8700 alunos em isolamento por causa da covid-19

Só em Lisboa e Vale do Tejo, são 6407 as crianças que estão de quarentena. As novas regras da DGS fazem com que seja obrigatório que perante um caso positivo numa turma todos os alunos tenham de fazer isolamento de 14 dias.

Há pelo menos 8700 alunos em isolamento por causa da covid-19

Há pelo menos 8700 alunos em casa de quarentena por causa da covid-19. Só na região de Lisboa e Vale do Tejo são 6407. Na região Centro são 1053 os alunos das escolas em isolamento e no Algarve 211. Na região Norte apenas foi possível saber os dados relativos a Paredes de Coura e a Braga. Só nestes dois concelhos estão em casa 1056 alunos e funcionários de escolas em isolamento profiláctico (neste caso os dados não estão desagregados). Sobre todos os restantes concelhos, incluindo Porto, Vila Nova de Gaia, Maia, Guimarães, para citar alguns dos mais populosos, não foi possível obter informações, nem da parte da Direcção-Geral de Saúde (DGS), nem da Administração Regional de Saúde (ARS)-Norte.

O secretário de Estado da Mobilidade e coordenador regional da Zona Norte para a covid-19, Eduardo Pinheiro, justificou com o facto de se concentrar mais nos casos activos e não nos isolamentos para apenas ter estes dados nos dois concelhos que registam incidência superior a 120 casos por 100 mil habitantes. “O resto da informação enviamos para a DGS e Ministério da Educação para que eles possam compilar com critérios uniformes”, esclareceu.

Assim, em Paredes de Coura registam-se 19 casos confirmados que levaram ao isolamento de 197 alunos e profissionais de escolas do concelho. Em Braga, com 4 surtos activos, há 50 casos confirmados de covid entre alunos (46) e profissionais (4), estando em isolamento 859 pessoas.

Os dados foram recolhidos ao longo do dia de ontem pelo PÚBLICO que apenas não conseguiu saber os valores relativos à região do Alentejo, a mais idosa do país e com uma maior taxa de vacinados. É a primeira vez que se consegue fazer um retrato mais detalhado do país a nível de quarentenas da população escolar. A última vez que a DGS deu dados sobre esta realidade foi a 8 de Abril e divulgou apenas o número de surtos, 47 em duas semanas. Ontem, mais uma vez questionada sobre o número de surtos em contexto escolar e sobre o número de turmas em isolamento, a DGS voltou a não enviar quaisquer dados. O mesmo aconteceu com o Ministério da Educação, que não enviou quaisquer dados sobre infecções e surtos nas escolas.

 

“A DGS não tem dados desagregados por turma (essa informação detalhada é do conhecimento dos delegados de saúde de nível local na respectiva jurisdição, a quem compete a avaliação de risco, a intervenção e implementação de medidas de saúde pública”, respondeu por escrito ao PÚBLICO. Apesar de reconhecer que “agrega informação no âmbito nacional do total de surtos activos (por região de saúde) e respectivos casos confirmados associados”, não avançou esses dados.

Situações familiares em maioria

Na região de Lisboa e Vale do Tejo, existem então 172 surtos activos, dos quais 66 em estabelecimentos de ensino (38,37%); 351 casos em alunos e 20 casos em profissionais; e 6407 alunos e 772 profissionais em isolamento profiláctico. Nesta região, 68% dos casos reportam-se a situações familiares, seguindo-se o contexto festas/social (11%) e escolas/universidades (9%). Os números foram avançados ao PÚBLICO pelo gabinete do coordenador regional do combate à pandemia na região e também secretário de Estado, Duarte Cordeiro, depois de, pela manhã, este ter assumido à Rádio Renascença que o número de alunos em quarentena rondava os seis mil.

“O mais importante é testar, porque estamos com a vacinação a um ritmo bom e a vacinação continuará a este ritmo ou superior, mas a testagem é fundamental”, afirmou, em declarações à Renascença, alertando que “a pandemia não ficou para trás”, uma vez que há vários concelhos muito perto da linha vermelha. Lisboa, Cascais, Sintra, Sesimbra, Odivelas e Oeiras registam mais de 120 casos por 100 mil habitantes em 14 dias.

 

Já segundo dados da Administração Regional de Saúde do Centro relativos a domingo, dia 13 de Junho, e a que o PÚBLICO teve acesso, havia 1053 alunos em casa, em isolamento, por serem considerados contactos de risco, mais 66 professores e 23 auxiliares. Nenhum estabelecimento escolar ficou totalmente encerrado. Por distrito da região Centro, verifica-se que a maior parte dos casos positivos activos situam-se em Coimbra (28), seguindo-se Aveiro (12). Ao todo, são 56 (54 em alunos e dois relativos a professores). Em termos de grau de ensino, a maior parte dos casos aconteceram no 3º ciclo e no secundário.

 

A 29 de Maio, a ARS Centro tinha assumido ao PÚBLICO que havia 29 escolas com casos activos, estando 56 alunos e dois profissionais confirmados como positivos. Encontravam-se 40 turmas em isolamento profiláctico, num total de 1134 pessoas em isolamento, entre alunos, profissionais e respectivos coabitantes (número que não difere muito do mais actualizado).

 

Na região do Algarve, por seu lado, estão de quarentena 211 alunos (entre os quais 19 crianças com menos de seis anos), 16 professores e oito auxiliares. Trata-se de 41 casos activos em alunos, entre os quais uma criança com menos de seis anos. Estes casos atingem 16 das 250 escolas existentes no Algarve.

 

“Um exagero da DGS”

O presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, considera haver neste momento “um exagero na actuação da DGS em relação às escolas: “Porque, neste momento, quando um aluno é positivo, a DGS, no limite, até pode fechar a escola inteira ou, então, manda para casa toda a turma, e os professores dessa turma, mesmo vacinados”, diz, acrescentando que lhe “custa a entender” o protocolo, “quando há situações desportivas e políticas onde é tudo ao molho e fé em deus”.

 

Já o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, não se pronuncia sobre se o protocolo é “excessivo ou não”. “Não sou técnico, temos de confiar nas indicações da DGS.”

 

Manuel Pereira nota, na realidade que conhece, que o que está em vigor é que, quando um aluno tem um teste rápido positivo, a turma, bem como contactos de alto risco, é isolada até o aluno confirmar o resultado através de um PCR. Se o PCR do aluno for positivo, há, explica, algumas diferenças entre ciclos: no pré-escolar e 1.º ciclo, bem como nas academias de música, por exemplo, os professores têm de ser testados e cumprir isolamento. A partir do 2.º ciclo, tendo em conta o uso da máscara, o isolamento ou não dos professores é avaliado caso a caso.

Público

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3 comentários

  1. No inverno 300 mortes dia só ia 1 aluno para casa e o colega do lado. Verão 99% das pessoas de risco vacinadas vai a turma, a escola e a rua onde está a escola para confinamento.

    País de loucos…para não dizer outra coisa.

    • Fartinho destes importantes de pacotilha on 15 de Junho de 2021 at 17:51
    • Responder

    E as novas variantes? E certezas científicas?
    Estes “técnicos de saúde” ao comando de discursos tão primários como “tudo ao molho e fé em Deus”! Não terá eventualmente um alto representante dos diretores deste país de cuidar um pouco mais a linguagem que utiliza? Afinal deve ter pelo menos uma licenciatira, era suposto ser mais erudito! E o outro mais exemplar não furando filas.
    Se estas amostras são assim….o resto como será?

    • A vê-los em tempo de Antena para as eleições on 16 de Junho de 2021 at 0:43
    • Responder

    “Custa A entender”? Ou custa entender?

    Capacidade de serpentear não lhe faltará .

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