Um balanço do ano letivo

 

Findo mais um ano letivo, marcado indelevelmente pela novidade do ensino à distância (E@D) – ensino de emergência, urge fazer balanço, embora provisório.

Até ao início de março, a vida nas escolas decorreu normalmente, com desafios diários prontamente resolvidos. Com a chegada antevista da pandemia ao nosso país, os encarregados de educação (EE), receosos, adotaram uma atitude protecionista, resolvendo gradualmente suspender a frequência dos seus filhos.

Sentiu-se um clima de apreensão coletiva, misturado com algum desnorte, pois não se augurava a gravidade e as implicações que se viriam a impor.

O espanto instalou-se com o parecer do Conselho Nacional de Saúde Pública ao declarar que “só se justifica o encerramento total ou parcial de estabelecimento de ensino público ou privado com autorização expressa das autoridades de saúde”, contrariando a expetativas generalizadas do desejável encerramento dos estabelecimentos.

Todavia, em 12 de março, a tão aguardada declaração ao país do Primeiro Ministro determinou a suspensão das atividades letivas presenciais com o encerramento das escolas.

O dia 16 do mesmo mês marca o 1.º dia do resto do ano letivo!

Sem aviso nem preparação prévios, as escolas reinventaram-se num curto espaço de tempo, de forma a suprir o distanciamento físico imposto, implementando uma multiplicidade de estratégias e operações conducentes à continuidade do processo ensino-aprendizagem. A Escola ficou sem vida, uma vez que seus os atores viram-se forçados a permanecer confinados nos seus lares.

Os recursos informáticos e a rede de internet revelaram-se instrumentos essenciais de operacionalização do E@D. As últimas duas semanas do 2.º período letivo evidenciaram algum exagero na quantidade de atividades exigidas aos alunos, deixando os EE à beira de um ataque de nervos. Os professores, solícitos na consecução das tarefas desenvolvidas, evidenciaram desempenho de excelência, aperfeiçoado no 3.º período, através da elaboração em cada escola de um Plano de E@D.

O dia 18 de maio marcou teste importante de regresso à escola dos alunos do 11.º e 12.º anos, com uso obrigatório de máscaras, respeitando assim as regras de higiene e o distanciamento recomendados. No Dia Mundial da Criança, o ensino pré-escolar abriu portas aos mais novos, permitindo o retorno aos espaços dos quais tinham imensas saudades. Em ambas as situações, o desenrolar dos acontecimentos teve nota máxima, superando-se com mestria os receios prognosticados.

A 1.ª fase dos exames nacionais (terminou a semana passada) decorreu tranquilamente, com a invulgaridade de serem realizados pelos alunos fazendo uso de máscara. A 2.ª fase acontecerá nos primeiros dias de setembro, contrariando a tradição, mas obedecendo às regras implementadas ocasionalmente.

A experiência adquirida durante o final do 2.º e 3.º períodos está a servir de base de trabalho reflexivo na preparação do próximo ano letivo. Desde logo, através da construção, pelas escolas, de um plano de ensino presencial, misto e à distância, da obrigatoriedade do uso da máscara a partir do 2.º ciclo, da reorganização das escolas (transformação das salas específicas em salas de aulas normais, atribuição de uma sala a cada turma, acesso condicionado dos alunos a alguns espaços – bar, salas de informática, biblioteca, criação de regras específicas

para as aulas de Educação Física, possibilidade servir almoços em regime takeaway…), do apoio para recuperação e consolidação das aprendizagens nas primeiras 5 semanas de aulas, da suspensão da reutilização dos manuais escolares (todos os alunos terão livros novos), da promessa do governo no investimento de 400M de euros em computadores e rede wi-fi no âmbito da Escola Digital, acrescido de 125M para a contratação de professores, pessoal não docente e técnicos especializados, incluindo assistentes sociais, psicólogos e mediadores, etc…

Os diretores tudo farão para que o regime presencial seja uma realidade efetiva no próximo ano letivo, implementando regras e procedimentos a serem cumpridos por todos os elementos das comunidades educativas. Acreditemos na capacidade de liderança dos dirigentes escolares, devidamente apoiados pela tutela, por forma a que se continue a perspetivar a Escola como um lugar seguro!

 

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10 comentários

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    • Zaratrusta on 27 de Julho de 2020 at 11:59
    • Responder

    Mais uma mensagem de um porta voz do governo. A do Ascensão deve estar para breve.

      • Atento on 27 de Julho de 2020 at 14:11
      • Responder

      ,
      os atuais diretores que temos nas escolas são maioritariamente nMEDIOCRES e, por isso, acredito que vai ser um salve-se quem puder….isto vai correr mal……muito mal mesmo……

      Alguem vai ter que ser responsabilizado se existirem obitos…..e tudo indica que assim será……

      Quem joga na lotaria pode ter azar…….
      ,

  1. Texto= Idolatria, auto-idolatria e mais idolatria.

    • António Alves on 27 de Julho de 2020 at 12:43
    • Responder

    Estão a brincar? A situação em setembro será caótica! Como não há directiva claras o livre arbítrio imperará…
    Se olharem para os países asiáticos há procedimentos absolutamente específicos e material ; desinfecção; testes , medida de temperatura, separação por acrílicos (ver Coreia o Sul)… Já vi planos para o próximo ano letivo de alguns agrupamentos… é o nada absoluto! Pior é que no país do Trump os especialistas colocam a posição clara da Ciência para que as coisas corram bem… aqui nem um pio… já nem falo nas Associações de pais que deveriam dar já um murro na mesa para que tudo se clarificasse… caladinhos , ou então a apoiar a política em vez da Ciência! Certo?

      • Kita on 27 de Julho de 2020 at 16:53
      • Responder

      Muito bem! Subscrevo. Ainda ontem comentei nesta plataforma sobre o silêncio absoluto das associações de pais! Um absurdo baseado em interesses políticos. E a saúde/vida dos filhos? Os pais podiam ser a mola para uma mudança radical no rumo que vamos ter! Mais do que os professores!

    • Pirilau on 27 de Julho de 2020 at 13:34
    • Responder

    E quem é o autor deste escrito?
    O último parágrafo resume tudo…

    • Alecrom on 27 de Julho de 2020 at 13:40
    • Responder

    “Acreditemos na capacidade de liderança dos dirigentes escolares, devidamente apoiados pela tutela, por forma a que se continue a perspetivar a Escola como um lugar seguro!”

    Aalllleeeeelluuuuuuiiiaaaa!

    • Matilde on 27 de Julho de 2020 at 14:11
    • Responder

    “Acreditemos na capacidade de liderança dos dirigentes escolares, devidamente apoiados pela tutela, por forma a que se continue a perspetivar a Escola como um lugar seguro!”

    Acreditamos mesmo na capacidade de liderança dos dirigentes escolares e confiamos no apoio disponibilizado pela tutela?

    Que provas têm sido dadas, quer por dirigentes escolares, quer pela tutela, para que os possamos considerar como entidades confiáveis e credíveis?

    O crédito e a confiança em alguém não costumam ser gratuitos, têm que ser conquistados e merecidos…

    E de nada servem os discursos supostamente comoventes, dramáticos, apaziguadores e motivacionais, como tentativa de pacificar e de tranquilizar as hostes, porque não há “bálsamos” possíveis que eliminem as acções erráticas de dirigentes escolares e da tutela, observadas nos últimos tempos…

    Mandar entrar os violinos enquanto o teatro está a arder, talvez não seja a melhor estratégia para tentar apagar o fogo…

    • pretor on 27 de Julho de 2020 at 14:17
    • Responder

    Máscaras de tecido (sociais) (as que nos vão dar)
    Quando feitas com várias camadas, reduzem a exposição das outras pessoas às gotículas expelidas por quem a está a utilizar, mas a sua eficácia é reduzida. Exigem que a distância social seja respeitada.

    Máscara cirúrgica
    Reduz a exposição das outras pessoas às secreções do utilizador e também o protege das gotículas de maiores dimensões que possam conter vírus ou bactérias. Compostas por TNT (tecido não tecido), não são eficazes a bloquear as partículas microscópicas que circulam no ar.

    Respirador FFP1 , FFP2 e FFP3
    Filtra cerca de 99% das partículas que circulam no ar, incluindo as mais pequenas, com 0,3 micrómetros (0,003 milímetros). Já o modelo FFP1 impede a passagem de, pelo menos, 80% das partículas, e o FFP2 de 94% (nos EUA, o modelo equivalente é o N95). Habitualmente feitas de microfibra sintética

    • Ana Costa on 27 de Julho de 2020 at 17:47
    • Responder

    Este texto não devia vir assinado?

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