos de serviço estás “DESCARACTERIZADO”….
Cada vez me convenço mais que MN é um “agente infiltrado” do Governo P.S.
Senão vejamos: Quando o ME propõe alterações de monte, aparece nas TV e rádios a “berrar” que vai partir a louça. Mas, depois, acalma e é só vigilias e afins…ora. Anda por lá há tantos anos e nada fez e faz em prol da classe docente. Vai daí que é o tal AGENTE INFILTRADO do governo na classe docente. Atrás dele aparecem os acólitos da FNE.