Rui Cardoso

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Falta de professores é o “grande contra” para a recuperação das aprendizagens

 

O presidente do Conselho das Escolas foi ouvido no Parlamento sobre a aplicação do Plano 21/23 Escola+.

Falta de professores é o “grande contra” para a recuperação das aprendizagens

O presidente do Conselho das Escolas (CE) – o órgão que representa os directores junto do Ministério da Educação (ME) – reafirmou, esta quarta-feira, que “o grande contra para o plano de recuperação das aprendizagens e para o trabalho das escolas é a falta de professores”, que se tem vindo a agravar nos últimos anos.

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Que vagas são estas 2401? Porque não são mais de 10.000?

 

As vagas publicadas em DR na Portaria n.º 111-A/2023, são as da Norma Travão, ainda faltam as tais da Vinculação Dinâmica que, fazendo contas de “sumir”, serão 8000 ou mais.

Ou estarei errado? Não é no site do governo que está publicada esta frase? Através desta proposta, será possível vincular, ainda em 2023, mais de 10 mil professores.”

É claro que essas vagas não podem ser publicadas enquanto não for promulgado o novo diploma de concursos pelo Presidente Marcelo… Cheira-me que ainda esta semana teremos notícias dele…

 

 

 

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Vagas do concurso externo dos quadros de zona pedagógica e do ensino artístico especializado da Música e da Dança

Vagas QZP – 2401
Vagas Escolas/Conservatórios – Ensino Artístico 23

 

Portaria n.º 111-A/2023

Vagas para o concurso externo
 
O número de vagas dos quadros de zona pedagógica, discriminadas por grupo de recrutamento, nos termos do Decreto -Lei n.º 27/2006, de 10 de fevereiro, na sua redação atual, a preencher pelo concurso externo, no ano escolar de 2023/2024, previsto na alínea b) do n.º 1 do artigo 5.º do Decreto -Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, na sua redação atual, é o constante do anexo I à presente portaria, da qual faz parte integrante.
Vagas para o concurso externo do ensino artístico especializado da Música e da Dança
 
1 — O número de vagas de cada estabelecimento de ensino público do ensino artístico especializado da Música e da Dança, a preencher pelo concurso externo, no ano escolar de 2023/2024, regulado pelo Regime de Seleção e Recrutamento de Docentes do Ensino Artístico Especializado da Música e da Dança, publicado em anexo ao Decreto-Lei n.º 15/2018, de 7 de março, na sua redação atual, é o constante do anexo II à presente portaria, da qual faz parte integrante.
2 — As vagas referidas no número anterior são discriminadas por referência ao respetivo código nos grupos e subgrupos das disciplinas curriculares dos cursos do ensino artístico especializado da Música e da Dança, definidos nos termos das Portarias n.os 693/98, de 3 de setembro, e 192/2002, de 4 de março.

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Monodocentes dizem que isenção de aulas a partir dos 60 não acaba com “discriminação”

Movimento dos Professores em Monodocência está à espera de ser recebido por João Costa para apresentar as suas propostas. Ministro anunciou que a partir dos 60 anos terão isenção total de aulas.

Monodocentes dizem que isenção de aulas a partir dos 60 não acaba com “discriminação”


A intenção anunciada pelo ministro da Educação de, a partir dos 60 anos, isentar de horas de aulas os educadores de infância e os docentes do 1.º ciclo é “manifestamente insuficiente para repor a equidade entre estes e os seus colegas dos restantes ciclos de escolaridade. É o que transmite ao PÚBLICO a educadora de infância Paula Gomes em nome do Movimento de Professores em Monodocência (MPM), lançado em 2020 nas redes sociais e que reúne cerca de dez mil profissionais.

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Pela educação e pela liberdade – Santana Castilho

 

Comemorámos ontem mais um 25 de Abril, 49 anos após o poder ter passado do Estado Novo para a III República, estando em crise muitas das melhores ideias de Abril, particularmente no que respeita à educação e à liberdade.
Eu sei que a plenitude da liberdade é desígnio utópico. Com efeito, os modelos de organização social, particularmente os modernos, assentam cada vez mais em ligações de interdependência, das mais variadas naturezas. Mas é o grau de liberdade o determinante maior da nossa qualidade de vida. Dito isto, rejeito que seja plenamente democrática uma sociedade que não paute o seu desenvolvimento pela universalização do bem-estar dos seus cidadãos, desde que de passo síncrono com um profundo respeito pelas suas liberdades individuais. Porém, conciliar e exercer a liberdade de pensamento dentro das organizações, formais ou informais (partidos políticos, grupos religiosos, redes sociais ou grupos de opinião) é cada vez mais difícil, para não dizer penoso.
A pandemia instaurou uma espécie de pensamento único, intolerante ao contraditório das correntes dominantes, e promoveu falsos moralismos e pretensos argumentos de autoridade para defesa de medidas sanitárias, que se constituíram como instrumentos repressivos, usados contra quem ousasse divergir. Reconheça-se que com o apoio generalizado da sociedade, que facilmente trocou liberdade por segurança, e com a ajuda de uma comunicação social que se demitiu de investigar e se limitou a reproduzir, sem sindicar. Com efeito, a legalidade democrática é frequentemente vítima de uma promiscuidade evidente entre a comunicação social e as agendas globalistas, sejam elas económicas, políticas ou de costumes.
A Constituição (CRP) é assumida cada vez mais como estorvo e cada vez menos como a referência que se jurou respeitar e cumprir. Assim, o legado de Abril de 1974 está presentemente ameaçado por uma revisão constitucional que PS e PSD, sem terem para tal pedido mandato aos eleitores, se preparam para fazer. E que propõem? Suprimir o direito à liberdade, consignado no artigo 27º da CRP, para que os cidadãos possam ser detidos sem ordem judicial, para que a livre circulação seja proibida sem necessidade de decretar o estado de emergência e para que o Estado possa devassar as comunicações privadas, com a mesma ligeireza com que a PIDE devassava o correio. Se permitirmos isto, enterramos de vez o 25 de Abril e o desiderato constitucional de construir “um país mais livre, mais justo e mais fraterno”.
Perdida a soberania e a independência para uma Europa governada por não eleitos, hoje alienada pela guerra e subserviente aos EUA, saibamos ao menos continuar a manter a protecção constitucional à liberdade, à liberdade de opinião e circulação, à educação, à saúde, à habitação e à cultura. E saibamos promover uma cidadania activa, que se oponha à crescente dessintonia entre as práticas governamentais e o respeito por esses direitos fundamentais.
Cumulativamente, a educação vive a maior crise da democracia. Temas centrais, geradores dum conflito que já dura há seis meses (contagem do tempo de serviço, redução da burocracia imperante, mobilidade por doença, respeito pelos horários legais de trabalho consagrados na lei, criação de condições para o rejuvenescimento da profissão docente, discriminação laboral dos professores em monodocência, destruição sistemática da coerência curricular, interferência governamental na independência intelectual, científica e metodológica dos professores, entre outros) continuam a ser olimpicamente ignorados por parte do ministro da Educação, em sede das negociações.
António Costa não está apenas desatento ao desmoronamento do nosso sistema de ensino, submetido a ideologias destemperadas, apresentadas como pedagogias modernas. Está completamente desinteressado e alheio. Boiou no mar encapelado da “geringonça” porque a sua sobrevivência apenas dependia dos seus dotes de manipulador e malabarista político de vida inteira. Agora afogou-se, porque a maioria absoluta revelou o vazio absoluto do seu pensamento reformista e estratégico.
A sociedade aguenta mais três anos a esbracejar no lamaçal de incompetências e mentiras, que têm vindo a corromper a democracia portuguesa?
In “Público” de 26.4.23

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Aos professores e a todos os trabalhadores que lutam pelos seus direitos – Raquel Varela

Aos professores e a todos os trabalhadores que lutam pelos seus direitos, o texto que fiz e que foi lido pelo professor Ricardo Silva.

Não posso estar convosco hoje e desfilar, como faço sempre, a celebrar a revolução. Na verdade, tirei o dia para ir passear com a minha mãe, que se reformou cheia de vida aos 62 anos, continua a trabalhar no que gosta voluntariamente e tem hoje saúde e bem-estar para aos 72 anos passearmos juntas, em programas culturais, que – de quando em quando – fazemos, juntas. Nunca deixo de estar na Av. da Liberdade, mas a minha mãe é, como diz um adágio anarquista, a “única autoridade a que me submeto”.
Queria que todos os professores, a maioria são professoras, tivessem a vida que ela teve. Acesso à cultura, trabalho com prazer, respeito dos colegas, e direito a reformar-se numa idade que pode usufruir do lazer ou continuar a trabalhar a um ritmo autodefinido, e com autonomia.

Os professores, as professoras, juntos, de todas as idades e sexos, nacionalidades, e áreas distintas, têm protagonizado lutas nestes 6 meses que são um exemplo para o país. Com um movimento de base, democrático, nas escolas, que exige “parar de mentir” sobre os critérios de avaliação de docentes e de alunos, que exige uma escola de cooperação, escrupulosa e exigente, que forma conhecimento crítico, em vez de competências aligeiradas.

Na luta tiveram a cooperação que no dia a dia lhes é vedada com critérios kafkianos de avaliações, que só avaliam de facto os gestores que as criaram numa “governação por números” que tem feito da escola – um lugar maravilhoso – um espaço de tortura onde se prolongam os horários de trabalho, e se esvazia o sentido da educação.

Riram mais em greves e manifestações, onde ergueram as suas vozes em defesa da educação, do que em anos em salas de professores vazias, sem alma, onde se afogam mágoas, queixas e injustiças. De vítimas passaram a sujeitos de luta.

O salário não é dado – os trabalhadores quando trabalham pagam o seu próprio salário. É-lhes devido o que trabalharam bem como, no mínimo, os aumentos para fazer face à inflação.

É com os professores – e com os médicos, enfermeiros, funcionários judiciais, maquinistas – que temos um compromisso assumidos. Não é com a obscena riqueza que circula entre a dívida “pública” e os bancos.

Os professores lutam contra a precariedade e uma lei que os coloca, mesmo aos que estão fixos em escolas, na mão arbitrária de diretores não eleitos, que os podem alocar a outras escolas de mega agrupamentos, com custos de deslocação, como forma de retaliação ou simplesmente porque “podem, querem e mandam”.

Ao mesmo tempo, nestes meses, os professores deram uma lição de democracia e solidariedade – ao manterem as lutas contras as tentativas de lhes retirar o direito à greve, e ao fazerem fundos de greve entre profissões. Falta-lhes, porém, a solidariedade – efetiva, com gestos – dos outros trabalhadores do país.

Pese embora a relativa solidão com que têm lutado é impressionante o apoio público que têm, é exemplar que não baixem os braços, com coragem, e nos vão dando a “aula mais importante” – só há democracia real quando nos locais de trabalho há democracia e dela brota a solidariedade.

São um exemplo, para todos os outros trabalhadores dos serviços públicos e das empresas. Sou grata pela lição. Estou ao vosso lado. Para que possam trabalhar com prazer, deixar de trabalhar com saúde, trabalhar para viver. 25 de Abril sempre!

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Portugal livre e democrático? Sim, mas só quando La Famiglia quiser…

 

No passado Domingo, La Famiglia, ou seja, o Governo e os seus apoiantes, esteve reunida no Porto, a pretexto das comemorações dos 50 anos do Partido Socialista…

Terá havido uma grande festa, orquestrada por vários paladinos teóricos da Democracia, munidos de muitos discursos laudatórios, dirigidos ao líder do Partido Socialista António Costa…

 O Chefe de La Família”, de quem os respectivos devotos esperarão protecção e algumas benesses, terá sido agraciado com juramentos de obediência e lealdade, a lembrar um sistema semelhante ao da vassalagem, plausivelmente assente na recíproca prestação de serviços…

E teria sido a festa perfeita, não estivessem no exterior do Pavilhão, onde a mesma decorria, milhares de cidadãos em protesto contra as políticas do Governo…

O “Chefe de La Família”, certamente embevecido pela veneração e pela idolatria, fez por ignorar o confronto com o Povo e a festa lá continuou, imperturbável e completamente alheada do que se passava fora daquela redoma…

Mas fora da redoma, havia uma realidade visível e audível: um grande protesto, realizado por milhares de cidadãos, muitos deles profissionais de Educação, que se fez ver e ouvir durante várias horas…

La Famiglia, com uma postura cínica e hipócrita em relação aos protestos e às reivindicações, primou pelo desrespeito face aos seus concidadãos, brindando-os com obstinação, arrogância e prepotência política…

As agressões infligidas por esta Famiglia à Escola Pública, e em particular à Classe Docente, não têm sido metafóricas, como comprovam os factos:

 Em 2008 (instauração da Ditadura nas escolas) e em 2017 (subtracção de mais de 9 anos de tempo de serviço à Classe Docente) estavam em funções Governos apoiados pelo Partido Socialista;

– Em 2023, a saga do Partido Socialista contra os profissionais de Educação, em particular contra os Professores, continua, sem fim à vista;

– Nunca, como nesses Governos, a Classe Docente foi tão desprezada, vilipendiada ou acossada…

Quando esta Famiglia exerce funções governativas, o país tende a transformar-se num potencial Feudo, posto ao serviço do Partido Socialista…

E é nessa altura que também costumam emergir muitas “eminências pardas”, muitos “ungidos da intelligentsia (Thomas Sowell), muitos “compadres” e muitas “comadres”, todos à procura de poder usufruir de benefícios e proveitos pessoais, quase sempre obtidos à custa do erário público, ou seja, à custa dos contribuintes portugueses…

Esta Famiglia não tem tido qualquer pudor em usar o país em proveito próprio e exemplos disso são conhecidos praticamente todos os dias…

A propósito das comemorações dos 50 anos do Partido Socialista, o seu Secretário-Geral, António Costa, dirigiu aos Portugueses este convite:

Mas queremos que estas comemorações sejam abertas, motivadoras e participadas. Assim, saúdo as portuguesas e os portugueses, convidando-os a que se juntem a nós e que conheçam melhor o PS, a sua história e o seu papel fundamental na construção do Portugal livre, democrático, moderno e solidário. Um Portugal de todos e para todos”…

Palavras bonitas, mas integralmente contraditadas pelas acções…

No caso de António Costa, “o diabo não está nos detalhes ou nos pormenores”, o diabo costuma estar nas suas acções, frequentemente dominadas pela sobranceria e pela arrogância…

E à luz do que se passou no Porto, no passado Domingo, as afirmações anteriores de António Costa, não podem deixar de ser qualificadas desta forma:

– Mais cínicas e mais hipócritas deve ser praticamente impossível…

Portugal livre e democrático? Sim, mas só quando La Famiglia quiser…

Não foi, certamente, para isto que se fez o 25 de Abril de 1974…

Ainda assim, saúdo convictamente o 25 de Abril de 1974, sem ele não seria possível divulgar o presente texto, nem exercer o direito de expressar livremente opiniões, concordando ou discordando do mesmo…

Reafirmo, no presente, o que defendi em 12 de Março passado, num outro texto publicado pelo Blog DeAr Lindo, intitulado Resistir e Desobedecer, onde, pela primeira vez, falei na possibilidade de a presente luta se ver obrigada a enveredar pela Desobediência Civil, nomeadamente este parágrafo:

– Depois de esgotadas todas as vias possíveis de entendimento ou de negociação, a Desobediência Civil é uma transgressão da lei, no sentido em que se recusa obedecer-lhe e cumpri-la, mas é uma insubordinação legitimada pelo direito à insurgência contra determinadas normas jurídicas e medidas governamentais, consideradas como atentatórias às virtudes da Democracia…

Nessa altura, o texto em causa suscitou alguma estranheza, por parte de uns e o acordo e desacordo de outros, todos no pleno direito de expressarem livremente as suas opiniões…

Após a referida publicação, outros autores também abordaram a temática da Desobediência Civil, o que me leva a acreditar que esse assunto não pode ser visto, e não está a ser visto, como um tabu e que, afinal, a ideia de Desobediência talvez não seja tão excêntrica e despropositada, quanto inicialmente poderia parecer…

Perante todas as indubitáveis manigâncias do Ministério da Educação, praticadas em nome do Governo, já se percebeu que sem desobediência será praticamente impossível ganhar a presente luta…

Em homenagem à Liberdade conquistada pelo 25 de Abril de 1974, neste momento parece haver apenas um caminho:

– Resistir e Desobedecer…

Assim haja a coragem para o concretizar…

 

(Paula Dias)

 

 

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Em Abril eramos muitos mil – João Fernandes

Em Abril eramos muitos mil
Na madrugada da liberdade
Erguemos as vozes
Num ritual de libertação
Fomos cravos vermelhos
Choros de alegria
No Carmo fomos multidão
Fraternalmente irmãos solidários
Salgueiro Maia o nosso capitão
A voz de tantas vidas adiadas
A fala desta liberdade
Aprendemos palavras escondidas nas trevas
Perdemos os medos
Sentimos em nós a esperança a crescer

A história fez-se espontaneamente
Seremos sempre Abril

João Fernandes

 

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Os maus exemplos que os “democratas” seguem com orgulho…

A falta de professores é um problema crónico por toda a Europa. Mas não é por isso que o caminho da desvalorização da profissão não cessa.

Apesar de Portugal ter como exemplo outros países que seguiram o tenebroso caminho que o país está a seguir, em relação à profissão de professor, não é por isso que se desvia desse caminho.

O problema estrutural da formação de professores tem décadas e apesar da abertura de mais vagas no ensino superior  para candidatos a professores, demorariam décadas a resolve-lo.

A contratação de professores, em Portugal, é gerida como uma mercearia de bairro, à moda antiga e com um livro de calotes muito extenso.

Qualquer empresa sabe que se quer ter bons profissionais tem que os motivar e apresentar um conjunto de benefícios que os atraia. O estado não é uma empresa, mas para captar qualquer profissional já não basta o fator “emprego para a vida”. O segredo para resolver o problema de falta de profissionais está nas vantagens que o estado lhes pode oferecer, se o estado oferece piores condições de trabalho, ordenados mais baixos, uma carreira com cortes absurdos (balizada por uma avaliação baseada no desmérito) e os desloca da sua área de residência sem qualquer contrapartida financeira, está à espera de quê?

O problema é que o estado ainda se tem como o melhor dos empregadores e julga que todos o veem como tal.

Não tardará muito a termos os exemplos da notícia abaixo a acontecer nas nossas escolas, em números superiores ao que já temos (porque já temos). Quando isso for demasiado para  se esconder, talvez a sociedade acorde e se lembre que a democracia não trouxe só liberdade, a responsabilidade também veio acopulada.

 

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CONCURSOS MADEIRA – CALENDARIZAÇÃO

 

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Diretores alertam que alunos correm o risco de começar próximo ano letivo sem professores

 

Concurso de professores ainda aguarda pela luz verde de Marcelo Rebelo de Sousa.

Diretores alertam que alunos correm o risco de começar próximo ano letivo sem professores

Março é o mês que marca o arranque dos concursos para a colocação de professores. Mas, este ano, o calendário não está a seguir o caminho que é habitual. Tudo porque o concurso ainda não arrancou. As listas com as colocações costumam sair até ao dia 31 de agosto, mas com os atrasos torna-se cada vez mais difícil cumprir os prazos.

Já lá vão quase dois meses. Tudo está nas mãos do Presidente da República. É Marcelo Rebelo de Sousa quem vai promulgar ou vetar o decreto-lei sobre o novo regime de gestão e recrutamento de docentes, aprovado em Conselho de Ministros a 17 de março.

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas alerta que o novo diploma pode ficar congelado, e nem chegar a ser aplicado já neste concurso.

“Pode não haver tempo para que os resultados deste novo diploma sejam conhecidos em tempo útil. Este é um concurso muito complexo, muito moroso, e que normalmente arranca em março. Estamos quase em maio”, avisa Filinto Lima. O ano letivo “pode começar com muitos professores ainda sem estarem nas escolas”, já que os docentes normalmente apresentam-se ao serviço no primeiro dia de setembro.

Este diretor reconhece que o novo modelo de concurso proposto pela tutela pode até ficar congelado. “Há até o risco do diploma que venha a ser promulgado pelo presidente da República não poder ser colocado em prática este ano”, lembra.

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CONCURSOS RAM – 2023/2024 – AVISO DE ABERTURA

Foi publicado o Aviso de Abertura nº 211/2023, de 21 de abril do concurso para seleção e recrutamento do pessoal docente da educação, dos ensinos básico e secundário e do pessoal docente especializado em educação especial na Região Autónoma da Madeira para o ano letivo 2023/2024, que enviamos em anexo.
NOTAS:
Prazos de Inscrição:
As candidaturas ao concurso são precedidas de uma inscrição obrigatória, nas seguintes datas:
– Concurso externo e de contratação inicial: de 24 a 28 de abril de 2023;
– Mobilidade interna: de 30 de maio a 01 de junho de 2023;
IMPORTANTE:
– Os candidatos que tenham lecionado ou que se encontrem a exercer funções docentes em estabelecimentos de educação, ensino ou instituições de educação especial da rede pública da Região Autónoma da Madeira, no período compreendido entre 1 de setembro de 2022 e a data de abertura do concurso, estão dispensados da inscrição obrigatória referida nos números anteriores;
– Os candidatos sem vínculo aos estabelecimentos de educação, ensino ou instituições de educação especial da RAM (redes pública e privada) deverão remeter a inscrição acompanhada dos documentos constantes no ponto 10, preferencialmente em formato PDF, exclusivamente por correio eletrónico, para o endereço [email protected], solicitando o respetivo recibo de entrega da mensagem enviada;
– Os candidatos com vínculo aos estabelecimentos de educação, ensino ou instituições de educação especial da RAM (rede privada e escolas profissionais privadas) preenchem o formulário (B) e apresentamos documentos nos estabelecimentos do ensino particular e cooperativo, instituições particulares de solidariedade social e escolas profissionais privadas.
A inscrição faz-se mediante o preenchimento dos formulários a seguir enunciados:
Formulário A – Candidatos ao concurso externo/contratação inicial com reserva de recrutamento da RAM, sem vínculo aos estabelecimentos de educação/ensino/instituições de educação especial da RAM (rede pública e privada);
Formulário B – Candidatos ao concurso de contratação inicial – nos termos do n.º 5 do artigo 40.º do regime jurídico dos concursos de pessoal docente da RAM, indivíduos que no ano letivo anterior àquele a que respeita o concurso tenham adquirido habilitação profissional após a publicação do aviso da abertura do concurso;
Formulário C – Candidatos ao concurso de mobilidade interna nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 36.º do regime jurídico dos concursos de pessoal docente da RAM, sem vínculo aos estabelecimentos de educação/ensino/instituições de educação especial da RAM.
Prazos de Candidatura:
– Concurso externo e concurso de contratação inicial – de 24 a 26 de maio de 2023;
– Mobilidade Interna – de 19 a 21 de junho de 2023;
– Afetação aos QZP – de 12 a 14 de junho de 2022;

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Devolva-se a escola aos professores e cumpra-se Abril, antes que a máquina o impeça – Paulo Prudêncio

Debata-se as causas da desvalorização do professor e proponha-se caminhos possíveis. E repita-se que se deve aos professores a melhor ideia das democracias – a invenção da escola pública.

Devolva-se a escola aos professores e cumpra-se Abril, antes que a máquina o impeça

Nem o mais pessimista diria que 49 anos depois do 25 de Abril estaríamos nesta queda da escola pública. É difícil apresentar conclusões nos estudos sobre educação, mas a falta de professores – e a sua precarização e proletarização – é uma ilação irrefutável que recupera a exigência de cumprir Abril.

E por mais que políticos, financeiros e pedagogos prognosticassem a subalternização do professor, a realidade contrariou-os. Aliás, o digital na pandemia reforçou o seu papel e a Inteligência Artificial sublinha-o com um sério alerta: a máquina poderá dominar os humanos e o ensino das massas.

Para se sistematizar o debate, e como quase tudo começa nos EUA, “repita-se” sumariamente dados de Nova Iorque, e não tarda da Lapa de Lisboa e da Foz do Douro do Porto: as principais faculdades matriculam mais estudantes dos 1% mais ricos do que dos 60% com menos rendimentos; paga-se 66.200 euros de propinas anuais nas escolas para ricos, enquanto o investimento nas públicas é de 13.200 euros; contrata-se explicadores do secundário por 880 euros a hora; o aumento brutal das desigualdades educativas é maior do que no apartheid americano em 1950.

Acima de tudo, privilegia-se escolas para ricos, com propinas elevadas, turmas pequenas, currículos completos, uso sensato do digital sem viciar no desperdício de tempo e professores imprescindíveis. Em contraposição, as escolas dos restantes têm conteúdos digitais massificados, turmas numerosas, currículos mínimos e professores como guardadores “uberizados” (o “desatento” Governo português acaba de o acentuar nos concursos).

Mas voltando ao título deste texto, debata-se as causas da desvalorização do professor, nomeadamente a aura pedagógica que sustentou os cortes financeiros, e proponha-se caminhos possíveis. E, antes de mais, repita-se que se deve aos professores a melhor ideia das democracias – a invenção da escola pública –, assente na intemporalidade do ensino e da moderação, como acentuam as neurociências e a psicologia cognitiva.

Salvo melhor opinião, a desvalorização do professor foi um erro histórico com a participação de pedagogos. Advogou-se, como inclusivo, o radicalismo da escola centrada na aprendizagem, em oposição à escola que, por cá, se afirmou na ditadura. Foram extremos que se tocaram. Confundiu-se pedagogia com ideologia.

Verdade seja dita que se ignoraram os avisos (década de 1980) de que a democracia exigia dos professores a selecção dos conteúdos (com conhecimentos, destrezas, valores e atitudes), e das formas de avaliação, que ultrapassaria a relação contraditória com os alunos. Desconstruíram-se três teses que ainda hoje se confrontam: a da harmonia, do psicoterapeuta Carl Rogers, baseada em relações individualizadas e empáticas, mas inaplicável em turmas; e duas de desequilíbrio: magistercentrismo (o professor-rei de Alain, Dewey e Durkheim) e pedocentrismo (o aluno-rei de Freinet, Montessori e Summerhill).

Além de tudo, e é hoje cientificamente mais claro, há diversos estilos para ensinar, mas é mais correcto falar em ignorância do que em conhecimento no que se refere ao modo como cada um aprende. Se na investigação é imperativa a busca desse conhecimento, nas políticas educativas requer-se equilíbrio e prudência. Inclusivamente, a destemperada centralidade na aprendizagem inscreveu um diabólico aprender a aprender como uma espécie de absurdo assente em desconhecer a desconhecer ou ignorar a ignorar. Confundiu-se ciência com o valor moral positivo dado ao estímulo para aprender, agravado com a hierarquização de estilos de aprendizagem.

A partir de dado momento, não era inclusivo treinar as memórias de médio e longo prazos nem estimular a repetição, o estudo em casa, a atenção nas aulas e até o respeito pelos professores. Nem sequer se valorizava o número de alunos por turma e perdeu-se também a articulação com a sociedade em áreas fundamentais como a saúde mental, as emoções e o sono. Aliás, o ensino superior, que “desapareceu” da formação contínua, impôs, na formação inicial, um vazio no treino de professores que aumentou o desconhecimento sobre estilos de ensino.

Em suma, a falta de professores estruturou-se. Devolver-lhes a escola exige mudar as inalteradas políticas – na carreira, avaliação e gestão das escolas – aplicadas até 2009. Trata-se de duas recuperações: de quem “fugiu” e da atractividade do exercício. Mas será difícil. Os endeusadores da concorrência desenfreada não se comovem com fraquezas e depressões. No ultraliberalismo domina a selecção natural. Sobrevivem os fortes, a quem se promete a riqueza material. As massas de perdedores são recursos à mercê da gestão financeira que espera pela substituição de professores por máquinas numa tele-escola 2.0.

Pois bem, aclame-se que a hermenêutica de Abril começa com a decência no uso do bem comum. Não é belo deixar tanta desigualdade às próximas gerações, até porque a revolta de eleitores será ainda mais caótica se combinada com o domínio das máquinas e o poder de autocratas. Cumprir Abril é devolver à escola a democracia e os seus professores enquanto há tempo num tempo tão incerto.

 

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SENHOR PRESIDENTE, NÃO SE PREOCUPE….VETE E VETE DEPRESSA – Luís Sottomaior Braga

No Verão passado acumulei férias para estar este ano com 45 dias por gozar.
Mas tenho a certeza absoluta que vou recordar 2022 como um Verão espantoso, mesmo a trabalhar.
Como 2023 será o 10o a trabalhar como dirigente escolar, sei que a comparação vai incluir o contraste com o caos angustiante que se prepara, pela teimosia do Governo, para 2023.
A serenidade de 2022 vai deixar saudades para a confusão e angústia de 2023.
E isto é independente da lei que for aplicada.
A nova lei é inaceitável para QA, QZP e contratados.
É inaceitável para portadores de incapacidade e para QZP em trânsito para os QZP mais pequenos. Não é aceitável para os professores em geral.
E, por isso, deve ser vetada pelo Senhor Presidente.
O concurso pode atrasar, mas já houve anos piores e estamos todos vivos.
Nunca esteve toda a gente com aulas a 15 de setembro e este ano vai ser pior, mas não por causa dos concursos.
Faltam professores e não se coloca o que não há e demora anos a inventar. A falta de professores devia ser o foco mas embora fossem contas simples de fazer os azelhas que nos governam ignoraram o tema até ele rebentar nas mãos.
A nova lei de concursos não inventa os professores que não há e vai afastar alguns, por desincentivo face às agruras da colocação.
A questão dos prazos de concurso é prejuízo pequeno, face à dimensão dos outros.
Por isso, espero que o presidente vete e não se deixe impressionar com argumentos burocratico-administrativos como “atrasar o concurso.”.
Não atrasar o concurso pode ser dar cabo da vida……
Eu sei que muita gente achará lérias minhas e não acreditará (já estou habituado ao mau juizo sobre mim, que dói e é muitas vezes cruel,mas não controlo, dado que dirigente escolar não tem direito ao beneficio da dúvida dos professores).
A suspeição inclui julgamento sem direito a contraditório que é algo cruel.
Mas como subdiretor “que vai passar o Verão a trabalhar”, prefiro isso a calar-me e ter na consciência o mal definitivo de muita gente.
E isto inclui quem conheço ou não.
A acção justa, como as leis, deve ser geral e abstrata.
DIzer isto faz de mim um chato. Mas prefiro ser um chato justo. E não se muda a natureza.
Era mais popular se me calasse com esta coisa do veto.
Já perdi alguma coisa com esta luta e agora é ir em frente no rumo traçado. Tenho muita pena de haver quem me deixe de falar e me bloqueie. A ironia é que há quem tenha essa animosidade até cruel mas venha a ter vantagem com o que eu digo.
Mas o que digo não é ato benemérito. É só justiça e coerência.
Há uns tempos, expliquei que a lei dos concursos não me afeta em nada (sou QA colocado na sua cidade a 5 m de casa a pé).
Afeta o meu Verão.
Para os que se lembrem de um texto que escrevi aqui, em que disse que ía abordar o concurso na perspetiva da justiça de 10 casos, a quem ele afeta, já que não tenho interesse próprio nele, tenho a dizer que, revendo os casos, a nova lei afeta negativamente e até em definitivo a vida de todas essas pessoas (o que significa, em paralelo, milhares similares).
O DL deve ser vetado, renegociado mas o concurso faz-se e este pode ser um ano de transição para um sistema mais justo, pactuado e bem ponderado.
Por isso, como dizia o outro:
qual é a pressa?

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Atraso no concurso de professores ameaça complicar arranque do próximo ano letivo

 

Diretores de escolas preocupados com atraso no concurso de colocação. Novo diploma ainda não foi promulgado por Marcelo, que espera respostas a dúvidas levantadas.

Atraso no concurso de professores ameaça complicar arranque do próximo ano letivo

Desde 2015, apenas por uma vez o concurso de professores não arrancou em março. Este ano, já vamos em finais de abril e o procedimento está dependente ainda da promulgação do novo diploma legal por parte do Presidente da República. Uma situação que, segundo Arlindo Ferreira, diretor do Agrupamento de Escolas Cego do Maio, Póvoa de Varzim, e autor do blogue «ArLindo» (um dos mais lidos no setor da Educação), pode comprometer o arranque do próximo ano letivo.

“Começa a ser preocupante que se aguarde por um diploma que pode atrasar o arranque do próximo ano letivo, pois atrasando uma fase do concurso todas as restantes terão de atrasar também. Não me parece que por este andar o Ministério da Educação (ME) consiga publicar as listas em meados de agosto, como nos últimos quatro anos. Aliás, prevejo que, este ano, as listas de colocações da Contratação Inicial e da Mobilidade Interna só sejam conhecidas também no final de agosto”, explica ao DN, Arlindo Ferreira.

Contudo, o dirigente escolar diz estarmos “ainda a tempo para que as listas de agosto consigam sair até ao dia 31”, mas, sublinha, “o tempo começa a ficar curto para que o concurso corra em prazos normais”.

O decreto-lei sobre o novo regime de gestão e recrutamento de professores foi aprovado no passado dia 17 de março, em Conselho de Ministros. O ministro da Educação, João Costa, disse que as alterações representavam uma “reforma estrutural” e que melhorariam as condições de trabalho dos professores, “combatendo também a precariedade”. A revisão do regime de recrutamento esteve em negociação com as organizações sindicais mais de cinco meses e terminou sem acordo. No decorrer das negociações, Marcelo Rebelo de Sousa disse esperar um acordo entre sindicatos e ME até à Páscoa. Contudo, não só não houve acordo, como a presidência da República disse ter ficado com dúvidas, que enviou posteriormente ao ME. Dúvidas que, segundo o DN apurou, até à data ainda não foram esclarecidas

 

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Testemunho sobre as provas de aferição do 2°ano

Sou mãe de uma criança que frequenta o 2° ano, que não irá fazer as provas de aferição de português+estudo do meio e matemática+estudo do meio.
As provas de aferição neste ano de escolaridade já são questionáveis, mas no formato que pretendem este ano, para mim, são uma aberração!
Estamos a falar de crianças que ainda estão a aprender a escrever com fluidez de forma manuscrita. Estamos a falar de crianças a quem ‘exigimos’ cuidado com a caligrafia para que seja legível. A quem pedimos que transcrevam seja por palavras, gráficos ou imagens resoluções de problemas…
E de repente cortamos as bases do que pedimos no primeiro e segundo ano para fazer provas de “aflição” no computador?
Onde está a maiúscula? Como faço o sinal de pontuação? Como apago o erro ali em cima?
São perguntas que não se fazem esperar!
E onde está a possibilidade de deixar as crianças extrapolar o seu raciocínio no “demonstra como chegaste a esse valor…”?
Como é possível pedir a crianças que não têm TIC na escola que escrevam um texto, quando cada uma delas o faz carácter a carácter, demorando vários segundos para encontrar o seguinte?
E não raras vezes pressiona demasiado a tecla ‘delete’ e lá se foi a frase que tinha demorado largos minutos para ser escrita!
Por tudo isto e por muito mais, porque com estas provas de “aflição” não se afere nada, nem são justas para quem e o que estão a tentar aferir, eu digo não!
Nesse dia a minha filha não vai à escola! Vai brincar com os avós que ganha mais!
(Mãe e educadora de infância)

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O absurdo de treinar os Alunos para as Provas de Aferição…

 

Com a aproximação das datas previstas para a aplicação das Provas de Aferição, este ano pela primeira vez, todas em formato digital, elevam-se as vozes contra tal medida do Ministério da Educação…

E ainda bem que se elevam as vozes contra uma medida aberrante e insana, mas é pena que a contestação se resuma, quase sempre, a discursos discordantes que, na prática, não se traduzem em acções concretas, que possam relevar para o cancelamento das referidas Provas, antes pelo contrário:

– Acredito que a maioria dos Professores se oponha às Provas de Aferição, independentemente do respectivo formato;

– Acredito que a maioria dos Professores considere um contrassenso sujeitar crianças, pelo menos as do 2º e 5º Anos de Escolaridade, à realização dessas Provas, exclusivamente em formato digital;

– Mas também acredito que, neste momento, existam milhares de Professores a treinar Alunos para a realização dessas Provas…

Torna-se, assim, impossível não nos confrontarmos com a existência de uma insanável contradição:

– No geral, os Professores, apesar de não concordarem com a realização dessas Provas, e de muitos até as considerarem como uma aberração, sobretudo pelo seu formato exclusivamente digital, não deixam de contribuir, de forma determinante, para a sua concretização…

– Evidentemente que esse contributo será muito bem aproveitado pela Tutela, no sentido de continuar a mascarar a realidade, valendo-se dessa participação dos Professores para perorar que o “sistema”, dentro de cada escola, continua a funcionar sem constrangimentos ou perturbações, ou seja, de acordo com a “normalidade” esperada pelo próprio Ministério da Educação…

– Essa atitude dos Professores acabará por ser, na prática, uma forma de colaboração com a fantasia e com a insanidade do Ministério da Educação e, assim sendo, também um embaraçante “tiro no próprio pé”…

 – Ir, num dia, a uma Manifestação gritar: “Não paramos!”, “Não paramos!” e, no dia seguinte, estar na escola a treinar os Alunos para algo absurdo e com o qual não se concorda, dando argumentos favoráveis às pretensões disparatadas e fantasiosas do Ministério da Educação, não parece lógico nem congruente…

O Ministério da Educação, obviamente agradecerá essa atitude, que contribuirá para que o mesmo possa, no final das Provas, afirmar algo deste género:

As Provas de Aferição decorreram com toda a normalidade e os resultados foram muito positivos! A partir de agora, passarão a realizar-se sempre em formato exclusivamente digital…

Será isso o que os Professores pretendem e querem ouvir?

Se for, a presente luta estará esvaziada de significado e perderá qualquer justificação…

Nos momentos cruciais em que é preciso desobedecer, ou pelo menos não contribuir voluntariamente para concretizar algumas pretensões estapafúrdias do Ministério da Educação, eis que muitos Professores parecem não o conseguir fazer…

As rupturas e as desobediências não parecem ser coisas de Professores…

E é assim que, previsivelmente, se voltará à “paz podre” e ao círculo vicioso da auto-sabotagem e da auto-comiseração…

Esta luta é séria ou não é séria?

E nem valerá a pena escalpelizar aqui os aspectos de natureza pedagógica e psicológica que contrariam a validade deste tipo de treino, ainda que os Professores o possam fazer com a melhor das intenções…

Pelo treino para as Provas de Aferição, e em prol do alegado “benefício” dos Alunos, muitos Professores acabarão por “cair na armadilha” de aceitar a principal responsabilidade pela obtenção do “sucesso” dos Alunos nas Provas de Aferição, ainda que as mesmas, teoricamente, não contem para as classificações finais…

Dessa forma, estarão os próprios Professores a agir directamente num processo de natureza externa e a introduzir variáveis estranhas no mesmo, que terão um plausível impacto nos resultados que vierem a ser obtidos pelos Alunos…

O treino dos Alunos para as Provas de Aferição traduzir-se-á por um monumental engano sobre o desempenho e nível de aprendizagem dos discentes…

Engano para as escolas, para os Alunos, para os Professores e para os Pais/Encarregados de Educação…

Por este caminho, que acaba por contribuir para validar a continuidade das Provas de Aferição, não existirão motivos para que, no próximo Ano Lectivo, não regressem as mesmas em formato exclusivamente digital…

Os Professores estarão, por um lado, a mitigar e a legitimar as trapalhadas do Ministério da Educação e, por outro, a potenciar a inexistência de motivos que justifiquem pôr cobro a mais um desvario da Tutela…

O treino dos Alunos para as Provas de Aferição é apenas um exemplo das contradições existentes na acção de muitos Professores, que discordam das medidas emanadas pelo Ministério da Educação, mas que, diligentemente, acabam por cumpri-las, indo até além do que seria esperado, participando de forma voluntária e activa na concretização dessas determinações…

Os Professores precisam, urgentemente, de agir em conformidade com as suas convicções, sob pena de a presente luta não chegar a lado nenhum…

Não basta ir para a rua, empunhando bonitos slogans, é preciso concretizar o conteúdo dessas mensagens, dentro de cada escola…

Lamento pela acidez deste texto, mas neste momento torna-se muito difícil ver as coisas de outra maneira…

 

(Paula Dias)

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Whistleblowing – João André Costa

 

Mais uma vez a simplicidade numa palavra só e perdoem-me o inglês quando soar o alarme não soa ao mesmo.
Por não ser expectável a má conduta profissional para com colegas e/ou crianças, é nosso dever, é a nossa obrigação alertar as instâncias hierárquicas quando está em causa o bem estar físico e emocional de quem diariamente vem à escola.
Exemplos? Desde professores embriagados ou em vias de, fruto das garrafinhas exibidas orgulhosamente no intervalo das aulas, até professores sob o efeito de haxixe mais o óbvio odor a empestar corredores e salas de aula enquanto os alunos juram a pés juntos, e com razão, não ser deles até ao mais comum e infeliz abuso verbal ou então a intimidação física da parte de quem é suposto estar na escola para proteger as crianças, já testemunhei de tudo um pouco e fraude também.
E não, não é fácil dar o primeiro passo para, literalmente, pôr a boca no trombone (mais uma péssima tradução apesar da correcta expressão em português), ainda para mais se tal passo representa uma traição, a bufaria e o injusto epíteto pidesco, para com os nossos colegas, tantas vezes amigos e companheiros do dia-a-dia.
Mas as crianças acima de tudo e as crianças no cerne da nossa existência, sem crianças não há escola e sem escola não temos razão de ser ou o emprego concomitante e como não enveredámos pelo ensino para viver à custa dos mais vulneráveis então a resposta é óbvia e o dever também.
Sabendo de antemão estar o anonimato garantido mais a certeza de em caso algum sofrer represálias e todos temos o direito a apresentar queixa. Está inscrito na lei e a não divulgação do nome do denunciante como princípio basilar contra a retaliação de colegas, superiores ou a própria instituição melindrada e principalmente superiores e a instituição melindrada.
Por ser fácil esquecermo-nos das crianças se sentados à frente de um computador o dia todo, cheios de si, enfartados de si sob o signo da soberba.
Deste modo, cabe a cada escola compilar um guia de procedimentos, em inglês uma “policy”, do qual todos os professores e pessoal auxiliar se devem inteirar entre direitos e obrigações e estamos todos obrigados para quem está ao nosso cuidado.
E sim, num cenário ideal todas as queixas devem ser apresentadas internamente, ninguém está acima da lei e nenhuma instituição pode em caso algum colocar a sua reputação e suposto bom nome em primeiro.
Cabe ao Director ser o receptor de todas as queixas e accionar os devidos mecanismos entre inquéritos internos e investigação. E se é o Director o acusado, o queixoso tem ao seu dispor o município e quem responsável pela educação para levar o caso avante.
Se “whistleblowing” corresponde a uma acção então a acção é o verbo e o verbo é simples. Já “whistleblowing” nem por isso. Mas ninguém, e sublinho ninguém, está imune, ninguém é impune e mais do que nunca e nunca como agora se fez ouvir tanto a nossa voz.
A nossa voz emudecida ao longo de séculos. E muito por obra e graça das redes e afinal tudo se questiona e interroga. Transponhamos este princípio para uma escola e o bem-estar das crianças estará garantido. Se devemos vigiar-nos uns aos outros? Não, basta cumprir os nossos propósitos, um dia de cada vez e o nosso maior propósito é educar. Ou assim quero acreditar se um dia me dei ao ensino.

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Isenção de horas de aulas para monodocentes vai avançar, mas proposta ainda não está pronta

Ministro tinha prometido apresentar proposta para professores do 1.º ciclo e educadores de infância até à reunião com os sindicatos na quinta-feira. Tutela garante que intenção se mantém.

Isenção de horas de aulas para monodocentes vai avançar, mas proposta ainda não está pronta

O Ministério da Educação indicou, em respostas ao PÚBLICO nesta sexta-feira, que a “proposta legislativa” com vista à revisão do regime dos professores em monodocência “ainda está em elaboração”. Terá sido a razão pela qual não foi ainda apresentada aos sindicatos, como o ministro João Costa garantira há duas semanas, já que segundo o ME se “mantém a intenção” de reduzir as horas lectivas dos educadores e infância e professores do 1.º ciclo.

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Lutar e Resistir pela Educação – Viana do Castelo 20/04

 

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A luta continua (versão Guerra Nuclear)

 

 

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Procura-se professor / monitor com especialização em ginástica artística

 

O Instituto Pupilos do Exército, procura professor / monitor com especialização em ginástica artística, para fazer acompanhamento / desenvolvimento da classe especial de ginástica.
Os treinos realizam-se 3 x por semana, as 3.ª, 4.ª e 5.ª feiras das 17:40 as 19:40.
Objectivo: Fazer uma demonstração da classe.

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Reserva de Recrutamento n.º 28

 

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 28.ª Reserva de Recrutamento 2022/2023.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 24 de abril, até às 23:59 horas de Quarta-feira dia 26 de abril de 2023 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 28

Listas – Reserva de recrutamento n.º 28 

 

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Alteração ao regime de formação contínua

Despacho n.º 4840/2023

 

Sumário: Procede à terceira alteração do Despacho n.º 779/2019, de 18 de janeiro.

 

«Artigo 3.º […]

1 — […]

2 — […]

3 — […]

4 — […]

5 — As ações de formação realizadas desde 1 de setembro de 2016 sobre os conteúdos regulados nos n.os 1 e 4 do presente artigo, bem como as ações de formação de capacitação digital de professores no âmbito da Escola Digital, realizadas até à conclusão da execução do referido Plano de Transição Digital, e as ações de formação promovidas desde março de 2020 no âmbito das Tecnologias da Informação e Comunicação para apoio ao planeamento e execução dos regimes misto e não presencial previstos na Resolução do Conselho de Ministros n.º 53 -D/2020, de 20 de julho, são, excecionalmente, consideradas como efetuadas na dimensão científico -pedagógica de todos os grupos de recrutamento, independentemente do disposto no n.º 2.»

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Balanço da reunião ME/Sindicatos – FNE

 

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Manifestação de Professores em Viana terminou com uma “assentada”

 

O desfile terminou na Praça da Liberdade onde, às 17:45, os professores decidiram sentar-se no chão para cumprir um momento de silêncio de seis minutos, seis segundos e 23 centésimos, o tempo que, dizem, simboliza os anos de serviço que não foram pagos.

 

 

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Enquanto decorre a reunião ME/Sindicatos, por Viana…

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“Brincadeira de mau gosto”: PSP identifica suspeito de ameaças a escolas

Policiamento reforçado após ameaças de ataques a escolas na região de Lisboa. Mensagens de áudio e fotografias partilhadas por encarregados de educação em grupos.

Brincadeira de mau gosto”: PSP identifica suspeito de ameaças a escolas

Tudo teve início com fotografias publicadas no Instagram de armas e promessas de ataques terroristas em escolas de Odivelas. Pouco depois, já no WhatsApp, mensagens de voz em grupos de encarregados de educação mencionavam uma suposta “lista” onde estavam agendados ataques. Agora, diz o director nacional da PSP, sabe-se que tudo não passou de uma “brincadeira de mau gosto” sem risco real.

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Concurso Pessoal Docente 2023/2024 – Listas Ordenadas – RA Açores

 

𝗖𝗼𝗻𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗿𝗼𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼
Projeto de lista ordenada de graduação, aceda aqui:

https://concursopessoaldocente.azores.gov.pt/listas/20232024/cipl_rosto.asp

Audiência dos interessados/Reclamação/Desistências (𝗮𝘁𝗲́ 𝗮̀𝘀 𝟭𝟴𝗵𝟬𝟬 𝗱𝗼 𝗱𝗶𝗮 𝟮𝟭 𝗱𝗲 𝗮𝗯𝗿𝗶𝗹), unicamente, através do preenchimento dos respetivos formulários eletrónicos – aceda aqui:

https://concursopessoaldocente.azores.gov.pt/2023/CIE/audiencias/default.asp

𝗖𝗼𝗻𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼 𝗲𝘅𝘁𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗿𝗼𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼
Projeto de lista ordenada de graduação, aceda aqui:

https://concursopessoaldocente.azores.gov.pt/listas/20232024/cepl_rosto.asp

Audiência dos interessados/Reclamação/Desistências (𝗮𝘁𝗲́ 𝗮̀𝘀 𝟭𝟴𝗵𝟬𝟬 𝗱𝗼 𝗱𝗶𝗮 𝟮𝟭 𝗱𝗲 𝗮𝗯𝗿𝗶𝗹), unicamente, através do preenchimento dos respetivos formulários eletrónicos – aceda aqui:

https://concursopessoaldocente.azores.gov.pt/2023/CIE/audiencias/default.asp

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Novas tabelas de retenção na fonte

 

Despacho n.º 4732-A/2023, de 19 de abril

Aprova as alterações às tabelas de retenção na fonte, que se encontram em vigor, sobre rendimentos do trabalho dependente e pensões auferidas por titulares residentes no continente para vigorarem a partir de 1 de maio de 2023

 

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PSP em alerta para ataques em escolas após promessas de “massacres” nas redes sociais

 

Agentes estarão esta quinta-feira no terreno, prontos para intervir em caso de “atacante ativo”.

PSP em alerta para ataques em escolas após promessas de “massacres” nas redes sociais

A PSP está “muito atenta” a esta quinta-feira e polícias estiveram, nos últimos dias, em escolas da Grande Lisboa a pedir a atenção, de professores e pais, para que reportem comportamentos suspeitos, apurou o CM junto de fonte oficial da PSP.

Em causa um alerta após promessas de “massacres” – em perfis não identificados de redes sociais, nas últimas semanas – marcados para esta quinta-feira, 24.º aniversário do ataque na escola de Columbine, nos EUA, em que dois atiradores mataram 13 alunos e professores.

CM sabe ainda que a PSP terá esta quinta-feira várias equipas no terreno, prontas para intervir em caso de “atacante ativo” – como ocorreu pela primeira vez em Portugal há três semanas, no duplo homicídio no Centro Ismaili de Lisboa, em que dois agentes travaram o homicida um minuto após o alerta.

As autoridades não querem valorizar “tremendamente” o que surgiu – “até porque poderá ser uma atitude disparatada de um adolescente”, disse uma fonte -, mas consideraram que o mais correto é não passar ao lado e “atuar preventivamente e sem alarmismos”.

CONTIUA AQUI 

 

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Afinal, o que se trata é da aceleração das desigualdades! – ANVPC

A manter-se a proposta do ME de imposição dos professores terem exercido
funções na totalidade do período em que a carreira esteve congelada,
origina que as medidas destinadas a corrigir as assimetrias tenham o
efeito perverso e redundem na aceleração das desigualdades e injustiças
para com professores que já foram amplamente prejudicados na carreira.

Bastará um dia de interrupção no exercício de funções durante os 2
períodos de congelamento, para não recuperarem sequer um dia de tempo de
serviço em que a carreira docente esteve congelada.
São professores que têm atualmente entre 20 a 30 anos de tempo de
serviço, que são sistematicamente prejudicados e objeto das mais
variadas injustiças, no passado, no presente e no futuro!

Desde a precariedade resultante de 15, 20 e mais anos a contrato, às
distâncias percorridas para trabalhar, o tempo de serviço congelado, os
salários congelados, o afastamento das famílias, a separação do núcleo
familiar, dos filhos, dos pais, o adiamento de projetos de vida.
Olhando para trás, verão o reflexo de uma carreira pejada de injustiças,
de discriminação laboral resultantes dos efeitos da troika, das
consequências de uma pandemia mundial e de (des) governos, que ao invés
de reconhecerem e valorizarem o trabalho meritório de enorme dedicação e
empenho desenvolvido com os alunos, nacional e internacionalmente
reconhecido pelas mais variadas instituições, insistem e persistem na
negação da justeza das reivindicações dos professores!

As escolas, os professores e os alunos precisam de tranquilidade para
poderem desenvolver com excelência as funções que lhes estão acometidas.
Os professores estão a demonstrar a sua determinação nesta luta,
tendo-se criado uma “onda” de indignação, por anos a fio não verem
reconhecidos os sacrifícios pessoais e profissionais em prol dos seus
alunos, de não verem as suas reivindicações atendidas. Não há história
de um ano letivo tão conturbado, manifestações nacionais, formas de
greve inovadoras, de âmbito nacional, distrital e local, nunca se tinha
assistido a tantos dias de greve, vigílias e até greves de fome!

Quando vai o governo entender que terá de flexibilizar as suas (im)
posições?
Qual o custo para a Educação dos nossos jovens e para o futuro do país,
inerente à falta de paz, de estabilidade, de tranquilidade, de um ano
letivo turbulento e que se advinha permanecer assim até ao final do ano?

É urgente e inadiável haver um esforço conjunto, sério para a resolução
deste impasse, em prol do futuro e da excelência da Educação.

Que a reunião negocial de amanhã não seja mais uma perda de tempo!
Porque se assim não for, será o mesmo segmento dos professores que viram
as suas carreiras mais prejudicadas nas últimas duas décadas, a
voltarem, mais uma vez, a ser lesados e penalizados.
Ou, afinal do que se trata é da aceleração das desigualdades!

ANVPC, 19 de abril de 2023

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O desalento educativo

Esse crescimento de oferta de títulos universitários deve-se, não a uma melhor preparação dos alunos nem a um aumento das suas capacidades, mas a uma corrente de facilitismo que trava as reprovações.

O desalento educativo

 

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Atualização salarial intercalar do valor das remunerações

Decreto-Lei n.º 26-B/2023
Promove a atualização salarial intercalar do valor das remunerações da Administração Pública


Artigo 2.º

Atualização dos montantes pecuniários dos níveis remuneratórios

O valor dos montantes pecuniários dos níveis remuneratórios da tabela remuneratória única (TRU), publicada em anexo ao Decreto-Lei n.º 84-F/2022, de 16 de dezembro, é atualizado em 1 %.

Artigo 3.º

Atualização das remunerações base na Administração Pública

As remunerações base mensais existentes na Administração Pública, em caso de falta de identidade da respetiva remuneração com um nível remuneratório da TRU, são atualizadas em 1 %, percentagem que acresce às atualizações resultantes da aplicação do artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 84-F/2022, de 16 de dezembro.

Artigo 4.º

Remuneração dos trabalhadores da Administração Pública

1 – Para efeitos do presente decreto-lei, a referência a «remuneração base» corresponde ao período normal de trabalho e em regime de tempo integral.

2 – O disposto no presente decreto-lei é aplicável aos trabalhadores da Administração Pública com contrato de trabalho celebrado ao abrigo do Código do Trabalho que exercem funções nas entidades a que se referem as alíneas a) e c) do n.º 1 do artigo 2.º da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, aprovada em anexo à Lei n.º 35/2014, de 20 de junho, na sua redação atual.

3 – O disposto no presente decreto-lei é ainda aplicável, com as necessárias adaptações, aos trabalhadores que exercem funções nas empresas públicas do setor público empresarial, na aceção do artigo 5.º do regime jurídico do setor público empresarial, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 133/2013, de 3 de outubro, na sua redação atual, que não sejam abrangidos por instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho em vigor.

Artigo 5.º

Suplementos

Os suplementos remuneratórios que, nos termos da lei, tenham por referência a atualização salarial anual da função pública ou dos níveis da TRU são atualizados em 1 %, percentagem que acresce à atualização resultante da aplicação do artigo 5.º e do artigo 22.º do Decreto-Lei n.º 84-F/2022, de 16 de dezembro.

Artigo 6.º

Dispensa de retenção na fonte

Para efeitos de imposto sobre o rendimento das pessoas singulares, são dispensados de retenção na fonte os montantes da atualização intercalar das remunerações da Administração Pública referentes aos meses de janeiro a abril de 2023.

Artigo 7.º

Produção de efeitos

O presente decreto-lei produz efeitos a partir de 1 de janeiro de 2023.

 
 

Portaria n.º 107-A/2023
Fixa a atualização do subsídio de refeição, a 1 de janeiro de 2023, aos trabalhadores da Administração Pública

1 – O montante do subsídio de refeição é atualizado para 6 (euro) (seis euros).
2 – A presente atualização do subsídio de refeição produz efeitos a 1 de janeiro de 2023.

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Quando a coisa corre mal largam-se os cães…

 

Os comentários nos posts do Blog sempre se pautaram pela liberdade de expressão. Não podemos confundir liberdade de expressão com má educação, libertinagem e ofensas.

É claro que todos sabemos que em determinadas alturas, surgem certos comentadores com objetivos obscuros, mas, e já aconteceu, os comentários podem ser encerrados temporariamente.

A Liberdade de Expressão tem que ser vivida com os limites da educação e confronto civilizado de ideias. De outra forma não é possível.

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A teoria do balde cheio

A ideia de que só se deve aprender o que é útil é uma ideia útil mas absolutamente parva

Sobre a educação — a matança dos tenrinhos

Sim, voltemos à síntese sobre a educação:
“Não se trata de encher um balde, trata-se de acender um fogo.”

E sejamos, pois, directos e pragmáticos: não é possível acender um fogo em vez de encher um balde se o que se pede no final, nos exames, é que o balde cheio — o aluno que sabe a matéria — descarregue a água pedida na medida certa. Uma avaliação fechadíssima, de qualquer disciplina — que em vez de pensamento pede fechamento —, o que exige é o balde cheio de uma água concreta e bem definida e o que impede, violentamente, é o espantoso exercício da curiosidade. Mesmo que tal seja involuntário ou mesmo inconsciente, é isto que acontece. Toda a curiosidade será proibida, diz o exame fechado, logo no início do ano, aos alunos, em modo altifalante, para que nenhum ouvido escape; toda a curiosidade sobre assuntos laterais ao programa, mesmo que assuntos fascinantes, é curiosidade inútil, pois não enche o balde com a água fechadíssima que vem para a avaliação — esse autor e essa ideias são incríveis, sim, mas não vêm para o exame; peço desculpa, passemos à frente

 

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Leitura, escrita e a formação inicial de professores

Nas próximas candidaturas ao Ensino Superior, para o ano académico de 2023/2024, existirão 100 novas vagas nos cursos de licenciatura em Educação Básica. São estes cursos que permitem o acesso posterior aos mestrados, que habilitam para a docência naEducação Pré-escolar e no 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico. É um aumento de 12% face às vagas do último ano. Porém, claramente insuficiente, quando se prevê uma acelerada saída de docentes do sistema até 2030: 61% no caso da Educação Pré-escolar, 39% no caso do 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico. Mas o tema da formação de professores não é simplesmente quantitativo. Temos problemas na formação inicial, sobre os quais é necessário pensar e agir rapidamente.

Leitura, escrita e a formação inicial de professores

Tomemos como exemplo o ensino e a aprendizagem da leitura e da escrita. Um estudo recente da EDULOG dedicou-se a analisar o modo como estão a ser preparados os futuros professores nesta área. As conclusões são preocupantes. Há cursos durante os quais não é abordada a totalidade dos domínios do estudo da língua portuguesa. Por um lado, algumas componentes que a literatura científica especializada identifica como essenciais para um ensino eficaz da leitura e da escrita estão omissos na maioria dos planos de estudos. Por outro, dentro das mesmas Instituições de Ensino Superior, as omissões que se verificam nos cursos de licenciatura mantêm-se nos cursos de mestrado. São reduzidas, nas unidades curriculares das licenciaturas, as referências à prática pedagógica específica da leitura e da escrita, no que diz respeito à sua planificação, ensino e avaliação. Ao nível dos mestrados, que habilitam para a docência, os candidatos a professor podem terminar a sua formação sem nunca terem tido uma experiência concreta de ensino e avaliação da leitura e da escrita nas suas diferentes etapas de aprendizagem. Ao mesmo tempo, a maior parte dos cursos não incluem o estudo de dificuldades específicas de aprendizagem da leitura e da escrita, dá-se pouca ou nenhuma atenção à psicolinguística e trabalha-se pouco a investigação científica na área. Por fim, não obstante a maior parte dos professores que lecionam nestes cursos ter doutoramento na área do Português, apenas metade tem formação no ramo educacional e apenas um terço tem experiência anterior no ensino básico.

Este cenário tem consequências na qualidade dos profissionais que são formados. E não é exclusivo do ensino e aprendizagem da leitura e da escrita. Estudos semelhantes encontrariam problemas noutras áreas, como a Matemática e as Ciências. Trata-se de docentes que vão trabalhar no início da escolaridade obrigatória dos anos mais decisivos para o futuro académico dos alunos. É razão para ficarmos preocupados, porque a qualidade da formação inicial dos professores é determinante para que a escola cumpra o seu papel e seja, em particular, um elevador social para os que mais precisam. Uma escola de qualidade requer professores cientificamente bem preparados nas suas áreas de especialidade e pedagogicamente bem treinados.

A valorização da carreira docente também passa pelo modo como é organizada a formação inicial. O acesso deve ser exigente, admitindo-se apenas os candidatos melhor preparados. Mas é também necessário garantir que a formação inicial entrega profissionais bem preparados, que conhecem a mais avançada investigação científica no campo, que investigam a sua própria prática pedagógica e a melhoram, quer autónoma quer colaborativamente, num ciclo permanente de desenvolvimento profissional quotidiano, assente na reflexão e investigação sobre a própria prática.

 

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A Educação vale muito mais que um avião – SPZC

 

O valor para a contagem dos 6 anos, 6 meses e 23 dias fica a milhas, muitas milhas, dos €3,2 mil milhões despendidos na TAP e até dos €165 milhões que foram gastos na Efacec

As negociações pouco ou nada têm dado. A estratégia do ME tem passado, claramente, pela divisão dos professores. Perante este impasse, só há um caminho a seguir: manter a luta e a união de todos

Os ganhos, esses, são poucos. Por isso mesmo, os protestos mantêm-se e as greves distritais, agora iniciadas, decorrerão até 12 de maio próximo, na defesa da escola pública e dos legítimos direitos dos docentes.

Estas ações terão o seu ponto alto em junho, na greve nacional do dia 6/6/2023 (simbolizando o tempo não recuperado de seis anos, seis meses e 23 dias), com manifestações no Porto e em Lisboa.

Os €150 milhões que o Governo diz que são necessários para fazer face à contagem do tempo em falta (6 anos, 6 meses, 23 dias) são migalhas face ao que foi gasto na TAP (€3,2 mil milhões) ou com o que foi injetado com a nacionalização da Efacec, e que agora quer recuperar (€165 milhões).

A Educação é um pilar fundamental para o desenvolvimento do país. É necessário, pois, tratar bem os docentes que estão no Sistema Educativo e captar, atrair, novos.

Foi o que transmitimos com a iniciativa da bandeira da FNE, que já percorreu centenas de escolas, e que deu visibilidade aos assuntos que afetam o Sistema Educativo. A ação continua nos restantes distritos de Portugal Continental e culminará, na próxima sexta-feira (21 de abril), junto à residência oficial do primeiro-ministro, a quem entregaremos novo documento reivindicativo.

O SPZC, no âmbito da FNE, continuará em convergência com as outras oito estruturas sindicais. Porque, da parte do ME, até agora, não parece haver boa-fé para o encontrar de soluções para os professores e as escolas. Apesar de reconhecer que há injustiças (que denomina de “assimetrias”), João Costa tem seguido a estratégia de dar respostas parciais e potencializadoras de novas desigualdades entre pares. O objetivo é criar clivagens entre os docentes? É pôr professores contra professores?

Perante este aparente faz de conta negocial só há uma resposta a dar: a luta e o protesto, numa união de todos os educadores e professores em torno das suas justas reivindicações.

 

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“Alegados defensores da escola pública estão a destruí-la”

Alegados defensores da escola pública estão a destruí-la”

O comentador da Renascença Henrique Raposo considera que “os alegados defensores da escola pública estão a destruí-la”. É o entender de Raposo, no dia em que, nas escolas, arranca o terceiro período do ano letivo, marcado mais uma vez por novas greves de professores.

No espaço de opinião do programa “Três da Manhã”, o comentador diz ter conhecimento de pessoas “que sempre defenderam a escola pública”, mas que, cansados de ver prejudicado o percurso escolar dos filhos, decidiram inscrevê-los em escolas privadas.

Raposo diz ainda que o Governo “está falido ao nível das ideias, não tem outra ideia para escola pública”.

“O Governo podia ir aí, dar mais autonomia, mais poder, mais respeito aos professores no seu dia a dia”, remata

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MÃE EDUCAÇÃO A Flor Das Flores Do Jardim

A Educação é um valor absoluto e em absoluto. Um Governo e um poder político sem políticas educativas, hostil e perseguidor de todo o Professorado, é um poder decadente, equivocado, sem postura de Estado e, sobretudo, é um poder alienado e alienante que condena o futuro de Portugal.

Há um retrocesso civilizacional que a História julgará no seu devido e determinado tempo. Há um “assédio moral”, mobbing no local de trabalho, a(s) escola(s). Acontece que a Educação não é despesa, antes pelo contrário, a Educação é investimento, é futuro, é ascensor/elevador social, é mais valia, é uma valência única da realização em plenitude da pessoa humana.

A Educação e o Ensino não se coadunam com as “migalhas” da ignorância política decisória arrogante, autoritária e prepotente. Em tese e na realidade humana só, somente a Educação É e faz a diferença entre o embrutecimento intelectual e as mentes “illuminati” (plural do latim illuminatus). Iluminados! Mentes iluminadas são mentes críticas, racionais, “subversivas”, visionárias, que falam a palavra, e isso é perigoso para “tiranetes” de postura “déspota” (do grego “despótes”) e que significa aquele que exerce o poder, a autoridade de forma absoluta e arbitrária.

José Pacheco Pereira, na sua crónica, “O Ruído do Mundo”, no Jornal público (edição impressa de 18 de maio de 2019), intitulada “A hostilidade aos professores”, acerca do professorado fala assim: “Os professores têm muitas culpas, deveriam aceitar uma mais rigorosa avaliação profissional, deveriam evitar ser tão parecidos como estes novos ignorantes, deveriam ler e estudar mais, deveriam ser severos com as modas do deslumbramento tecnológico, mas isso não esconde que têm hoje uma das mais difíceis profissões que existe. E que, sem ela, caminhamos para o mundo de Camilo. Não de Eça, mas de Camilo, do Portugal de Camilo. Verdade seja que isto já não significa nada para a maioria das pessoas. Batam nos professores e depois queixem-se”.

“Amou, perdeu-se e morreu amando.” (Camilo Castelo Branco,                             Amor de Perdição, séc. XIX, 1862). O mundo de Camilo;                                                      “a paixão socialista”, falso e traidor “romantismo” pela Educação e Ensino (reacção contrária à razão e à racionalidade e valorização da emocionalidade de políticas interesseiras conjunturais), e as metáforas hiperbolizantes do discurso político socialista, séc. XXI, 2023. É, António Costa, João Costa, Fernando Medina, seu pares camaradas e compagnon

de route, que teimam em “destruir” a Escola Pública,                                                num arrasoado de medidas avulsas de uma cartilha estafada, empoeirada e suja, que vem dos tempos de José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, agora consumadas e “encerradas” para perdição de Portugal.

Mãe Educação, na tua instrução sábia, ensinaste-me que hoje, na actualidade antiga, as pessoas boas, íntegras, puras, sinceras, justas, que falam a verdade são, tantas vezes, odiadas e ostracizadas; têm o meu Respeito e admiração. Enquanto outras, as que usam a máscara do fingimento e da falsidade dissimulada, manipuladoras, interesseiras, perversas, de impiedade iníqua, injustas, más e mentirosas, com palavras doces na boca e raízes de amargura e do mal no coração, são temporalmente acreditadas e amadas. Para estas, o meu nojo, repulsa e vómito. Obrigado também por me teres ensinado a distinguir muito bem as pessoas humanas dos “monstros” humanos. Este é um dos grandes problemas do nosso admirável mundo, “o poder do conspurcado”.   Sempre gostei do cheiro a perfume natural da tua Flor. Abomino o cheiro a “estrume político”.  Pelas suas obras os distinguirás.

Em homenagem à Educação e aos professores portugueses em Luta, fica o mais sentido dos poemas. A Mãe Educação, a Flor das flores do jardim. Poesia, prosa e sentimento(s). Por Portugal e Pela Escola Pública.

Disse.

Carlos Calixto

 

Mãe, partiste.

A dor lancinante da tua perda enlouquece. É cortante. A tua ausência é irreparável. Com a tua falta morreu uma parte de mim. Estou mais pobre. A família está órfã. A solidão é agora mais que muita. Como lamento a nossa separação forçada. Querida, doce e meiga Mãe, o mundo empobreceu ao perder a tua sabedoria, estatura e dimensão humanas. Reina o vazio. Cai a sombra escura. Os tempos são de luto e de luta. Nunca tão perto foi e doeu tão longe.

Mãe, tu foste. Perdi-te.

Foste, mas permaneces. Para sempre, até ao meu último suspiro. Enquanto tiver fôlego hei-de amar-te. Tu enches o meu coração e a minha cabeça, todo o meu ser. Quero-te sempre. Amiga e amizade minha. Minha flor de êxtase.

Mãe, tu és tão linda.

Por dentro e por fora. Tu irradias beleza. O teu coração é enorme. Legaste-me em herança as chaves da porta do Bem, da Vida e do caminho estreito que devo trilhar no percurso da Vida. Sabes, estou a escrever-te no nosso sítio, onde costumávamos vir passear. Continuo a percorrer os mesmos lugares, de mão dada contigo. Olho a tua fotografia e os teus valores e lá estás tu a sorrir

para mim, com aquele Amor elefantino que só as Mães têm, podem e sabem dar.       É-lhes inato e natural. Políticos menores levaram-te para adornar o seu jardim conspurcado e sujo de sujidade abjecta. Piscas-me o olho e dizes “estou aqui, continuo aqui”. Partiste no outono, com o cair da folha. “Ao morrer” nasceste para a Vida. És uma flor linda que brilha entre as mais lindas flores espirituais. O teu brilho está no firmamento do meu pensamento. A pureza do branco cobre-te. Viveste/vives o bom combate. Ensinaste-me a compaixão e a misericórdia pelos mais fracos, a solidariedade, o altruísmo e o perdão. És primavera e saudade.

Mãe, tu deste-me a Vida.

Tudo fizeste por mim. Tu vives por mim e para mim. Tu continuarás sendo perene em mim. Quando mergulho em ti, realizo-me. Viajo rumo ao horizonte das pradarias verdejantes do saber em flor e das calmarias dos oceanos das águas vivas da sabedoria. O sonho do arco-íris torna-se realidade. Trazes contigo a expressão de ternura, doçura e intensa paz interior que só tu tens e podes dar. Apesar de todo o sofrimento, permanece em ti a classe e a dignidade que te são inatas e com que sempre viveste. A tua finura. És intemporal e o teu tempo não se esgota na ampulheta. Mãe Educação, tu ÉS enorme, ad eternum vives.

Mãe, está a chover.

A chuva que cai são as lágrimas da minha tristeza que dói nas angústias do tempo por te ter perdido. Mãe, eu sei que tu és única, insubstituível. Tu sempre estás comigo. És o meu sol radiante. A luz que me ilumina. Mãe, eu gosto muito de ti. Gosto da Verdade do teu Amor. A emoção faz-me chorar lágrimas que me sulcam o rosto tantas vezes acarinhado por ti.

Mãe, tu fazes parte de mim.

Sinto tanto a tua falta. Estou de luto. Que agonia. A tua “morte” dói. Sabes, eu herdei tudo de ti. O amor, os valores, as ideias, a sensibilidade poética, o gosto pela natureza bela, a pureza espiritual, a Fé, a mansidão feita contestação e revolta. Física, ética, moral e axiologicamente tu és eu e eu sou tu. As nossas psicologias comungam neste grande Amor platónico. Infindável. Tu és o meu ideal. A minha filosofia de vida. A tua conduta ensinou-me. Mãe, tu fazes parte da minha idiossincrasia. A tua inocência e humanitas atordoa, invade-me, contagia-me e possui-me até às entranhas. Aprendi a ser feliz contigo, na tua simplicidade sábia. Mãe Educação, Eu Adoro-te; Nós Professores e Educadores Adoramos-te. Na nostalgia melancólica sinto a tua presença bucólica. Mãezinha, tu educaste-me. Os teus ensinamentos perduram em mim, eu o teu filho.

Mãe, até logo, sempre.

Com aquele Amor de sempre, até sempre. Mereces este AMOR excelso Mãe Educação. Uma beijoca para ti. Nos meândros do tempo, estamos separados apenas por uma gotícula que em breve virá e então, aí bem juntinhos,

tocaremos ambos a harpa educacional. Entretanto, vamos continuar a falar todos os dias. A tua recordação é o meu tesouro.

Mãe, sinto a falta do teu mimo.

Mãe Educação, AMO-TE!!!

Lembro-me de ti e o milagre acontece. És o presente que quero no Natal. Permanece em mim/em nós professores, a paixão, a lealdade, a dedicação e a fidelidade a ti. És tudo para mim/para nós, por Amor de ti.

Minha Mãe Educação. A tua chama consome-me e dá Vida.

Obrigado(a) por tudo! Perdoa-me por tudo! Amo-te por tudo!

Mãe Educação, o Céu existe e tu vens de lá.

“Os sábios herdarão Honra, mas os loucos tomam sobre si confusão”. (Bíblia Sagrada, Livro de Provérbios, Capítulo 3, verso 35).

 

Nota: professor que escreve de acordo com a antiga ortografia.

CCX.

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