Não era sobre isto que queria escrever, mas, por mais que tente, não consigo libertar da caneta uma palavra sequer sobre o nojo que é a BCE, ou o vómito que representa a contratação das AEC, ou a nódoa sanguínea que continua a representar o desemprego de inúmeros professores com idade para estarem numa sala de aula, em vez de esperarem sentados no Centro de Emprego, ainda à espera do futuro.
Por mais que tente, falha-me a respiração a cada linha, rasgam-se as palavras, mergulhadas numa penumbra dolorosa e sufocante. Chega-me, a cada momento, apenas a espuma do mar,
apenas a espuma do mar,
impregnando-se os vocábulos enraivecidos na areia densa e pastosa.
E, por isso, hoje não consigo pensar no resto do mundo em volta daquela praia.
É apenas lá que ele subsiste. Perdura ali, inerte, jazendo num banho doce de medo e horror, fixando os dedos imóveis, rechonchudos e ternos nessa mesma linha em que o milagre se desfez.
Aquelas mãos eram como as mãos do meu filho quando tinha apenas 3 anos. Aqueles pés, eram como os pés do meu filho com aquela idade. E eu, sempre que podia, mordiscava-os e beijava-os naquela terna ânsia que cada mãe tem de trincar cada filho com um amor incomensurável para o obrigar a crescer devagarinho.
Deixem-me apenas respirar, por favor.
Este menino dorme num colo de areia e, por isso, desculpem, mas não posso, não consigo afastar-me da espuma que o cobre. E apetece-me apenas o silêncio das coisas simples e domesticadas.
No entanto, quando, finalmente, se vê isto, já se sabe quase tudo o que a humanidade tem para dar.
E é por isso que Aylan perdurará naquela praia, tanto, mas tanto, tanto tempo que dentro das pálpebras de cada homem nascerão lâminas de picos que impedirão que feche os olhos e finja que não vê.
Porque este menino não era filho de alguém.
É filho de todos nós.
http://observador.pt/2015/09/03/guia-pratico-para-cada-um-fazer-a-diferenca-na-ajuda-aos-refugiados/



25 comentários
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hoje li isto num blogue:
“Não me atrevo a escrever o que vai na minha cabeça sobre como isto vai acabar.
Gostaria apenas de ler testemunhos válidos sobre quem, e como se colocam, migrantes do Afeganistão na Hungria, em Calais e na Noruega, quando o Afeganistão tem fronteiras com o Paquistão, o Tajiquistão, o Irão, o Turcomenistão, o Uzbequistão e a China.
Gostaria de perceber como é que se condena os ataques do Charlie Hebdo e se viabiliza esta migração civilizacional.
Gostaria de perceber, por exemplo, como é que a Europa não se entende quanto à Grécia, e a um eventual perdão de dívida, mas a Alemanha está disponível para sustentar 800.000 refugiados.
Gostaria de conhecer qual é orçamento da CM de Lisboa para apoio directo aos sem-abrigo locais depois de ficar a conhecer a disponibilização de €2mn para apoio aos migrantes na vertente de “alojamentos temporários, alimentação, cuidados de saúde e cuidados de educação”.
Gostaria igualmente de saber se as autoridades portuguesas têm algum plano de contingência para receber uma nova vaga de retornados no dia em que a situação em Angola se tornar incomportável – e já agora se a Europa poderá considerar como crise humanitária o regresso dos cerca de 200 mil portugueses que se estimam estar a trabalhar em Angola.
Por fim, gostaria de saber quantos emigrantes estão os EUA dispostos a receber, na medida em que grande parte deste problema tem origem na 2ª intervenção no Iraque, país onde juravam haver armas de destruição maciça.
Não sofro de fobia anti-americana, não me considero insensível aos dramas da humanidade nem nunca senti em mim ímpetos nacionalistas.
Mas recordo o que Ortega y Gasset escreveu na sua obra “A rebelião das massas – É imoral pretender que uma coisa desejada se realize magicamente, simplesmente porque a desejamos. Só é moral o desejo acompanhado da severa vontade de prover os meios da sua execução.”
Eu também gostaria de perceber isto tudo. E, além disto, ainda gostaria de perceber se esta gente que foge, uns da guerra, muitos outros apenas da pobreza, está disposta a aceitar os valores europeus que nos regem: a igualdade entre homens e mulheres, a separação de poderes entre Estado e Religião, a tolerância e respeito pelas várias religiões. E gostava também de saber, ainda não vi nada, que tipo de escrutínio está a ser feito para garantir que não há células terroristas entre os milhares de refugiados que querem chegar à Alemanha e Inglaterra e já agora, porque se dirigem apenas à Europa quando a Arábia Saudita ou os Emirados Árabes são tão mais ricos.
Putas de dúvidas que me assustam.”
Que teste de treta é este, a tentar estragar o post?
texto*
qual é o mal de partilhar outras opiniões? não fui mal educada, rude ou incoerente. é apenas uma perspectiva diferente de quem reflecte sobre o assunto e revela as suas preocupações.
Concordo com a Maria… as mesmas preocupações…
Bravo! Assino por baixo, se mo permitires.
Se alguém tem de fugir de uma guerra então acabe-se com a guerra!
É deveras impressionante esta geração de palavras compostas nas imagens visuais: se as não houvesse imediatamente, acenderiam velas para queimar o próximo – arengando sempre navegar longe.
Ou seja, apenas se comovem com o conhecido e em directo, passam a vida a comover-se e ficam estaticamente comovidos e comovidos ficam até à próxima comoção.
Porquê? Porquê esta reação? A morte de uma criança é assim tão neutra? Esta é apenas a face visível de outras tantas que já tiveram o mesmo fim… infelizmente. Que nunca passe por aquilo, é o que lhe desejo…
Que sabes tu do que eu passo ou não? Enfim…
Seja como for, só agora “piaste”.
É a cultura do imediato, do descartável, do espetáculo! Também a cultura da caridadezinha para aliviar as consciências! Não se vai ao fundo das questões! Se há guerra lá na Síria, alguém que lá vá acabar com ela. Aquilo é um deserto….era fácil acabar com eles! Só que muita gente está a ficar cada vez mais rica porque lhes vende armas,esse é que é o problema! Por isso é que a guerra não acaba….
Bonito e necessário este texto.
POR FAVOR, não fiquem só a pensar neste anjinho, neste menino que era LINDO e merecia tudo…. As lágrimas são um passo importante mas não ajudam muito…..
Contactem o Conselho Português para os Refugiados, eu e a minha família já o fizemos, ofereçam ajuda, ofereçam a vossa casa, inscrevam-se para daqui a dias poder ajudar meninos como o Aylan.
POR FAVOR AJUDEM!!!
E quando tiveres um destes muçulmanos em tua casa a reclamar por estares com muito do teu corpo à mostra e te exigir que respeites as suas tradições religiosas em que o homem manda e a mulher cala?
Também vais ser assim boazinha? Vais queres estar assim tão disponível?
Ou achas que eles vão mudar só porque chegaram à europa?
E se metesses uma fusca na boca e disparasses um balázio em vez de escreveres parolices próprias de um racista/xenofobo nojento a quem nem devia ser autorizado dar aulas.
É por causa de gente como tu em qualquer nação ou religião que a humanidade se vai autodestruir.
Um dia serão os nossos filhos e netos a precisar de ajuda e tu, a arder nos quintos dos infernos,hás-de chorar lágrimas de sangue com o sofrimento dos teus por serem todos gordos e poderosos demais para ajudar quem precisa.
Somos professores, e quem o faz por vocação ensina a qualquer nacionalidade ou religião.
Que venham quem vem por bem,decerto que os alunos que tenham a sorte de ter estas crianças como colegas aprenderão a ser mais cientes que no nosso mundo há apenas uma raça, a humana e aí talvez as próximas gerações compreendam o absurdo do medo irracional perante outras culturas.
Sempre podes ir viver para marrocos. Lá vivem os que pensam como tu.
Eu sou descendente de celtas, vivo no norte, os meus antepassados lutaram contra estes muçulmanos e assim é o meu sangue e os meus genes. Defenderei a minha terra e a minha família até às últimas consequências se existir uma invasão destes anormais.
Quanto a ti, se tens no teu adn genes marroquinos, emigra para lá. Por favor, faz um favor ao nosso país e desaparece.
Quanto aos meus alunos, não sou professor de religião e moral e não tenho que falar de ética. Nunca prejudiquei ninguém porque desde que estes anormais estudem e tenham o desempenho certo, têm notas a condizer… mas o meu coração e os meus genes são brancos e no meu intimo, apenas os suporto-os. Cada macaco no seu galho e estes macacos devem ocupar o galho onde nasceram!
Senão pensa assim, vá dar aulas para a síria, para marrocos, para cuba, etc.
Se foram precisos décadas e várias gerações para expulsar estes indivíduos e criar o nosso país, porque raio agora vamos defendê-los.
Recebam-nos em vossas casas, deixem-nos violar as vossas filhas, impor nas vossas vidas a sua religião e depois queixem-se…
Para além de xenófobo é burro. Vai lá rever o livro do José Hermano Saraiva e aprende que Celtas e Muçulmanos nem sequer coabitaram na Península Ibérica, aliás se queres ser mais preciso e ter um alvo historicamente correcto vai marrar contra o Império Romano..e não te preocupes para violar as filhas da nação já basta os broncos como tu que pensam que uma mulher é apenas para foder e para dar nas trombas. O que vale é que tás velho e acabado e a próxima geração vai se rir de gente como tu enquanto confraterniza sem racismo nas redes sociais. Ah,ah, you lose jerk.
E já agora, na minha fusca há balázios mas não estão destinados à minha boca! A minha fusca está destinada a ficar nas minhas mãos, que não são gordas mas sim atléticas, par o enfiar em gente que merece… Os meus descendentes estarão SEMPRE bem protegidos e guardados, te garanto.
Por isso, pensa! A sério, pensa! Do outro lado, podem não estar os cobardes com que habitualmente te relacionas mas gente que te pode colocar no teu lugar!
Como vamos poder ajudar se muitos de nós também precisam de ajuda e não a têm? Eu queria muito ajudar mas estou desempregada vai fazer agora 3 anos e já não recebo qualquer tipo de apoio.
Espera aí! Então e a quantidade de gente que está desempregada em Portugal? Quem é que os ajuda a pagar a renda de casa e a pôr a comida na mesa? E os nossos meninos que ainda não morreram mas passam fome? Está tudo doido? Somos um país falido, temos cortes nos nossos vencimentos (a mim tiram-me 400€ todos os meses!) e agora vou receber refugiados?
Não estou colocada há três anos. Tenho trabalhado numa e outra coisa precária, AEC, Call-Centers, entre outros. As condições de trabalho propostas nas duas últimas entrevistas que fui eram tão anedóticas que ainda duvido que eu tenha estado realmente lá a ouvir aquilo. Nos últimos dias tenho concorrido a uns concursos com critérios esculpidos. Mas o que eu queria mesmo neste momento era ter um emprego ou condições que me permitissem ajudar. O Aylan não pode ter morrido em vão. Terá chegado o dia que acordou a Humanidade?
https://www.facebook.com/TELEGRAPH.CO.UK/videos/10153615808569749/
Boa apresentação, boas roupas, telemóveis, cigarros, etc…
Países ricos como Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrain fecham as portas a esta gente.
Estamos a assistir a uma organizada invasão muçulmana na europa. Emigrar, reclamar, procriar e conquistar…
A invasão muçulmana em todos os países cristãos é um problema e deve ser tomado como um assunto delicado. Esta gente nunca irá integrar-se na nossa cultura, nunca verá a mulher como um ocidental nem aceitará as nossas tradições.
Cuidado com as propagadas! Nem tudo é o que parece,,, Não se esqueçam que o nosso território já pertenceu ao califado e está nos planos de alguns que volte a fazer .
Partilhem também este vídeo sobre os refugiados e comentem, por favor.
É assim que eles reagem quando lhes dão comida e água. Parece que a água que é dada pela cruz vermelha (por ter uma cruz, não serve).
https://www.facebook.com/glos.tamas/videos/1617304331856672/
correr com eles para o pais de origem.
Ah sim! Telemóveis não podem faltar!
Bom, já agora também gostava de dizer que as minhas colegas contratadas têm telemóveis melhores que o meu, que sou QA e estou no topo da carreira! E já para não falar das boas roupas! Estranho, não é? Será que são todas casadas com médicos? De onde virá esse dinheiro? Essa é uma pergunta que eu gostava que elas me respondessem….Ou será que estão os pais, os avós e o resto da família a custear tudo isto para que elas não façam má figura na escola? Há coisas que sempre me intrigaram, confesso!
Agora está tudo numa de onda caridade e ninguém tem coragem para perceber (ou pelo menos verbalizar) o problema que estes milhares de pessoas vão trazer para a Europa… mesmo as que vêm (e serão a maioria) com a melhor das intenções, o que lhe acontecerá quando perceberem que não conseguem trabalho para pagar comida e casa. Ou lhe damos isso por dezenas de anos (então a nossa segurança social não estava em crise?) ou a criminalidade será a via, a deles e a dos descendentes que sabemos que não são poucos normalmente. Isto para não falar do conflito de costumes. Mas agora é só propaganda e temos todos que estar a favor desta vaga de imigração. Não será mais fácil intervir nesses países para restabelecer a paz e ajudar uma reconstrução dos mesmos?
Isso seria “ingerência” pois, como se sabe, só nós é que estamos aptos a ser “geridos”.