Pouco mais de um mês depois do início do ano letivo, deparámo-nos com a praticamente inexistência de professores disponíveis para trabalhar em Lisboa e Vale do Tejo (QZP 7), na maior parte dos grupos de recrutamento.
Para melhor se conseguir interpretar a tabela abaixo, tomemos como exemplo o grupo 520 – Biologia e Geologia:
- Tinha 1337 professores disponíveis na lista de ordenação, dos quais 322 estão por colocar (24,1%).
- No QZP 7, o professor com maior n.º de ordem colocado em horário completo foi o 1216, na RR6. Isto significa que até esse número ninguém concorreu para o QZP 7, para horário completo.
- Se olharmos para a lista de não colocados (ainda disponíveis para colocação), percebemos que acima de 1216 há apenas 6 professores: os potenciais candidatos a ocupar as vagas que venham a sair.
- Quase de certeza que, desses 6 candidatos, nem todos concorreram para essa zona e muito menos para horários incompletos.
Significa isto, que a ENORME maioria dos professores disponíveis nas listas de não colocados NÃO concorre para os QZP’s a sul e, se excluirmos os grupos do 1º ciclo, pré-escolar e educação física, percebemos que, no máximo, estão disponíveis cerca de 800 professores para ocupar os horários completos de Lisboa e Vale do Tejo.
Os grupos assinalados a vermelho no quadro acima, são aqueles que têm menos de 5% dos professores disponíveis para esse QZP, o que torna a tarefa de substituir os professores de baixa muito difícil (nos horários completos).
Se falarmos de incompletos… O PANORAMA É MUITO PIOR!
Olhar de relance para as contratações de escola e cruzando esses dados com os retirados das listas de ordenação, é suficiente para perceber que os 74 professores colocados em oferta de escola nem conseguem ocupar os 135 horários completos apresentados na plataforma.
Em suma, independentemente do ponto de vista pelo qual abordemos este problema, a conclusão é a mesma: a situação é grave em todo o país, mas assume contornos irremediavelmente dramáticos em muitas regiões.
Nem no PRR, nem no Orçamento de Estado se avistam medidas concretas para resolver atenuar este problema… pelo que vemos o sistema educativo (público e privado) a caminhar tranquila e serenamente para o abismo!





8 comentários
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Bom dia
Correm rumores (na sala de professores do meu AE de um colega que faz parte do sindicato) que o ME quer obrigar os professores que estão vinculados em Qzp a regressar ao seu QZP de origem de modo a colmatar este problema. Basicamente querem mexer na MI e não na MpD….
Acham isso possível? Até que ponto isso é legal?
A verdade é que se isto for mesmo verdade, vamos assistir a uma migração de professores dentro do país do norte em direção ao sul….
Isso resolveria o problema por uns 4/5 anos apenas.
prof. Karamba:
Em relação aos pontos 1 e 2 não me vou pronunciar. Já em relação ao ponto 3, convém recordar que
a) em relação às “baixas”, é na escola pública que estão os docentes com a idade que já há muito não interessa ao privado por se tornarem mais caros e já com algumas incapacidades inerentes à idade e desgaste da profissão. Por alguma razão, anteriormente a 2007, 55/60 anos era a idade normal da reforma docente.
A apresentação ao serviço dos docentes de baixa no período de férias é bastante lógico: o atestado médico serve para justificar as faltas ao serviço por doença. Se está de férias, mesmo que esteja doente, não precisa de faltar e, logo, não há faltas para justificar.
b) “faltas” ao abrigo do artº 102º não são “faltas”, são dias de férias gozados antecipadamente.
Pelo resto da lista depreendo que defende o fim das faltas para apoio a familiares doentes (filhos, cônjuges, pais…), bem como o fim do direito à licença de maternidade/ paternidade e do direito das mães gozarem duas horas/ dia para amamentarem os filhos.
Não sei se o professor Karamba é professor e duvido que seja professor do secundário.
A única certeza que tenho é que o professor Karamba é uma besta.
E uma tabela assim para os restantes QZP, para ver a nível nacional? Também era interessante
Lamento mas quem concorreu para determinado qzp , tinha de ter em mente que ficaria eternamente por lá até ser QA.
Se não tinha isso em mente arriscou. Quem arrisca ás vezes perde.
O prof. Karamba diz muitas verdades! Esta aliança entre médicos e professores para enganarem o sistema, que ocorre há anos debaixo das barbas do Ministério da Educação, do Ministério da Saúde e da Ordem dos Médicos é um verdadeiro escândalo!
Agora o que está dar são os acidentes em serviço. Tropeçar e bater com o trazeiro no chão é suficiente para ficar um ano sem dar aulas!! Outra moda são os trabalhos moderados decretados pelas Juntas Médicas. Nesse caso, o professor tem de ir a uma consulta de medicina no trabalho, na qual um médico, que não percebe nada do funcionamento das escolas, decide de acordo com o desejo do professor; chegam a decretar incapacidade para o serviço letivo por tempo indeterminado!!! Averiguem quantos professores estão nesta situação na região de Lisboa e Vale do Tejo.
Quando é que a comunicação social começa a dar importância a estes assuntos? Isto não é corrupção? Ou os corruptos são só os políticos?
Os professores que “dão o litro” todos os dias, que estão sobrecarregados de horas extraordinárias para assumirem as turmas destes “artistas” porque já não há professores para os substituir, nem na contratação de escola, estão fartos.
No ponto 1 nota-se uma clara ignorancia, com um pico de inveja dos “pseudo-sitôres das educaxões expexialissimas”. triste.
Sobre o ponto 2, conseguimos ver de onde é que vem este “professor”.
E finalmente no ponto 3… nem apetece continuar…lol
Ha qualquer coisa de muito errado com esta noticias vindas do ministério e, tudo o que dizem revela FRAUDE, ENGANO dos cidados,, para justificar cortes nas escolas e nos sistemas tais como o da SAUDE: