A arte de empatar reuniões…

Depois de uma prolongada, xaroposa e excruciante exposição a “concílios”, vulgo reuniões, frequentemente empatados por costumeiras discussões inconsequentes e por monólogos supérfluos e desnecessários, fica-se, muitas vezes, com a sensação de que se arrastou cada “sínodo” desses por mais de duas horas, quando cada um deles se poderia ter realizado em menos de metade do tempo…

Poderia, poderia, se:

 – A comunicação entre os respectivos intervenientes fosse realizada de forma pragmática e eficiente;

– Alguns intervenientes não repetissem, até à exaustão, o que já foi dito e redito, sem acrescentar nada de novo;

– Alguns intervenientes não apresentassem recorrentemente dados irrelevantes ou fúteis;

– Alguns intervenientes não gostassem muito de se ouvir a si próprios;

– Alguns intervenientes evitassem os discursos fastidiosos, “redondos” e redundantes, marcados por grande dispersão…

“Concílios” que se arrastam por tempo infinito, costumam significar desperdício de horas em actividades inúteis e improfícuas; onde se passa a maior parte do tempo a discutir minudências inúteis, como o “sexo dos anjos”; e quando se olha para o relógio, muitas vezes, já não há tempo para tratar de assuntos que seriam realmente importantes…

De qualquer forma, reconheçamos que é preciso alguma sapiência e mestria para empatar “concílios”…

Em praticamente todas as escolas, existem intervenientes peritos ou especialistas naquilo que comummente se designa por “conversa de treta”, apesar de, quase sempre, colocarem um tom muito enfático em todas as suas palavras…

O que afirmam é sempre tido por si como muito pertinente e deve, por isso, suscitar a maior atenção e o maior interesse por parte de quem os ouve, quer estejam a dissertar sobre o estado do tempo ou sobre os benefícios do chá de malva na prevenção e no tratamento das hemorróidas…

Como se fossem a “ultima bolacha do pacote”, existem também os intervenientes que parecem considerar que devem ter sempre a “derradeira palavra” e que a sua suprema competência e superior sabedoria lhes confere a prerrogativa de estarem acima de qualquer crítica, reparo ou opinião…

A noção do ridículo e do absurdo é algo que parece faltar a alguns desses intervenientes, tornando-se, nas anteriores circunstâncias, muito tentador afirmar: “a sua mensagem foi recebida e ignorada com sucesso” (roubado da internet) ou desconversar, por exemplo, assim: “eu disso não sei nada, eu é mais bolos” (Personagem José Severino, Herman José) …

Resiliência é aguentar um “concílio” de duas horas, muitas vezes a ouvir discutir o conceito de Abstracto, de Infinito ou de Profundo, sem perder o controlo ou a compostura e sem mostrar sinais de irritabilidade, conseguindo recalcar a frustração e dissimular muito exaspero e alguma raiva… Isso, sim, é resiliência…

Claro está que os “concílios” realizados por via dos meios telemáticos ao dispor acabam por se tornar um pouco mais suportáveis do que os que ocorrem presencialmente, de onde é praticamente impossível “fugir”, pelo menos do ponto de vista físico:

Porque a paciência infinita é um desígnio apenas alcançável pelos Santos, e sendo possível desligar o som e a imagem, mas continuar “em modo presente” no “concílio”, torna-se legítimo fazer algumas pequenas “pausas” de natureza diversa, sobretudo quando a loquacidade alheia desrespeita todos os critérios de razoabilidade…

Nessas situações parece perfeitamente aceitável e desculpável que se possam “contornar ligeiramente” as regras, tendo como principal objectivo a mitigação de possíveis efeitos irreversivelmente entediantes…

E quem nunca “prevaricou” em tais circunstâncias, que “atire a primeira pedra”…

(Bom descanso neste pequeno interregno, rumo aos “concílios finais”, onde por certo continuará a tagarelice vácua e redundante…).

 (Matilde)

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3 comentários

    • Stan Dupp on 14 de Abril de 2022 at 10:56
    • Responder

    Mas chato mesmo é este texto rococó, que nada traduz ou dá a pensar, a não ser o gesto de quem tenta superar um pesado complexo de inferioridade.

    • Falcão on 14 de Abril de 2022 at 14:59
    • Responder

    A culpa é dos DIRETORES de turma que são e serão sempre responsáveis pelo arrastar das reuniões: ou diretamente porque não prepararam as reuniões convenientemente (e/ou as transformam em autênticas homílias e verdadeiras secas), ou indiretamente porque não as sabem gerir (não controlando os tempos e os excessos de alguns colegas).

    A verdade é que os DIRETORES de turma são, hoje por hoje, os grandes sacrificados do sistema, claramente os que mais trabalham e chatices têm e, só por isso, deviam ser recompensados com a atribuição da totalidade da componente não letiva ao trabalho na DT (e quem fosse de 14 horas, teria 2 DT’s). Isto sim seria justo e correto!

    • Carlos Manuel Moreira on 14 de Abril de 2022 at 17:08
    • Responder

    Exatamente como eu penso!
    (alguns dá-me a ideia que têm “medo” que as reuniões sejam muito curtas!…)

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