Covid 19? De recomendações está… Testemunho de uma docente regressada de Itália

Este comentário foi escrito por uma docente no post “Visitas de estudo ao estrangeiro – Alerta da DGESTE”. 

A docente chama à atenção para a ligeireza com que Portugal está a atuar no que diz respeito à chegada de pessoas de zonas afetadas pelo vírus. . O que se vê nas televisões é espetáculo. Porque raio é que os “repatriados” de Wuhan foram hospitalizados durante 14 dias? Espetáculo mediático?

As escolas não estão imunes a servirem de foco de disseminação  da doença.

Fica o testemunho:

 

Recomendação? Então, têm autoridade para determinar tanta coisa e só recomendam ponderação nas visitas de estudo? Não proíbem? As consequências ficam com os professores. Viagens pagas pelos pais que podem exigir reembolso aos professores, sem qualquer problema para as ditas autoridade (apetecia-me escrever outra coisa).
Sou professora e acabei de vir de uma zona afetada pelo coronavírus. Tentei perceber como devia agir: à chegada ao aeroporto nada aconteceu, ninguém me abordou, contactou ou informou. Fui eu que procurei informação. Telefonei para as informações da saúde 24, mas como passava das 22h00, estava fechada. Quando consegui contactar obtive as informações gerais: cuidados de higiene e ir trabalhar (mesmo depois de informar que era professora e trabalhava numa comunidade de cerca de 700 pessoas. Tudo ficou entregue à minha consciência. Falei para a escola que ficou alarmada. Procuraram saber como agir junto de “autoridades” acima deles e pelo telefone (nada por escrito) consideraram que devia ficar afastada. Perguntei: essa informação vai ser dada por escrito? Talvez não, obtive como resposta. Tenho como justificar para as faltas? É que devem ser 14 dias, certo? Conclusão, terei de encontrar um médico que aceite passar um atestado “falso”(não tenho qualquer sintoma de doença) e ficar sem receber, pelo menos nos 3 primeiros dias. Tudo por uma questão de consciência. Enquanto isso, o resto do meu grupo (alguns professores) apresentou-se no trabalho (escola) e a alguns até pediram “segredo”. Podia contar ainda mais, mas por enquanto fico por aqui. Só quero comparar Portugal e Itália: enquanto estivemos por lá, recebemos muitos contactos de familiares aflitos, alarmados, mas no país nada vi fazer. Em Itália, tudo a funcionar sem alarmismo, mas as medidas a serem tomadas.

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3 comentários

    • trocatintas on 26 de Fevereiro de 2020 at 23:22
    • Responder

    Cátassbem!

    • Sorceress on 27 de Fevereiro de 2020 at 0:29
    • Responder

    Ana , deves contactar os meios de comunicação imediatamente!!!
    Só assim vais conseguir fazer quarentena e forçar os teus outros colegas a também fazer quarentena!!!!!
    E só assim vais ficar em paz com a tua consciência.

    Mesmo que consigas que um médico te passe um atestado, os teus colegas vão para escolas amanhã!!!!!!!!!
    Tu sabes disso, e se queres ficar bem com a tua consciência tens de fazer tudo para impedir que tal aconteça!!!!!

    Se esta situação se tornar do domínio público as autoridades vão atuar rapidamente e certamente terás direito à quarentena, assim como os teus colegas. Não acredito que o governo queria ver as nossas escolas infetadas…. eles simplesmente não sabem e dada a urgência da situação só através dos meios de comunicação (correio da manhã, SIC, TVI, RTP)eles vão descobrir o que se passa e só assim conseguirás evitar uma potencial tragédia em tempo útil!!!!!

    • Sérgio Batista on 27 de Fevereiro de 2020 at 21:16
    • Responder

    Mais uma vez, os professores é que se preocupam pois o ME e em particular o homem invisível não está nem aí.
    Mas não se preocupem pois os nossos alunos são muito limpinhos e segundo uns iluminados basta lavar as mãos. Se não fosse grave até apetecia rir.
    Agora uma professora vai pedir um atestado falso e perder salário (tem sorte de não ser da SS) para estar bem consigo própria.
    Se não acontece nada dirão que a prof queria era continuar de férias se acontece algo a prof é uma irresponsável.
    Só espero que nada aconteça pois não haverá sabão que chegue.

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