Famílias pouco satisfeitas com ensino à distância no 1.º ciclo

 

Famílias pouco satisfeitas com ensino à distância no 1.º ciclo, revela estudo

Apenas três em cada 10 pais inquiridos num estudo da Deco se manifestaram satisfeitos com o ensino à distância no 1.º ciclo e a maioria revelou que os filhos tiveram saudades da escola durante o confinamento.

Segundo um inquérito realizado pela associação de defesa do consumidor no final de junho, a maioria dos 537 pais inquiridos não avaliou de forma positiva o novo modelo de ensino imposto pela pandemia da covid-19.

Em meados de março, o Governo decidiu encerrar todos os estabelecimentos de ensino, como forma de conter a propagação do novo coronavírus, e todos os alunos, desde o pré-escolar ao ensino superior, foram para casa.

No caso do ensino básico, as crianças não puderam regressar à escola e o 3.º período foi passado à distância, com aulas ‘online’ e os professores num ecrã.

Para alguns pais com filhos no 1.º ciclo, o novo modelo de ensino foi pouco satisfatório e os 537 encarregados inquiridos pela Deco atribuíram uma classificação média de 5,8 numa escala de 0 a 10.

Segundo os resultados hoje divulgados pela associação, o apoio prestado às crianças com necessidades educativas especiais foi aquele que mereceu por parte das famílias uma avaliação mais negativa (2,5 em 10), sendo que apenas 5% dos pais referiu a realização de algum trabalho neste sentido.

Entre os aspetos menos satisfatórios, os encarregados de educação referiram também as tarefas propostas pelos professores e as aulas por videoconferência com outros docentes além do titular.

Por outro lado, as aulas por videoconferência e os vídeos gravados pelo professor titular foram os aspetos positivos mais referidos, seguidos das aulas televisivas na RTP Memória e do apoio suplementar dado pelos docentes, que mereceram uma avaliação média de 5,8 e 5,5 em 10, respetivamente.

Da parte das crianças, a experiência do ensino a distância parece não ter sido particularmente positiva e se as saudades das escolas e dos amigos se fizeram sentir pela maioria, a facilidade em acompanhar as atividades foi pouca.

De acordo com os resultados do inquérito, só um quarto das crianças do 1.º ciclo ficou feliz com a mudança e 84% admitiriam sentir saudades da escola, enquanto 91% manifestaram o mesmo sentimento em relação aos colegas.

Por outro lado, apenas um terço dos alunos teve facilidade em concentrar-se durante as aulas ‘online’, a que assistiram durante o 3.º período em casa maioritariamente através do computador, e em trabalhar de forma autónoma com as plataformas digitais.

Ainda assim, a maioria (81%) realizou todas as tarefas propostas que, segundo 40% dos pais, foram em maior quantidade em comparação com aquilo que os professores propõem habitualmente, mas apenas metade conseguiu fazê-lo sozinho.

No total, 72% dos pais referiram, por isso, que os filhos precisaram de ajuda suplementar, sobretudo para esclarecer dúvidas durante o estudo autónomo, mas também com explicações sobre a matéria e orientação para seguir o plano de aulas diário.

Cerca de metade dos encarregados admitiu ainda que a aprendizagem em casa foi mais difícil para as crianças que, na sua maioria, se manifestaram preocupadas com a avaliação final.

O próximo ano letivo arranca entre 14 e 17 de setembro e nessa altura os alunos já vão poder regressar à escola e ao ensino presencial, que será o regime presencial durante os três períodos letivos.

Caso a situação epidemiológica volte a empurrar os alunos para casa, a prioridade será para manter, sempre que possível, os 1.º e 2.º ciclos nas escolas

 

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6 comentários

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    • Rui on 26 de Agosto de 2020 at 13:49
    • Responder

    Claro que sim! Mas alguém no seu perfeito juízo acha que as aulas á distância é que são melhores que as presenciais?
    Alguém acha que se podem cativar miúdos á distância?
    Agora… Quando não há outra alternativa bque remédio… Além de que no 1 ciclo a autonomia é zero e precisam de estar sempre acompanhados pelos pais.
    Mas ainda há dúvidas? Aliás …quem não prefere?

    Agora, resta saber se o ME deu ás escolas CONDIÇÕES para que as aulas presenciais aconteçam em segurança. Por todos queremos o presencial.

    O ME deu desdobramento de turmas?, Acrílicos entre mesas? Um aluno por mesa?, Sistemas de ventilação adequado nas salas?, máscaras ffp2 descartáveis?, Mais auxiliares para limpeza?
    Deu? Ok… Então podem abrir as escolas.

    • António Alves on 26 de Agosto de 2020 at 14:11
    • Responder

    Sem dúvida que as aulas à distância são péssimas (para os que querem aulas atrás de tablets meditarem… ) mas a circunstância foi excepcional… Falecer é capaz de ser um bocadinho pior… Entretanto segue a rusga e as medidas necessárias para assegurar um regresso seguro às aulas continuam em banho-maria… Junte-se ao que já foi dito que a própria OMS já veio dizer que será aconselhável o uso de máscaras para crianças dos 6 aos 12 anos… ainda para mais em ambientes fechados e com pouca ventilação, salas apinhadas… Nestas circunstâncias, mesmo com o uso de máscaras, que não está previsto no 1º ciclo, o distanciamento, como é óbvio não poderia ser de 1 m nem sequer de 1,8 m, mas mais… Seria importante encontrar espaços alternativos para as aulas como estão a fazer outros países… mas não em Portugal!

      • Recomendações on 26 de Agosto de 2020 at 14:49
      • Responder

      Tem a certeza que o OMS fez essa recomendação?

      WHO and UNICEF advise that the decision to use masks for children aged 6-11 should be based on the following factors:

      – Whether there is widespread transmission in the area where the child resides
      – The ability of the child to safely and appropriately use a mask
      – Access to masks, as well as laundering and replacement of masks in certain settings (such as schools and childcare services)
      – Adequate adult supervision and instructions to the child on how to put on, take off and safely wear masks
      Potential impact of wearing a mask on learning and psychosocial development, in consultation with teachers, parents/caregivers and/or medical providers
      – Specific settings and interactions the child has with other people who are at high risk of developing serious illness, such as the elderly and those with other underlying health conditions
      https://www.who.int/news-room/q-a-detail/q-a-children-and-masks-related-to-covid-19

        • António Alves on 26 de Agosto de 2020 at 15:57
        • Responder

        Conheço perfeitamente e ouvi a conferência de imprensa… Tendo em conta que as crianças também são portadoras e transmissoras do COVID, que muitas turmas terão mais de 20 alunos em espaços reduzidos; que a transmissibilidade é superior com uma grande concentração de aerossóis; que o arejamento de algumas salas é nulo; que , chegado o inverno as crianças estarão em grande proximidade em espaços fechados, não falo sequer das cantinas; que muitas crianças do 1º ciclo serão transportadas em táxis contratados pelas autarquias com grande proximidade e de gupos /turma diversos … Onde está a dúvida para preenchimento dos critérios enunciados? Já nem falarei que é absolutamente ridícula a distanciamento de 1m num espaço confinado onde poderão estar 100 crianças de diferentes grupos (por exemplo nas cantinas)… Onde está a dúvida sobre ?
        Já nem falarei no famoso ”R” o indicador de transmissão que deverá estar abaixo de 1 na comunidade… Se abrirem as escolas sem testagem, como parece, e desconhecerem o índice de transmissibilidade dentro da comunidade, não há retórica que contrarie os factos!

    • Luis on 26 de Agosto de 2020 at 16:32
    • Responder

    Estes ao menos colocaram acrílicos entre mesas:
    https://m.facebook.com/ensiguarda/videos/339547817421168

    Seria ideal em todas as escolas

      • Maria Indignada on 26 de Agosto de 2020 at 22:13
      • Responder

      Muito bom! Ainda não tinha visto.

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