Porque as crianças são curiosas por natureza, a tal tábua rasa à nascença, ou então uma tela toda ela branca e alva, ansiosa, não, sequiosa e em bicos dos pés mais as mãos no ar à procura das milhares de milhões de pinceladas por chegar.
Por ser elementar encontrarmos em cada experiência uma oportunidade para aprender.
Por já se saber como o cérebro, e com o cérebro a criança, cresce em proporção aos estímulos de todos os dias com especial enfoque nos primeiros anos de vida.
A escolaridade a partir dos 3 anos de idade vai entrar em discussão pública como parte integrante da Estratégia de Combate à Pobreza 2021-2030.
E não obstante desconhecer os meios pelos quais um governo se propõe a tal façanha, estes dois braços abertos diante de tal oferta não podiam estar mais de acordo.
Afinal, a escolaridade não é nem obrigatória nem uma obrigação. Não, a escolaridade é um dever, o dever de pais para filhos, de professores para alunos, de um país para os seus cidadãos.
E quanto mais cedo melhor. De modo a promover a socialização, a partilha, as amizades tantas vezes para a vida. Para que as crianças aprendam a esperar pela sua vez, combatendo a frustração, desenvolvendo a resiliência.
Em nome da cooperação, da unidade e o apoio dos pares e com a unidade e o apoio dos pares a auto-estima, a autoconfiança, a segurança de ter os pés bem assentes na terra e alguém que não nos deixa cair.
Para bem da diversidade que também rima com igualdade num mundo cada vez mais multicultural e onde a tolerância e aceitação são verbos repetidos até à exaustão quando se quer o outro, tu, eu, nós todos como iguais.
Escolaridade é também sinónimo de independência e responsabilidade no que toca aos cuidados diários entre o lavar dos dentes e das mãos, horas para dormir e acordar, vestir e fazer a mala para a escola entre outras rotinas diárias.
Querem que continue? O aumento dos níveis de literacia com o seu reflexo no resto da vida ao nível não só académico mas social num mundo onde a capacidade de expressão verbal e escrita são bens cada vez mais escassos.
O desenvolvimento da inteligência emocional quando se coloca a criança diante do outro e de outros, outros modos de ver, pensar e agir, equipando a criança com a palavra empatia mais o primeiro passo para o pensamento abstracto, pensamento esse onde também cabe a planificação, a imaginação e a criatividade.
O gosto pela aprendizagem e esta devoção ao conhecimento que fica para sempre, em constante movimento lado a lado e de mãos dadas com esta criança.
As maiores probabilidades de sucesso profissional e pessoal quando vida há só uma para se viver realizado, e com a realização a felicidade.
Por tudo isto, como se fosse preciso justificá-lo, não deixarei de participar na consulta pública da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030. A data, ainda por marcar, está para breve.
Já a resposta é imediata: sim ao alargamento da escolaridade, sim à escola pública, sim aos professores, aos pais e alunos, sim aos nossos filhos, sim às crianças.