PROFESSOR, QUANTO TEMPO FALTA PARA AS FÉRIAS? – via Helena Fonseca

PROFESSOR, QUANTO TEMPO FALTA PARA AS FÉRIAS?

Esta é uma pergunta que quase diariamente me têm feito. Não é por não gostarem da escola ou de estarem ali, porque gostam. Sei que gostam. Mas sinto-os cansados: os gestos, a atenção, as palavras. Por conhecê-los tão bem, sinto-os cada vez mais cansados.

Esta ano letivo está a ser particularmente complicado. Foi um ano instável, que nos obrigou a estar entre o ensino presencial e o ensino à distância, com umas férias forçadas pelo meio.

Entre tudo isto, há a ansiedade, os medos e os receios que, naturalmente, todos acabamos por ter, devido à situação pandémica que vivemos. E eles também a vivem. Acresce-se a estes fatores, a angústia de pensar na possibilidade de, a qualquer momento, a turma ter de ir para casa para ensino a distância. Às vezes apanhamos sustos, mas não têm passado disso.

Tudo isto é sentido pelos mais pequenos. Mas tenho para mim que se têm esquecido de pensar naquilo que eles sentem, naquilo que eles têm passado e naquilo que eles verdadeiramente precisam.

O foco tem estado, essencialmente, na recuperação das aprendizagens. Começamos o ano letivo com cinco semanas dedicadas a esta recuperação. Vamos terminar o ano a pensar em quais serão as aprendizagens a recuperar.

Se as crianças apresentam dificuldades? Sim, de facto apresentam, e as de algumas crianças agravaram-se. Mas passar mais tempo na escola, mais tempo a olhar para livros e fichas de reforço e consolidação de conhecimentos, não vai ajudar. Bem pelo contrário. Pelo menos para já.

Há uma estreita relação entre o bem-estar, o envolvimento e a aprendizagem. Quando uma criança se sente bem no contexto escolar e apresenta bons níveis de bem-estar, facilmente se motiva e se envolve nas propostas. Quando uma criança está verdadeiramente implicada nos processos de construção de conhecimento, a aprendizagem tenderá a ser significativa.

Este clima que se tem vivido não tem ajudado a que as crianças estejam prontas para “recuperar”. Este período vai terminar no dia 8 de julho. Mais de três meses depois de ter iniciado o 3º período. Três meses, em muitos casos, com apenas dois feriados pelo meio. Três longos meses. E ainda faltam quatro semanas.

Mas as crianças estão cansadas e isso reflete-se, tantas vezes, nos comportamentos que têm em contexto educativo: nas palavras que utilizam; nas atitudes que têm; numa dificuldade crescente em gerir frustrações e emoções. As crianças precisam de tempo para parar. Para olharem para dentro.

É fundamental que se pense que as crianças precisam de parar. Que as crianças precisam de estar bem antes de continuarem este processo de aprendizagem, que neste ano tem sido tão cansativo.

É também essencial pensarmos na recuperação de aprendizagens. Claro que sim, para que a escola não deixe ninguém para trás. Mas este processo deve ser pensado ao pormenor. Não basta contratar mais professores ou técnicos, porque a recuperação de aprendizagens não se faz apenas com apoios educativos. É preciso que seja transversal, integrada e inclusiva. É necessário que se ouçam os professores. Mas ouvir verdadeiramente aqueles que estão, todos os dias, nas escolas.

Faltam quatro longas semanas. Por sentir este cansaço neles (em mim), por aqui vamos cada vez mais devagar. Tento que não haja pressões (mas é inevitável) e vamos fazendo.

A lição de cada dia é cada vez mais: temos tempo.

Que sejam quatro semanas com tempo para desfrutar do fim de um ano letivo. Em paz.
E felizes.

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4 comentários

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    • maria on 14 de Junho de 2021 at 11:31
    • Responder

    À margem deste título

    Qual a razão pela qual foram retirados todos os comentários ao post ” O Director Plágio” ? “Culpa” do meu computador ou livre arbítrio do administrador do blog?

      • Veritas y hay mais... on 14 de Junho de 2021 at 15:16
      • Responder

      A razão é simples. Este blog é um centro de espionagem. Tal como escolas, câmaras…neste é tudo passado aos diretores que por sua vez passam aos maiorais que pouco se interessam por questões menores que aos zecos dizem respeito.
      Contudo, em véspera de eleições autárquicas, os zecos têm de ser postos com cabresto para colocarem a cruz no sítio certo!

    • Veritas pero no tutti on 14 de Junho de 2021 at 14:47
    • Responder

    A razão é simples. Este blog serve a prática da bufice institucionalizada neste país e da qual os diretores escolares, presidentes de câmara, jornalistas, etc são grandes protagonistas!

    • Lina on 14 de Junho de 2021 at 15:20
    • Responder

    fala muito que ainda te colocam ESCOLAS DE VERÃO

    40º graus nas salas e os neoliberais todos felizes por irem á praia sem o puto

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