Ver um professor com 59 anos concorrer à BCE pela primeira vez, caracteriza bem o país em que vivemos.
Uma pessoa que com 59 anos ainda não conseguiu, por muitas razões, estabilizar a sua vida profissional. É olhar para o retrato perfeito do professor em Portugal. Com esta idade ainda não se pode ter sonhos ou já não se tem sonhos? Já se anda só por andar, para ter um prato de comida em cima da mesa ao fim do dia? Este pai, este avô, não é daqueles que pode “ajudar” os filhos financeiramente quando eles necessitam. É daqueles, como muitos, mais jovens e mais velhos, que apenas tentam sobreviver e viver o dia seguinte. Quais são a perspectivas de futuro de um professor hoje em dia? O que é que um professor pode esperar do dia de amanhã? Que sonhos pode ter um professor neste país? O vínculo? Isso não deveria ser um sonho. Os sonhos são feitos de outras massas, são feitos de nuvens…
Será que por ser professor não se tem direito a sonhar? Parece que neste país a resposta é , NÃO…




40 comentários
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E parece-me que a tendência seja para piorar…
As perspectivas de futuro de um Professor no nosso país são um dia conseguir mudar de profissão. A única coisa que esta classe de profissionais deve ter vergonha (esta classe que paga do seu bolso horas extra e materiais para que as nossas crianças consigam aprender ou mesmo ter condições de aprendizagem minimamente acima do horrível) é terem feito um mau trabalho com os nossos governantes!!! Mas ainda assim, acredito que o problema não passou pelos professores!
47 anos e desempregada
nem BCE nem RR
Um dos sonhos desse professor pode ser vincular pela norma-travão. Talvez daqui a 5 anos.
Não será mais um reformado das empresas públicas e tentar ganhar mais algum tirando o lugar a quem verdadeiramente precisa???
Completamente. Conheço vários casos! Reformados de empresas que ingressaram no ensino (escolas profissionais e IEFP) há poucos anos ou colegas do privado que pretendem dar no público.
46 anos e desempregada! Não concorri à BCE porque estava muito cansada para solicitar as”ridículas” minutas.
Ana, desculpe a pergunta, é do grupo de francês?
Não, mas infelizmente, não serei a única, com esta ou mais idade, nesta situação.
Embora solidária com quem com essa idade tem de recorrer a trabalho precário, não posso deixar de estranhar que um professor de 59 anos não esteja ainda no quadro. Parece-me mais provável que tenha tido uma ocupação profissional até agora (num colégio particular, por exemplo) e que agora, desempregado, tente trabalho no ensino público. Não pode ser identificado como um exemplo de professor contratado anos a fio, parece-me…
Concordo…deve ter saído do particular e agora quer o vínculo no Público para efeitos de reforma…mas como não sei o que se passou pq o contexto não foi descrito, respeito a situação.
Seja qual for o motivo, sinto-me solidário com o colega.
Bem, eu tenho 54 anos, sou contratada, concorro à BCE, nunca estive no privado …. como? É fruto das minhas opções de vida: descobri aos 33 o que realmente gostava de fazer, concorri (na altura eram os mini concursos) sempre na área de residência e lá ia tendo colocações; a Maria de Lurdes proibiu-me de concorrer (não era profissionalizada), voltei à faculdade aos 48 para fazer o mestrado pós bolonha que confere a profissionalização. Quando pensei que tudo ia correr mais ou menos, foi a catástrofe: todo o tempo de serviço que tinha até 2011, só conta metade….
Fui e continuo a ser ultrapassada por colegas muito mais novos, com muito menos tempo de serviço mas isto tudo é fruto das minhas decisões; não culpo ninguém a não ser um sistema que realmente não valoriza toda a experiência que tenho!
E desculpem a história …..
Sim, há casos e casos. Tenho um tio que efetivou o ano passado, com 62 anos. Com 20 e muitos anos de serviço, sempre no ensino público. Acasos da vida fizeram-no interromper a carreira a dado momento. Depois do regresso esperou 14 anos até ingressar no quadro.
Contudo o autor do post devia ser mais rigoroso, uma pesquisa no google mostra facilmente que os colegas com graduações acima de 35 vieram do privado (alguns surgem mesmo na listagem de docentes de alguns colégios).
Lá está. Caíram no ensino tarde..
Faz-me lembrar as licenciaturas e mestrados dos políticos que todos conhecemos.
É uma vergonha…
Tenho 53 anos e estou precisamente na mesma situação da Bekas! Ninguém merece!
Qualquer professor (neste momento) em Portugal tem vergonha de se apresentar como tal.
Ser professor em Portugal é ser um borra-botas. É preferível ser um operário indiferenciado num país do norte da Europa.
Este professor que aos 59 ANOS ainda anda por aí às migalhas mostra bem o que é ser um profissional do ensino em portugal.
Mas há muito mais situações para além desta. Veja-se o caso de Professores do Quadro com 60 ANOS DE IDADE E mais e que se encontram em HORÁRIO ZERO e que vão seguir para a mobilidade especial (digo, para o desemprego). É esta a medalha que o País oferece aos professores. Mas, preparem-se, porque vem aí pior.
A privatização está em marcha.
A diminuição do número de alunos devido à diminuição da natalidade, está em marcha.
A entrega das escolas para os pobrezinhos (digo escolas públicas) às autarquias, está em marcha.
E ser engenheiro desempregado com 60 anos é vergonha? Qual a história desse senhor?Pode-se ter licenciado muito tarde, pode ter vindo do privado….
Antes do 25 de Abril realmente havia um limite para entrar na função pública.Se tal não se verifica o dito senhor tem direito a concorrer aonde quiser.
A autonomia das escolas tem a ver com o lobby do eduquês, que copiam o modelo esgtadunidense.Sabe foram aqueles diamantes intelectuais que tiveram um mestrado em Boston, num remoto verão de 1980.
Desconhece não é obrigado a saber.
Emigrou e está satisfeito, pois consegiu ultrapassar os autóctones do país de acolhimento.Os meus sinceros parabéns e desde já a minha admiração por ser o próximo ministo num futuro governo desse país de acolhimento.
Meu caro “Professô salve”
Não vou ser Ministro aqui, nem desejo esse estatuto ….o meu compatriota “Professô salve” é que vai com toda a certeza ser ministro nesse país de merda onde lecciona. Mas mesmo que não chegue a Ministro, tenho a certeza de que terá direito a uma “medalha” pelos serviços prestados.
Fique tranquilo 🙂
“dá cá o meu ó Abreu” é o meu lema e, por consequência, o meu hino. A Portuguesa é para ouvir quando estou no WC (e nem sempre porque me pode causar diarreia e flatulência)
Primeiro não sou professor/a, se me desejasse viver dos rendimentos, demonstraria da sua parte um notável grau de exigência para vida com qualidade.Medalhas se forem de ouro e pertencentes ao património de jóias da família, não me importo.(desde que a caixa forte do banco não seja arrombada).
Cada um gosta de ouvir a música que quiser e onde quiser.Se estiver emigrado num país de “share accomodation” e tiver companhia, tenha cuidado com certos gemidos nocturnos que possa emitir,…não acorde quem ressona do outro lado do tabique.
Arlindo, porspetivas??? Ou perspetivas? Verifica o erro, por favor.
Erro grande à parte, o que interessa salientar aqui é que a este pai e porventura avô irá acontecer menos do que aconteceu àquela senhora que entrou nos quadros com 66 anos e 15 dias depois reformou-se. Vai ser sempre contratado e só vai conseguir descansar quando atingir a idade da reforma. Nem sei se terá direito a alguma coisa de jeito quando se reformar. No final vai olhar para trás e refletir que não valeu nem vale a pena esforçarmo-nos tanto, andarmos “milhentos” de kms todos os anos, deixarmos o conforto do lar e das famílias, os filhos pequenos, o cônjuge que anseia por dormir na mesma cama que nós, em prol de uma carreira que deixou de o ser há anos, apenas e só, como tu dizes, para conseguir por a comida na mesa e poder comprar roupa para os filhos…
Escrevo isto com uma lágrima ao canto do olho, só é pena os nossos políticos virem para a televisão afirmar que tudo está bem e todos estão felizes quando em todos os setores da sociedade as pessoas andam com o coração a arrastar pelo chão…
contratada desde 93, sempre concorri a todo o pais para efeitos de efetivação, não abrem vagas
Olhem, sabem que mais? O problema da nossa classe é que foi sempre uma classe maioritariamente constituída por mulheres! E por mim falo, que também o sou! Sou QA, estou no topo da carreira, estou no agrupamento que quero e sou a 1ª do meu grupo em termos de graduação. Não me posso queixar em termos de trabalho. Só acerca dos cortes no vencimento, claro! Mas, gostaria de dizer que se houvesse mais homens na nossa profissão isto não estava assim! Olhem a polícia? Vejam lá se não conseguiram um bom estatuto? Quando eu era contratada (na altura chamavam-nos professores provisórios!) cheguei a ouvir colegas dizerem que estavam desejosas de receber o ordenado para poderem ir comprar roupa! Os maridos é que pagavam a comida, a casa e a educação dos filhos! Eu sei que isso, agora, mudou mas, mesmo assim, ainda somos muito mais mulheres do que homens e algumas de nós continuam a ser sustentadas pelos maridos. Eu sei do que falo porque na minha escola não é com os ordenados de miséria que as contratadas recebem ao fim do mês que podem andar sempre bem vestidas, de carro e com PCs XPTO! Desculpem eu dizer isto, mas se houvesse mais homens na nossa classe não gozavam com a nossa cara da maneira que gozam! Como somos muitas mulheres eles acham que os maridos/companheiros é que nos devem sustentar! ERRADO!
Em relação ao colega com 59 anos e na BCE acho que esta história deve ter outros contornos, certamente! Eu efetivei-me em 1986, num grupo muito difícil para efetivar e tenho 58 anos! Deve haver mais qualquer coisa!
Ser professora foi uma profissão para mulheres troféus mas a situação vai alterar-se aos poucos.A possibilidade de hoje aos 30 e poucos anos se alcançar um status de alta classe média não e a mesma da sua juventude.Com a diminuição de 250000 alunos cada vea vai ser mais difícil a docência esta longe de ser terapia ocupacional de mulheres fúteis .Porem a sua analise tem algum fundo de verdade
http://oduilio.wordpress.com
Prof, analisa as idades dos contratados no 430 e depois podes tirar as tuas conclusões
Mas não achas que tenho razão em relação a esta história de haver mais mulheres que homens? Sempre foi assim e fizeram de nós o que quiseram! Olha a Polícia e os Militares!E os juízes? E até os médicos! Só a classe dos professores é que é sempre enxovalhada!Eu não tenho vergonha de ser professora! Era o que faltava! Sempre fiz o meu trabalho de forma muito profissional! Mas que me sinto em desvantagem em relação a outras classes profissionais, sinto!
Por vezes, as mulheres não são boas para as outras mulheres.
Na maior parte dos casos é isso mesmo que acontece! O meu marido diz que as mulheres só se arranjam para se impressionarem umas às outras e não aos homens! Eu achava que não era assim, mas cada vez estou mais de acordo com esta ideia!
Agora, vão todas ficar chateadas comigo! LOL!
Prof: o seu marido está cheio de razão. Também partilho dessa opinião. As professoras são mázinhas umas para as outras, enquanto que os homens são unidos! Isto passa – se em todas as escolas por onde tenho passado.
Nas escolas e nas empresas! Em todo o lado! Os homens unem-se, as mulheres só estão interessadas em apontar os defeitos umas das outras. É horrível, mas é verdade! E eu sou a primeira a lamentar tudo isto. E não sou feminista coisa nenhuma. Escusam de me lançar esse estigma que não vale a pena. Claro que há exceções mas…….só confirmam a regra!
Eu tenho noção que o que estou a dizer está a ser muito mal recebido por muita gente, mas olhem, sabem uma coisa? Temos pena!
e dos não colocados
São pessoas que caíram no ensino tarde, vindas sabe-se lá de onde! A nossa profissão tem de deixar de ser um poiso para quem tão sabe fazer mais nada…
A idade, por si só, não significa nada. Gostava era de saber qual é o currículo dessa pessoa.
tão = não… 🙂
Concordo plenamente! É preciso perceber qual foi o percurso profissional deste candidato. Tenho uma amiga que só se efetivou com 50 e muitos anos porque esteve a lecionar no ensino privado! O colégio fechou e ela veio para o público. Foi uma opção dela!
Afinal, este professor esteve sempre no ensino superior, provavelmente privado, quiçá!, e agora é que concorreu para o ensino secundário….Eu bem dizia que aqui havia “história”….
A história de uma pessoa não cabe numa notícia de jornal… O homem tem tempo de serviço no ensino superior e no secundário, além de um currículo que meye inveja a qualquer ministro…
Mentira… este professor enorme como professor e como homem até já efetivo foi numa escola secundária publica. Se querem mandar bitataites sobre a vida dos outros … falem primeiro com esses “outros”. E quem dera que muitos que nos (des) governam tivessem metade da sua formação académica e 1% da sua formação humana.
Mas alguém está a julgar este professor aqui?! Só estranhamos (pelo menos alguns de nós!) que alguém com esse currículo todo ainda não esteja efetivo. Só isso! Aliás, desejo-lhe, desde já, a melhor sorte para o concurso a que vai ser oponente!