Educação e Legislativas 22. Sem horizonte de esperança. – José Manuel Alho

 

Lamentavelmente, quem está na oposição ambicionando ser poder, não revela vontade nem tampouco apresenta programa para inverter o atual estado de coisas. A sul-americanização da Educação aparenta ser mais abrangente e consensual do que presumirão os mais ingénuos. Na verdade, não há motivos para vislumbrar qualquer horizonte de esperança.

Educação e Legislativas 22. Sem horizonte de esperança.

Estranhamente, ou não, a Educação deixou de constar do leque de prioridades dos principais partidos políticos. Não dá votos nem cativa especiais simpatias. De resto, nos partidos com  histórico de responsabilidades governativas, escasseiam quadros, com pensamento e visão estruturados, sobre área tão determinante para o nosso futuro coletivo. Definitivamente, a Educação deixou de ser sexy e, quando muito, existe um punhado de culambistas que se limita a cultivar o psitacismo.

Sem inocentes, o setor conheceu severa degradação, patrocinada por um poder político que remeteu para a Escola todos os problemas que não soube ou não quis resolver. E tamanho processo, de tão ostensivo, logrou transformá-la no grande braço armado do assistencialismo em Portugal – de que será expoente máximo o 1.º Ciclo – desvirtuando a sua missão original. Muito por influência da solução parlamentar que, nos últimos seis anos, suportou o governo atual, a prioridade parece ter sido a de criar uma escola pública pobre para os probrezinhos, uma espécie de grande cantina social do país, primeiro e último amortecedor das crises resultantes de sucessivas incompetências governativas.

Esta abordagem, que conquistou seguidores da esquerda à direita, levou a que se descurasse a dignidade dos profissionais da Educação. As carreiras foram brutalmente mutiladas e o seu estatuto, aos olhos da sociedade, foi dilacerado por quem, à luz do inscrito na Constituição, deveria – pasme-se! – garantir a sua dignificação.

Os professores, já sem a união e a força de outros tempos, parecem tomados pela Síndrome de Estocolmo, aparentando desenvolver um sentimento de lealdade e compreensão para com uma classe política que (só) os terá ofendido e fragilizado. Para essa prostração, terá contribuído a anestesia dos principais sindicatos de docentes, engolidos pelos inconfessáveis pactos ditados pelos respetivos diretórios partidários, pelo que, desde há muito, aquelas organizações parecem ter optado por iniciativas fofinhas e tolerantes, razão primeira da desmobilização do professorado.

Lamentavelmente, quem está na oposição ambicionando ser poder, não revela vontade nem tampouco apresenta programa para inverter o atual estado de coisas. A sul-americanização da Educação aparenta ser mais abrangente e consensual do que presumirão os mais ingénuos. Na verdade, não há motivos para vislumbrar qualquer horizonte de esperança.

O certo é que o setor, em janeiro de 2022, precisaria de algo para o qual não temos classe política habilitada: um pacto para uma década, que devolvesse segurança e previsibilidade aos alunos, aos professores e às famílias . Estancar sonsos ímpetos pseudorreformistas, que consomem recursos valiosos em derivas experimentalistas, deveria ser o seu primeiro parágrafo!

No mais, não se afigura possível valorizar a carreira docente, combatendo a escassez anunciada de professores, sem:

  • desburocratizar, premiando, o exercício da função docente, deformado por desvios que já atingiram proporções insanas;
  • valorizar quem, apesar de todas as crises e sacrifícios, permaneceu na Escola Pública, reconhecendo para o efeito todo o tempo de serviço efetivamente prestado pelos professores e sobre o qual (já) foram pagos todos os impostos;
  • extirpar da carreira os garrotes iníquos que sobre ela impendem, com as infames quotas de acesso ao mérito nos 5º e 7º escalões.

 

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6 comentários

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    • Professora militante do CHEGA on 4 de Janeiro de 2022 at 18:09
    • Responder

    Quem discorda deste programa, levante o dedo! CHEGA de os professores portugueses votarem numa percentagem de 95% no PS, PCP e BE, com os restantes 5% de votos docentes a serem absorvidos pelo MRPP, LIVRE e outros partidos!

    1. O CHEGA apresenta-se a eleições com a «Reforma do Ensino Básico e Secundário – Seis Princípios Fundamentais» (disponível online), possibilidade histórica sem precedentes dos portugueses se congregarem num renovado modelo de ensino baseado em seis princípios fundamentais:

    «Princípio do combate intransigente à indisciplina»: o maior, mais sério, mais grave e mais escamoteado problema do ensino que alimenta fenómenos crescentes de violência escolar e social.

    «Princípio do combate radical à burocracia»: expediente intolerável de humilhação dos professores pela classe política, com grave prejuízo para o rigor e a qualidade do ensino.

    «Princípio da defesa da simplicidade na classificação dos resultados escolares»: estes estão em profundo descrédito institucional e social, a ponto de se terem perdido referentes claros e justos sobre quem deve transitar/passar e quem deve ficar retido/reprovar.

    «Princípio da defesa intransigente dos exames nacionais»: pilares insubstituíveis do contrato social entre a escola e a sociedade, a legitimidade dos exames nacionais está minada pela esquerda e extrema-esquerda.

    «Princípio da defesa da simplificação de currículos e programas»: núcleo dominado pela doutrinação ideológica e desperdício de recursos pagos por contribuintes sobrecarregados de impostos.

    «Princípio da autonomia institucional»: para assegurar a autorresponsabilidade das escolas.

      • Zabka on 5 de Janeiro de 2022 at 21:00
      • Responder

      Mas este é o programa desta semana? Deste mês? Deste ano? Ou ainda vai mudar? Só enganam atrasados mentais como vocês, porque todos sabemos o verdadeiro programa do Chega para a educação: privatizações com entrega às igrejas e grupos económicos das escolas e destruição do ensino dos pobres e remediados.

    • Atento on 4 de Janeiro de 2022 at 18:17
    • Responder

    Até que enfim!………

    Escola Pública = “…uma espécie de grande cantina social do país”

    “As escolas não podem fechar porque a sua função assistencial se tornou tão grande que se sobrepôs à educativa.” Daí as ditas “Escolas de referência para Acolhimento”……para ACOLHIMENTO dos Desgraçados desta Vida……uma espécie de HOSPICIO………….

    Muito Bem Dito!…….Haja Lucidez!……SETÔRAS e SETORES deixem-se de ser Otárias e Otários!………

    Hoje aquilo a que chamam “ESCOLA” não passa de um enorme “ARMAZEM” onde os progenitores colocam os seus rebentos para poderem desenvolver as suas atividades ludicas, profissionais ou outras…….

    Hoje aquilo a que chamam “ESCOLA” não passa de uma enorme “CANTINA SOCIAL” onde se dá de comer aos FAMINTOS desta vida (Filhos de Desempregados; Filhos daqueles que vivem do Rendimento Social de Insersão (RSI); Filhos de Prostitutas; Filhos de Delinquentes; Filhos de Presidiários; Filhos daqueles que auferem o Salario Minimo Nacional no valor de 635 Euros e que levam para casa á volta de 500 euros…….

    Hoje aquilo a que chamam “ESCOLA” não passa de uma enorme INTRETEM onde os designados professores dão umas TRETAS de que são exemplo as “cidadanias”, “educação ambiental”, “educação sexual”, “desporto escolar/toma lá uma bola para dares uns chutos”………..

    Hoje aquilo a que chamam “ESCOLA PUBLICA” não passa de uma enorme FRAUDE onde os pobres são acolhidos…..Sim!….porque os filhos da classe média e alta são colocados em Escolas de Bandeira e em Colegios Privados onde possuem uma boa preparação para a Vida Futura.

    Ao que a ESCOLA PUBLICA chegou!…….Não!….isto não merece ser chamado de “ESCOLA”…………A ESCOLA é um local de ENSINO-APRENDIZAGEM e não um HOSPICIO para os Desgraçados da Vida.

    Quanto ao VALORIZAR………penso que os “Empregados de Armazem” (digo, Sitôras e Sitôres) já estão demasiadamente Bem Pagos para a sua função de ENTERTAINERS”. Isto é gente que se lhe cortarem os salários em 30% ainda estão Muito Bem Pagos…….deixem-se de tretas……………….

      • Sardao pró Atento on 4 de Janeiro de 2022 at 22:58
      • Responder

      Muito bem, seu Atento!
      A propósito, já tomaste a dose diária de Sardão versão V55.7 ?

    • Luluzinha! on 4 de Janeiro de 2022 at 19:05
    • Responder

    “Tampouco”??? O que é isto?

    • Zabka on 5 de Janeiro de 2022 at 20:57
    • Responder

    Este blogue desde que foi entregue ao analfabeto caiu no abismo.
    Sem comentários:
    https://m.youtube.com/watch?v=b23FutNNqXo

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