Opinião – Nuno Correia da Silva – “As crianças não são do Estado”

Este artigo foca aquilo que muitos não querem ouvir, que eu tomei a liberdade de colocar a Negrito, especialmente os que querem a continuidade dos contratos de associação…

 

As crianças não são do Estado

 

As Crianças não são coisas.

A escola não é um lugar qualquer.

A escola é mais que umas cadeiras, umas secretárias, uns quantos alunos e alguns professores.

A escola é o espaço onde se aprende. Aprende a ler, a contar, a pensar, mas, sobretudo, onde se aprende a viver.

É a escola que nos mostra que somos parte, parte de uma turma, parte de uma nação, parte de um mundo. Ensina-nos o valor da pertença, a virtude da equipe e as vantagens da partilha.

É tudo isto que, com uma ligeireza e imaturidade sem qualificação, o governo e a maioria parlamentar decidiu ameaçar.

Em obediência a dogmas, sempre redutores e atrofiantes, querem destruir instituições apenas porque são privadas, muitas delas afirmaram-se pelo mérito e distinguiram-se pela excelência. Mas, muito mais importante que as instituições são as pessoas e quando as pessoas são crianças a importância duplica e não podemos ficar indiferentes.

Será que, em algum momento, os autores, governo e maioria de esquerda, pensaram na violência que esta alteração, provoca nas crianças e por consequência nos seus pais?

Com o fim dos contractos de associação, as escolas privadas terão de cobrar a propina total para poder pagar a professores e funcionários. Uns poderão pagar, outros não!

Será que conseguem imaginar o drama que vive uma criança que, por razões financeiras, vai ter de mudar de escola, abandonar os amigos de sempre, começar um novo ciclo numa escola onda já há grupos formados e aos quais ela não pertence?

Será que conseguem imaginar a violência que isto constitui para os pais, que não podem pagar a propina total?

A violência de assistirem ao desgosto do filho com a impotência de nada poder fazer porque o orçamento não o permite e uns senhores em Lisboa decidiram que agora a escola que sempre frequentaram é só para quem tem bons rendimentos.

Que estranho conceito de igualdade de oportunidades, que raro conceito de democracia, que egoísmo sem limites é este que apenas por obediência a uma agenda ideológica sacrifica o bem-estar e a tranquilidade de crianças e famílias?

O argumento com que tentam convencer não colhe. Se há irregularidades nos contratos estabelecidos que se denunciem e se corrijam. Se há ilegalidade que seja reposta a legalidade e apurados os responsáveis, se há subjectividade sejam instituídos mecanismos de objectividade.

Os contratos de associação não são o modelo que melhor serve a soberania das famílias sobre a educação dos seus filhos. Abrem portas a cumplicidades e a zonas demasiado cinzentas. Mas a alternativa não é a estatização, é seguramente, a atribuição à escola escolhida de um valor equivalente ao que o Estado gastaria com cada aluno no ensino público.

O princípio base que está agora a ser ameaçado, e não enquadra nos preconceitos da actual maioria, é a liberdade de escolha. Liberdade de escolha para quem tem menos recursos, porque quem tem bons rendimentos e pode pagar as propinas tem sempre essa liberdade garantida.

O que afronta a actual maioria é reconhecer aos pais o direito de serem eles próprios a avaliarem o desempenho das escolas

O que incomoda o Governo é retirar à Fenprof e a outros movimentos de interesses egoísticos o poderzinho de reivindicar direitos sem se comprometerem com os respectivos deveres.

É um retrocesso, um recuo no tempo, é um regresso á estatização do PREC.

O Governo confunde a garantia pública do Direito à educação com o monopólio público das instituições. O Direito pertence aos alunos, não é aos professores, é cada criança que é portadora do direito a aprender, é cada família que tem direito a receber do Estado o apoio que é dado com os impostos que pagou, é cada escola que tem direito a receber em função dos alunos que tem e que livremente a escolheram.

Porque têm medo que sejam as famílias a escolher a escola dos seus filhos a dessa forma avaliarem professores?

O argumento financeiro não colhe. Calculem o custo de cada aluno no ensino público e atribuam esse mesmo valor à escola que o aluno e pais escolherem.

Não ameacem as crianças com a incerteza, não quebrem a estabilidade familiar, não atraiçoem expectativas, não coloquem a escola a quebrar laços de socialização já instituídos e consolidados.

Nota: este artigo foi cedido pelo autor.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2016/05/opiniao-nuno-correia-da-silva-as-criancas-nao-sao-do-estado/

2 comentários

    • Mariana on 13 de Maio de 2016 at 20:30
    • Responder

    Mas que estupidez, o ministro já disse que o que ia acontecer era não abrir turmas de inicio de ciclo onde não sejam necessárias (ou seja cumprir a lei). E
    deixem-se de querer iludir os outros, o que estes pais querem é que os seus filhos não se misturem com outros que frequentam a escola pública e dela não podem ser excluídos como o são destes colégios.
    Não têm melhores professores, em termos de contratação só lá ficam os que não conseguem vaga na escola pública porque todos sabem que (exceto os afilhados da direção), todos os outros serão explorados. E ninguém trabalha melhor em piores condições!
    Vão contar histórias para outro lado, num blog de professores não vale a pena.

    • rmmca on 13 de Maio de 2016 at 20:35
    • Responder

    Para comparar a escola pública com um colégio com contrato de associação é necessário que os pressupostos iniciais sejam iguais, o que é algo que não acontece.

    É claro que num colégio com contrato de associação os resultados são melhores porque só entra no colégio quem o colégio quer. Falar em melhor qualidade de ensino é grande mentira dos colégios. Devíamos começar pelos aspectos físicos (instalações), porque melhores condições físicas mais satisfeitos os alunos estão. É praticamente impossível comparar porque as escolas públicas não têm orçamento para investir ou manter aquilo têm. Assim resta comparar os recursos humanos de cada escola/colégio Para o provar vamos fazer os seguintes exercícios:

    1 – Vamos trocar a gestão e nos professores do melhor colégio com contrato de associação com a gestão e os professores da pior escola pública do País (que normalmente recebe TODOS os alunos e está junto a um bairro degradado). Os resultados do colégio vão piorar? Os resultados da escola pública vão melhorar?

    2 – Vamos trocar os todos os alunos do melhor colégio com contrato de associação com os alunos da pior escola pública. Os resultados do colégio vão piorar? Os resultados da escola pública vão melhorar?

    Naturalmente que temos o direito de escolha da escola dos nossos filhos mas quais são as razões da escolha, o Projeto Educativo do colégio/escola pública? Já se leram os Projetos Educativos de ambos para afirmar que um é melhor que o outro? Eu já li bastantes Projetos Educativos e todos eles apontam para o bem-estar e sucesso educativo de todos os alunos. Por isso, a escolha do colégio pelo seu Projeto Educativo é um não argumento. (Projetos Educativos que apontem para ótimas condições físicas não podem ser comparados como já referi anteriormente)

    As razões são claras, eu quero o meu filho numa escola onde ele esteja seguro e tenha um bom ambiente de sala de aula. Se uma escola pública recebe alunos de bairros degradados, de famílias carenciadas e muitas vezes monoparentais, que vêm para escola sem tomar o pequeno-almoço, onde as únicas refeições que tomam são na escola, onde os alunos não têm acompanhamento extra escola (explicações), onde são vítimas de abusos nos bairros onde vivem, como é que é possível que a escola pública consiga ter um bom ambiente de trabalho?

    Nunca ninguém se questionou porque não é feito um colégio com contrato de associação junto a um bairro social? É estranho não é?

    Eu posso ser o pior professor do mundo, mas se der aulas num colégio onde os alunos são seleccionados à entrada (até parece se houvesse o cheque ensino o colégio iria aceitar alunos dos bairros sociais! Claro que diria que as turmas estavam completas), onde os alunos têm acesso a condições físicas melhores do que na escola pública, que normalmente têm os pais com emprego estável e remunerado acima da média e têm acompanhamento extra escola, os bons resultados aparecem de qualquer maneira. Eu próprio já dei explicações a um aluno de colégio considerado o melhor no ensino básico e o ensino é totalmente expositivo. Os resultados são bons porque a grande maioria dos alunos têm todos apoios necessários ao sucesso. De salientar que nestes colégios raramente existem turmas de cursos vocacionais com uma taxa elevada de alunos com histórico de retenções por faltas, abandono escolar e processos disciplinares.

    Então o problema não está na escola está no meio que a envolve, na família e no ambiente da escola.

    Façamos os seguintes censos: de que extracto social são os alunos do melhor colégio com contrato de associação? Se ambos os pais estão empregados? Se os alunos tomam o pequeno-almoço? Se têm todo o material necessário à aula? Se os encarregados de educação participam activamente na vida escolar? E depois comparem com os da pior escola pública.

    Para comparar a qualidade do ensino de ambas as escolas/colégios é necessário que o ponto de partida seja o mesmo. Numa experiência de comparação, se as variáveis iniciais forem iguais e não sejam alteradas, naturalmente os resultados serão iguais mas se forem diferentes os resultados claro também o serão.

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