Mau! Depois de 3 meses lembraram-se que necessitamos de formação…

Os professores não estão preparados para ensinar à distância

As  escolas fechadas desde março, a adaptação de professores e de alunos a uma realidade desconhecida, e que apanhou o país e o mundo desprevenidos, obrigaram a uma mudança súbita nas rotinas e nos hábitos de ensino. Sem receitas e sem soluções, a comunidade escolar avançou para uma aventura sobre a qual ainda é cedo fazer um balanço, como acredita David Justino, professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa e ex-ministro da Educação: “Tivemos que caminhar tacteando, pelo que o risco de não correr bem é maior”, disse esta tarde durante a conferência ‘Parar Para Pensar a Educação’, a quarta de um ciclo de oito que decorrerão ao longo das próximas semanas

O debate, organizado pelo Expresso em parceria com a DECO Proteste, reuniu um conjunto de especialistas no sector da educação, e contou ainda com a presença de Alexandre Homem Cristo, co-fundador e presidente da QIPP, organização sem fins lucrativos que atua na área da educação, Nuno Almeida, IM B2B manager da Samsung Ibéria, Rita Coelho do Vale, professora de marketing na Católica Lisbon, e Teresa Calçada, comissária do PNL 2027 (Plano Nacional de Leitura). A moderação ficou a cargo de Marta Atalaya, jornalista da SIC Notícias, que conduziu a conversa online, a partir da sede da Impresa.

FORMAR PROFESSORES E PREPARAR ESCOLAS É PRIORIDADE

  • Seja pela idade avançada, seja pela falta de preparação técnica, os professores não estão preparados para ensinar à distância. Esta é uma das conclusões de um estudo realizado pela Universidade Nova de Lisboa – ainda não divulgado por não estar concluído – e citado por David Justino. Já as escolas estão, na opinião de Rita Coelho do Vale, mais preparadas agora do que há quatro meses. Opinião partilhada por Nuno Almeida que arrisca dizer que “evoluiram mais em poucos meses do que nos últimos 40 anos. Ainda assim, acrescenta que “é fundamental formar os professores para esta nova realidade e dar-lhes as ferramentas necessárias”. Teresa Calçada também acredita que, não obstante todas as limitações de escolas e de professores, houve uma resposta de emergência boa, mas “o ponto de partida era muito frágil”. Agora, é preciso aproveitar o momento para “preparar as escolas para que a igualdade seja uma realidade”.

O DESAFIO DAS DESIGUALDADES

  • Desigualdades educativas, sociais e materiais agravaram-se com o ensino à distância. “Alguns alunos não tiveram qualquer contacto com as escolas, outros não conseguiram manter o ritmo de aprendizagem, e outros ainda não contaram com o apoio familiar essencial”, disse Alexandre Homem Cristo, para quem o grande desafio do próximo ano letivo será perceber a situação dos alunos e avaliar os danos. Rita Coelho do Vale reconhece as desigualdades mas destaca que estão menos visíveis no Ensino Superior, uma vez que os alunos estão mais preparados para lidar com a tecnologia do que, por exemplo, no 1.º Ciclo onde existem mais desafios que exigem maior capacidade de adaptação.

A CAMINHO DA EDUCAÇÃO DIGITAL

  • A tecnologia é uma parte integrante do ensino à distância mas deve ser usada apenas pontualmente e como complemento, acredita Nuno Almeida. Na sua opinião, ainda há muito a fazer para chegarmos a um modelo de educação digital, com projetos mais abrangentes e participados por alunos, professores, pais, Governo e sociedade. Para Rita Coelho do Vale há muitas oportunidades a explorar na tecnologia ao serviço do ensino e, acredita a professora, “a pandemia vai obrigar a repensar a educação”. Mas o ensino presencial será sempre o mais eficaz e não deverá ser totalmente substituído pelas plataformas de ensino à distância, pois “não substitui os professores nem o contacto social”, acrescenta Alexandre Homem Cristo.

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9 comentários

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    • Alecrom on 1 de Julho de 2020 at 10:40
    • Responder

    Face às dezenas e dezenas de horas de autoformação que nos últimos meses fizemos para a implementação de técnicas pedagógicas de espectro digital/telemático,
    por que razão os nossos sindicatos não exigem um qualquer tipo de Reconhecimento, Validação e Certificação de(ssas) Competências?
    Estão à espera de quê?
    Cambada de imprestáveis.

      • Alecrom on 1 de Julho de 2020 at 10:50
      • Responder

      *uma qualquer expedita forma de…

        • Maria Costa on 1 de Julho de 2020 at 11:20
        • Responder

        Concordo plenamente. Há que exigir que a formação nesta àrea, seja especifica para todos os grupos. É Transversal a todos.

  1. Eles precisam é de ganhar €€€€€com formações da treta…isso sim.

    agora que ha guito para a entidades que dão formação … é só abutres

    • Politicamente Incorrecto on 1 de Julho de 2020 at 14:26
    • Responder

    Como seria de esperar destes sábios ignorantes, mais uma vez a culpa é dos professores.
    Há escolas sem dinheiro nem para papel higiénico? A culpa é dos professores.
    Há escolas onde a água e o frio se entranham em cada inverno? A culpa é dos professores.
    Há escolas com instalações eletricas decrépitas à espera que alguém morra electrocortado? A culpa é dos professores.
    Há escolas onde os computadores são da idade da pedra e apenas ocupam espaço pois já não funcionam? A culpa é dos professores.
    O Ministério da Educação não proporciona aos professores formação suficiente, adequada e não onerosa que, por lei, lhe compete? A culpa é dos professores.
    Gastaram-se e continuam a gastar-se rios de dinheiro em formações da treta que só interessam a certas empresas e certos grupos bem identificados e bem instalados com ligações aos boys que polulam em torno dos poderes instalados? A culpa é dos professores.
    Muitos alunos não possuem as condições técnicas adequadas para participarem com qualidade no ensino a distância?A culpa é dos professores.
    Muitos alunos não têm sequer duas refeições decentes por dia? A culpa é dos professores.
    Muitos alunos não têm o acompanhamento parental que seria desejável? A culpa é dos professores.
    Aqueles que no dia 12 de Março, quinta feira, receberam a notícia do fecho das escolas, gastaram o seu dinheiro em câmaras, auscultadores, microfones e outros apetrechos, passaram esse fim de semana a investigar os meios disponíveis para implementar um ensino à distância de emergência, e que na segunda feira seguinte, dia 16 de Março, estavam com os seus alunos do outro lado dos ecrans, a tentar ensinar-lhes o que era possível nas condições possíveis, esses, obviamente, não são professores.
    Aqueles que passaram três meses a produzir materiais adequados à nova e inesperada situação, que queimaram as pestanas sempre em busca de molhorar a sua prestação nestas novas condições, que estiveram disponíveis para os alunos 24 horas por dia e 7 dias por semana, não são professores.
    A queles que deram tudo o que tinham e não tinham para minorar, na medida do possível, os efeitos nefastos que esta situação provocaria necessariamente nas aprendizagens dos alunos também não são professores.
    Sim, nenhum destes que deram o corpo às balas é professsor, poiis os professores não estavam preparados.
    As únicas pessoas preparadas para o E@D e que, po isso mesmo estiveram na linha da frente a resolver os problemas que iam surgindo a toda a hora foram um tal Justino, um tal Alexandre qualquer coisa Cristo e mais uns quantos ignorantes pretensiosos que mais não sabem do que mandar uns bitaites sobre tudo e sobre nada.
    Vão para o raio que os parta.

      • Alecrom on 1 de Julho de 2020 at 14:34
      • Responder

      E fiquem por lá.

  2. Coitado do raio…tem que levar com esses energumenos…
    Bem, mas falando a sério, subscrevo ipsis verbos o que foi dito. Continuamos a ser vistos como um mal necessário e a partir de setembro um bem necessário para pôr as benditas escolas com contornos de geringonça a funcionar. Com o efeito pirilampo, estaremos por lá pouco tempo.
    Continuamos a falar de planificações assim e assado, em presença e à distância, mas do que realmente importa, nada… Espaços físicos para dividir turmas, onde estão? Em alguma escola isso é falado? Preparação de rotatividade, estamos a falar disso? Apoio das autarquias para colocação, por exemplo, de pré fabricados ou contentores, é falado? Mais recursos humanos, porque muitos professores vão simplesmente de baixa por problemas crónicos, bem como AO? Fala-se…mas será que vai ser assim? Não há dinheiro nem para mais fotocopiadoras, quanto mais para isto… Sabem o que vai acontecer? Implosão total do sistema educativo, que já se vinha a adivinhar antes da pandemia. Se tenho soluções? Não. Mas quem pode realmente fazer algo para prevenir males maiores que sem margem de erro vão chegar, está onde? Srs. Diretores, parem de estar obcecados em burocracia neste momento e em inventar mais trabalho para quem já está em burnout e olhem para a frente! O que aí vem não olha a quem…

  3. * verbis- correção

    • Paulo Pereira on 3 de Julho de 2020 at 21:49
    • Responder

    Os “teóricos” terão sempre de falar, pois sempre que falam justificam o que ganham.
    Mesmo que sejam utopias ou generalidades.

    Quanto às Acções de Formação, são raras aquelas em que há sequência entre os temas e a prática docente, numa perspectiva de mais-valia efectiva para o Sistema ESCOLA. Na maioria dos casos é um esquema para captar fundos e beneficiar uns poucos.

    Relativamente às tecnologias, são raras as acções de formação que versam sobre o assunto. E as que há, não se enquadram numa política de formação coordenada de recursos humanos para Projectos de Escola.
    Em muitos casos, o próprio formando tem tanta ou mais formação relativamente ao formador, tendo de cumprir umas dezenas de horas presenciais para “aprender” aquilo que já sabe, para que os seus conhecimentos sejam “validados” por uma certificação, indispensável para capitalizar “horas de formação” para efeitos de progressão. (neste particular, onde andam os Directores para aferir, em modelo de avaliação contínua, as valências dos docentes???)

    Ainda relativamente às tecnologias, quem se lembra de cobrar AJUDAS DE CUSTO para quem investiu em hardware pessoal minimamente actualizado para poder executar a sua actividade em teletrabalho?
    Ironicamente, fala-se da decrepitude do material informático de muitas escolas.
    Ora em tempos de pandemia, esse material está PARADO nas escolas!
    E quem tem de usar equipamento em teletrabalho, tem de se socorrer do seu próprio equipamento.
    Em empresas privadas com 1/10 da dimensão de um Ministério da Educação, os colaboradores têm direito a, no mínimo, um computador portátil a título de empréstimo.
    Acredito que sejam poucos os docentes com estas sensibilidades, pois a sua esmagadora maioria nunca trabalhou no sector privado, e está habituada a “comer e calar”…

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