9 de Fevereiro de 2020 archive

Uma aula modelo na Escola Pública Portuguesa (para conhecimento de muitos)

O professor, apressado entra no corredor do primeiro piso daquele pavilhão de salas de aula, acabou de percorrer seis quilómetros, durante o tempo de intervalo dos alunos, entre a escola onde deu a sua última aula e a onde entrou há um minuto.
À sua espera estão os alunos de um curso profissional, amontoados à porta da sala de aula, agitados, alguns distribuem encontrões “sociais”, falam alto, quase gritando, vociferando o calão habitual por três vezes em cada duas palavras. Ao verem o professor, quase em uníssono, fazem-se ouvir manifestações de desapontamento, estão sempre à espera que o professor não consiga vencer o transito ou, inesperadamente, adoeça, permitindo-lhes uma hora de ócio pelo espaço exterior da escola.
O professor, entre um e outro quase empurrão, lá consegue abrir a porta da sala e entrar com o seu “séquito”, lentamente, atrás de si. Dirige-se, imediatamente, ao computador, que se encontra sobre a sua secretária, para abrir a aplicação onde vai redigir o sumário da aula antes que o segundo toque soe pelos corredores e lhe seja marcada falta. Isso faria com que tivesse de se ir justificar à secretaria da escola onde perderia, certamente, uns quinze a trinta minutos até que o Sr.º Diretor desse a ordem para que lhe fosse retirada a falta.
Entretanto, os alunos vão entrando na sala de aula, entre risos, que se ouvem para lá das finas paredes da escola, e diálogos inflamados, sempre acompanhados pela linguagem calão, sobre um qualquer assunto de extrema importância que não poderia ser tratado depois da aula. Começam lentamente a sentar-se, distribuindo-se aleatoriamente pelo espaço disponível, uns arrastam, ruidosamente, as cadeiras para nelas colocarem os pés enquanto se sentam nas mesas a conversar com o colega mais próximo, ainda de pé, outros, quase em corrida, tentam alcançar as mesas do fundo da sala para poderem estar o mais longe possível do olhar do professor. O professor pede para que se sentem e acabem com as conversas para que possam dar início à aula. Um dos alunos que, ainda, se encontra sentado em cima de uma mesa, responde-lhe que já está sentado desde que entrou à espera que a aula comece. O professor pergunta-lhe se em sua casa também se senta em cima das mesas quando está a conversar com os familiares. O aluno, exaltado, vocifera que a vida familiar dele não é para ali chamada sentando-se, de seguida, na cadeira correspondente àquela mesa com os braços cruzados e ar ameaçador. A turma acalma por momentos e o professor começa a escrever o sumário no quadro branco aparafusado na parede com a caneta que trouxe no bolso do casaco, logo recomeça o burburinho atrás de si, com aviões a voar em direção ao quadro e alguns dos alunos mais calmos a serem vítimas de arremesso de folhas amachucadas. O professor vira-se para a turma, explica, resumidamente, o que acabou de escrever enquanto vai ouvindo os lamentos dos alunos que não têm caderno onde escrever ou caneta para o fazer, esqueceram-se do material, do manual, ficou em casa, na sua ou da vizinha.
Entre um e outro solavanco a aula lá começa com uns a dormir, devido às altas horas a que se deitaram, outros em conversas cruzadas e a “mandar” umas “bocas” de quando em quando e os que mantêm o interesse a esforçar-se por ouvir o que o professor vai explicando e expondo as suas dúvidas para o momento de avaliação que decorrerá na próxima aula.
Quando, finalmente, soa o toque de saída, qual debandada em África, vai tudo à frente, mesas, cadeiras e até alguns colegas. Na sala fica o professor, sozinho, que aproveita para se sentar e respirar fundo pela primeira vez em cinquenta minutos. A aula, hoje, até nem correu mal.

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Aprovado Voto de Condenação e Preocupação N.º162/XIV pela agressão de mais uma professora e assistente operacional

Sim. Muito bem. E agora? Ficamos pelos votos de condenação e preocupação? Preocupados andamos nós há muito. Queremos ação.

Voto n.º 162/XIV/1.ª (apresentado pelo CH) – De condenação e preocupação pela agressão de mais uma professora e assistente operacional na Escola Básica da Bela Vista, em Setúbal;

Favor – PS, PSD, BE, CDS-PP, PAN, CH, IL e Ninsc

Contra –                                                                                                                 Aprovado

Abstenção – PCP e PEV

 

VOTO DE CONDENAÇÃOE PREOCUPAÇÃON.º162/XIV


Pela agressão de mais uma professora e assistente operacional na Escola Básica da Bela Vista, em Setúbal
No passado dia 14 de janeiro, em Setúbal, foram agredidas pela mãe de um aluno, uma professora e uma assistente operacional, na Escola Básica da Bela Vista.
A agressora, deslocou-se à escola alegando que a professora bateu no filho no recreio, já no recinto escolar e frente várias testemunhas, agrediu-a com pelo menos uma chapada, uma assistente operacional foi também agredida.
A PSP deslocou-se à escola e quando chegou ao local, já a agressora se tinha ausentado, tendo a professora recebido tratamento no Hospital de São Bernardo,em Setúbal.
Os agentes ouviram no local várias testemunhas o que permitiu identificar a agressora, mas não foi localizada. Essa diligência será realizada apenas e após queixa formal apresentada pela vítima na esquadra.
A Assembleia da República, reunida em sessão plenária, vem assim manifestar a sua mais profunda e severa condenação à agressãoexercida sobre aprofessora e a assistente operacional.
Assembleia da República, 17de janeiro, 2020

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1% de aumento para quem aufere até 700€ brutos. Será?

Não é de hoje que, este governo, diferencia os trabalhadores nos seus direitos a um vencimento justo tendo em conta as responsabilidades de cada classe.

Entenda-se que ninguém está contra a possibilidade destes trabalhadores terem um aumento de 1%,mas estaremos, com certeza, todos contra a diferenciação  e a falta de igualdade de direitos.

A falta do estudo de história da economia mundial leva a que se comentam os mesmos erros do passado e se tente proletarizar uma sociedade há muito descontente com o rumo da mesma.

 

Governo avalia proposta de aumento salarial em 1% a 150 mil trabalhadores na função pública

Executivo admite dar aumento salarial de 6 a 7 euros mensais para quem ganha até 700 euros brutos.

O Governo está a analisar uma proposta para apresentar aos sindicatos da Função Pública que deverá passar por aumentos salariais de 1% para cerca de 150 mil trabalhadores do Estado. A medida ainda está a ser preparada, e não está fechada, mas a intenção do Executivo passará por dar acréscimos salariais de 6 a 7 euros mensais a trabalhadores com vencimentos brutos até aos 700 euros/mês, sabe o CM.

A equipa das Finanças ainda estará a fazer as contas mas existe neste momento mais abertura a alargar o montante dos acréscimos salariais. Ou seja, mantendo o referencial dos 0,3% de atualização salarial – o equivalente a cerca de dois euros mensais –, o Governo admite agora compensar os funcionários com rendimentos mais baixos em maior escala.

in CM

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A falta de exigência como fonte de insucesso educativo

 

Falta de procura como fonte de insucesso educativo

“Menos exigência, maior insucesso educativo”. Esta equação foi ontem exposta por José Manuel Lacasa, um dos principais analistas de educação espanhóis, na conferência proferida ontem na Fundação Caja Rural del Sur e organizada pelo Círculo de Economia e Sociedade (CEYS). Sob o título de Origem da Desigualdade em Espanha, este especialista, diretor do Instituto F de Investigação Educativa, salientou que o sistema educativo em vigor neste país é hoje a causa do insucesso educativo de muitos dos seus cidadãos.
Nesta apresentação, Lacasa alertou que, ao contrário do que podemos pensar, a educação em Espanha é “uma das menos equitativas em Espanha”, uma vez que um filho de pais sem estudo tem cinco vezes mais hipóteses de falhar do que um menor cujos pais contam com este treino. Uma situação que, para este especialista no relatório pisa, se deve à falta de exigência nas escolas. “Não é algo que afeta apenas os alunos. Também reduz o nível de procura nos professores, inspetores e em todo o sistema em geral”, diz Lacasa, que refere que no caso da Andaluzia este declínio se torna mais grave do que noutras comunidades espanholas.
“No sistema educativo andaluz, há anos, a decisão de corresponder abaixo, um caminho que leva ao fracasso”, disse o especialista na conferência. A casa detalhou que a Andaluzia é herdeira, neste sentido, do “garfo” que ocorreu na década de 1960 na Europa. Nesses anos, a Suécia e depois a Inglaterra optaram por baixar os requisitos, enquanto a Finlândia decidiu criá-los, o que contribuiu para um bom número de estudantes obter uma licenciatura. Um modelo que tem ocupado a Coreia do Sul, um país onde, segundo Lacasa, “qualquer criança de varredor está preparada para estudar em qualquer universidade europeia”.
Para este analista, a geração mais bem preparada foi o baby boom, herdeiro do BUP e antes da implementação do Logse. A câmara insistiu que a lei educativa dos anos de Felipe González provocou uma “interrupção” na evolução dos resultados académicos do país. “Até então, espanha era o segundo país do mundo neste progresso, uma posição que perdeu”, disse Lacasa, que explicou que desde que a reforma foi implementada, a população escolar aumentou 5% aos 15 anos, mas baixou 20% que era aos 17. Criticou ainda o Lomce, “uma lei tecnicamente má”, e que – na sua opinião – perdeu “dois pontos positivos”: renovação curricular e revalidação. Lacasa enfatizou que um dos problemas do sistema educativo é a baixa exig^ncia nas Primárias. “Os alunos seguem para o ESO sem ler em compreensão”, acrescentou.

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Calendarização Concurso Pessoal Docente 2020/2021, Açores

 

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