Há muito tempo que não se via uma greve assim

 

Os professores iniciaram uma greve, por tempo indeterminado, no dia 9 de dezembro. O que se pode, à primeira vista, achar estranho é o “tempo indeterminado”, nunca tal se tinha visto. Mas não se fica por aí. Quem optou por esta modalidade de greve foram os professores e não os sindicatos, ou neste caso, o sindicato. Através de uma sondagem, com a colaboração de dois blogues especializados em Educação, os docentes escolheram como queriam “lutar” . Um ato democrático em que a classe deu, realmente, a sua opinião, fazendo do sindicato um meio para legalizar o que queriam fazer.

A adesão não tem sido massiva todos os dias, mas todos os dias fecham escolas, todos os dias há constrangimentos nas escolas, todos os dias, muitos professores fazem greve. Nem todos os dias os mesmos professores fazem greve, alguns que sim, mas todos os dias há docentes em greve.

Os sindicatos, desunidos, digladiam-se, entre si, para ganharem força docente e poderem vangloriarem-se dela na próxima ronda de negociações.

O Ministro tenta, por todos os meios, fazer passar a sua mensagem.

Há acusações de falta de verdade de parte a parte. Uns propõem, outros exigem, cada um vê a sua verdade e apenas a mentira dos outros.

Nisto tudo, os professores, os principais interessados saem a rua contra todas a mal feituras a que foram sujeitos nas últimas duas décadas. É a gota de água que acabou de cair no balde que o fez transbordar.

Mas o que está em cima da mesa é, e só, a última gota de água, o futuro diploma de concursos. A avaliação docente não está em discussão, as quotas, não estão, nem vão ser discutidas, as ultrapassagens estão à espera de decisão judicial, a contagem de todo o tempo de serviço congelado terá de ter nova luta, a diminuição do trabalho burocrático dos docentes nunca passará de uma promessa (veja-se o MAIA que apenas veio aumentar o dito), a definição entre trabalho letivo e não letivo, docente e não docente o ministério nunca quis discutir, a discussão da aposentação docente não passa de uma promessa feita por António Costa na AR e que nunca passou de palavras ocas.

A LUTA começou, mas vai ser longa. Vai implicar negociações, em cima de negociações, pois o governo não vai avançar, de um momento para o outro, com todas as reivindicações para cima da mesa. Se avançar com alguma que não seja para cortar ainda mais nos direitos conquistados no século passado.

Temos que ter a verdadeira noção que nas últimas duas semanas não se ganhou nada. Não se avançou um milímetro em relação há três semanas, apenas se fincou o pé e se passou a mensagem que não se vai admitir que nos espezinhem outra vez.

A luta vai ser longa. Queiramos, ou não, temos que convencer as partes implicadas nas negociações do que queremos e principalmente, os sindicatos, que têm que ouvir as vozes dos professores, porque sem nós não há sindicatos.

Democraticamente, os sindicatos, têm que ouvir o que as bases, os docentes, realmente querem e como o querem. Se nos querem na luta como nós os queremos a eles, têm que propor e ouvir as formas de luta a que nos dispomos.

Se a luta é nossa que sejamos implicados, todos, da mesma forma.

 

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3 comentários

    • AO on 19 de Dezembro de 2022 at 15:21
    • Responder

    Senhor Primeiro-Ministro: “habitue-se”…

    • Lucinda Pereira on 20 de Dezembro de 2022 at 2:03
    • Responder

    As quotas ou são para todos ou não são para ninguém. Não há isenções. Todos pertencem à mesma classe profissional e ao mesmo país.
    Quem aguenta as escolas e defende os seus resultados são os professores que estão no batente. São eles que aguentam o sistema e o fazem funcionar com os devidos resultados e mais ninguém!
    Esses é que não deviam estar sujeitos a quotas, porque se o sistema sobrevive é só à conta do seu suor e de mais nada.

  1. Ou todos estão sujeitos a cotas ou ninguém está. Nenhuma exceção se aplica. Todos eles vêm do mesmo país e classe profissional. Os instrutores que estão de plantão são os que auxiliam as escolas e defendem seus resultados. Eles são os únicos responsáveis por manter o sistema e garantir que ele produza os resultados desejados. São eles que não deveriam ser restringidos por cotas porque seu trabalho sozinho é a única razão pela qual o sistema ainda está em vigor.

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