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Ou reagimos a sério ou caímos para não mais nos erguermos!

 

Ou reagimos a sério ou caímos para não mais nos erguermos!

O que o ministro da Educação pretende fazer com as propostas relativas a quadros e concursos é a machadada final no que resta de uma carreira docente. É uma revisão mal encapotada do respetivo estatuto. É extinguir os quadros de zona pedagógica e substituí-los por mapas de pessoal interconcelhios, eventualmente com a dimensão das CIM, para os quais ainda não deu explicações nem disse de que forma prevê fazer a transição dos atuais quadros para esses mapas interconcelhios de docentes. O que se sabe é que, no futuro, o preenchimento destes mapas é feito através da escolha direta por parte de um concelho de diretores, eliminando a graduação profissional da equação do concurso. Mesmo que pouco mais se saiba sobre este novo Regime de Recrutamento e Gestão de Professores, parece-me que apenas estas premissas já seriam o suficiente para os sindicatos interromperem as negociações em curso até que esta ideia saia de cima da mesa de negociações.

Com escárnio e intenção de diminuir a classe, o ministro da Educação disse há dias que greves em época de aprovação de Orçamento do Estado já são uma tradição. Porque teve o ministro esta ousadia? Porque na última década e meia temos assistido a uma verdadeira inépcia sindical, que nos trouxe à beira do abismo em que nos encontramos.

Como reagiram os sindicatos à insolência do ministro? Com nada de relevante! Pendurarem-se à greve “dos outros” não é propriamente uma estratégia inovadora. Considero que, depois de terem ouvido o que o ministro tinha para dizer na última ronda de negociações, a delegação da Fenprof, ao invés de ter dito que “saíram desconcertados”, deveria ter vindo dizer que, ao ter conhecimento destas intenções, a luta é necessária e, por conseguinte, iria reunir com as outras estruturas sindicais e partir para uma greve por tempo indeterminado, até que estas ideias peregrinas fossem abandonadas. Isto sim seria um sinal de discórdia e força!

Por estes dias tenho-me lembrado do ano de 2008, quando mais de 100 mil professores encheram as ruas de Lisboa em protesto. Tenho-me lembrado desse ano porque terá sido o último em que se viu verdadeira união entre professores. Depois de traídos, a desmobilização foi grande e nunca mais recuperámos.

As reivindicações dos professores não se podem reger pelos calendários políticos alheios, pois não se referem a pequenas situações pontuais, mas sim a questões sistémicas, que são verdadeiros entraves ao saudável funcionamento da Escola Pública, com repercussões óbvias no desenvolvimento das aprendizagens dos alunos.

As reivindicações, que a imprensa gosta de apelidar como sendo dos professores, são, na realidade, em prol da escola pública, em que os primeiros interessados em satisfaze-las deveriam ser os próprios encarregados de educação. Com efeito, facilmente encontramos estudos científicos que comprovam que um profissional valorizado, reconhecido e bem remunerado é mais produtivo e isto terá necessariamente resultados nos alunos.

Estamos a ser avisados daquilo que aí virá, pelo que ou agimos agora, ou ficamos entregues ao sistema da “cunha”, de que tanto nos queixámos na época das BCE.

Reivindicar não pode estar dependente da aprovação de um orçamento, de ser este ou aquele partido que governa. Reivindicar só pode estar dependente de vermos ou não satisfeitas essas mesmas reivindicações. É por isso que acredito que devemos lutar até que as nossas reivindicações sejam acauteladas. Vejamos o exemplo dos enfermeiros, dos camionistas, dos médicos, de todos aqueles que não viram as costas à luta, que conseguem olhar para lá do seu umbigo, que conseguem analisar os problemas de forma holística.

Não podemos aceitar que passem uma borracha por cima das nossas reivindicações, como se nada fosse, mostrando um enorme desrespeito e desconsideração. Não podemos baixar a guarda, não podemos abdicar daquilo que são os nossos direitos.

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Provas de avaliação externa a aplicar em 2022/2023 e 2023/2024

Foi publicada a Carta de Solicitação n.º1 de 2022, que determina as provas de avaliação externa a aplicar nos anos letivos de 2022/2023 e 2023/2024.
 
Disponibilizam-se as informações relativas às provas de 2022/2023.
Consulte-as acedendo à Informação-Prova Geral

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Compare-se a Luta

Mesmo depois de os Enfermeiros obterem alguns ganhos, ainda prosseguem na luta.

Na Educação apenas tivemos uma greve esporádica para marcar calendário, em dia de debate na Assembleia da República e sem qualquer luta.

 

 

Enfermeiros fazem greve nos dias 17, 18, 22 e 23 de novembro

 

Sindicato dos Enfermeiros Portugueses queixa-se de “discriminação negativa”.

 

Os enfermeiros começam na quinta-feira uma greve de quatro dias para exigirem a contagem de pontos nas suas carreiras e a paridade com os licenciados da Administração Pública, anunciou fonte sindical, esta quarta-feira.

As paralisações foram agendadas pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) e acontecem entre as 8h00 e as 00h00 dos dias 17, 22 e 23 de novembro, sendo que se juntam ainda à greve da Função Pública agendada para sexta-feira, dia 18 de novembro.

Dirigentes deste sindicato entregaram esta quarta-feira no Ministério da Saúde, em Lisboa, o pedido para continuarem o processo negocial com o Governo, e anunciaram greves devido à “discriminação negativa” dos enfermeiros.

“O Ministério da Saúde continua a não assumir claramente o pagamento de retroativos desde 2018 e a não corrigir as injustiças relativas. Não há qualquer justificação para que o Ministério não assuma claramente isto”, defende o presidente do SEP, José Carlos Martins, à agência Lusa.

José Carlos Martins diz que “os funcionários públicos foram posicionados e receberam (retroativos) desde janeiro de 2018”, mas no caso dos enfermeiros “o Ministério da Saúde atrasou quatro anos esta contagem de pontos e agora diz que é muito dinheiro e que não pode pagar desde 2018”.

No dia 9 de novembro, o secretário de Estado da Saúde, Ricardo Mestre, explicou à Lusa que cerca de 20 mil enfermeiros serão abrangidos pelo descongelamento da progressão salarial negociada com os sindicatos, com o pagamento dos retroativos a janeiro deste ano e a “subida de uma ou de duas posições remuneratórias”.

Ao mesmo tempo, o SEP pede equidade salarial com os licenciados da Função Pública.

O dirigente sindical argumenta que o Governo e o Ministério da Saúde “discriminam” os salários dos enfermeiros “ao terem uma remuneração inferior aos outros licenciados da função pública”, algo que não acontecia desde 1991, e lembra que em janeiro de 2022 a posição remuneratória dos licenciados foi valorizada e a dos enfermeiros não.

“É por isso que avançaremos com a greve de amanhã [quinta-feira] e de 22 e 23 de novembro”, conclui José Carlos Martins, avisando ainda que, “caso o ministério não abra o processo negocial, outras formas de luta irão desenvolver-se, incluindo greves”.

O sindicato assegura que vai cumprir os serviços mínimos e explicou que as restantes estruturas sindicais não se juntam às greves dos dias 17, 22 e 23 de novembro.

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A Vergonha da Avaliação dos Diretores

Continua a vergonha da Avaliação dos Diretores onde a nota máxima de 10,000 nem garante uma avaliação de Muito Bom.

Este mês os diretores avaliados foram notificados pelo Conselho Coordenador de Avaliação da sua avaliação.

26 Diretores tiveram a nota quantitativa de 10,000, sendo que 5 deles obtiveram Excelente e 21 Muito Bom.

Alguns 10,000 passaram a BOM.

Existe direito a reclamação e após isso a Recurso Hierárquico.

A reclamação geralmente é respondida, mas nunca vi nenhuma resposta de um Recurso Hierárquico, incluindo do meu.

 

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No Fim Serão os Professores os Únicos com Aumento de 52€

Porque os enfermeiros vão receber ainda este ano os retroativos desde 2021, que em muitos casos são acima de 5 mil euros de uma só vez, fora o aumento mensal que vão ter.

 

Coordenadores técnicos também terão aumento de 104 euros em 2023

 

Em causa estão os coordenadores que estão na primeira posição da carreira, mas o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado pede alargamento a todos os trabalhadores da categoria.

Os coordenadores técnicos que agora estão na primeira posição da tabela salarial também terão um aumento de 104 euros em Janeiro, em vez dos 52 euros inicialmente previstos. A decisão foi comunicada pelo Governo ao Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), na reunião desta quarta-feira, para discutir a valorização das carreiras gerais da função pública e a concretização do acordo assinado no final de Outubro.

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Mais 2 Anos Perdidos na Carreira

… que um dia alguém irá pagar muito bem pago.

Já se viu que os sindicatos são inúteis nesta matéria.

TODOS ELES.

A reposição do tempo perdido no congelamento e na prisão nas listas de acesso ao 5.º e 7.º escalão se não for feita com a marcação de uma greve por tempo indeterminado faz com que os sindicatos não sirvam os interesses dos professores, nem da sua carreira.

Continuo sindicalizado, como sempre fui, mas pondero definitivamente abandonar este tipo de organização que se submete aos interesses do governo e do Ministério da Educação, ao contrário de outras carreiras que viram recuperado o seu tempo de serviço.

E se for necessário que o caminho se faça na rua sem os sindicatos, acredito que muitos professores se juntariam num novo movimento que parasse de vez as escolas, colocando os sindicatos no seu devido lugar.

A força e a insatisfação dos professores é o que resta para se criar uma nova ordem na rua. E não precisa de ser uma nova ordem criada por um partido de estrema direita,

Basta querermos que isso aconteça.

E se for necessário criar um sindicato para marcar uma greve por tempo indeterminado também se faz, não são precisos os que atualmente existem.

 

 

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As Listas Definitivas de Acesso ao 5.º e 7.º Escalão

Progressão na Carreira – Listas Definitivas 2022 de Graduação Nacional dos Docentes Candidatos às Vagas para Acesso aos 5.º e 7.º escalões

 

Estão disponíveis para consulta as Listas Definitivas de 2022 de Graduação Nacional dos Docentes Candidatos às Vagas para Acesso aos 5.º e 7.º escalões.

Consulte a nota informativa:

Nota informativa – Divulgação das listas definitivas de graduação dos docentes candidatos às vagas para a progressão aos 5.º e 7.º escalões

Consulte as listas:

Lista Definitiva de 2022 de Graduação Nacional dos Docentes Candidatos às Vagas para Acesso ao 5.º escalão

Lista Definitiva de 2022 de Graduação Nacional dos Docentes Candidatos às Vagas para Acesso ao 7.º escalão

Lista de Docentes Retirados das Listas de Progressão ao 5.º Escalão

Lista de Docentes Retirados das Listas de Progressão ao 7.º Escalão

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10.003.014 hits

Parabéns, Dr. Paulo Guinote!

O que digo é que Portugal não merece alguns dos professores que tem na Escola Pública!

Palavras para quê?

Conselho de amigo que gosta da boa leitura:

Guardem nos favoritos:

O Meu Quintal – Apenas umas opiniões e pouco mais.

 

Para subscrever é só ir à “barra lateral” do blogue (a meio) e introduzir o endereço de correio eletrónico:

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Recenseamento 2022/2023

Informa-se V. Exa. que se encontra disponível no portal da DGAE, a aplicação eletrónica Recenseamento 2023, destinada ao levantamento de informação pessoal e profissional relativa a todos os docentes e técnicos que se encontram providos no Agrupamento de Escolas / Escola não Agrupada, e todos aqueles que, à data da disponibilização da aplicação, se encontrem no mesmo a exercer funções.

Deve V. Ex.ª indicar outros docentes/técnicos que, embora não surjam pré-carregados, se encontrem a exercer funções no AE/ENA.

Mais informamos que o prazo para preenchimento da aplicação decorre do dia 15 de novembro de 2022, até às 18:00 horas (Portugal continental) do dia 6 de janeiro de 2023.

 

Recenseamento 2022/2023

 

Aplicação disponível para os AE/ENA entre o dia 15 de novembro e as 18:00 horas de dia 6 de janeiro de 2023 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Recenseamento 2022/2023

Nota Informativa – Recenseamento 2022/2023

Manual de instruções – Recenseamento 2022/2023

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Lista Colorida – RR11

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados da RR11.

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Amanhã Saem As Listas definitivas de graduação de Acesso ao 5.º e 7.º Escalão

Que vai manter no mesmo escalão 5533 docentes.

 

Números dos Acessos ao 5.º e 7.º Escalão

 

Na lista de acesso ao 5.º escalão constam  5299 docentes quando existem apenas  2709 vagas.

Na lista de acesso ao 7.º escalão constam 4427 docentes quando existem apenas 1484 vagas.

Apesar das listas serem provisórias, ficam de fora no acesso ao 5.º escalão 2590 docentes e 2943 docentes no acesso ao 7.º escalão.

No total vão permanecer mais um ano a aguardar vaga 5533 docentes.

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Listas Provisórias Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste, em 2023

Publicação das Listas Provisórias dos candidatos selecionados e excluídos em sede de entrevista referentes ao Procedimento Concursal com vista à constituição de uma bolsa anual de docentes para o exercício de funções no Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste, em 2023.

Listas Provisórias dos candidatos selecionados e excluídos em sede de entrevista

 

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Petição “Pelo direito a um regime de mobilidade de docentes por motivo de doença para todos os professores”

Pelo direito a um regime de mobilidade de docentes por motivo de doença para todos os professores

 

 

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República, Doutor Augusto Santos Silva,

A presente petição serve de meio de contacto dos professores vinculados a um Quadro de Agrupamento, Quadro de Escola Não Agrupada ou Quadro de Zona Pedagógica para Consideração das Regras do regime de mobilidade de docentes por motivo de doença.

Contactamos, Vossas Excelências, e convidamo-los a que façam parte desta reflexão e nos ajudem a dar voz a um regime de mobilidade de docentes por motivo de doença justo e com regras claras.
Os subscritores pretendem dar voz à injustiça criada pela aprovação deste regime.
A nossa intervenção tem por base a nossa convicção de que o Decreto-Lei n.º 41/2022 enferma em si diversos tipos de ilegalidades, má-fé e cumprimento doloso de funções de estado conducentes ao prejuízo efetivo de cidadãos nacionais.
Esta nossa interpretação fundamenta-se no facto de, entre outros que discriminamos em seguida, o texto legal referido concretizar uma inegável ação dolosa e premeditada por parte do Governo da República Portuguesa em geral e do seu Ministério da Educação em particular, cuja consequência é colocar em possível risco efetivo a vida de cidadãos nacionais e/ou atentar contra a sua integridade física e mental. Direito que para além de ser protegido pela nossa constituição é também protegido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos da qual Portugal é signatário. Qualquer evocação futura de “interesse público” não pode, não deve afrontar direitos legalmente consagrados nos documentos acima mencionados. O direito à vida é, por si só, inalienável e absoluto, e colocá-lo em risco ou afrontar a integridade física e mental de pessoas é inaceitável.
Não podemos esquecer de mencionar que o crescente envelhecimento da classe docente, o aumento da idade de reforma e o aumento generalizado da esperança de vida, conduzem e conduzirão no futuro a um aumento significativo de docentes que por motivos próprios e/ou por necessidade de acompanhamento de familiares recorrerão a este mecanismo. Pelo que, o aumento generalizado do número de pedidos para este tipo de mobilidade tem tendência a aumentar de ano para ano, também como consequência da deficiente composição dos quadros de cada Escola/Agrupamento, situação que o Governo se tem mostrado incapaz de resolver, mas cujo ónus não pode, em circunstância alguma, recair nos docentes mais debilitados por condições de saúde.
Finalmente, e antes de detalhar os nossos argumentos, é necessário clarificar que a Mobilidade por Doença nunca foi um procedimento concursal e nunca aceitaremos que se torne num, dada a especificidade das situações de cada docente que nunca poderão ser objeto de graduação e sujeitos a “quota de vagas” em escolas de acolhimento.
Face ao exposto, alegamos:
1 – As colocações nos quadros de origem de muitos Quadros de Agrupamento/ Quadros de Escola não Agrupada, doravante designados por QA/QE, e de Quadros de Zona Pedagógica, doravante designados por QZP, é, em virtude da ação do Decreto Lei 132/2012 de 27 de junho, na sua redação atual incorporada no Decreto Lei 28/2017 de 15 de março (conjuntamente com todos os regimes de recrutamento anteriores, entretanto revogados), obtida de forma compulsiva pois são obrigados a concorrer por vezes a extensas áreas geográficas – este ponto contraria o senso comum que sustenta o facto de a colocação original de um grande número de docentes ser voluntária. (verificar, a título de exemplo, nº4, artigo 9º, Decreto Lei 132/2012; e outros). Também por isto consideramos existir neste Decreto-Lei evidente afronta aos princípios subjacentes à criação deste regime de mobilidade.

2 – Relativamente ao Decreto-Lei 41/2022 de 17 de junho, enferma alguns ataques deliberados e dolosos, a saber:
a) Apesar de reconhecer a veracidade de que o atual mecanismo geral de recrutamento de professores não dá resposta adequada às necessidades do sistema, um novo regime de mobilidade por doença, preconizado no Decreto-Lei 41/2022, não pode, em caso algum, colocar em causa o direito à preservação da vida de pessoas e da sua integridade física e mental, como penso ser o caso deste.

b) A introdução de critérios para hierarquizar, seja qual for o critério usado para esse efeito, a gravidade de situações de doença descritas no, ainda em vigor, Despacho Conjunto A-179/89-XI de 12 setembro 1989, é insultuoso para quem delas padece, ou tem familiares diretos doente. Neste particular, devem ser consideradas não só as doenças em si, mas também a onerosidade dos tratamentos e efeitos secundários dos tratamentos a que a maioria dos pacientes com estas patologias é sujeito, e que na sua maioria são, por si só, impeditivos de efetuarem grandes deslocações (nem que seja utilizando transportes públicos) quer por via de provocarem um concreto agravamento das condições de saúde, quer por via de em situações limite abrirem a possibilidade de potencial risco de vida de docentes e sua integridade física. E aqui, a insistência do Governo em aprovar o Decreto-Lei e a conivência demonstrada pelo Senhor Presidente da República ao promulgá-lo (considerando-o como regime “experimental”, e sendo este o seu único argumento tornado público através da página da Presidência da República), constituem, no limite, um atentado contra a vida ou contra a integridade física de docentes já debilitados. Jamais estes órgãos de soberania poderão evocar desconhecimento destes motivos, pois foram para eles alertados pelas organizações sindicais representativas dos docentes aquando na negociação coletiva, pelo Conselho de Escolas no parecer emitido a 1 de junho e por variados docentes em nome individual.

c) “(…) a melhor utilização dos recursos humanos (…) garantir à escola pública os professores necessários à prossecução da sua missão.”. Neste particular, um argumento aparentemente lógico, pois os docentes são obviamente recursos humanos. No entanto, são, e antes de tudo, pessoas que merecem ser tratadas com dignidade no exercício de funções profissionais. A melhor “utilização” (os professores são pessoas, não coisas…) de recursos humanos alegada pelo Ministério da Educação não pode conduzir a um normativo legal cuja existência é resultante, apenas e só, da incompetência e ineficácia demonstradas pela tutela na fiscalização de situações anómalas (que jamais defenderei), apesar de facilmente detetáveis pelos serviços centrais uma vez que os pedidos de Mobilidade por Doença são realizados, nos últimos anos, através de plataforma eletrónica. Assim, colocar nos docentes doentes ou com familiares doentes o ónus da responsabilidade de uma falha que é, efetivamente, da tutela é, para nós, também inaceitável.

d) Este diploma resulta de uma atitude autoritária, intransigente e de má-fé por parte do Ministério da Educação, que se limitou a tentar impor aos parceiros negociais uma proposta por todos considerada inaceitável, mesmo tendo sido incorporadas algumas melhorias desde o início das negociações.

3 – O mencionado no artigo 2º deveria ser mais ambicioso, podendo incorporar os docentes com contrato de trabalho em funções públicas a termo certo, numa situação equiparada à existente para gravidez de risco. Os docentes sem vínculo definitivo também adoecem, também têm descendentes e/ou ascendentes a cargo.

4 – No artigo 4º considero ser urgente a atualização da lista já acima mencionada por se tratar de uma listagem com 33 anos e, portanto, desatualizada considerando os pareceres emitidos pela Organização Mundial de Saúde. Também considero que na alínea iii) deste artigo, a tipologia dos familiares devia ser alargada, pelo menos, até ao 3º grau com inclusão da linha colateral, pois pelo dito no número 2 desta exposição, existem professores que são cuidadores de pais/filhos/irmãos/netos/avós e que mesmo não residindo na mesma morada fiscal necessitam de apoio quotidiano, inadiável e imprescindível.

5 – No referente à b) do nº 1 do artigo 5º, não é irrelevante perceber que dada a geografia do país, 50 km em linha reta, resultam em média numa viagem de 100 km (200 km ida e volta). Mais uma vez, e tendo por base o mencionado na introdução do Decreto-Lei em análise, esta solução proposta pelo governo não é condição específica para melhorar o quadro de saúde de qualquer docente, principalmente se sofrer de esclerose múltipla, artrite reumatoide, fizer hemodiálise, estiver a recuperar que quimioterapia ou radioterapia, tratar de um filho com deficiência profunda, de um pai/mãe com Alzheimer, entre outras. No entanto, o aspeto mais gravoso é um docente de QA/QE ser impedido de solicitar a Mobilidade por Doença no caso de a sua escola de origem se localizar a menos de 20km em linha reta da escola para a qual deseja a mobilidade. Esta é claramente mais uma discriminação laboral a todos os títulos inconcebível e/ou aceitável.

6 – Relativamente ao nº 2 do artigo 5º, representa clara discriminação laboral existente entre docentes com vínculos iguais, apesar de subcategorias diferentes (QA/QE e QZP), o que, no meu entendimento é claramente inconstitucional, já que a constituição não preconiza políticas cujo espírito seja o de criar discriminações de qualquer tipo.

7 – Em relação ao nº 2 do artigo 6º, no regime anterior, era possível não ter componente letiva (nos casos em que a situação clínica o exigisse através da apresentação de relatório médico), tendo neste caso que cumprir 35h presenciais na escola, perdendo assim o direito de cumprir a componente individual de trabalho na localização que entendesse. Assim, o desrespeito pela concreta necessidade de apoio inerente ao pedido de mobilidade por doença.

8 – O artigo 7º viola o princípio inerente a este tipo de mobilidade, a situação de doença, não pode nem deve estar sujeita a situação de vaga, sendo ainda desconhecido se o mapa de vagas por agrupamento é conhecido antes ou depois do pedido de Mobilidade por Doença. Aqui reforço que o pedido de Mobilidade por Doença não é, nem pode ser, sujeito a vagas por não se tratar de um concurso.

8 – No que concerne ao nº 1 do artigo 8º, volta-se ao número anterior, chegando ao ponto de, no meu entendimento, existir outra discriminação – novamente inconstitucional – de considerar possível que a doença de um professor A do grupo X, possa ter benefício maior que a doença do professor B do grupo Y, mesmo que a doença seja a mesma e B tenha um grau de incapacidade igual ou superior a A, visto que a cota de acolhimento do grupo X poder ser diferente da do grupo Y, podendo até ser inexistente.

9 – Relativamente à a) do número 1 do artigo 8º, a questão prende-se com a forma de proporcionar, a quem não tem, atestado multiusos, sendo que os serviços de saúde pública estão com atrasos de cerca dois anos em consequência da COVID19 – mesmo em situações “normais” um atestado multiusos nunca demora menos de 3/4meses a conseguir – claro que podemos juntar a inconstitucionalidade de discriminação entre colegas com a mesma doença um com atestado multiusos e outro sem – tendo em conta que no regime em vigor até 17/6/2022 este documento não era obrigatório);

10 – No que respeita às alíneas b) e c) do nº 1 e a totalidade do número 2, a idade dos docentes também não pode ser um fator de seriação, já que a gravidade das situações clínicas não depende exclusivamente deste fator. Também a indicação, por ordem de preferência, de escolas de extensa área geográfica, pressupõe a ideia de concurso, e isto é inaceitável para nós. A saúde dos professores e dos seus familiares não pode ser condicionada pela “lotaria” de resultados de concursos. Logo são, por força do que já aqui foi exposto, inaceitáveis.

11 – No referente ao artigo 10º, pode na situação limite acontecer que durante o primeiro ano um docente em Mobilidade por Doença poderá obter colocação a uma distância de 20km – linha reta – e no segundo ano, a colocação ocorrer 30km, o que é sempre uma melhoria. No entanto e não menos importante, o inverso também pode ocorrer, colocando-se a questão de que não está garantida a equidade e estabilidade necessária a quem dela necessita por questões de saúde, é que num ano o docente X do grupo A pode ter vaga no agrupamento 1 e no ano seguinte o docente X do grupo A pode não ter vaga no agrupamento 1. Assim, é nosso entendimento que é colocada em risco a saúde e bem-estar dos docentes e, não menos importante, a continuidade pedagógica (argumento tão caro ao Ministério da Educação).

12 – O artigo 11º abrange a razão funcional pela qual o Ministério da Educação decidiu intervir, de forma tão precipitada, incisiva, incoerente e desrespeitosa para com professores com os quais tem o dever de proteção, sobre o Mecanismo de Mobilidade por Doença, com efeitos imediatos. O artigo 11º revela a necessidade de verter em letra de Lei aquela que é a sua função, fiscalizar e fazer cumprir a legalidade nos procedimentos que encara como seus. Portanto, a necessidade da inclusão deste artigo, apesar de clarificadora, revela o que correu menos bem no processo em vigor até 17/6/2022 e com isso, o reconhecimento da incapacidade e incompetência em cumprir os princípios legais subjacentes a qualquer tipo de mobilidade docente. Que se faça uma fiscalização efetiva das situações declaradas pelos órgãos competentes, sem fazer recair as consequências da incapacidade e ineficiência dos processos de fiscalização nas pessoas que dele efetivamente necessitam.

13 – Finalmente o artigo 12º que está na base do fundamento da promulgação, no nosso entender precipitada, por parte do Senhor Presidente da República que jurou cumprir e fazer cumprir a constituição, para além de ser Presidente de TODOS os Portugueses. Consideramos que não é constitucional promover “períodos experimentais” quando se trata da saúde de pessoas. Nem sequer períodos transitórios. Com a agravante de não ser do conhecimento público quem, quando e de que forma seria avaliado este Decreto-Lei. A menção “tendo em vista a apreciação da sua implementação e eventual revisão”, é por si só, reveladora de tudo e de nada em simultâneo. É uma clara promoção à quebra de confiança entre os professores e o Ministério que os rege. Não sendo indicador daquilo que um Estado de direito devia ser: uma pessoa de Bem.

No passado dia 28 de outubro de 2022 e na sequência de várias queixas apresentadas por um grupo de docentes à Sra. Provedora de Justiça, esta endereçou ao Ministro da Educação uma primeira apreciação deste regime, solicitando-lhe que se pronuncie, designadamente, sobre a conveniência de este ser integrado num quadro geral adequado de proteção dos docentes em situação de doença.

“Esta sugestão decorreu da verificação da inexistência de um regime geral de proteção na doença adaptado às especiais exigências da função, que tem levado a que docentes recorram à mobilidade por doença porque apenas por esta via podem eventualmente vir a obter uma adequação da carga letiva ao seu estado de saúde.

Quanto ao regime de mobilidade, e no pressuposto da sua aplicação futura, a Provedora de Justiça aponta, no mesmo pedido de pronúncia, alguns aspetos que suscitam especial preocupação. Em particular, a exigência de apresentação de atestado médico de incapacidade multiusos (AMIM) para efeitos de ordenação no concurso com base no grau de incapacidade e a não atualização da lista de doenças a que se aplica o regime de mobilidade.

Relativamente a estes dois pontos, a Provedora salienta que são bem conhecidos os persistentes atrasos da Administração na concessão dos AMIM e que a lista de doenças elegíveis data de 1989, tendo sido então elaborada para fins completamente diversos.”

Vamos continuar a aceitar todas estas injustiças e provocações que lesam o futuro e liberdade do país?
Não será altura de obrigar todos estes senhores ilustríssimos a assumirem os seus enormes erros e a pedirem desculpa aos professores e, acima de tudo, às nossas famílias?

Se concordas que são políticas que desrespeitam todos e demais cidadãos portugueses, assina e todos daremos uma resposta repleta de aprendizagens de cidadania.

Acima de tudo, pretende-se criar um sistema de mobilidade justo, transparente e exequível, pautado por critérios de transparência e justiça.

Petição – A aguardar assinaturas online

Subscritor(es): Filipe Ferreira Rocha

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Na rua contra as Provas Globais – João André Costa

 

5 de Maio de 1994, Quinta-feira, foi, obviamente, um dia de semana e por conseguinte para poder ir a Lisboa, sabe Deus com que dinheiro (o dinheiro da mesada?, os almoços por comer e os escudos no bolso?), só depois da escola, só depois das aulas não fosse, número um, em casa saberem-me em Lisboa, número dois, saberem-me a faltar às aulas pois as consequências, igualmente óbvias, lá estariam desertas de esperar quando uma família sabe com todas as letras o valor e o sabor da educação sem esquecer a desilusão no rosto de todos a quem mais se quer.
Por estas razões, e por efectivamente ter ido para Lisboa, estou convencido, juro a pés juntos, ter ido para Lisboa por ter a tarde livre, decerto a tarde livre, não faltei às aulas, saí com o toque da uma da tarde e lesto desci o Monte em direção à Via Rápida.
Tinha 15 anos, frequentava o 10° ano de escolaridade e, tal como dezenas de milhares de jovens por todo o país, estava a semanas das tão temidas Provas Globais, inevitáveis no meu caso por ser aluno de uma escola piloto antes do alargamento das mesmas ao território nacional no ano consecutivo.
Não queria ser avaliado. Não queria ser ainda mais avaliado. Já me chegavam os testes duas vezes por período a todas as disciplinas com as épocas de avaliação às vezes intervaladas por uma semana e uma semana só de descanso como se fôssemos cavalos de corrida a quem é forçoso açoitar constantemente não vão os ditos parar.
Mas parar aonde e correr para quê? Para quê a pressa quando se tem uma média de 17 valores e o meu valor, perdoem-me o pleonasmo, mais que provado?
Por isso na rua armado somente de mãos para agitar, pernas para andar, braços para lutar e uma voz para exigir e gritar.
Fui sozinho. Por vontade própria. Ninguém me pediu ou exigiu. Fui porque quis ir à minha primeira manifestação depois de Abril e apesar de Abril quando o país ainda mal preparado, como nós quais adolescentes, ainda incerto, temeroso e com razões de sobra para se sentir revoltado. Como nós, aliás.
Sentei-me em liberdade no meio da Avenida. Porque podia. A Avenida estava cortada ao trânsito para a manifestação, os marchantes ainda por chegar ou em vias de se concentrarem no Marquês e eu sozinho a usufruir da vista, da vontade, do querer e poder sentar o traseiro no meio de não sei quantas faixas de rodagem de braços cruzados ao redor dos joelhos à espera que o mundo mude.
Mas o mundo não muda sozinho, precisa de homens e mulheres e eles aqui estão à cabeça da manif a descer a Avenida e tão surpresos como eu: “Olh’ó “cientista”!”, gritam de dedos apontados, ao mesmo tempo surpresos e alegres, e eu, qual mola, a saltar deste ponto de observação privilegiado para me juntar à delegação da minha escola na ponta da lança contra as Provas Globais!
Sim, gritámos, sim insultámos a Manuela como se a Manuela fosse a meretriz mais reles, não querendo maldizer as meretrizes tantas vezes acima de qualquer Ministro, de qualquer educação, sim, baixámos as calças para as câmaras e por causa das câmaras, sim fomos muitos e muitos, a força dos números, comitivas de centenas de alunos de cada vez a juntarem-se à marcha e a euforia total, um exército na rua pela primeira vez, a primeira de muitas para aprender o que não nos ensinam na escola, e ainda hoje não ensinam, do pensamento crítico ao exercício de direitos, do associativismo político aos debates, da luta aos movimentos cívicos, o que é defender uma causa, gritar, protestar, não aquiescer.
Aprender a não baixar os braços, ainda para mais quando o objectivo era, e é, o mesmo de sempre, cercear o acesso à universidade, à educação, ao futuro, a melhores condições de vida, a história da Humanidade, o fosso entre ricos e pobres, os que mais podem contra quem menos tem.
Hoje, por vontade própria, os jovens encerram escolas e empoleiram-se nos telhados das mesmas. Em nome do clima. Por não haver planeta B. Hoje, por vontade própria, os jovens dão de mão beijada a única arma ao seu dispor: a educação.
E os dirigentes agradecem quando se ocupa o que está mais à mão, a escola, a mesma escola cuja função como ascensor social fica inexoravelmente comprometida.
Mas numa escola onde a aprovação do aluno de ano para ano já há muito é automática em nome de estatísticas para mostrar lá fora e pouco mais, pouco mais para os professores e para as escolas, pouco mais para os alunos e a escola é apenas um grande ATL onde os filhos deste país passam 12 anos apenas porque sim e depois logo se vê, não posso senão concluir terem os jovens de hoje toda a razão no seu desprezo total e absoluto pela escola.
A escola é um instrumento, um meio, mesmo se parco, para atingir um fim. A escola, o seu espaço, é o pouco que lhes resta. E a culpa não é dos jovens tal como não era nossa quando num solarengo 5 de Maio saímos à rua com o epíteto de malcriados, alarves, estúpidos e rascas.
A culpa é de quem dirige e a luta destes jovens é a nossa quando já não há tempo para a democracia e ainda menos tempo para sobreviver.
As águas estão a subir e a escola pode esperar.

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422 Contratados colocados na RR11

Foram colocados 422 contratados na reserva de recrutamento 11, distribuídos da seguinte forma:

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Abertura da Caixa de Comentários nos Artigos do Blog

Após alguns meses de ausência da caixa de comentários nos artigos do blog vou voltar a abrir esta funcionalidade.

Espero que os comentários não sejam ofensivos entre colegas e que haja respeito pelas diversas opiniões, independentemente de delas discordarem.

A partir do momento que os comentários passem a ser ofensivos tomarei novamente a decisão de eliminar esta possibilidade de troca de opiniões.

 

 

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Quem deseja ter um salário superior ao 10º escalão?

A TVI/CNN Portugal teve conhecimento que há quatro antigas secretárias pessoais que foram promovidas pelos atuais ministros da Economia e da Saúde a técnicas especialistas e uma como adjunta. Os salários oscilam entre os 3 e os 4 mil euros e usam a viatura oficial dos Ministérios, mas nenhuma destas três técnicas-especialistas e a adjunta têm licenciatura.
 
O gabinete da ministra da Presidência justifica a contratação do jovem de 21 anos, que vai auferir cerca de quatro mil euros brutos por mês,
 
NÃO ESTUDASSEM!…Emoji
Mário Silva

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E o abismo ali tão próximo…

 

Se se concretizarem todas as malvadezas que, nas últimas semanas, têm vindo a ser preconizadas, e algumas já anunciadas, pelo Ministério da Educação, o mundo profissional que os Professores conhecem deixará de existir, muito em breve…

Desse mundo, pouco ou nada restará…

Apesar da gravidade da situação, a maior parte dos Professores não parece ter ainda tomado consciência de que o seu mundo estará prestes a ruir, a ser implodido e substituído por outro incomparavelmente pior…

Assoberbados que estão, entre outros, com indizíveis “inovações” como Domínios, Subdomínios, Temas, Ponderações, Instrumentos de Avaliação, Instrumentos de Registo, Descritores por Níveis de Desempenho em cada Domínio, Tabelas para Operacionalização dos Critérios de Avaliação em cada Domínio, Áreas de Competências, Menções Qualitativas ou Menções Quantitativas, os Professores parecem aturdidos pelo trabalho insano e pelos automatismos comportamentais…

E ainda, também, em alguns casos, para agravar a complexidade e tortuosidade do que lhes é exigido, com Tutoriais e Guiões explicativos (!) para conseguirem registar tudo o anterior, de acordo com determinados cânones, de forma a que, no fim, o respectivo significado seja praticamente inacessível e indecifrável…

Sim, o Projecto Maia conseguiu a proeza de “oficializar a loucura”, mas sempre “by the book”, “comme il fault”

E no meio de tantos desvarios que grassam dentro de muitas escolas, no exterior, o futuro dos Professores vai sendo decidido em (patéticas) rondas negociais entre o Ministério da Educação e os Sindicatos que supostamente os representam…

Começa a ser verdadeiramente confrangedor ouvir algumas declarações de dirigentes dos principais Sindicatos de Professores, à saída de cada ronda negocial com o Ministério da Educação…

Pois que saem dessas reuniões desiludidos e “desconcertados”, como recentemente parece ter acontecido (Jornal Público, em 8 de Novembro de 2022)…

Nesses concílios, ao que tudo indica, o Ministério da Educação simula que negoceia; os Sindicatos prestam-se ao papel de vítimas enganadas, vergadas às imposições tirânicas da Tutela; e, no fim, todos parecem ficar satisfeitos por terem cumprido a sua parte da actuação nonsense, do filme: “Para inglês ver”…

Mas os Sindicatos ainda acalentavam alguma ilusão?

Ou terão esquecido que, entre outros despautérios, em 2019, o 1º Ministro António Costa fez uma inadmissível chantagem, ameaçando com a demissão do Governo, se a Assembleia da República aprovasse a recuperação integral do tempo de serviço dos Professores?

Em 2022, o 1º Ministro é o mesmo, com a agravante de o actual Governo ser suportado por uma maioria absoluta em termos parlamentares, o que lhe dá uma margem de manobra significativamente superior…

O que esperavam os Sindicatos?

Ou terão esquecido que, em 2010, cederam a um ruinoso acordo, alegadamente selado com pizzas, com a então Ministra da Educação Isabel Alçada, desbaratando toda a força e união, alcançadas em 2008, pela maior Manifestação de Professores alguma vez ocorrida em Portugal?

Ou terão esquecido que durante os seis anos de Governo pela “Geringonça”, suportado pelo PS, BE e CDU, a sua própria postura se pautou pela bonomia e pela aceitação, fazendo de conta que reivindicavam e que reclamavam, mas mostrando-se incapazes de encetar acções efectivamente consequentes ou de ruptura, plausivelmente dominados por determinadas agendas partidárias que, na verdade, não pretendiam afrontar a dita governança?

Esperariam, agora, ser levados em muita consideração e muito a sério, quando a sua postura nos últimos anos foi dominada, ou pela cedência, ou pela inércia, expressa por “pactos de não-agressão” face às políticas educativas da Tutela, pelo menos em termos tácitos?

Enfermeiros, Médicos ou Técnicos Superiores, todos parecem conseguir alcançar alguma coisa do Governo… Parece que há Sindicatos que não costumam ir no “engodo de pizzas” e que conseguem fazer-se respeitar…

A Classe Docente, tão numerosa e qualificada em termos académicos, não tem Sindicatos capazes de a conseguir mobilizar e parte do seu conformismo também resulta disso…

O discurso da “cassete” do Velho Sindicalismo está gasto, decrépito, é completamente previsível e já não encoraja, nem convence ninguém…

“Fazer prova de vida”, partindo uns pratos “para a fotografia”, não chega como forma de reivindicação ou de protesto…

No momento actual, parecem existir apenas duas opções:

– Ou os Sindicatos se renovam fortemente, o mais rápido possível (“ontem, já era tarde”);

– Ou os Professores têm que encontrar formas alternativas de mobilização, independentes dos Sindicatos…

Se não o fizerem, correrão o risco de se deixar aniquilar de vez, permitindo que o comando lunático e perverso dos destinos da Educação os atire para o mais profundo dos abismos…

Perante todas as iniquidades que se prenunciam, e que a todos afectarão, ficar a “olhar de fora”, quase numa perspectiva voyeurista, ou permanecer na zona de conforto proporcionada pela atitude “pode arder, desde que não seja comigo” deixarão de ser possíveis…

Assim como todas as justificações, quaisquer que sejam, para a inacção e para o silêncio…

Face It Alone”, é o que me ocorre, para ilustrar o anterior…

(Tributo aos Queen, maior Banda Musical de todos os tempos, liderada por um Génio inigualável, que nunca morrerá: Freddie Mercury. E, já agora, quando se ouve “Bohemian Rhapsody” tudo melhora…).

(Paula Dias)

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Eleições ADSE – Lista D

Nos próximos dias 28, 29 e 30 de novembro realiza-se eletronicamente a eleição para o Conselho Geral e de Supervisão da ADSE.

“O voto eletrónico pode ser exercido a partir das 9h do dia 28 de novembro, ininterruptamente até às 17h do dia 30 de novembro através de qualquer equipamento com acesso à internet, acedendo ao link: https://certvote.com/adse2022 e autenticando-se com o seu número de beneficiário da ADSE (sem os zeros à esquerda e sem as letras à direita do número) e com a senha secreta (PIN), individual.”

De 18 a 21 de novembro, receberá outro email da Certvote com os seus dados de acesso (PIN), para que possa votar confortavelmente onde quiser. Esteja atento!

Faço parte da Lista D, juntamente com outros editores do Blogue, mais algumas pessoas de áreas diferentes que não seja a Educação.

Esta lista tem como mandatário o Professor Santana Castilho.

A média de idades dos efetivos e suplentes deve certamente estar pela metade das listas apresentadas pelas habituais estruturas sindicais que pretendem a monopolização do espaço dos beneficiários no Conselho Geral da ADSE.

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2401 Aposentados em 2022 pela CGA

Este ano aposentaram-se pela Caixa Geral de Aposentações 2401 docentes da rede pública do ME.
As curiosidades deste ano são as seguintes:
Nunca se aposentaram tantos Educadores de Infância como este ano, foram 140. Também nunca se tinham aposentado tantas educadores de infância num único mês. Em dezembro de 2022 são 27 as Educadoras de Infância aposentadas.
No próximo ano temos uma previsão de 3515 aposentados.

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CIM vs QZP

Se a transferência dos 10 QZP forem de facto para as atuais 23 Comunidades Intermunicipais/Áreas Metropolitanas, iremos ter alguns QZP que vão abranger várias CIM. Os QZP 01, 02 e 03 vão passar a ser distribuídos por 5 CIM cada. Os QZP 07 e 10 ficarão apenas na Área Metropolitana de Lisboa e Algarve, respetivamente, pelo que aqui não haverá grandes problemas na transferência dos docentes para as respetivas CIM.

Como será feita esta mudança dos docentes que estão em cada um dos QZP é que ainda não se sabe exatamente como, mas de certeza que será por concurso e graduação, em função das vagas disponíveis em cada CIM.

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Já se Percebeu

… que o Ministério da Educação quer continuar a financiar-se através de fundos europeus para pagar grande parte da educação, daí a criação dos QZP de acordo com os CIM, mas atenção que já o faz com o PREVPAP,  com a recuperação das Aprendizagens,  com as EMAEI, os Portáteis, os Videoprojetores, as formações e tantas outras artes florais que se vão fazendo por aí fora.

Quando se fechar a torneira dos fundos europeus acabam-se os professores.

Mas nessa altura já ninguém deve estar ao serviço para ser responsabilizado por isso.

Se a poupança com este esquema fosse para melhorar a condição de vida dos professores e das escolas ainda se aceitaria, mas tudo se vai gastando em Centros de Exposições fantasmas e outros afins.

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Os novos 23 QZP serão estes…

 

Já tinha posto esta hipótese e o Ministro confirmou hoje. Os novos QZP serão alinhados com as CIM.

 

 

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Nota Informativa – Licenças sem vencimento/Licenças sem remuneração

 

 

Nota Informativa: Licenças sem vencimento/Licenças sem remuneração 2022/23

 

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A Pró-Ordem REUNIU COM MINISTRO E SECRETÁRIO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

 A Pró-Ordem e a Federação Portuguesa de   Professores reuniram hoje com o Ministro da Educação, João Costa e com o Secretário de Estado da Educação, António Leite.

 Após as intervenções iniciais dos dois membros do Governo presentes, como nenhum deles se referiu à greve nacional de docentes do dia 2 do corrente, começámos por colocar duas perguntas ao Sr. Ministro:

1ª Pergunta: Recebeu o nosso Pré-Aviso de Greve?

2.ª Pergunta: – Leu o conjunto de reivindicações nele elencado e que implicações desta greve para a negociação coletiva?

 O Sr. Ministro mudou literalmente de assunto e não respondeu àquilo que interessa aos muitos milhares de docentes que, de Norte a Sul do País, de forma solidária abdicaram do seu magro salário (já que grande parte é retido na fonte para impostos) e fizeram esta justa Greve Nacional.

 De seguida colocámos a questão da ruptura de paridade entre a carreira docente e a carreira técnica superior, ou seja o Governo vai aumentar esta em 102€ e, em sede de Proposta de Orçamento de Estado, propõe apenas um aumento de 52€ para aquela. A resposta que recebemos foi de molde a deixar-nos ainda mais preocupados. Talvez se tivéssemos alguém com mais peso político em sede de Conselho de Ministros esta ruptura de paridade, que vigora há dezenas de anos, não seria deixada cair com tanta facilidade…

Quanto à contagem do tempo de serviço, aposentação, quotas e vagas não vimos abertura negocial, excepto para se equacionar a dispensa de vaga para o 5º e 7º escalão a quem tenha “habilitações mais avançadas” (será mestrado, doutoramento?…)

 Parece haver abertura para a contagem do tempo de serviço em creche e a consideração da questão dos técnicos especializados da António Arroio e da Soares dos Reis.

 Em matéria de concursos acolhe-se a reivindicação do movimento sindical docente de reduzir a dimensão territorial dos QZP, passando dos atuais 10 para 23. Mas o concurso interno passaria a ter uma validade quinquenal, em vez dos atuais quatro anos. Sendo que não parece haver grande pressa no finalizar deste processo negocial, pois o concurso geral não será em 2023, mas apenas em 2024.

  projeto do Ministério, aparentemente, parece ainda estar apenas em embrião; pelo menos à nossa Federação ainda nada foi entregue por escrito. Mas, uma coisa é certa, será instituído um designado Conselho Local de Diretores de Agrupamento de Escola, para escolher “alguns” professores. Se e esses “alguns” serão 1/4, 1/3 ou mais, só o futuro o dirá…

 

Lisboa, 7 de Novembro de 2022

Pela Direção Nacional

O Presidente da Direção

Filipe do Paulo

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2401, este é o número de docentes aposentados durante 2022

 

Mais de 400 aposentações abaixo das previsões feitas por um dos anteriores governos, 2826.

O número final de docentes a conseguirem a aposentação, durante este ano civil, fixou-se nos 2401.

O dia 1 de dezembro será o dia em que passam ao “estado” de jubilados mais 26 Educadoras, 196 Professoras e 72 Professores, num total de 294 docentes. É, também, o mês de2022 em que o maior número de docentes passa à aposentação.

Amanhã apresentaremos as contas com mais pormenor.

 

 

 

 

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Fenprof assegura que é falso que mais de metade dos professores ganhe mais de 2.250 euros

 

“O salário recebido pelos docentes da educação pré-escolar, do ensino básico e do ensino secundário – ou seja, o salário líquido – nunca atinge os dois mil euros”, assegura a Fenprof, contrariando o que foi noticiado com base em dados do Ministério da Educação que não contemplam os professores com contratados a termo.

Fenprof assegura que é falso que mais de metade dos professores ganhe mais de 2.250 euros

 

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Educação inclusiva: O grande desafio e um decreto irreal

De vez em quando, ficamos com a ideia de que quem legisla sobre educação nunca esteve numa sala de aula a ensinar…

Educação inclusiva: O grande desafio e um decreto irreal

Pelo que tem sido possível constatar ao longo destes quatro anos, aumentou de forma significativa o intenso trabalho dos incansáveis professores de educação inclusiva (vulgo educação especial, como antes eram apelidados), enquanto os conselhos de turma, na sua generalidade, se têm limitado a preencher a extensa documentação cuja vantagem consideram, no mínimo, duvidosa. Primeiro, porque os professores sempre diferenciaram as suas práticas pedagógicas de acordo com a singularidade do seu público (dentro dos limites da razoabilidade, como veremos a seguir) e, depois, porque nunca conseguiram encontrar qualquer causa-efeito destes extensos documentos exigidos na melhoria das aprendizagens dos alunos; por último, e não menos importante, porque se o Decreto-Lei Nº 54/2018 pretendesse deveras uma verdadeira educação inclusiva, teria vindo acompanhado de um outro decreto que reduzisse, de uma vez por todas, o número de alunos por turma, o número de horas letivas e não letivas dos docentes e de uma formação específica que fosse uma mais valia prática, dada por formadores no terreno, e não uma sobrecarga teórica transmitida por pedagogos de secretária aos fins de semana. Sem ovos é difícil fazer omeletas. Contudo, as nossas políticas educativas continuam a querer obrigar os docentes a cozinhá-las assim. E as escolas, por sua vez, não conseguem fazer verdadeiro uso da sua autonomia porque, para se ser autónomo e gerir uma escola dessa forma, são necessários recursos financeiros inexistentes que o Ministério da Educação não faculta. Ou seja, estamos perante uma pescadinha de rabo na boca.

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Conselho Local de Diretores de Escolas? (para escolher “alguns” Professores)

 

Nas declarações do Presidente do S.TO.P ouvimo-lo referir que uma das propostas do ME é a da escolha de alguns Professores por um Conselho Local de Diretores.

Até me arrepiei.

O que acontecerá nos muitos Concelhos deste país que só têm um Agrupamento de Escolas? O Diretor reunirá em frente a um espelho e decidirá, com o seu reflexo, que Professores escolher?

Já para não falar do tal perfil…

 

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De Novo os 23 QZP”s

Segundo informação do STOP após a reunião com o ME serão novamente criados 23 QZP”s. E o concurso será de 5 em 5 anos (presumo que o interno).

 

https://fb.watch/gE_Is9-Dxc/

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O que recebo e o que “ganho”. Luís Sottomaior Braga

 

O que significa “ganhar”, num título de 1ª página?

É diferente de “receber”.

Se um restaurante serve refeições estragadas, eu deixo de lá ir e a ASAE fecha a tasca.

A notícia do Correio da Manhã sobre salários docentes de hoje é um peixe podre e mal cheiroso que dá ganas de se ser como o Obélix.

Mas vai passar como grande verdade e animar muitas conversas de tasca e esplanada. Quem terá pachorra para ver as tabelas verdadeiras? (abaixo)

Além disso, a preguiça jornalistica não se compadece de tantos números e conceitos complicados como IRS diferente conforme o número de filhos e se se é solteiro ou casado.

O jornal fala do bruto e o leitor pouco esclarecido compara com o líquido. E com o seu líquido, que entre salários mínimos e salários um pouco mais altos não é proporcional.

O Correio da Manhã fez um excelente serviço à IL ao mostrar, de forma bacoca, um dos efeitos numéricos da progressividade fiscal na comparação de salários.

E a literacia matemática não é um dos fortes do país.

Realmente, se não houvesse progressividade podiam comparar salários brutos de forma linear.
Mas quem ganha 2000 euros brutos, paga maior proporção do seu salário do que quem ganha 1500. Por isso, há escalões de IRS.

Como os impostos são progressivos (e bem) e a ADSE é proporcional ao salário bruto (e bem), quem ganha menos que os professores não percebe, num texto assim, o spin e manipulação pró-governo e anti-professsores. E a ERC não nos valerá.

Mas o autor do título também prestou um belo serviço ao Chega, além do frete imediato ao Governo.

Quer porque notícias assim fazem com que muitos professores sintam a raiva da injustiça e vão ouvir o venturoso de outra forma, quer porque tudo o que seja mentira e falsidade serve o interesse de quem se alimenta da desinformação.

Declaração de interesses: ao fim de 27 anos de serviço, recebo 1350 euros líquidos.
Estou no 4º escalão e preso pelas vagas e antes dos 66, a reforma, não chegarei ao 10º escalão (o tal que, líquido, vale uns 2000 euros).

Como subdiretor, recebo mais 200 euros mensais (12 meses) líquidos. O bruto são 2350 (por ser dirigente) dos quais desconto 800 em média mensal para receber os 1550 euros líquidos.

O que “ganho” não é o que “recebo”. E não me venham dizer que é comparável ou aceitável fazer contas dessas. Mas serve ao governo numa guerra salarial.

E é isto.

 

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Governo rompe acordo e recusa dar mais funcionários às escolas

Contrato assinado em julho previa aumento dos rácios. Autarcas contrataram funcionários para o início do ano letivo a contar com verba. PSD quer adiar meio ano descentralização da Ação Social.

Governo rompe acordo e recusa dar mais funcionários às escolas

A proposta enviada pelo Governo às câmaras municipais sobre a contratação de funcionários para as escolas no âmbito da descentralização contraria o acordo assinado em julho com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), pois rejeita aumentar o número máximo de assistentes operacionais por escola, com que as câmaras estavam a contar. Ontem, os autarcas do PSD acusaram o Governo de “falhar em toda a linha”.

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“Todos sabiam, mas ninguém fez nada”…

 No geral, as Direcções de Agrupamentos parecem considerar a violência em contexto escolar como um tema “maldito” e de difícil admissão, independentemente de quem sejam as vítimas ou os agressores…

A actuação de muitas Direcções face ao fenómeno da violência escolar parece ir, frequentemente, no sentido de tentar preservar, a todo o custo, uma imagem pública da escola que se pretende “imaculada”, minimizando-se, muitas vezes, o número de ocorrências daquela natureza, ao mesmo tempo que se costuma relativizar a gravidade das mesmas…

Aqui, como em tantas outras situações, importa salvar as aparências…

E a principal consequência dessa conduta pode resultar numa certa “normalização” da violência escolar, acabando-se por aceitá-la, implicitamente, como uma inevitabilidade…

Obviamente que a escola, enquanto palco de múltiplas relações interpessoais, nem sempre será um lugar idílico e pacífico…

A escola poderá constituir-se como um contexto propício para se estabelecerem muitos companheirismos, solidariedades, desafios, realizações e vitórias, mas também, e em simultâneo, muitas frustrações, fracassos, tensões, competições e ansiedades, individuais e/ou de grupo…

Em suma, e sem dramas desnecessários, a escola é uma entidade passível de suscitar uma certa ambivalência afectiva e emocional, um lugar onde poderão coexistir sentimentos opostos e contraditórios, um lugar onde facilmente se misturam e alternam o “Amor” e o “Ódio”…

E isso parece válido para todos os que diariamente passam a maior parte do seu dia numa escola, quer seja enquanto Alunos, quer seja enquanto profissionais de Educação…

Mas, e apesar da “natural e expectável turbulência”, presente em cada escola, inerente à convivência entre seres humanos, existem vítimas de violência escolar que, sejam quem forem, não podem ser silenciadas nem ignoradas…

No Plano “Escola sem Bullying. Escola sem Violência – Prevenção e Combate ao Bullying, Ciberbullying e a outras formas de Violência (site da DGE), está disponível um campo denominado “Registo de Casos de Violência” – Plataforma SISE (criado nessa Plataforma em Outubro de 2019), que permite aos Directores de Agrupamentos sinalizarem e comunicarem casos de violência escolar, de forma directa ao Ministério da Educação…

Entre outras, encontra-se aí a seguinte afirmação:

“De referir, que não há qualquer penalização pelo reporte destas situações, muito pelo contrário, demonstra que a escola está atenta às situações de violência e procura identificá-las para poder dar uma resposta assertiva a cada uma, procurando as melhores soluções e parcerias no caminho para uma escola sem bullying e sem violência.

Não pode deixar de se estranhar a afirmação anterior, nem de a considerar, no mínimo, como surpreendente e desconcertante…

Tal afirmação indicia que o próprio Ministério da Educação conhece a relutância das Direcções de Agrupamentos em reportar a ocorrência de casos de violência, assumindo assim que as mesmas possam ter receio de penalizações, pelo reporte de casos dessa índole…

A afirmação anteriormente citada torna-se inconcebível, sobretudo por dois motivos:

– Pelas Direcções de Agrupamentos que parecem recear penalizações por reportarem casos de violência, como se o registo oficial desses casos não fosse o que espera e exige de si ou como se esse procedimento não fosse o mais ético e sensato face ao problema…

– Pelo Ministério da Educação que parece ter sentido a necessidade de, explicitamente, negar a existência de consequentes penalizações, o que, à partida, e na suposição de que pudessem acontecer, seria absolutamente absurdo e inaceitável num país dito desenvolvido e democrático…

De Outubro de 2019 até ao momento presente, quantos casos terão sido reportados pelas Direcções de Agrupamentos na Plataforma SISE? Porque não se divulgam tais resultados?

Enquanto a própria Tutela e as Direcções de Agrupamento continuarem a ver e a tratar a violência escolar como se de um assunto “tabu” se tratasse, permanecerá a desvalorização e a negação do problema, o que, na prática, corresponderá a tolerar comportamentos violentos e abusivos…

violência não pode deixar de ser denunciada, sobretudo por aqueles que, no contexto escolar, têm o dever e a responsabilidade de zelar pela segurança e pelo bem-estar das crianças e dos jovens, mas também pela integridade física e moral de todos os que aí trabalham…

Escusamos de ter ilusões: com maior ou menor frequência, com maior ou menor intensidade, em todas as escolas se verificam episódios de violência. Em algumas, esses episódios assumem um carácter esporádico, noutras tornam-se praticamente endémicos…

Em qualquer dos casos, o pior que pode acontecer numa comunidade educativa é substanciar-se a convicção generalizada de injustiça e de impunidade perante actos de violência, por vezes traduzido por esta afirmação: “Todos sabiam, mas ninguém fez nada”…

E o mais agastante é constatar que, grande parte das vítimas de violência escolar, acaba por ser duplamente penalizada: uma vez, por a sua dignidade ter sido vilipendiada e, outra, por não verem a justiça a ser aplicada, acabando, frequentemente, por se verem obrigadas a pedir transferência de escola, quando são Alunos; e a apresentar a demissão de funções ou a “meter baixa médica”, quando são Professores…

A “cultura do medo e do silêncio das vítimas” parece estar instalada em algumas escolas, muitas vezes justificada pelo receio de “arranjar ainda mais problemas” ou de represálias e retaliações…

Enquanto isso, os agressores continuam a gozar de liberdade de acção, muitos deles sem serem identificados, responsabilizados e sancionados, quase sempre convencidos da sua invencibilidade, ainda que a maior parte deles também não consiga esconder a sua indisfarçável cobardia…

O Estatuto do Aluno e Ética Escolar (Decreto-Lei nº 51/2012, de 5 de Setembro) elenca várias Responsabilidades exigidas aos pais ou encarregados de educação (Artigo 43º), entre elas as seguintes:

“f) Reconhecer e respeitar a autoridade dos professores no exercício da sua profissão e incutir nos seus filhos ou educandos o dever de respeito para com os professores, o pessoal não docente e os colegas da escola, contribuindo para a preservação da disciplina e harmonia da comunidade educativa”;

“h) Contribuir para a preservação da segurança e integridade física e psicológica de todos os que participam na vida da escola”.

E também estabelece a possibilidade de serem instruídas Contra-Ordenações, quando se verifique o incumprimento de Responsabilidades pelos pais ou encarregados de educação, de forma consciente e reiterada (Artigo 44º e Artigo 45º), prevendo-se que essa infracção seja punível pela aplicação de coimas:

 

“7 – Compete ao diretor-geral da administração escolar, por proposta do diretor da escola ou agrupamento, a elaboração dos autos de notícia, a instrução dos respetivos processos de contraordenação, sem prejuízo da colaboração dos serviços inspetivos em matéria de educação, e a aplicação das coimas.” (Artigo 45º).

 

A medida anterior tem vindo a ser acionada pelas escolas e pela DGAE, como instrumento legal dissuasor de incumprimentos por parte de Pais/Encarregados de Educação e de Alunos?

Atitude típica dos Portugueses em geral, as sanções pecuniárias ou coimas (pagas em dinheiro) costumam ter um impacto significativo e eficaz no desencorajamento de determinados comportamentos indesejados…

Apesar do anterior, conhecido de todos, e do quadro legal que prevê a aplicação de coimas se encontrar em vigor desde 2012, porque não se tem concretizado tal medida?

Não pode deixar de haver condenação e punição dos comprovados agressores… E tem que haver algum tipo de ressarcimento das vítimas…

A liberdade individual e a dignidade humana não são compatíveis com o medo imposto pela violência…

(Paula Dias)

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Aluno de 11 anos esfaqueado em escola de Massamá

O aluno ficou ferido numa das pernas e em seguido foi transportado para o hospital Amadora-Sintra.

Aluno de 11 anos esfaqueado em escola de Massamá

Um rapaz de onze anos foi esfaqueado esta sexta-feira na escola básica 2,3 D. Pedro IV, em Massamá, no concelho de Sintra.

O incidente terá ocorrido durante um intervalo, na parte da manhã.

O aluno ficou ferido numa das pernas e em seguido foi transportado para o hospital Amadora-Sintra.

A vítima não conseguiu identificar o agressor, mas sabe-se que se trata de uma aluna da mesma escola.

A PSP está a investigar o caso.

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Outra vez os professores na rua?! Vou contar-vos umas histórias…

Há pelo menos 10 anos que escrevo com alguma regularidade sobre o tema dos professores em Portugal. Do congelamento das progressões ao desmembramento da carreira. Do que antes era uma profissão de referência, respeitada e ambicionada até ao ponto em que estamos hoje, com a escola pública seriamente ameaçada.

Começo por repetir algo que me parece coerente para um país que quer pertencer ao Primeiro Mundo: médicos e professores são os pilares de qualquer sociedade civilizada. Os primeiros, porque nos deixam o coração a bater; os segundos, porque formam as restantes profissões.

Outra vez os professores na rua?! Vou contar-vos umas histórias…

Sempre que se anuncia nova greve da Função Pública, dos professores especialmente, junta-se um coro de críticas de Norte a Sul do país, como se um bando de privilegiados tomasse as ruas em protesto. Emprego para a vida, 25 horas de trabalho, salários garantidos ou progressões automáticas – estes são alguns dos critérios utilizados por quem desdenha esta classe profissional e não lhes reconhece o direito à luta por melhores condições laborais.

Tenho uma opinião absolutamente oposta, e nos dias de hoje pergunto-me: quem é que quer ser professor em Portugal?

Com todo o respeito pelos outros profissionais, mas acho mesmo que ser professor no nosso país é hoje um caso de paixão e gosto pelo ensino. Racionalmente não pode ser outra coisa qualquer. É mau. É muito mau ser hoje professor em Portugal.

Bem sei que a destruição da carreira e, consequentemente, da Escola Pública é responsabilidade dos sucessivos Governos, mas custa-me ver a forma como a comunicação social pouco ou nada faz para levantar a voz em defesa desta classe.

Dizia ontem uma professora em protesto que o principal investimento de um país – de Primeiro Mundo, acrescento eu – tem de ser na Educação, porque isso é que garante o seu desenvolvimento futuro. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) relativos a 2020 revelam que Portugal está no meio da tabela com um pouco menos de 4% do PIB em investimento público na Educação. Sem grande surpresa percebemos que os países nórdicos estão no topo da lista. Mas há ainda casos como os da África do Sul, Costa Rica ou Índia, cujo investimento público na Educação é bastante superior ao português, sendo qualquer um deles referências de desenvolvimento nas suas regiões.

A Índia fornece engenheiros ao Mundo, a África do Sul será provavelmente a maior potência de África e a Costa Rica é um dos países mais desenvolvidos da América Central e com uma das economias mais fortes na região. Isto significa que, independentemente das dificuldades de cada país ou do tamanho da sua Economia, a escolha da Educação como forma de melhoria futura é sempre uma boa opção política.

Pessoalmente, nunca percebi como é que não é a prioridade de cada nação.

Resolvi perguntar a vários professores, do ensino pré-escolar ao secundário, quais eram as suas condições laborais e, honestamente, fiquei deprimido e com pouca vontade de escrever.

A situação é, afinal, muito pior do que eu imaginava ou daquilo que ia lendo, de forma aleatória, nas notícias dos diferentes órgãos de comunicação social. Entre congelamento da carreira ou pessoas presas nos escalões, passam-se décadas com salários absolutamente vergonhosos. A isso juntam-se os milhares de precários, com anos e anos de recibos verdes e outros tantos que mal conseguem ter uma vida familiar equilibrada, tal é a mudança de zona a que estão sujeitos. Há ainda quem pense que é uma profissão de regalias e bons salários, e eu pergunto-me, cada vez mais, de onde se construiu essa ideia? Qual a parte do verdadeiro inferno a que os professores estão sujeitos que não é ainda claro para todos?

Dir-me-ão que não é apenas o salário que faz a carreira, ou o bom professor, algo que eu tenderia a concordar se esse não fosse o primeiro preconceito da discussão.

O professor, como qualquer profissional, vende a sua força de trabalho em troca de uma recompensa, que se espera justa. Quem só tem o seu trabalho como meio de sustento, espera vendê-lo por um valor que lhe permita ter uma vida de qualidade. Reparem: qualidade, escrevi eu. Não escrevi digna, mínima ou satisfatória. Escrevi de qualidade, porque deve ser esse o nosso objectivo enquanto trabalhadores. Vender o nosso conhecimento a troco de uma vida descansada, boa e de qualidade. Não uma vida de aflição e contas.

Se em cima disto colocarem a importância da profissão – espero que, pelo menos nisso, tenhamos um consenso alargado –, então é fácil perceber que os salários são, de facto, muito baixos.

Vejamos os exemplos que recolhi.

T é educadora de infância, tirou uma licenciatura e um mestrado, e espera um dia entrar para os quadros do Estado. Recebe menos de 820 euros líquidos e vive num dos subúrbios no norte de Lisboa. Reparem que o nosso país está envelhecido e as políticas de natalidade são a quase inexistência de creches públicas, fortunas exigidas por cada filho nos privados e salários pouco acima do mínimo legal para educadores com formação superior. É uma absoluta calamidade para o país e um garrote para os profissionais.

L é formada pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Durante 20 anos, foi professora contratada e levava para casa cerca de 1.000 euros, trabalhando, por vezes, em duas ou três escolas ao mesmo tempo. Agora, ao fim de 24 anos de ensino, entrou para o quadro e ficou bloqueada no quarto escalão, pois há quotas para a passagem ao seguinte. Recebe 1.300 euros líquidos, ao fim de quase um quarto de século como professora.

LR é professora no oitavo escalão, tem 35 anos de serviço e vai-se aposentar antes de chegar ao topo da carreira. Recebe 1.700 euros líquidos e desconta cerca de 1.100 euros para o IRS, pensão e ADSE. Se LR quisesse hoje, ao fim de quase quatro décadas a trabalhar, alugar um apartamento no centro de Lisboa, não lhe sobraria dinheiro para comer.

Este é um dos dramas dos baixos salários em Portugal. O custo de vida acompanha o crescimento das capitais dos países mais ricos, mas aquilo que recebemos ao fim de cada mês aproxima-se cada vez mais dos níveis do chamado Terceiro Mundo. Portugal é hoje o terceiro mais pobre da União Europeia e, para isso, como se percebe, contribui o empobrecimento da classe média.

I tem 25 anos de trabalho e subiu recentemente de escalão. Disse-me que, “mais migalha, menos migalha”, receberá 1.400 euros líquidos. A expressão usada é feliz, porque é isso que aqui se discute. Migalhas. Os professores que dão 25 horas de aulas e usam o tempo da família para preparar o dia seguinte, corrigir testes e cumprir a burocracia que o ministério lhes exige, são pagos com migalhas. Felizmente para I, que vive numa ilha dos Açores, a especulação imobiliária ali ainda não atingiu a selva que se verifica em território continental e, como tal, sobra-lhe mais salário para viver. É, aliás, uma das razões porque optou ser professora na Região Autónoma.

Tal como I, também AA vive numa ilha dos Açores e durante quase 20 anostrabalhou no ensino público. Tirou uma licenciatura, um mestrado e uma pós-graduação. Desistiu da carreira quando o salário líquido mal chegava aos mesmos 1.400 euros, porque, a dada altura do processo, compreendeu que não era paga dignamente para o trabalho que fazia e não existiam grandes perspectivas de evolução ou mudança. Fez como vários professores, que acabam por emigrar, mudar de área ou procurar outras fontes de rendimento.

A falta de professores não se prende apenas com os que vão envelhecendo e que vão para a reforma. Muitos, ainda com alguns anos de ensino pela frente, optam por sair das escolas na procura de melhores condições e remunerações mais justas. E não: mesmo que a realidade do país seja, hoje em dia, miserável, convenhamos que pagar 1.400 euros a um professor ao fim de 20 anos de trabalho não é bom. É uma vergonha. São pessoas absolutamente essenciais na sociedade, com uma profissão de desgaste, responsáveis pelo sucesso ou insucesso futuro das mentes que trabalharão no país, e que, não nos esqueçamos, passaram entre 17 a 20 anos da sua vida em formação, para cumprirem o seu papel no mundo do trabalho.

J tem 12 anos de trabalho. Em linguagem do Ministério da Educação, “começou ontem”. É contratada para dar aulas ao segundo e terceiros ciclos. Recebe, ao fim de mais de uma década, 817 euros mensais. Não lhe perguntei como se vive com a actual inflação com 817 euros, porque tive vergonha.

Aliás, não perguntei a muitos destes professores coisas que queria saber por achar que seriam um atentado à dignidade. Eu sinto pena de quem investe na própria educação e, ao fim de anos e mais anos no mercado de trabalho, é compensado com pouco mais do que o salário mínimo. É uma absoluta desgraça para os trabalhadores, mas é um prejuízo ainda maior para o país.

O que impede um professor de emigrar? A idade? A família? As saudades? Receio? Fico admirado, seja lá qual for a razão, pelos que ficam e vão lutando pela Escola Pública. A eles devo também o meu percurso profissional.

Mas sobram-me interrogações a partir das histórias que me vão contando. Como é que um professor pode ser um bom profissional sendo pago com migalhas? Como é que alguém pode estar do outro lado da barricada e não os apoiar nesta luta mais do que justa?

Se o Governo conseguiu fechar escolas por causa da covid-19, quando tal não era necessário, como nos explicou a Suécia, espero que ninguém use hoje, contra os professores, o argumento de que as crianças estão a perder matéria.

Agora, meus amigos, é que era altura de irem bater palmas à janela – depois, claro, de engrossarem as demonstrações na rua.

Entretanto, B anda nisto há 16 anos e passou agora ao quadro. Leva 1.275 euros para casa.

R tem uma situação ainda mais problemática, pois nem horário fixo tem. Estudou e aperfeiçoou um instrumento musical durante 39 anos e, agora, fica sujeito todos os anos a que uma escola o contrate e pague à hora, por uma tabela que ignora o nível de experiência do educador. As próprias regras fazem com que o tempo de serviço nem sempre seja contado. Anda a “virar frangos” há 24 anos, mas para o Ministério apenas contam 13.

C tem 32 anos de serviço e, pelo meio, obteve um doutoramento. Como prémio pelo investimento extra na sua educação, o governo português recompensa-a com uns extraordinários 1.570 euros líquidos, resultado da colocação no sétimo escalão. O congelamento da carreira retirou-lhe a hipótese de chegar ao topo dos escalões.

S dá aulas desde 1995 e entrou no quadro em 2004. Está agora no quarto escalão e recebe menos de 1.400 euros, ao fim de 27 anos a trabalhar. Seria uma piada se não fosse trágico. Diz agora que tem de ir para a lista de espera até que surjam vagas no escalão seguinte. Portanto, digo eu, qual é a motivação para se ser extraordinário se a progressão é uma miragem?

Como é que, ao fim de quase 30 anos a trabalhar, uma pessoa se pode realizar com dois salários mínimos? Não percebemos todos que é esta a base do problema? Que salários dignos e justos para os professores deveriam ser uma prioridade do país? Onde está o Éden apregoado aos quatro ventos pela oposição?

Afinal, o que queremos nós? Um sítio cheio de miúdos que abandonam a escola e vão servir à mesa nas tascas gourmet de Lisboa ou nos hotéis do Algarve, ou um país onde ir para a universidade seja algo banal, normal e acessível a todos?

Eu sei que as histórias do Bill Gates, Steve Jobs e demais génios milionários inspiram as narrativas de que “a Escola não é tudo”. Mas não, meus amigos, a escola é mesmo tudo. Para a esmagadora maioria das pessoas, que criam mais valias, trazem desenvolvimento, geram empregos ou produzem novos conceitos, a escola é mesmo a base de tudo. Não há desenvolvimento sem escola, por mais tik-tokers ou youtubers que digam o contrário.

Continuemos.

AL começou a dar aulas quando Vata jogava no Benfica, ali pelos idos de 90, com o Sven-Goran Eriksson. Tirou uma licenciatura, um mestrado e um doutoramento. Antes de Bolonha, quando estas coisas demoravam três vidas. Está no penúltimo escalão da carreira e vê o Estado “rapar-lhe” cerca de 40% do vencimento, resultando em 1.930 euros no bolso. O filho, como muitos da sua geração, tem empregos precários e AL ainda hoje tem de o ajudar, pelo que ter dois empregos é algo normal na sua vida. Trabalha muito mais do que as horas que são idealizadas para a classe, pelo menos na opinião pública, e diz que está cansada de ouvir “dizer mal dos professores e a PQOP”. Achei por bem citá-lo, porque algum vernáculo ajuda a entender os estados de espírito.

SJ é professora de Física e Químicahá 25 anos e, como ter de perceber de Física não é castigo suficiente, está no quarto escalão. Recebe 1.417 euros líquidos. É mais um daqueles casos onde metade da carreira contributiva já passou, continuando presa a um salário baixo e com um longuíssimo caminho para o topo bloqueado, como resultado do congelamento da última década.

CONTINUA AQUI

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Lista Colorida – RR10

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados da RR10. Neste momento 257 professores estão no seu 2º contrato.

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338 Contratados colocados na RR10

Foram colocados 338 contratados na Reserva de Recrutamento 10, distribuídos de acordo com a tabela seguinte:

Estas colocações são quase todas a Norte. Para perceber onde andam os horários de Lisboa e Algarve devem procurar na plataforma de contratações de escola.

Este facto prova que as coisas em Lisboa e Algarve não serão resolvidas se as condições oferecidas aos professores não melhorarem. Basta fazer umas contas de somar (ou subtrair) para se perceber o porquê dos professores disponíveis não concorrerem para esses locais.

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Professores: Licenciados de segunda

A profissão docente deve ser considerada única e valorizada. Um professor primário é tão importante como um professor do secundário ou professor universitário. Infelizmente não o é.

Professores: Licenciados de segunda

Os professores sempre foram uma classe de segunda. Recordo-me na década oitenta, em que qualquer licenciado ou bacharel ou que tivesse umas cadeiras feitas na Faculdade conseguia dar aulas. Nesse tempo os professores estavam divididos em efectivos, provisórios e com habilitação.

No início do ano os mini-concursos colocavam imensas pessoas para darem aulas. O ano lectivo começava no início de Outubro e permitiam aos Conselhos Directivos colmatar a falta de professores.

Essa fase, em que qualquer um, com uma licenciatura dava aulas foi ultrapassada e os professores passaram a ter uma carreira única, independente do grau de ensino que leccionavam.

A profissão docente deve ser considerada única e valorizada. Um professor primário é tão importante como um professor do secundário ou professor universitário. Infelizmente não o é.

O anátema nessa diferenciação é terceiro-mundista. Um médico por ser pediatra não deixa de ser considerado como um médico especialista ou médico de família. Nos professores quem ensina crianças é um professor menor.

Os  licenciados de primeira neste país sempre foram  os médicos, advogados, juízes ou professores na Universidade (nem que sejam convidados).

Os professores sempre foram os licenciados de segunda. A sociedade, neste caso os pais, só se lembram dos professores quando precisam deles e apercebem-se  da sua importância. Foi na altura da pandemia ou quando há uma greve não têm onde deixar os seus filhos.

Um do busílis da profissão docente é que em vez de ensinarem, a maioria das vezes, aturam “os filhos dos outros”. E, cada vez se tem agravado essa premissa e a falta de educação da sociedade portuguesa, a começar pelos pais que não educam os filhos, a terem maneiras e a saberem estar na escola, numa sala de aula e na relação com os professores e pessoal não docente.

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Reserva de Recrutamento n.º 10

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 10.ª Reserva de Recrutamento 2022/2023.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 07 de novembro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 08 de novembro de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 10 

Listas – Reserva de recrutamento n.º 10

 

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9 – Revisão dos Acordos com Inclusão de Novas Coberturas

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