O título deste item diz tudo; e nada de novo. É uma insistência e espicaçamento, mesmo sabendo que talvez equivalha a chover no molhado.
Seja no ensino básico e obrigatório, seja no dito ‘superior’, os professores estão vencidos económica e axiologicamente. O primeiro aspeto é por demais evidente; o segundo não é menos. Ganham mal e não poucos carregam o fardo da precariedade laboral. Todavia, exercem o mister ajoelhados perante um deus que mina os pilares e fins da educação e formação, da vida e da civilização.
Como se isto não bastasse, encontram-se divididos. Muitos (a maioria na universidade!) renderam-se: não gostam de estar na primeira linha da cidadania e de pagar o preço da dignidade e liberdade; preferem o conforto da omissão, do silêncio e da cobardia que é, no dizer de Michel de Montaigne (1533-1592), “mãe da crueldade”. A minoria, que não se entrega e clama por insurgência contra a situação, é vista como estranha pelos pares; não raras vezes, enfrenta aversão, desconsideração e até perseguição.
Há ou não assuntos da Humanidade e Sociedade merecedores da tomada de posição dos professores? Não é necessidade premente a renovação da Educação e da Escola, da Formação e da Universidade? Isto não lhes diz respeito, não obriga ao pronunciamento? Porque é que tantos fogem da responsabilização e afogam a voz?
Um genuíno pedagogo não se confina no papel de apagado regente de tarefas escolares, de intermediário apático entre estas e os discentes. Participa na reforma e inovação de conceitos e processos, na proclamação de circunstâncias favoráveis ao desempenho da função. Procura estar à altura do que representa e vale a pena: nada menos do que um mundo novo! A conjuntura não espera dele outra atitude.
Enfim, os professores passam hoje por duras penas. Mas o futuro não julgará todos da mesma maneira. Usará como balança o aviso de Cornelius Castoriadis (1922-1997): “É preciso escolher: ou descansamos ou somos livres.”

3 comentários
“Porque é que tantos fogem da responsabilização e afogam a voz?” (Jorge Bento)
Os professores têm contas para pagar ao fim do mês!!!
Os sindicatos que se unam e paguem os dias de greve aos seus sócios, durante 2 semanas e verá como os professores param o país. Agora não peçam participar em greves de 1 dia, que há muito que não levam a nada. E a existência de diversos sindicatos, marcarem greves em datas diferentes, só contribui para que a opinião publica continue a rotular os docentes de profissionais que só fazem greves e que não querem trabalhar.
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É triste ouvir isto da voz de um Sitôr ou Sitôra da Tanga da dita Latrina Publica (digo escola publica).
Com que então!…Os professores têm contas para pagar ao fim do mês??????!!!!!!!!…….
Que dizer dos ASSISTENTES OPERACIONAIS que ganham o Salário Minimo….665,00 euros
Que dizer dos ASSISTENTES TECNICOS???????
Que dizer dos Técnicos (Psicologos, Terapeutas…) que estão na Latrina Publica?…..
Será que só as Sitôras e Sitôres das Tanga tem contas para pagar?….Tenha VERGONHA …………..
Outro peidófilo o pensador