22 de Julho de 2020 archive

Uma aldeia povoada por irredutíveis Izedenses ainda resiste ao invasor

… das agregações e do encerramento.

Parece que este assunto é localmente conhecido, mas até hoje esta escola ainda resiste à sua extinção.

E-mail que me chegou com pedido de divulgação.

 

Escola da localidade de Izeda, situada no concelho de Bragança e pertencente ao Agrupamento de Escolas de Abade Baçal, encontra-se a funcionar com apenas 3 turmas do 2.º e  3.º ciclo, correspondendo a um total de 22 alunos.

A escola fica situada a 45 Km de Bragança,   sendo alguns alunos transportados de aldeias próximas,  que em termos de distancia e tempo de percurso,  chegariam mais rapidamente e com mais segurança  à escola sede do que à referida  localidade de Izeda.

Com o encerramento de turmas com menos de 20 alunos em vários locais do país, como é possível este estabelecimento de ensino continuar de portas aberta com turmas de 5 ou 6 alunos?

Além dos constrangimentos referidos, acrescenta-se que os alunos beneficiariam mais em termos pedagógicos,  integrados na escola sede do Agrupamento,  uma vez que as limitações em termos de sociabilização são acentuadas, aumentando mais as desigualdades entre alunos.

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E Para Terminar o Ano Letivo com Algum Humor

“Minha Máscara tão Querida”

 

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Vamos todos para a Manif… afastadinhos, claro… é a 5 de outubro

 

Vai ser como no 1.º de maio e podemos treinar na festa do Avante…

“Professores não vão ser carne para Covid.” Fenprof anuncia protesto para 5 de outubro

O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof) anunciou, esta terça-feira, a convocação de um protesto nacional no dia 05 de outubro, sublinhando que as ações reivindicativas “não podem aliviar”.

Referindo que o protesto se realiza na data em que se assinala do Dia Mundial do Professor, Mário Nogueira defendeu que os docentes devem sair à rua, em particular porque dias depois, em 10 de outubro, o executivo entregará o Orçamento do Estado para 2021.

Em declarações à TSF, Mário Nogueira garantiu que “é completamente irresponsável a forma como [o Ministério da Educação] está a organizar o regresso às aulas no início do próximo ano letivo”. Assim, os docentes “exigem que sejam tomadas medidas que ao nível da gestão de espaços, de horários, da utilização de máscaras que garantam segurança e confiança aos professores e às famílias”.

O líder da Fenprof lembrou que no dia 18 de maio abriram as escolas secundárias para alguns alunos e, mesmo assim, houve escolas encerradas, mesmo com “número de alunos reduzidos porque os grupos foram partidos, com distanciamento de alunos, com jovens que têm mobilidade bem menor do que no 1.º ciclo, porque são mais velhos”.

“Queremos [saber se] a DGS, que tem sido rigorosa nas condições de funcionamento dos espetáculos, espaços fechado, valida as orientações que o Ministério está a dar para estes espaços fechados – que são as salas de aula – onde vão estar muitas pessoas”, solicitou.

“Não sei o que querem do 1º ciclo, mas há uma coisa que os professores não vão ser: carne para Covid”, atirou.

“Se os professores não tomarem posição e não se puserem frescos nessa altura, o Governo vai refrescá-los com medidas de que nós não nos vamos esquecer”, afirmou.

O local do protesto, numa altura em que se prevê um possível agravamento da situação epidemiológica decorrente da pandemia da Covid-19, ainda está por definir, mas o dirigente sindical assegura que serão cumpridas todas as regras de segurança que estiverem em vigor na ocasião.

“Não faremos aquilo que o Ministério [da Educação] quer fazer das escolas, que são espaços de eventual transmissão desta epidemia”, acrescentou, fazendo referência às orientações da tutela para o próximo ano letivo, que têm merecido fortes críticas da estrutura sindical.

O anuncio do protesto aconteceu durante uma ação de rua, organizada pela Fenprof, que juntou em frente ao Ministério da Educação cerca de 40 docentes em defesa das condições de trabalho dos profissionais do 1.º ciclo.

Em declarações aos jornalistas, Mário Nogueira criticou a posição do Governo em relação a estes profissionais, acusando o primeiro-ministro e o ministro da Educação de terem utilizado os professores do 1.º ciclo durante a campanha eleitoral.

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3600 euros mensais em máscaras para uma escola de pequena/média dimensão

 

Este é o valor estimado para um agrupamento de escolas de pequena/média dimensão no interior do país, 3600 euros, com cerca de 1200 alunos.

As contas são fáceis de fazer e não estão incluídos, o gel desinfetante e outros desinfetantes que se vão gastar a mais com a limpeza dos espaços. Só em máscaras temos um valor que vai ter que ser incluído no orçamento das escolas que não é pequeno se o multiplicarmos por 811 agrupamentos de escolas de todo o país.

Mas vamos a contas. Tendo como referência esta estimativa e chamando à atenção para a dimensão do agrupamento, serão necessários cerca de 32.400 euros durante os meses de funcionamento das atividades letivas. Se multiplicarmos este valor pelo número de agrupamentos do país, o Ministério da Educação terá de transferir para o orçamento das escolas 26.276.400 euros, só para máscaras. Como também há muitos agrupamentos de média/ grande dimensão, o valor será, certamente, bem superior.

Veremos se o pacote da União Europeia chega às escolas…

 

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Nós temos que ser críticos dentro das nossas escolas – Mª João Horta (DGE)

 

 

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“Nada substitui um bom professor” – António Sampaio da Nóvoa

 

 

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Não me falem já do regresso às aulas, por favor! – Carmo Machado

Não me falem já do regresso às aulas, por favor!

Mal entreguei as provas de exame 639, corrigidas a muito custo, percebi que era chegada a hora de parar. Ou, pelo menos, de tentar. Mas este objetivo saiu gorado pois continuaram a surgir tarefas e mais tarefas, ao ponto de, no momento preciso em que escrevo este texto, o último deste ano letivo (2019-2020), ter percebido que pela minha parte chega. Fechei a loja. Cumpri tudo o que me foi pedido e ultrapassei o número de horas dedicadas à escola desde que as aulas presenciais terminaram. Se fazem favor, esqueçam por uns dias que eu existo: fui professora dos três anos do ensino secundário, diretora de turma de um 12ºano com alguns pais e encarregados de educação com Covid-19 (o que impediu os seus educandos de fazer os exames na 1ª fase), classifiquei os exames nacionais… E, por favor, Senhor Diretor, Senhora Adjunta do Diretor, Senhor Coordenadora dos Diretores de Turma, Senhora Chefe da Secretaria; Senhora Coordenadora de Departamento, Senhora Coordenadora de Grupo disciplinar, Senhoras e Senhores Pais e Encarregados de Educação, alunos, repito, por favor não me enviem mais emails.

Desta pouca capacidade que me resta para pensar, ocorrem-me apenas algumas ideias gerais antes de ir a banhos:

  1. A escola é cada vez menos democrática; perguntam-nos, talvez por descarga de consciência, para opinarmos nos grupos de departamento sobre temas fraturantes mas raramente o que defendemos é ouvido e muito menos seguido.
  2. Houve um pai que proibiu os filhos de frequentar as aulas de Cidadania alegando objeção de consciência em relação ao programa da disciplina; e se um pai vier decidir que não quer que o filho estude Saramago por discordar com as suas ideias demasiado revolucionárias sobre a existência de Deus, impede-o aluno de frequentar as aulas de Português do 12º ano?
  3.  Parece que há uma professora do 1º ciclo que gosta de livros mas não gosta de os ler; ai, se vocês soubessem sobre a quantidade de professores que não podem ler ou que não sabem ler
  4. Sei de casos de professores que praticamente não deram aulas online durante  o periodo de confinamento enquanto outros correram a comprar computadores e microfones e colunas e mesas digitais.
  5. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o salário mínimo de 635 euros era razoável no contexto português, pelo que considerará certamente o ordenados dos professores mais do que suficiente para viver decentemente.
  6. Os alunos regressarão às escolas em setembro com máscara e uma distância de 1 metro entre eles, decisão que me parece impossível se mantiverem o tamanho habitual das turmas.
  7. Estão a ser equacionados três cenários para o regresso às aulas; se me perguntassem qual dos três cenários para o novo ano  letivo eu escolheria, a saber: (i) aulas totalmente presenciais; (ii) regime misto com percentagem maioritária de aulas presenciais e uma pequena parcela de aulas síncronas; (iii) aulas totalmente online, optaria sem dificuldade pelo segundo.

Passo a explicar. Um regime misto de aulas para o próximo ano letivo teria a vantagem de evitar que passássemos (professores, alunos  e auxiliares) tantas horas na escola, permitindo uma melhor gestão na transmissão/propagação do vírus; por outro lado, um sistema misto bem organizado e preparado traria a mais valia de integrar de forma eficiente as novas tecnologias de informação e de comunicação no processo de ensino e de aprendizagem (com regras e critérios bem definidos), algo que considero ter sido apenas levemente trabalhado durante o período de confinamento. Mas para já, precisamos todos de férias. Se fazem favor, não me falem já do regresso às aulas que eu preciso de tempo para ler uns bons livros…

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Açores sem plano C. 2 bastam…

Se virmos bem as coisas, dois planos são mais do que suficientes. Ou estás na escola ou estás em casa, não há meio termo.

Governo dos Açores prepara regresso às aulas presenciais, mas com “plano B”

O “regresso seguro às aulas” no ano letivo 2020/2021 elaborado pelo Governo dos Açores prevê o regime presencial para “atividades letivas e não letivas”, mas prepara um “plano B, que consistirá num regime de ensino à distância”.

“Tendo em conta a presente situação epidemiológica na Região Autónoma dos Açores, a Secretaria Regional da Educação e Cultura (SREC), através da Direção Regional da Educação, e após parecer da Autoridade de Saúde Regional, prevê iniciar o próximo ano letivo (2020/2021) em regime presencial, destinado a toda a comunidade escolar”, informa o documento que traça o “regresso seguro às aulas” para o próximo ano letivo, a que a agência Lusa teve acesso.

E o foco é mesmo toda a comunidade escolar, já que, no capítulo dedicado ao regime presencial, as orientações em destaque são que este modelo “envolve atividades letivas e não letivas” e “o regresso às aulas presenciais é obrigatório para todos os alunos de todos os anos de escolaridade, de todas as modalidades de ensino, em todas as disciplinas”.

O plano admite, no entanto, caso a situação epidemiológica assim o determine, que as escolas devem estar preparadas, também, para o “regime à distância de atividades letivas”.

Para tal, o Governo Regional compromete-se a distribuir mais 500 computadores pelas escolas da região, de acordo com o levantamento das necessidades feito em abril.

Esse regime “poderá ser aplicado nas escolas/unidades orgânicas de toda a Região Autónoma dos Açores, às de uma ilha, a uma escola/unidades orgânicas em particular, ou mesmo a uma turma específica”, esclarece o documento.

No que toca ao reforço das aprendizagens, ainda que seja recomendado que se cinja à matéria lecionada naquele ano, é admitida a possibilidade de existirem “alunos que não tenham desenvolvido as aprendizagens estruturantes durante o 3.º período de 2019/2020”, situações que devem ser diagnosticadas pela comunidade escolar e que devem ser atendidas “de forma flexível”, dando “particular atenção aos alunos em início de ciclo”.

Para o pré-escolar, este roteiro lembra que “ainda que sejam conhecidas as recomendações para o distanciamento físico, é de não perder de vista a importância das aprendizagens e do desenvolvimento das crianças e a garantia do seu direito de brincar”, por isso, recomenda “flexibilização e adequação na organização das rotinas, dos espaços, dos materiais e das atividades”.

Cabe a cada estabelecimento escolar a elaboração de um plano de contingência, mas o Governo impõe o uso de máscara a “toda a comunidade escolar com idade igual ou superior a 10 anos”, bem como uma série de medidas sanitárias, como a disponibilização de solução antissética de base alcoólica, a higienização e desinfeção regular dos espaços e superfícies, ou a manutenção do distanciamento social, sempre que possível, com a criação de circuitos de acesso aos espaços.

A constituição de turmas deve acontecer normalmente, “não havendo previsão de redução do número de alunos, ajustando-se, sempre que possível, o tamanho das turmas à dimensão de cada sala”, e os horários devem “evitar o aglomerado de pessoas no mesmo local, propondo-se, tanto quanto possível, horários desfasados de entrada e saída, bem como de interrupção para almoço”.

“Os horários podem ser alargados, caso haja necessidade de criar espaços temporais que evitam o aglomerado de muitos alunos, prevendo-se os possíveis ajustes em termos de transportes públicos”, à exceção dos “horários dos alunos da educação pré-escolar e do 1.º ciclo”, que devem ter intervalos desfasados entre os anos de escolaridade.

O “plano B, que consistirá num regime de ensino à distância”, é semelhante “às orientações já emanadas aquando do início do 3.º período de 2019/2020, sendo que sofrerá atualizações pontuais, mas não significativas”, informa a tutela, que remete para “breve” essas mesmas orientações.

 

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Secretário de Estado nega ter mandado chumbar dois alunos do quadro de honra de Famalicão

“ O problema é mesmo um problema com sexo, género e com convivência com outras culturas”

“Mentiras e omissões”, disse João Costa no Parlamento.

“O Ministério da Educação não tem competência para chumbar alunos.” Foi assim que João Costa, secretário de Estado da Educação respondeu ao deputado Duarte Marques, do PSD, quando confrontado com a notícia, divulgada pelo site Notícias Viriato, de que teria assinado um despacho a determinar a reprovação de dois alunos do quadro de honra por não terem frequentado a disciplina obrigatória de Cidadania e Desenvolvimento. As declarações foram feitas no Parlamento mesmo no final da última audição regimental da atual sessão legislativa do ministro da Educação, que ficaram marcadas por outros anúncios de Tiago Brandão Rodrigues.

O caso de Famalicão: “Mentiras”, diz João Costa
Depois de lembrar que o ministério não tem competência para passar ou reprovar alunos, João Costa explicou que o que aconteceu foi que a tutela foi alertada pela escola de que dois alunos tinham sido aprovados sem a realização da disciplina — “o que sabemos ser ilegal”, disse. A partir daí, o Ministério da Educação remeteu o caso para a Inspeção Geral de Educação e Ciência que deu o seu parecer.
“Mediante a exposição feita pela IGEC, esclareceu-se a escola de quais os procedimentos a adotar para a reposição de legalidade”, clarificou João Costa. Estes, frisou, passavam por um plano de recuperação à disciplina que os pais — que proibiram os filhos de assistir à disciplina — “recusaram”.
A história, “veiculada por um site de pseudo notícias tem algumas mentiras e omissões”, acrescentou o governante. “A primeira mentira é que existe um despacho a mandar chumbar os alunos”, disse o secretário de Estado, clarificando que o que o seu documento pede “é a reposição da legalidade”.

“Quando não se frequenta uma disciplina, não se pode passar, por isso a decisão de transitar os alunos é nula e está ferida de ilegalidade”, argumentou João Costa. A segunda mentira foi dizer que a escola não fez nada quando, na verdade, “desencadeou os processos normais” numa situação desta.
“A terceira mentira é fazer como o eurodeputado do CDS e dizer que esta disciplina se chama Sexualidade, Género e Interculturalidade. Mas isso ajuda-nos a pôr o dedo na ferida. O problema é mesmo um problema com sexo, género e com convivência com outras culturas”, finalizou o secretário de Estado.

Secretário de Estado nega ter mandado chumbar dois alunos do quadro de honra de Famalicão

 

 

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Um Trump qualquer apreciaria este ministério – Santana Castilho

Um Trump qualquer apreciaria este ministério

1. Logo que o Ministério da Educação decidiu manter a “normalidade” dos exames nacionais dos 11º e 12º anos, num contexto radicalmente anormal, e anunciou as alterações que pretendia introduzir-lhes, afirmei que ficava definitivamente anulada a sua validade, como instrumento de relativização das classificações das escolas e garante do cumprimento universal de um curriculum nacional.
Não convivo mal com pontos de vista diferentes dos meus e estou sempre disponível para ser confrontado com eles, antagónicos que sejam. Mas não posso aceitar que a credibilidade objectiva que deve presidir aos exames nacionais seja reduzida a subjectividades de interesses conjunturais. Exames realizados, dois exemplos, dois entre outros possíveis, a que se junta um extracto do Expresso, mostram a degenerescência e desfaçatez a que chegámos:

– Como bem escreveu Orlando Farinha (Observador de 10/7/2020) e por mais insólito que pareça, um aluno pôde ter 15,5 valores, sem escrever uma única palavra no seu exame de Filosofia. Será possível entendermos a Filosofia dissociada da capacidade argumentativa? É aceitável que um exame de Filosofia possa ser cotado com 15,5 valores (e mesmo mais) sem que o examinado seja solicitado a discorrer sobre um problema, por pouco complexo que seja, analisando-o e teorizando sobre ele? Não sendo a Filosofia servida por metodologias empíricas ou formais, que permitam prever a obtenção de resultados precisos, ocupando-se antes de problemas fundacionais do pensamento humano, poderemos medir o conhecimento que os alunos retiraram da frequência da disciplina por um generoso conjunto de perguntas de escolha múltipla?

– O segundo exemplo do aviltamento que é feito ao ensino sério está na análise eloquente e fundamentada que Elisa Costa Pinto (Público de 11/7/2020) fez sobre o exame de Português do 12º ano, cuja leitura recomendo reiteradamente. É compreensível a vergonha que a autora expressa por ver a metodologia dos “testes à americana” ser aplicada à análise de textos literários e por constatar a indigência das questões formuladas aos alunos sobre alguns dos nossos autores clássicos.

– “Não sou leitora, nunca fui muito de ler livros, mas sempre adorei tê-los”, disse candidamente ao Expresso a professora Isa, que já foi defendida no Parlamento de “críticas cruéis e mesquinhas”, pelo primeiro-ministro, a mesma que terá pronunciado 84 Oks na aula de Português, que abriu essa maravilhosa demonstração pública das liberalidades pedagógicas dos professores do século XXI, que cantam rap, dançam zumba, prestam-se a demonstrar as suas criativas metodologias nos programas de Cristina Ferreira e de Manuel Luís Goucha e foram estrelas no “5 Para a Meia-Noite” e no “O Preço Certo”.

Um Trump qualquer apreciaria muito este Ministério da Educação, pela regressão mental que promove, transformando aulas em entretenimento e exames em charadas de cruzinhas. Aconselhar injecções de lixívia para curar a covid-19, ou usá-la para branquear os resultados da “flexibilidade curricular” e das ”aprendizagens significativas”, equivalem-se no disparate.

2. Na génese do estado a que a Educação chegou, esteve um consistório de 12 sábios, que apontou o caminho para o século XXI, qual estrela de Belém. Na génese do que poderá ser o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030 esteve só um, notoriamente sabedor. O problema não é a qualidade do documento, que a tem. O problema é programar-se o futuro de um país pela cabeça de um só cidadão, sem ouvir as instituições políticas, profissionais, académicas e sociais. Como o próprio documento reconhece, diagnósticos há muitos, feitos por vários homens igualmente inteligentes (recordo, por todos, o relatório de Michael Porter). O problema é a escassez de políticos capazes de definir caminhos e de mobilizar a sociedade para agir e os executar, talvez porque, como o documento volta a reconhecer, citando Kant, “o mundo é governado pela paixão, pela irracionalidade e por males periódicos”.

Em todo o caso, que alguns dos milhões esperados de Bruxelas sejam “orientados para o rejuvenescimento, formação e atualização do corpo docente, para o apoio aos estudantes de famílias com maiores dificuldades económicas, bem como para a requalificação e modernização da rede de escolas”, como o plano propõe.

In “Público” de 22.7.20

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