Bisneto, neto, filho e irmão de professores, este é o dia de um facto essencial da minha vida. Que não é só a profissão. E um dia bom para lembrar os que a exercem com mérito, em condições infinitamente piores que em qualquer país europeu, incluindo Portugal.
E pensar que temos de continuar a lutar pela profissão, mas com foco e senso.
A minha bisavó e a minha tia avó andavam 10 kms todos os dias entre casa e a escola, a pé.
A minha tia avó levou a primeira sanita que houve na aldeia onde começou a dar aulas e em 20 anos a dar aulas nunca morou em casas com água corrente.
A minha avó tinha 85 alunos na sua sala e criou a tradição de garantir e oferecer aos seus alunos pobres os sapatos para fazerem exames. Por ela, ninguém deixou de avançar por andar descalço. E imagino o que lhe deve ter custado a ela, pessoa orgulhosa como eu e a quem custava pedir, andar a pedir ajuda para vários alunos poderem avançar da 4ª classe. Mas valeu a pena porque, anos depois, as pessoas que ajudou a construir, reconheciam que isso era também obra sua. Outros tempos, com outras realidades, mas de que deve haver memória. E os valores essenciais de ser professor não podem ter mudado assim tanto.
No meio do desânimo justo dos precários e das discussões fúteis de “dias livres” ou “tardes de sexta livre” e de “horários a contento” dos instalados, convém não esquecer a missão, que é o que vai vencer o desânimo, se a sociedade a reconhecer mais. E a valorizar como deve.
E há pensamento e reflexão interiores a fazer entre nós.

9 comentários
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Este senhor Luís S. Braga é pena ser professor, dava um grande Causídico.
Apenas tenho pena que não saiba ler um parágrafo, mas com mais umas leituras o colega vai ao sitio.
Tenho pena que Vª. Exa. não tenha seguido direito, teriamos aqui um grande defensor de SACANAS, de TRAFULHAS, de PATIFES, de BANDALHOS desde que estes sejam da coligação PPD-PSD/CDS-PP.
Dedica-te á Pesca, porque nem para professor serves….
Mais valia estares calada.
Luís Braga : não tenho a mais pequena dúvida acerca do brio, dignidade , humanismo, extraordinário espírito de sacrifício e profissionalismo da sua avó e bisavó. O meu mais sincero reconhecimento – e a minha vénia – a todos esses exemplares professores primários , incluindo os “meus” saudosos mestres .
Outros tempos, caro Luís Braga . Quem nos dera…
Muito sinceramente continuo a achar que nós somos a classe mais desunida de sempre. Se os próprios professores dizem mal uns dos outros e não se ajudam como querem estar bem vistos perante a sociedade?
Pensem nisso caros colegas.
Ficava muito bem, pelos menos não andarmos em praça pública a dizer mal uns dos outros e sim a ajudar-nos.
Os professores atuais também levam muitos “sapatos e sanitas” para a Escola… Mas não se pode esperar que continuem a “missão” com o constante “apoio inequívoco” dos sucessivos governos, sejam da ala esquerda, central ou direita do nosso espectro político.
Os professores estão cansados de levar gozo dos ministros, secretários de estado e dos pseudo sindicalistas que “defendem” a classe com muita classe…
O problema é que agora ainda há muito professor que tem de partilhar a sanita, num quarto alugado qualquer. Os anos passam e as moscas e a merda não mudam!
Quanto à discussão fútil dos “dias livres” e das “tardes de sexta livres” o que é triste é que isso só depende da decisão unipessoal do Senhor Diretor (vómitos!!!)… e há uns um bocadinho mais artistas que outros, sendo que numas escolas é assim e noutras é assado! Curiosamente, este ano, parece que está a virar moda os artistas quase todos não “darem dia livre”. Devem ter combinado isso numa almoçarada qualquer das listas para o Conselho de Escolas. Já agora convém referir que se há “dia livre”, há-de haver outro dia mais carregado, ou não estão todos os horários organizados em 35 horas? E, como todos sabem, dificilmente essas 35 horas chegam para tanta reunião e javardice burocrática que há para fazer, em particular, os desgraçados que são diretores de turma. Há muitos anos atrás, quando não havia componente não letiva e as reduções de cargos e projetos eram todas na letiva, aí sim, havia dias livres, sem aspas! E eu sempre fui a favor, a escola era um espaço onde se podia respirar, conversar, conviver, enfim, ter tempo para pensar e trabalhar com outra motivação. Hoje… enfim, até me escuso de elaborar, pois sinto nojo e vergonha alheia pelo estado a que chegámos! Apesar de tudo isto, e o mais que aqui não cabe, lá dentro, na sala de aula, ainda bate o coração, ainda vale a pena manter a chama acesa! Só por eles, e para eles (os alunos!).
Ele, o Braga, fala assim porque já é diretor outra vez! Ou semi.
E também porque se está na véspera da viabilização de mais um OE com jeitinhos dos geringonços costumeiros que traem os professores escancaradamente! (Já levaram no pêlo nas autárquicas) Gente que faz de conta que defende altos ideais mas na prática só quer é seu naco na grande carcaça!
São eled que, com estas atitudes, infelizmente catapultam a extrema Le Pén!