A “normalização” da vilanagem…

O actual Governo tomou posse em 30 de Março de 2022.

O Chefe do actual Governo é António Costa.

Decorreram cerca de 9 meses desde a tomada de posse do actual Governo.

Inequivocamente, António Costa cedeu à tentação de se considerar como um “Astro-Rei”, mostrando-se incapaz de reconhecer perspectivas diferentes das suas, movendo-se por um inultrapassável pensamento egocêntrico…

A par disso, a sua postura política tem sido pautada pela sobranceria, pela arrogância, pela vaidade patética que desrespeita o voto de todos os cidadãos e pela confiança excessiva na maioria absoluta alcançada, bem patentes na recente entrevista concedida por si à Revista Visão, publicada em 14 de Dezembro de 2022: “Vão ser quatro anos, habituem-se!”…

A propósito dessa Entrevista, “choveram muitas críticas” a António Costa, até de elementos do próprio Partido Socialista, chegando-se a considerar a hipótese de tais declarações se deverem a um suposto cansaço do 1º Ministro…

Não parece plausível essa justificação: António Costa sempre foi assim, só que, às vezes, consegue disfarçar…

Percebe-se perfeitamente que o actual 1º Ministro tem vindo a confundir o conceito de maioria absoluta parlamentar com a noção de Ditadura/Autoritarismo, traduzível pela afirmação subliminar: “Eu quero, posso e mando”…

António Costa também parece ter caído na tentação de formar um Governo “de amigos” e “para amigos”, ou “para familiares de amigos”, esquecendo que os desígnios nacionais não podem estar dependentes de relações de amizade, com efeitos potencialmente obscuros, duvidosos e devastadores para a própria Democracia; nem de negociatas entre “velhos conhecidos”…

Uma coisa é depositar confiança política em alguém, outra bem diferente é aceitar como normal que a cumplicidade e a lealdade, implícitas e típicas das amizades, prevaleçam, em determinados momentos, face ao interesse dos cidadãos, nomeadamente ao respeito por aqueles que são contribuintes…

Lesar os cidadãos contribuintes à custa de vantagens atribuídas a amigos ou a familiares de amigos não é próprio de uma Democracia, nem da Ética Republicana, que deveria nortear a acção de todos os elementos que componham qualquer Governo…

Nos últimos 9 meses, as trapalhadas “entre amigos”, quase sempre com consequências nefastas para o erário público, têm sido uma constante, depreendendo-se que a integridade ética e moral não tem sido uma prioridade para este Governo…

Evidentemente que a legalidade das suas acções raramente poderá ser posta em causa, dado que as mesmas são quase sempre enquadradas por Leis feitas à medida da defesa de determinados interesses e vontades…

A António Costa não bastará “ser sério”, também tem que “parecer que é sério”…

António Costa até pode ser sério, mas, neste momento, não parece que o seja…

A maioria dos cidadãos que votou no último acto eleitoral não pode agora fazer de conta que não contribuiu para a tomada de posse do actual Governo…

A esses, apraz afirmar, mais ou menos isto:

“Você que inventou este Governo

Ora, tenha a fineza

De desinventar”

(“Inspirado” na Letra da Canção: “Apesar de Você”, Chico Buarque).

Apesar disso, e dispensando a ironia anterior, nenhum cidadão, tenha ou não contribuído para a actual maioria absoluta parlamentar, poderá considerar a “normalização” da vilanagem como algo inevitável ou aceitável…

E também não poderá aceitar que as demissões de membros do Governo, entretanto ocorridas, bastem para que tais vitupérios sejam esquecidos…

Mas, e já agora, que isso também não sirva como desculpa para desejar o regresso de algum tipo Ditadura, alegadamente “incorruptível” e muito “íntegra”, porque disso já tivemos o suficiente…

E não foi bonito…

Ainda, também, será desejável ter uma Oposição que efectivamente o seja…

E, ainda, também, será desejável ter um Presidente da República que esteja à altura dos últimos acontecimentos e que não se limite a debitar “lengalengas” ou a reinventar o seu antigo papel de “comentador”…

Espera-se muito mais de um Presidente da República, que é Chefe de Estado, que representa a República Portuguesa e a quem compete regular o funcionamento das instituições democráticas…

Porque a “Coisa Pública” exige o desempenho de cargos públicos de forma transparente, honesta e democrática e não é compatível com eventuais “amiguismos” de “comadres e de compadres”…

E isso é válido para todos os quadrantes do Serviço Público, sem obviamente esquecer a Educação e, em particular, as Escolas Públicas…

(Paula Dias)

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17 comentários

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    • Mirtha on 29 de Dezembro de 2022 at 16:48
    • Responder

    Fartei-me de rir com tanta ingenuidade ou credulidade… mas a maior de todas foi a parte de um político ser sério… lolololololol… desde quando??? Uma dos principais requisites para se ser político é o de se ser TUDO, menos o de se ser sério. Gente séria, honrada, trabalhadora, independente, apartidária, não se mete nesse lodo do partidarismo. Gente partida (de partidos) não é inteira, total e íntegra. Este sistema há muitíssimo tempo que é um dos cancros do mundo atual.
    Que a festança siga até ao abismo. E depois… era uma vez a espécie humana.

    • Mário Rodrigues on 29 de Dezembro de 2022 at 23:19
    • Responder

    Já tarda que Marcelo Rebelo de Sousa ponha o interesse nacional à frente dos seus projectos de vida pessoal, e se assuma como verdadeiro Presidente da República.
    António Costa é um incapaz! E tem de ser tratado como tal!
    O mínimo que o Presidente da República deve fazer é dissolver a Assembleia da República.
    Se o povo português voltar a dar o poder ao PS e – pasmemo-nos – a António Costa, assume as suas responsabilidades.
    Assumem as responsabilidade o Presidente da República e o Povo Português.
    António Costa, como já se viu, é um absoluto irresponsável: não responde por nada!…

      • Lenine on 30 de Dezembro de 2022 at 15:29
      • Responder

      O nosso presidente vai assistir à tomada de posse do Lula (bandido)… Tem mais que fazer.

    • Rosa on 30 de Dezembro de 2022 at 10:02
    • Responder

    O que faz este tipo de comportamentos são as maiorias . Nunca deveriam existir maiorias e muito menos hoje, “as pessoas ainda estão contaminadas pelo COVID” . Têm muitas dificuldades em se colocar no lugar do outro, de quem trabalha. Os milhões vão para o governo, e não só nos ordenados, mas sim na despesa que cada membro gasta no final de cada mês!… Deveriam apresentar contas mensais ao País. Eles não são “donos dito tudo”. Quase todos os ministros já trataram muito mal a maioria dos portugueses. São arrogantes, mal educados!… O que fez o ME ao representante do STOP, é crime. Insultou-o em público. Deveria demitir -se ou ser demitido. Grande exemplo para os nossos alunos. Quando ouvem o representante do ME a insultar professores, os alunos vandalizam as escolas!…. Afirmam-se de maneira diferente! Sempre ouvi dizer o exemplo tem de vir de “cima”!…
    ,.

    • Pescador on 30 de Dezembro de 2022 at 14:04
    • Responder

    Está aqui tudo, compacto e direto.
    Os portugueses não querem saber e votam nos amigos das migalhas, afinal é fácil comprar os votos dos pobres (também de espírito).
    Está aqui tudo sobre as opções políticas das últimas décadas… É só ver…
    https://youtu.be/H4tFwwfrWj0

      • pablo on 31 de Dezembro de 2022 at 15:06
      • Responder

      Vídeo poderoso… poucos devem ter visto! Henrique Neto e Paulo de Morais a mostrarem a corrupção do estado!

  1. Insultou-o em público. Deveria demitir -se ou ser demitido.

  2. I am grateful for your contributions. I’ve read a lot of material that is connected to this topic! In contrast to numerous other articles, I was left with a really clear impression after reading yours. I really hope that you will continue to write postings that are equally as enlightening as this one and others for us and everyone else to read!

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    • kevin on 25 de Novembro de 2024 at 13:06
    • Responder

    The “normalization” of villainy in media raises important questions about how narratives shape our perceptions of morality and complexity. It’s a fascinating topic to reflect on during a break, perhaps while you Play Wordle Unlimited to unwind and spark creativity!

    • james on 29 de Dezembro de 2024 at 17:39
    • Responder

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    tornou-se uma alternativa divertida, onde pessoas encontram entretenimento simples longe das tensões democráticas. Este contraste entre autoritarismo político e liberdade recreativa demonstra como os portugueses equilibram realidade e lazer.

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